Notas iniciais
Desculpa a demora.
Mas eu, particularmente, amei esse capítulo.
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[Capítulo editado dia 08/03/2013]

Memory Six



Irritado, Izaya encarava aquele homem. Internamente se perguntava como alguém conseguia ser tão estupido a ponto de tentar ir contra alguma decisão sua.


— Como? — perguntou de forma ameaçadora.


— Como posso explicar... — o diretor havia percebido o clima tenso que o cercava. — No mesmo dia, depois que você foi embora, Mai veio até mim perguntando quando voltaria. Respondi que talvez só viesse visitá-la na próxima semana. E, aproveitando a ocasião, comecei a explicar sobre a adoção. Quando terminei, ela pareceu pensativa e, depois disso, começou a agir de forma diferente nos dias seguintes. Digo, mais sociável. Não em relação ás outras crianças, mas comigo. Ela vinha até o meu escritório todos os dias, e quando percebi, já fazia completa questão de sua companhia. E hoje ela veio até mim e confessou que se sentia insegura quando a ser adotada, que preferia ficar aqui comigo. — Akihiro parou de falar e encarou o informante longamente. — Com isso, decidi que irei adotá-la.


Izaya continuou fitando-o, a raiva fervilhava dentro de si. Muita ousadia de Mai desafiá-lo dessa forma e ir tão longe para isso. Só que era com Orihara Izaya que ela estava lidando. E ele sempre conseguia o que queria, e ainda a faria pagar por isso.


— Que ela me aguarde. — murmurou.


— O que disse?


O informante sorriu com descaso para o diretor e soltou uma longa risada.


— Tem certeza que essa é a sua decisão final, senhor diretor? — perguntou alto. — Realmente quer me contraria dessa forma?


— Orihara-san... — ele também começou a se irritar com a petulância.


— Eu acho melhor você repensar um pouco. — levantou-se, olhando para o homem com prepotência. — O futuro desse orfanato está em minhas mãos. Se eu quiser, com pouco esforço, posso reduzir esse lugarzinho a ruínas.


— O que quer dizer com isso? — estreitou os olhos.


— Não é óbvio? — deu de ombros. — Se não abrir mão de Mai, farei com que todos aqui sejam despejados.


— Ela já disse que não quer ir com você. — também se colocou de pé. — E acho que agora entendo o motivo.


— Só agora? — perguntou rindo. — Para um mafioso você é bem lento. Caso não saiba, sou o homem mais perigoso e influente de Tóquio. Tenho poder para fazer o que bem entendo.


— Não para isso. — impôs. — E mesmo que, por ventura, eu abra mão dela, a decisão continua sendo de Mai. Você pode até conseguir tirá-la daqui, mas caso ela negue e entre em contato com a polícia, seu esforço será em vão.


Por pouco Izaya não conseguiu mascarar seu sorriso falhando. Isso era verdade. A única vantagem que Mai tinha nisso tudo era o fato de ser, aparentemente, menor de idade e não possuir nenhuma informação sobre si. Para o governo japonês ela não existia, e se resolvesse “se revelar”, criaria muita confusão. E no final sobraria para ele.


Só que, é claro, ele tinha uma solução.


— Pois bem, eu resolvo isso. — sibilou. — Mai tem 16, certo? A partir de amanhã quero ela ás sete em meu escritório para ir embora o horário que eu liberar, todos os dias. De agora em diante ela será minha assistente.


Não era bem isso que queria, mas no momento levá-la embora era sua prioridade. Depois ajeitaria os detalhes sobre a adoção, ou quem sabe conseguisse até convencê-la.


— Orihara-san! — exaltou-se. — Isso é inadmissível.


— Ah, mas é claro. — ignorou o comentário. — Isso só será possível se você abrir mão dela. — deixou seu olhar ameaçador. — Tudo depende de você; abra mão de uma pessoa, ou do orfanato inteiro. Te dou essa noite para pensar. Ou seja, amanhã quero ver Mai na porta do meu escritório.


Deu as costas para o homem atônito e saiu da sala. Ao fechar a porta, olhou para o lado; Mai estava parada, recostada a parede e com a cabeça abaixada. Quando ouviu o barulho de passos, ela levantou a cabeça, se assustando ao encarar aqueles olhos vermelhos, repletos de uma vibrante satisfação macabra.


— Espero você amanhã no meu escritório, Mai-chan. — falou.


Ao ouvir aquelas palavras, ela sentiu-se ficar pálida. Rindo do estado da menor, o rapaz seguiu corredor afora e foi embora do orfanato. Finalmente não teria mais que voltar naquele lugar irritante e sem graça.


Dali para frente tudo iria depender do informante e de como Mai iria reagir às coisas que pretendia fazer com ela.


Chegando ao seu escritório, não conseguiu trabalhar e muito menos dormir. Sentia seu interior queimar de expectativa, uma maldosa expectativa. Perguntava-se como Mai estaria naquele momento, depois de receber de Akihiro a maravilhosa noticia. Provavelmente ela estaria se desesperando com a ideia de passar horas por dia na companhia do informante. E, provavelmente, apavorada imaginando como ele a puniria por tê-lo contrariado, logo depois de ter sido ameaçada para não fazê-lo.


— Uma pena eu não ter ficado lá para presenciar isso, não é, Kuro? — ele olhou para o gato sentado ao seu lado no sofá.


Por fim, o sono e o cansaço acumulados devido aos dias de trabalho continuo o derrubaram. Izaya subiu para o segundo andar e seguiu para o seu quarto. Porém, não se esquecendo de colocar seu celular para despertar às seis e meia. Queria estar ás sete em ponto esperando-a.


***


Dormir não era algo muito fácil para Mai, porém naquela noite especifica parecia uma tarefa impossível. Sua mente não a deixava descansar, perturbando-a com suposições do que iria acontecer no dia seguinte e nos subsequentes.

Não queria se encontrar com Izaya, muito menos ficar horas sozinha com ele. Tinha medo do que poderia acontecer consigo. Talvez, se não tivesse feito nada, não seria tão ruim assim. No entendo, havia desafiado e provocado aquele homem, que mostrava não gostar de ser contrariado ou perder.


A única coisa boa naquilo tudo era que estaria próxima à Ikebukuro e, se desse sorte, poderia ir até lá.


Era algo que precisava muito.


***


O clima estava agradável quando Izaya desceu para a rua em frente ao seu prédio. Não trajava seu sobretudo, mas por hábito suas mãos estavam escondidas nos bolsos da calça escura.

Com tranquilidade, recostou-se à amurada de metal e esperou.



Enquanto isso, Mai se encontrava em um estado bem diferente. Estava dentro do carro de Akihiro esperando temerosamente pelo momento em que se encontraria com o rapaz.


Quando o carro virou uma esquina, ela logo pôde vê-lo parado em frente a um prédio. Aos poucos, a velocidade do veículo foi diminuindo, até parar a dois metros de onde Izaya estava. Os olhos rubros do informante se encontraram com os de Mai, fazendo-o sorrir, enquanto ela estremecia no lugar.


Mai estava pronta para descer, quando o diretor segurou seu braço.


— Tome isso, é um celular. — ele entregou o objeto para ela. — Caso ele tente algo de ruim com você, não hesite em me ligar.


Mai acenou e em seguida desceu. Soltou um suspiro cansado e foi até Izaya.


— Viu como sempre consigo o que quero? — falou com presunção.


Mai não respondeu.


— Mas não se preocupe, não pretendo ser tão cruel com você. — deu as costas para a garota e começou a caminhar de volta para o prédio. — Venha.


— Izaya — chamou-o em tom frio.


Curioso, principalmente por notar que ela não o seguia, o moreno se virou para ela.


— Sim? ~


— Seis meses. — deixou escapar um pouco de ressentimento em seu tom. — Eu não tenho a menor ideia do que você está falando sobre nos termos conhecido. Para mim, você é um completo desconhecido. Só que confesso que eu não gosto de ficar no orfanato, mas também não confio em você a ponto de achar bom vivem em sua casa. Por isso vou te dar seis meses para me convencer de que realmente nos conhecíamos, ou me fazer lembrar-se de algo.


— É mesmo? E se caso os seis meses passem e eu não consiga nenhum progresso? — desafiou, querendo saber até onde ela iria chegar.


— Caso isso aconteça, você esquecerá que me conheceu e me deixará em paz. Passaremos a ser dois estranhos um para o outro.


— Tudo ou nada, é? Hm, que atitude mais interessante e inesperada. Gostei disso. Mas o que garante que eu vá aceitar essas condições?


— Uma hora você vai acabar se cansando dessa situação, Izaya. — Mai respondeu. — E será você a não querer me ver mais.


Todas aquelas palavras, de certa forma, incomodavam o informante. Soavam como se realmente fosse tudo uma mentira, como se ele só havia tirado-a do orfanato para se divertir. Ela não compreendia o quão diferente era a realidade dela em relação a ele.


Mas o rapaz tinha que admitir, havia sido uma atitude que nunca esperaria de Mai. E isso era digno de sua admiração. Infelizmente essa aposta colocava muito a perder.


— Certo, vou aceitar sua proposta. Entretanto, tudo o que falou contribui apenas a seu favor. — comentou. — Também quero colocar minhas condições, para que eu também tenha algum tipo de vantagem. E só vou aceitar as suas, se concordar com as minhas.


— E quais seriam as suas condições...? — perguntou com receio. Mesmo com pouco tempo de convivência, ela já havia aprendido que podia se esperar tudo dele.


Izaya tentou ao máximo conter seu sorriso malicioso para falar.


— Você me dará liberdade para tentar o que eu quiser com você. Afinal, recuperar memorias perdidas não é nada fácil. — ela insinuou interrompê-lo, mas o rapaz foi mais rápido. — Claro, claro, não vou tentar nada que te machuque fisicamente. O que acha?


— ... Tudo bem, eu aceito.


— De acordo, então? — reafirmou. — Se você ganhar, eu te deixo em paz.


Mai já ia concordar, quando percebeu que em momento algum o rapaz reivindicara algum tipo de ganho com a aposta.


— E se você ganhar? — perguntou em tom curioso, quase como se ela própria o estivesse lembrando do fato.


— Se eu ganhar... — o informante sorriu, mas sentia que esse não era um de seus sorrisos zombeteiros. — Se eu ganhar, já terei minha recompensa.


— Como quiser. — ela aceitou, sem entender bem o significado daquilo.


Como era fácil lidar com pessoas inocentes, Izaya pensava. Apesar de achar que mai era o único ser vivo no mundo com tamanha falta de maldade, a ponto de não ver segundas intensões em seus atos.


— Espero que não fure com o nosso acordo. — o rapaz falou, quando algo lhe ocorreu. — Ah, é mesmo! E se você não cumprir com as condições?


— É lógico que eu vou. — ofendeu-se. — É mais provável que você não cumpra.


— Que cruel, Mau-chan... Assim vou ficar magoado. Estou falando sério. Também preciso de garantias. — exibiu um sorriso fino. — Para eu me sentir mais seguro, se você não cumprir com a sua palavra, terá que arcar com alguma consequência. — estipulou, dando as costas para ela e começando a andar.


— E-ei, Izaya, espera...! — ela o seguiu. — Que tipo de consequência?


Ele a olhou por cima do ombro.


— Se, por ventura, isso acontecer, penso em algo. — mentiu, afinal, milhares de coisas passavam por sua mente enquanto andava. Todas esperando pelo menor erro de Mai para entrarem em ação.


A menor não respondeu, concordava com tudo que ele havia dito. Precisava fazer essa aposta, caso contrário, nunca conseguiria cumprir seu objetivo e acabaria presa àquele homem até que ele cansasse dela.


E que assim fosse, aposta feita.


Mantendo o silêncio, os dois subiram até o andar onde Izaya morava e trabalhava. O informante abriu a porta e deu passagem para Mai entrar, observando-a atentamente, buscando em suas ações algum comportamento que sugerisse reconhecimento por parte dela em relação àquele lugar onde passou tanto tempo de sua vida.


Mai adentrou no escritório a passos lentos e passou os olhos por toda a sua extensão. Era espaçoso, bem mobiliado e ao mesmo tempo simples. Sentia-se confortável ali.


— É aqui onde trabalho e vivo. — apresentou. — E era aqui onde você passava grande parte do seu tempo.


Izaya também entrou e trancou a porta logo depois. Ao ouvir o barulho, a menina o espirou pelo canto do olho, mas resolveu ignorar sua ansiedade e prosseguiu.


— Que lugar grande. — comentou surpresa, ao chegar perto dos janelões de vidro.


Enquanto Mai olhava fascinada pela janela, o mais velho começou a se aproximar dela. Havia pedido a Namie que não viesse trabalhar, visando a total prova cidade dos dois naquele primeiro momento.


Izaya queria dizer tantas coisas, fazer tantas coisas... E pensando melhor, seria muito difícil se segurar nesses momentos em que estivessem completamente a sós. Não que tivesse intenção de realmente fazer as coisas com calma demasiada, mas também não queria assustá-la.


— Izaya — ela o chamou e quando se virou, assustou-se ao perceber que ele já estava atrás de si.


— O que foi? — perguntou.


— Será que eu... Que eu poderia... — não gostava que as pessoas se aproximassem tanto de si dessa forma, deixava-a nervosa. — Teria problema se eu fosse à Ikebukuro algumas vezes?


— Por quê? — quis saber, desconfiado. — Há algo lá que queira ver?


— Mais ou menos... Quer dizer...


Izaya continuou encarando-a, sem se desviar daqueles olhos azuis. O nervosismo de Mai era evidente, tanto que nem conseguiu terminar a frase e algumas vezes ela evitava contato visual, entretanto, sempre voltava a encará-lo. A garota sabia que deveria se afastar dali, mas não conseguia.


— I-Izaya... — repetiu.


Por dentro, ele sentia algo correndo dentro de si. Lentamente sua mente se perdia, não deixando que medisse seus atos.

Só agora, apenas nesse momento se daria ao luxo de fazer algo instintivo para saciar essa estranha vontade que crescia dentro de si.


O informante queria prometer a si mesmo que aquela seria a última vez que tomaria uma atitude inconsequente, indigna de alguém tão frio e calculista como ele, mas isso seria mentir para si mesmo.


Ao fazer aquela aposta, no fundo, sabia que tomaria muitas atitudes como aquela e até piores. Aquela era apenas a primeira.


— A aposta já começou, Mai. — avisou.


E sem deixar que ela tentasse protestar, o informante puxou-a para si e colocou uma das mãos atrás de sua cabeça, forçando seus lábios contra os dela.


Mai arregalou os olhos e sentiu sua respiração falhar. Tentou afastar o rapaz, empurrando-o pelo peito, mas não conseguiu. Aquela sensação sobre o seus lábios era estranha e assustadora. Sentia a respiração de Izaya se misturando a sua e algo quente e molhando roçando em seus lábios. Detestou aquelas sensações, queria se ver livre daquilo.


E ela não era a úica que estranhava e desgostava daquela situação. Izaya sentia o mesmo ao rever precariamente aquela sensação, principalmente porque Mai não o correspondia ao ato. Fato que o irritou, fazendo-o querer mais para saciar aquela vontade.


— Me larga! — ela exclamou ofegante, quando ele a soltou. — Por que fez isso?


Izaya levou um segundo para tirar sua atenção do beijo mal-sucessido e se focar na menor.


— Você disse que eu podia fazer o que quisesse. — deu de ombros, com desdém.


— Ma-mas isso é diferente!


— Não seja chata, foi só um beijo. — fez uma careta de descaso. — E muito ruim, por sinal.


Como se aquilo não tivesse sido nada, Izaya simplesmente deu as coisas para ela e se jogou em sua cadeira, ligando o computador.


Ainda parada do mesmo lugar, Mai estampava uma expressão emburrada em seu rosto. Queria xingá-lo, mas nada passava por sua cabeça.


— Não faça mais isso. — pediu por fim.


— Não prometo anda. — ele riu. — Vamos, saia dai e fique a vontade. Ou será que está esperando outro beijo?


O informante fez menção de se levantar, fazendo Mai arregalar os olhos e correr em direção ao sofá, sentando ali.


— Hm! — ela fez.


Rindo da forma infantil como ela reagira, o rapaz observou a menina sentada no estofado.

Inconscientemente ele levou a mão aos lábios, lembrando-se daquele momento. Isso fez seu sorriso sumir. Não havia gostado do beijo, muito menos de como ela reagira perante ele. Se fosse como antes, Mai o teria correspondido, mesmo que logo após corasse e o chamasse de tarado.

Que coisa irritante, preferia as coisas como antes.


Mas não precisava se preocupar, agora tinha Mai em sua casa e aquele era só o começo.


Memory Six Finalized


Notas finais
O que acharam?
Quero muitos reviews, ouviram? De vocês também, leitores fantasmas!