Memories
9 Memory Eight
Notas iniciais
Bom, não vou entrar muito em detalhes, mas minhas sinceras desculpas.
Estou de saída, mas prometo quando eu voltar que vou responder os reviews e MP's, ok?
E para quem eu acompanho fic, não abandonei nenhuma delas. Eu apenas... Acompanho várias e as vezes fico meio perdida e me atraso.
De qualquer forma, boa leitura. Converso mais com vocês nas notas finais.
Memory Eight
– Então, te vejo amanhã? – Izaya perguntou, sorrindo inocentemente para Mai.
– Não tenho escolha, não é mesmo? – em seu tom havia uma leve magoa.
Os dois naquele momento se encontravam nas portas do edifício onde o rapaz morava. Já era noite, por isso Izaya esperava com a garota sua carona de volta para o orfanato chegar.
Pelo informante, Akihiro-san podia muito bem não aparecer, para ele seria melhor ainda. Mas desconfiava que a opinião de Mai a respeito disso era completamente oposta a sua. Ela olhava apreensiva para a esquina por onde supostamente o carro viria, com medo desse não chegar.
– Detestou tanto assim seu primeiro dia aqui, Mai-chan? – perguntou, fazendo-a encara-lo.
– Nã-não... Quer dizer... – as palavras escaparam de sua boca. – ... Eu só me sinto um pouco nervosa.
– Ah, é mesmo? ~ E por que não me conta o motivo de tal sentimento? – deu um sorriso fino.
Mai estremeceu, mas infelizmente, para Izaya, uma buzina de carro irrompeu entre os dois, avisando que a carona da menor chegara.
– Eu tenho que ir! – ela exclamou, mais do que depressa dando as costas para o moreno e correndo de volta para o carro.
O veículo logo deu a partida e se afastou. No entanto, Izaya continuou parado no mesmo lugar. Seu olhar estava fixo no nada, enquanto sua mente vagava.
Havia passado um dia inteiro na companhia de Mai, só os dois, completamente sozinhos, depois de um ano inteiro sem vê-la. Tempo que passou torturando-se; lutando contra o “acreditar que a reencontraria e que deveria esperar” e o “desapegar-se da esperança e esquecer”. Mas essa luta havia chegado ao fim, pois ela estava de volta.
Mai estava de volta.
Não ligava para o motivo de sua “volta”, o importante era que ele podia vê-la e toca-la. Mas então, por que não estava insatisfeito? Por que a todo o momento sentia raiva e ressentimento dela?
Estava insatisfeito com a situação. Não era a mesma Mai que conhecera, suas memorias não estavam com ela e por causa disso, os sentimentos que tinha por ele também não. Não havia nada. Para Mai, Izaya era agora um estranho de ações duvidosas que a tirara de seu “lar” por razões caprichosas.
Eles eram apenas isso.
E o passado que compartilhavam se afastava cada vez mais.
Izaya tinha que agir logo. E rápido.
~o0o~
O moreno já se dirigia até a porta, quando essa se abriu sem que precisasse fazer algo. Era Namie-san... Acompanhada de Mai?
– Parece que Namie-san foi mais rápida que eu essa manhã. ~ – comentou com a mulher. – Ou será que está de olho na Mai-chan? – zombou, aproximando-se da secretária. – Não disse nada para ela que me comprometa, não é? – sua voz saiu baixa e perigosa.
– Você já se autocompromete, Izaya. – Namie respondeu ríspida, empurrando-o para que lhe desse passagem.
– Nossa, que mulher amarga! ~ – fez bico.
Izaya finalmente virou-se para Mai, que o encarava confusa.
– Como vai, Mai-chan? Sentiu saudades de mim? – sorriu para ela, que em questão de segundos fechou a expressão para ele.
– Já disse, não venho aqui por livre espontânea vontade. – reclamou com a voz baixa, também lhe dando as costas.
– Essas mulheres de hoje... Tão ranzinzas. – deu de ombros. – Bom, já que a Mai-chan não quer nada comigo, acho que é melhor não leva-la comigo para Ikebukuro.
A reação foi imediata. Mai parou no meio do caminho e de uma vez se voltou para o rapaz.
– Vamos á Ikebukuro? – perguntou surpresa.
– Oh, agora o Izaya é importante? – fingiu estar ofendido. – Não, não, vou sozinho. Você fica com a Namie-san.
– Por favor, Izaya. – suplicou.
Por dentro o moreno sorria. Ainda a torturaria um pouquinho mais.
– Não, você deixou bem claro que não aprecia minha companhia. Tenho certeza que ficará muito melhor aqui enquanto não estou.
– Mas... Mas... – ela se aproximou, perdida com a suposta decisão.
– Pensando melhor, nem vou mais até Ikebukuro. – desviou dela e voltou para sua mesa. – Isso mesmo, ninguém mais vai sair.
– Não! – ela o seguiu. – Vamos á Ikebukuro, por favor. Vamos juntos.
– Juntos? – ergueu as sobrancelhas, sorrindo. – Quer dizer que quer sair comigo?
– Sim! ... – ela parou para pensar um pouco, entendendo de forma superficial que rumo a situação estava tomando. – Não, espera...
– Ah, Mai-chan, está me chamando para sair? Claro que podemos ir juntos. – levantou-se empolgado em excesso, indo até a menor e segurando-a pelo pulso. – Bye, bye, Namie-san, eu e a Mai-chan vamos á um encontro! ~~
Mai não teve tempo de perguntar algo mais, Izaya praticamente a arrastou do escritório. Só conseguiu realmente chamar sua atenção em meio à euforia quando já estavam andando pelas ruas de Shinjuku, indo em direção ao distrito que desejavam.
– Espera um pouco, Izaya! – chamou, tentando não tropeçar nos próprios pés enquanto era arrastada.
O rapaz parou e a encarou.
– V-vai mesmo me levar à Ikebukuro? – perguntou insegura. – Realmente?
– É claro que sim. E eu te enganaria? ~ – olhou para ela de forma inocente.
Mai ficou observando-o por longos segundos, até que sorriu. Um sorriso verdadeiro e que a muito Izaya não via.
– Eba, vamos á Ikebukuro! ~ – ela olhou para os lados, animada. – Para que lado fica... Izaya?
Por um momento o informante ficou surpreso, suas palavras sumiram. Mas quando notou que Mai havia percebido sua falta de jeito naquele instante, disfarçou com um sorriso zombeteiro.
– Quer dizer que você quer ir á um lugar que nem mesmo sabe onde fica? Que irresponsável. – repreendeu com pouco caso. – Serei então seu guia, também. Vamos, é por aqui.
– Eu tenho outra pergunta. – ela o acompanhou á passos incertos.
– Então faça. – incentivou, ainda arrastando Mai pelo braço.
– O... O que é um encontro?
O informante parou de andar, fazendo a menor trombar nele. Sua expressão facial ficou inicialmente em branco, mas logo em seguida soltou uma risada fina.
– O que é um encontro, Mai-chan? Quando voltarmos ao escritório eu te conto.
Voltaram a ficar em silêncio. Mai admirava a paisagem, enquanto Izaya pensava em como as coisas poderia proceder quando chegasse a Ikebukuro com ela.
Obviamente em algum momento alguém iria reconhecê-la. E talvez isso fosse até algo bom, daria mais força aos argumentos de Izaya. Até certo ponto seria positivo, mas também havia seu lado negativo. Antes, por motivos que desconhecia, Mai não se importava com o quão mau Izaya fosse com ela ou as pessoas lhe dissessem para se afastar, ela continuava a ter seus sentimentos por ele na mesma intensidade.
Ela mesma já havia afirmada isso, naquele dia em que... Droga, devia parar de ficar relembrando por ora essas coisas.
De qualquer forma, no momento atual, qualquer palavra negativa dita a seu respeito poderia afasta-la facilmente. Por isso, teria que evitar contatos desnecessários e tomar cuidado com quem ela iria se relacionar.
Os principais que viam a sua mente eram Celty e Shizuo. Na sua concepção, eram os que mais ofereciam riscos a sua “imagem”.
– I-ZA-YA-KUN!
E falando no monstrinho...
Izaya já estava pronto para se virar para o loiro e soltar algum comentário sarcástico e provocador, quando seu sorriso falhou ao se lembrar de que Mai estava ao seu lado.
– Quem é ele? – ela perguntou, olhando para Shizuo que se afastava de Tom para agarrar uma maquina de refrigerantes.
– Droga... – murmurou.
O moreno virou para Mai com um olhar sério e a agarrou pelos ombros, obrigando-a a dar alguns passos para trás.
– Ei, o que está fazendo? – indagou preocupada. – Por que aquele homem...
A menor não conseguiu terminar a frase, pois foi empurrada pelo rapaz para dentro de um beco.
– Fique aqui. – Izaya falou pausadamente, quase como se fosse uma ameaça. – Eu volto.
Antes de ser golpeado por uma maquina de refrigerantes voradora, Izaya conseguiu correr para longe dali. Para sua sorte, Shizuo nem notou a presença de Mai, estava ocupado demais xingando-o.
– Ah, Shizu-chan, você é um terrível estraga prazeres. ~ – reclamou, fingindo estar triste. – Eu estava no meio de uma importante atividade.
– Com certeza eu estou fazendo um favor ao mundo interrompendo você e suas ações duvidosas! – o mais alto rebateu com ferocidade. – Sua pulga inútil!
– Útil com certeza eu sou. Afinal, consigo me manter em meu emprego. – zombou, enquanto ria alto, mas sem deixar de correr ou desviar do que o outro mandava. – Só não podemos dizer o mesmo de você, não é?
Izaya virou uma esquina, mas para sua infelicidade era um beco sem saída. Sorriu de forma amarga, devido à situação.
– Finalmente encurralei o rato imundo. – Xingou Shizuo com sua voz cavernosa.
– Ah, vamos lá, Shizu-chan, me deixe ir embora. – tentou. – Tem alguém esperando por mim.
– Então essa pessoa vai me agradecer quando eu acabar com você. – deu alguns passos á frente.
– Bom, pelo menos eu tentei. – deu de ombros. – Não se pode esperar muito de um monstro irracional. – suspirou.
O informante olhou em volta, precisava escapar. Para sua esperança, notou que do lado esquerdo do beco havia várias caixas e sacos de lixos empilhados recostados à parede suja. Talvez isso desse certo. Sorriu com maldade e empurrou uma das caixas da base com o pé, fazendo toda a pilha desmoronar sobre Shizuo que já se encontrava próximo dele.
O loiro se assustou com a avalanche repentina e não conseguiu fazer nada para fugir dela. Rindo, Izaya deu alguns passos para trás e escalou a alta cerca de metal que fechava a passagem.
Quando pulou do outro lado e voltou à rua, notou então o quanto havia se afastado de onde Mai estava. Não correra durante muito tempo, mas ele e Shizuo eram rápidos, conseguiam cobrir longas distancias em pouco tempo.
Suspirando pesadamente, começou a caminhar de volta para o lugar onde deixara a garota. Todavia, teria que tomar outro caminho. Os sacos de lixo não segurariam Shizuo por muito tempo e ao notar que Izaya já não mais se encontrava por perto, voltaria para Tom – fedendo, mas voltaria. Seria muito azar topar com o loiro no meio do caminho, se voltasse pelo mesmo lugar.
Já estava se aproximando do beco, quando viu algo que o desagradou profundamente. Mai estava fora de lá, mas não era esse o problema, pois continuava por perto. O que o fazia ranger os dentes era para onde ela estava olhando.
Shizuo.
O guarda-costas estava de volta e se afastava com Tom, porém Mai não tirava os olhos do rapaz.
– Não mandei ficar no beco? – repreendeu ao se aproximar.
– Quem era ele, Izaya? – ela perguntou. – Você viu o que ele fez?!
– Não se meta em assuntos que não são seus. – cortou de forma dura.
A grosseria repentina assustou-a e pareceu magoa-la, mas Izaya não voltou atrás.
– Vamos. – tentou segurar o pulso dela novamente, mas Mai não deixou.
– ... Para onde estamos indo exatamente? – sua voz saiu ligeiramente tremula.
– Para qualquer lugar. – deu as costas para ela e começou a andar.
Os dois continuaram a andar juntos em completo silêncio. Mai parou de fazer perguntas ao rapaz, limitando-se a apenas segui-lo.
Andaram por talvez vinte minutos, quando Izaya resolveu para em uma praça, antes muito conhecida por Mai. Andou até o centro e sentou na beirada da grande fonte, soltando um longo suspiro de olhos fechados. Quando voltou a abri-los, percebeu que a menor mantinha-se a sua frente, mas não o encarava. Seus olhos azuis corriam por toda a praça, observando cada detalhe, cada pessoa. Mas de um modo diferente de como fizera com Shizuo. Ao invés de interesse, algo mais sério estava estampado no brilho de seus olhos, era como se procurasse algo.
– O que está fazendo? – Izaya quebrou o transe em que ela se encontrava.
– Hm? – Mai balançou a cabeça, espantando os pensamentos para se focar nesse. – Não é nada.
– Realmente? – erguei uma sobrancelha, em seguida mostrando um sorriso fino. – Você nunca foi boa mentirosa, sabia? – levantou-se e se aproximou dela, inclinando para ficar na altura de seus olhos. – Será que vou ter que obriga-la a dizer o que esconde? Considerando que nesse momento estou um tanto irritado com você, meus métodos para conseguir o que quero podem acabar não sendo muito gentis.
Mai deu um passo para trás, perturbada.
– Você me assusta... – falou ofegante. – Precisa ser tão mau assim?
– É claro que preciso. – voltou a ficar ereto. – Agindo desse jeito, desperto medo em você. Medo significa respeito incondicional. Obtendo isso de você, posso então fazê-la se submeter aos meus desejos.
A resposta saiu natural, porém ao mesmo tempo com uma pitada de crueldade. Mai arregalou os olhos e por um momento Izaya achou que ela lhe daria as costas e fugiria. No entanto ela apenas ficou parada. E foi nesse momento que o comentário de Namie fez sentido.
”Você se autocompromete”
Ele tinha acabado de fazer o que não queria que as pessoas que conheciam Mai fizessem; mostrassem a ela o quão ruim era. Só que Izaya não conseguia ser diferente e também não tinha a menor intensão de mudar seu jeito de ser.
Droga, as coisas estarem correndo desse jeito só o deixava ainda mais irritado.
– Vamos, diga logo o que é. – exigiu sem paciência.
– É que eu nunca saio do Orfanato... E Ikebukuro é tão diferente de onde eu fico vivendo.
Mai abaixou a cabeça e Izaya teve a impressão que ela falaria mais alguma coisa. Porém o que quer que fosse, ficou guardado com ela.
– Bom, agora que você está aqui, aproveite. – tentou assumir uma postura mais relaxada. – Você adorava essa praça. Chegava a passar horas aqui sentada, apenas observando a paisagem.
– Essa pessoa que você diz ser eu me parece alguém muito... Á toa. – concluiu.
– Talvez. – riu. – Mas nesse momento você também não parece uma pessoa lá muito ocupada.
Mai deu de ombros, respirando fundo. Foi até a fonte que borrifava água para o alto e sentou ali. Colocou as mãos sobre o colo e olhou para o mais velho.
– É um bom lugar. – assentiu.
Já com o humor melhorando, o informante foi até o monumento e sentou-se ao lado dela. Virou-se para encara-la, no mesmo instante que ela também o fazia. Seus rostos ficaram realmente próximos, e durante alguns instantes, nenhum dos dois se desviou.
E Izaya notou, com satisfação, que Mai se sentiu perdida com isso. Os poucos segundos duraram muito mais do que pareciam, para enfim a mais nova quebrar o contato. Ela remexeu inquieta no lugar e fitou o chão.
– Depois daqui, vamos para onde? – tentou mudar o foco.
– Não sei, Mai-chan. – respondeu. – Por ora, vamos ficar por aqui.
Um silêncio incômodo tomou conta dos dois. Mai balançava os pés suspensos, que não alcançavam o chão de onde estava. E Izaya olhava para as pessoas que passavam na rua.
– Você não falou tudo, não é mesmo? – o rapaz quebrou o clima. – Tem algo a mais que a faz querer estar aqui.
Isso era obvio. Desde o inicio Mai deixou evidente que queria ir até Ikebukuro em especifico. Talvez fosse verdade a resposta que dera, mas não era só isso. Principalmente levando em conta as experiências passadas que teve com ela. Aquele distrito parecia atrai-la de alguma forma.
– ... Se você diz me conhecer, provavelmente sabe a resposta. – rebateu.
Ela o havia pego.
– É, talvez eu saiba. – respondeu. – Mas não tudo. Sou coletor de informações, e a melhor pessoa para confirmar isso: nunca dá pra ser conhecer completamente alguém. Ainda mais quando a pessoa em questão é tão inconstante.
– Mas... – ela mordeu o lábio inferior. — ... Se sabe disso, deve concordar que algumas coisas devem se manter desconhecidas.
– E por que acha isso? Por acaso guarda segredos sórdidos nessa sua cabecinha?
– Coisas que podem acabar assustando as pessoas. – sua voz saiu num sussurro.
Izaya piscou algumas vezes. Assustar? Nunca havia imaginado que Mai havia um lado sombrio. Na verdade, nunca achou que fosse possível, afinal, antes ela era uma pessoa que sempre estava sorrindo e saltitando; olhando para o mundo de uma perspectiva inocente. De forma alguma, no passado, conseguiria associa-la á algo “obscuro”. Só que eles não estavam mais no passado, certo?
Mesmo que Izaya odiasse isso, Mai estava bem diferente. Seu tom de voz era sempre baixo e seus olhos ás vezes transmitiam falta de vitalidade. Quase nunca conseguia sustentar um olhar dele. Também tinha a impressão que as coisas á sua volta pareciam assusta-la.
– Ah, vamos, Mai-chan. – insistiu, colocando a mão sobre sua cabeça, bagunçando os fios negros. – Não precisa ter medo. Não há nada sobre você que consiga me afastar, pode ter certeza disso.
A sentença pareceu deixar Mai surpresa, que o encarou com os olhos arregalados. Mas sua expressão não durou muito tempo, ela logo abanou a cabeça e afastou a mão do rapaz.
– Você diz coisas estranhas. – virou-se para o outro lado.
– O que foi? ~ – riu. – Ficou embaraçada diante minha amabilidade? Ah, que gracinha você. ~
– Essa sua necessidade de constranger as pessoas é outra característica sua que me assusta.
– Você acha? Penso que é um charme meu. – deu de ombros, aproximando os lábios do ouvido de Mai, deixando sua voz rouca. – Essa é só mais uma de minhas várias características que você um dia amou. E que agora aprenderá a amar mais uma vez.
Num pulo, Mai pôs-se de pé, completamente arrepiada.
– O-o q-que você disse-e?
Ela estava ofegante e uma sombra de rubor passava pelo seu roto. Izaya soltou uma risada curta, sorrindo com malicia.
– Foi isso mesmo que ouviu. – insistiu, também ficando de pé. Colocou as mãos nos bolso. – Pense bem nisso que falei.
O informante lhe deu as costas, começando a andar.
– Vamos caminhar mais um pouco. – decidiu. – Depois paramos para almoçar.
Demorou um pouco, Mai ainda continuou parada no mesmo lugar durante alguns instantes, para finalmente começar a segui-lo.
E assim o dia prosseguiu. Os dois o passaram quase completamente na rua – apenas revezando entre andar sem rumo e parar para comer algo ou descansar. Quase não trocaram palavras, Mai parecia ainda mais retraída. Mas seu olhar observador continuava lá, captando todos os detalhes.
Aquilo não era normal, tinha certeza. Não era mera curiosidade. Ainda tinha que arranjar um jeito de arrancar isso dela.
O sol já havia sumido dos céus, dando lugar à brilhante lua, quando finalmente pararam na Rua do Teatro.
– Acho que já está bom por hoje, não? – indagou Izaya, espreguiçando os braços. – Gostou de sair em um encontro comigo, Mai-chan? ~
– ... Não.
– Oh, por que não? – falou de forma ferida. – Eu me esforcei tanto. Assim fico magoado, parece que sua única opção é me odiar...
– Você é quem reduz as opções... – murmurou.
– O que disse? – insistiu, parar que repetisse aqui alto.
– Vou ligar para o Akihiro. – respondeu, tirando o celular do bolso.
Izaya estreitou os olhos, enquanto Mai se afastava com o aparelho em mãos. O telefonema foi rápido, mas ela continuou a manter a distancia.
– Ei. – aproximou-se, mas ela deu mais alguns passos, fazendo o informante segura-la pelo pulso. – Vamos trocar nossos números de celular! – pediu com uma felicidade de colegial, ignorando a tentativa de fuga.
– O que?
– Vamos trocar nossos números. Assim vamos poder nos falar à hora que quisermos.
– Acho melhor não...
– Ah, vamos ~ Quando estiver em seus momentos de solidão, poderá recorrer a minha belíssima voz. – propôs.
O comentário de Izaya saiu completamente carregado de humor, de acordo com sua finalidade. No entanto, conseguiu notar que Mai o encarou como sério. Ela apertou o celular em sua mão e engoliu saliva, tomando coragem. Mas essa logo se esvaiu.
– Não, não! – balançou a cabeça para espantar a ideia anterior. – E me solta. – puxou a mão de volta. – Por que fica me segurando desse jeito?
– Se quiser, posso te segurar de um jeito mais gentil. – sorriu de forma insinuada.
– Gentileza é a última coisa que você usa comigo. – respondeu.
Mai voltou a se afastar, mas dessa vez era para entrar no carro que a esperava próximo ao meio-fio. E tão rápido quanto ele chegou, afastou-se.
Izaya continuava parado no mesmo lugar, pensando sobre a última frase dela. Gentileza? Havia sido suficientemente agradável com ela, salvo o pequeno contratempo com Shizuo.
Já não havia sido suficiente? Estava agindo da mesma forma que antes, certo?
Balançou a cabeça. As coisas estavam indo muito bem, de forma lenta, mas bem. Não tinha com o que se preocupar.
Iniciou sua caminhada de volta ao escritório. Estava á meio caminho, quando um carro negro parou ao seu lado. O vidro escuro do passageiro se abaixou lentamente, revelando Shiki-san e outro integrante da Yakuza.
– Boa noite, senhores. – Izaya cumprimentou casualmente.
– Que coincidência, Orihara-san. Estávamos indo para o seu escritório. Eu e o Takahashi-san precisamos de seus serviços, e com urgência. – falou, sem alterar o tom de voz. – Poderia nos acompanhar até nossa central?
– Por que não? Estou livre agora. – deu de ombros, estrando no carro.
Mesmo sendo repentino, o trabalho de nada impressionou Izaya. Seu serviço era basicamente negociar com um grupo mafioso do exterior que tentava vender sua “carga” para o grupo de Shiki e seu companheiro. Mas como sempre, era um trabalho que exigia tempo. E como era algo de urgência, Izaya teve que usar o resto da noite e um pedaço da madrugada para finaliza-lo.
Já passava das duas e meia da manhã, quando foi deixado nas portas de seu prédio. Sentindo o sono pesar sobre seus ombros, subiu logo para o seu escritório e foi direto para o segundo andar. Trocou de roupa e jogou-se na cama, rapidamente pegando no sono.
~o0o~
Izaya abriu os olhos lentamente. Queria continuar na cama, mas obrigou-se a levantar. Sentou na cama e esfregou os olhos preguiçosamente, tentando afastar a sonolência. Foi então que ouviu uma risada, alta e escandalosa. Franziu o cenho e se virou para a porta aberta, apurando os ouvidos.
Ouviu vozes. Duas vozes semelhantes, mas em tons diferentes. Um deles era escandaloso e debochado, enquanto o outro baixo e contido.
Levantou-se num pulo e correu para fora do quarto. Pela grade, olhou para o andar de baixo.
– Ah, droga, tudo o que eu menos precisava... – murmurou com pesar.
Notas finais
Quem vocês acham que está lá? hahahahahahaha!!!
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Gente, eu queria avisar que vou postar uma fic OCxShizuo! Espero ver vocês lá, ok?
E, para os que gostam da Mai, essa nova história será em paralelo com Memories. Como se fosse um crossover.
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Bom, quero muitos comentários nesse capítulo, ouviram? u-ú
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E para quem gosta, minha história original:
http://fanfiction.com.br/historia/216812/Edificio_Montgomery_Foster/
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Bem vinda, nova leitora!!!
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