Memories

8 Memory Seven


Notas iniciais
[Capítulo Editado Dia 10/03/2013]

Memory Seven



Izaya olhava para Mai sentada no sofá da sala. Era estranho tê-la de volta, fazia-o lembrar-se do passado, de todo o tempo em que passaram juntos. O problema era que ele não queria rever aquelas memorias, não agora. Simplesmente porque Mai não se recordava delas, fato que deixava um amargo gosto em sua boca. E criava em si uma intensa vontade de ir até ela e usar todos os tipos de métodos para fazê-la voltar a se lembrar dele.


— Você pode ligar a televisão se quiser. — ofereceu, percebendo que seus olhos se perdiam na tela negra do aparelho.


A menor encarou o rapaz por cima do ombro. Já não confiava nele e depois do ocorrido anterior, menos inda. E também que não sabia o que fazer ali. Não conhecia aquele lugar, não sabia até onde tinha liberdade ali. Fora que era incomodo tê-lo observando-a o tempo inteiro.


Voltou a observar o cômodo, e quando estava pronta para respondê-lo, seus olhos se arregalaram e ao invés de palavras um grito lhe escapou. Colocou-se de pé subitamente, apavorada com o que vira. Não, não, não... Até ali aquelas coisas a seguiram.


Ao notar o desespero da outra, o rapaz também se levantou da cadeira para tentar entender o que era. Ainda confuso, caminhou até ela.


— O que foi? — perguntou, assustando-a.


Ela o encarou com os olhos arregalados, sem conseguir formar palavras conexas. Izaya insinuou colocar as mãos em seus ombros para acalmá-la, quando percebeu o motivo do susto.


— Aah ~ — riu da situação, deixando-a mais aflita. — Não precisa ter medo, Mai-chan, é só o Kuro.


O gato negro estava aos pés do sofá, encarando sua antiga dona com seus espertos olhos verdes.


— Kuro? — ela repetiu, dando alguns passos para trás.


— Isso mesmo. — o rapaz caminhou até o animal. — Você não se lembra dele, mas ele se lembra de você. — pegou-o no colo. — Kuro é o nome do seu gato.


— Ele parece uma sombra... — ela deixou que a palavra sombra saísse como referência á uma ameaça e Izaya havia notado isso. Porém resolveu ignorar momentaneamente.


— É quase essa a ideia do nome Kuro. Negro como uma sombra. — ergueu o gato na altura dos olhos dela. — E se quer saber, foi você quem escolheu o nome. Tome, ele é seu.


Mai não se moveu; analisava minunciosamente aquela criatura de formato engraçado, tentando encontrar algum indício de perigo. Achando que estaria tudo bem em tocá-lo, segurou-o por baixo dos bracinhos curtos, notando como ele era macio.


— Kuro — ela pronunciou, ainda sem aproximá-lo de seu corpo. — Gostei do nome. Ele é...


— Simples e fácil de lembrar? — Izaya completou.


Mai ficou sem fala e evitou os olhos do rapaz.


— I-isso mesmo... — ela concordou baixinho.


Ainda um pouco sem jeito em relação ao animal, ela o levou até o sofá e o colou ao seu lado. O gato ficou parado alguns segundos e depois soltou um miado, indo se deitar no colo de Mai. Com delicadeza e ao mesmo tempo com um pouco de receio, ela acariciou atrás de sua orelha peluda, fazendo Kuro ronronar.


— Mai — Izaya chamou. —, e se na verdade fosse uma sombra, o que teria de errado? — perguntou, não contendo a curiosidade em relação ao acontecimento anterior.


A garota parou de acariciar o animal e abaixou a cabeça, suas mãos tremiam. Não gostava de falar sobre o assunto.


— Nada. Não tem nada de errado com as... Sombras.


Por mais que o informante a conhecesse, não podia negar, sempre haveria mistérios em volta de Mai. De fato, gostava de pensar que era uma das características nela que o atraia, mas no fundo, era algo que o assustava.

Tentando ignorar a estranheza, voltou para sua mesa e focou-se em seu trabalho.


E enquanto o rapaz trabalhava, a menor passou todo o tempo brincando com o gato. Aos olhos de Mai aquela criatura era extremamente interessante; era calma e mansa, tão fofa e macia que sentia vontade de apertá-la. Mas com o passar das horas, sua atenção foi se desfocando do animal, devido à fome que estava sentido. Se estivesse no orfanato, provavelmente este seria o momento que almoçaria, mas não sabia se o mesmo ocorria ali.

Estava pronta para perguntar ao rapaz sobre isso, quando seu estomago resolveu tomar a dianteira, exigindo sonoramente por comida. Izaya começou a rir com o barulho, enquanto Mai, sem graça, colocava a mão sobre a barriga e se encurvava.


— De-desculpe — falou.


— Eu acho que alguém está com fome. — ele supôs.


— Ta-talvez um pouco...


O moreno soltou uma última risada e levantou-se da cadeira, pegando seu sobretudo.


— Largue o Kuro, vamos sair para almoçar. — falou, como se estivesse proferindo uma ordem.


— Sair? — ela ficou surpresa. — Mas você não disse nada sobre sair do escritório.


— Você realmente achou que ficaríamos presos aqui o tempo todo? — falou de forma irônica. — Como se eu fosse restringir minhas ações a esse ponto. Caso não saiba, há muitas coisas interessantes “do lado de fora”. — explicou. — E você mesma disse que queria ir à Ikebukuro.


— Vamos à Ikebukuro? — levantou-se animada.


— Não — cortou, colocando sua vestimenta. — Vamos ficar em Shinjuku mesmo. Há um bom restaurante aqui perto.


Mai se desanimou um pouco, mas ao menos sairiam dali, o que já era um começo.


— Certo. — ela falou, indo até a porta.


O rapaz não queria levá-la até Ikebukuro, não ainda. Corriam o risco de se encontrarem com pessoas que um dia foram conhecidas para ela, e por ora, preferia evitar isso ao máximo. Pelo menos até conseguir definir o quanto isso poderia ser benéfico ou não para si.


— Ah, mas eu... — a menor se interrompeu.


— Dinheiro? — completou. — Sem problema, eu pago para você — fez um gesto exagerado. — Caso não saiba, sou um homem muito generoso.


A garota revirou os olhos diante do comentário, enquanto o informante simplesmente dava de ombros. Juntos dos dois saíram do prédio para caírem em uma das ruas de Shinjuku.


Izaya caminhava com as mãos nos bolsos, observando Mai alguns passos à frente. Ela olhava para tudo a sua volta, absorta nas novas descobertas que fazia. Às vezes ela parava para encarar algo por mais tempo, ficando para trás e tento que acelerar o passo para acompanhar o moreno.

No fundo, ele invejava um pouco essa peculiaridade dela; a falta de senso comum e conhecimentos terrenos. E o fato de tudo lhe parecer novo e interessante; o mundo a sua volta sempre a surpreendia. E enquanto sua mente criava uma perspectiva própria acerca dos fatos, não corria o risco de ser influenciada pelos padrões pré-impostos. As informações eram absorvidas de forma pura.

Considerava essa forma de ver o mundo privilegiada, mas ao mesmo tempo perigosa. A qualquer momento Mai podia ser enganada, e com muita facilidade, por sinal. Malícia e segundas intensões eram quase inexistentes para ela.


— Onde estamos indo, Izaya? — perguntou.


— Achei que era você quem estava me levando, correndo desse jeito na frente. — brincou. — Olha, está logo ali à frente. — apontou para uma pequena instalação de características japonesas. — É um Sushi Bar.


— Sushi Bar?


— Basicamente, um lugar onde se prepara e vende peixe cru. — explicou rápido. — Gosta de sushi, certo?


Os dois pararam em frente ao estabelecimento.


— Nunca provei. — respondeu.


— Nunca? Sério? — riu surpreso. — Bem, então irei apresentar a você o maravilhoso atum gordo. ~


Guiando a garota, Izaya adentrou no restaurante. Não era muito grande; possuía uma longa bancada com bancos que separava a cozinha do resto e algumas salas privadas.


Encontrando uma delas vazia, o informante entrou e se acomodou no kotatsu.


— Não vai entrar? — perguntou para Mai, que continuava em pé perto da porta de correr.


— Vou... Sim. — ela respondeu com custo, fechando a porta atrás de si e sentando de frente para o rapaz.


Estava novamente sozinha com Izaya.


Com um sorriso fino, o mais velho colocou os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos e apoiando o queixo sobre eles.


— Então...? — ele começou.


— Então, o que? — rebateu.


Mai mantinha as mãos sobre o colo e evitava a todo custo olhar para o outro.


— Não tem nenhuma pergunta que queira me fazer sobre o que está acontecendo? — instigou, observando-a com um olhar analítico. — Está em uma situação, de fato, confusa, não acha? Você, que parece não reconhecer nada a sua volta se encontra com um homem que nunca viu e que diz te conhecer. Você nega tal relação e mesmo assim ele insiste, manipulando a situação ao seu favor. No mínimo, deve estar curioso em relação à motivação desse homem para chegar a tanto, não é?


Mai ficou calada.


— E eu sei o quanto você é curiosa. — falou com confiança. — Você quer saber, e muito.


A mais nova mordeu o lábio inferior e apertou a barra da saia. Não queria se deixar levar, precisava se conter ao máximo e manter-se o mais longe possível dele. Entretanto, queria muito saber o que ele tinha a lhe dizer.


— Vamos, não é difícil. — estimulou. — É só dizer: Oh, Izaya-sama, diga-me o motivo de tanto me querer. Sinto-me tão insegura. Tenho certeza que se me contar o motivo, poderei me entregar completamente a você.


— O que?! — ela exclamou, e pela primeira vez não conseguindo conter o rubor em suas faces. — E-eu nunca diria isso!


Com a reação da outra, Izaya começou a rir, alto o suficiente para ser ouvido nas outras cabines. Inclinou o corpo para trás, apoiando-se em uma das mãos, ainda gargalhando.


— Ah, Mai-chan, você tinha que ter visto o seu rosto, mudando aos poucos de atento para constrangido a cada palavra dita. Hilário!


— Izaya! — exaltou-se, corando ainda mais.


Mai continuou a encará-lo de forma indignada, enquanto o informante ria sem pudor. A situação só foi ter um fim quando um dos atendentes pediu para entrar na salinha para anotar os pedidos – e desconfiava Izaya, saber o motivo da barulheira.


Acalmando-se um pouco da crise de risos, o moreno ditou seu pedido e o de Mai ao atendente, que logo depois se retirou.


— Ai, ai ~ — respirou fundo, recuperando o folego. — Muito divertido, Mai-chan.


— Não teve graça. — reclamou. — E eu nunca diria algo assim.


— Mas se dissesse, com certeza, facilitaria muito a minha vida. — argumentou.


— E se você me deixasse ir embora, facilitaria a minha.


— Não reclame, está muito melhor comigo.


Mai cruzou os braços sobre o peito e fez uma careta, se recusando a estender o assunto. Por fim, o silêncio tomou conta do local e nem quando os pedidos chegaram os dois voltaram a trocar alguma palavra. Os pratos foram colocados sobre o tampo do kotatsu, possibilitando Izaya a finalmente saborear seu tão precioso atum.


Já havia comido três, quando notou que Mai não havia tocado em sua comida. Ela ainda encarava os hashis com curiosidade, sem saber como utilizá-lo. Suspirando, o rapaz colocou os seus sobre o pequeno suporte.


— Você não precisa necessariamente usar os hashis para comer sushi. — comentou. — Pode pegá-los com a mão.


— É mesmo? — ela depositou os seus sobre a mesa e pegou um dos pedaços com a mão. — É bem mais prático.


Percebendo que nela também não havia um senso de etiqueta muito bem formado e que talvez ela pudesse acabar generalizando o “comer com as mãos”, continuou:


— Mas isso só vale para o sushi, ouviu? De qualquer forma, vai ter que aprender a usar os hashis em algum momento.


— Eu sei disso. — com cuidado, levou o atum a boca, mastigando lentamente.


— O que achou? — quis saber, comendo outro.


— Hm... — engoliu. — É bom, muito bom.


— Viu? Sou uma pessoa de gosto refinado.


— Não tenho tanta certeza. — murmurou.


Ocupados demais com a comida, nenhum voltou a conversar. Terminaram a refeição e saíram. Enquanto Izaya pagava a conta, Mai se adiantou até a porta.


A menina olhou para o movimento lá fora e depois voltou para Izaya. Não havia sido tão ruim assim. Ainda não lhe agradava a ideia de ficar com ele, mas sentia-se melhor ali do que no orfanato.


— Vamos? — ele perguntou ao se aproximar.


Mai acenou e os dois reiniciaram a caminhada por Shinjuku, agora voltando para o escritório. Em meio ao trajeto, Izaya soltou um murmúrio divertido, chamando a atenção de sua acompanhante.


— O que foi? — perguntou.


— No final, você acabou não perguntando. — observou. — Estou começando a achar que era daquele jeito mesmo que você queria perguntar, só que está acanhada demais para fazê-lo. — brincou, fazendo os olhos da outras se arregalarem.


— ... Seis meses, ouviu? Seis meses! — gritou, correndo na frente do rapaz para que ele não visse o seu rosto corado.


— Que jeito mais descarado de fugir do assunto! — zombou, sem se importar com as pessoas olhando para ambos que gritavam no meio da rua.


Enquanto Mai corria, Izaya fitava suas costas. Involuntariamente soltou um suspiro humrado e olhou para o céu azul de verão.


Meio ano, certo? Mentalmente fez as contas do dia atual até o último do prazo, quando seu sorriso sumiu.

A data final dava exatamente em semana depois do inicio do inverno, bem quando começava a nevar. A única coisa que Mai queria ter visto, mas não conseguiu.


Seria coincidência ou um mero fato sem importância?


Não sabia dizer.


Memory Seven Finalized.

Notas finais
O que acharam?
.
Para quem gosta de Originais
http://fanfiction.com.br/historia/216812/Edificio_Montgomery_Foster/
.
Eu também leio Originais, mais do que fics de DURARARA.