Memories

27 Memory Twenty Six


Notas iniciais
Olá, como estão? Todos surtando loucamente pela segunda temporada de Durarara? Porque eu estou! Bem, mas como disse uma de minhas leitoras, irei assisti-la esperando que a Mai apareça a qualquer momento, kkkkkk. Será que ainda dá tempo de mandar a fanfic para o Narita-san? IzayaxMai necessita ser canon. Hoje gostaria de dar uma agradecimento especial a Maryliah Costa por ter feito uma sessão no facebook de imagens que a lembravam de Miracle/Memories e pelo lindo fanart. http://25.media.tumblr.com/bd9299f30cf3f847860be7866d2ea66f/tumblr_n2yus5TO0R1qhxuzfo1_1280.jpg A Mai ficou tããão fofa!! E queria também dar boas vindas a Kell Nightray. Espero que esteja gostando da história ~ Tenham uma boa leitura.

Memory Twenty Five

Infelizmente, naquele dia Izaya não pôde permanecer ao lado de Mai na cama, esperando-a acordar. Na verdade, antes mesmo que o próprio despertasse, seu celular tocou, tirando-o prematuramente de seu sono para avisar que havia trabalho a ser feito.

Enquanto ouvia Shiki falar sobre um serviço que iria precisar de seu auxilio, Izaya observava Mai dormindo tranquilamente ao seu lado. Por um momento, até considerou recusar o trabalho só para ficar ali, mas sabia que isso poderia gerar algum tipo de desconfiança e, por hora, preferia que ninguém de fora soubesse da profundidade de seu relacionamento com a jovem.

Com um suspiro, Izaya aceitou o que o mafioso lhe pedia e ergueu-se da cama. Fez suas higienes, trocou de roupa e, por fim, deixou um bilhete sobre o criado, avisando sobre sua partida.

Meia hora depois, estava sentado em um escritório de aspecto sombrio localizado em uma área pouco favorecida de Ikebukuro. Ao seu lado, Shiki negociava com um homem baixo e desleixado. O assunto da conversa era sobre contrabando de animais e o papel de Izaya ali era influenciar o tal homem a aceitar as condições impostas por Shiki.

Quando tudo acabou, o sério e silencioso mafioso lhe ofereceu uma carona, que Izaya recusou, pois havia optado por andar sozinho até o centro comercial do distrito e achar uma cafeteria onde pudesse tomar seu desjejum.

Lá dentro, enquanto esperava a garçonete trazer o seu pedido, olhou pelo janelão da fachada, observando as pessoas que passavam por ali. Não demorou muito para que seus pensamentos vagassem para longe dali, convergindo em direção aos acontecimentos da noite anterior.

Ele e Mai iriam se casar.

Nunca, em momento algum de sua existência Izaya imaginou que um dia iria se casar com alguém, muito menos que seria ele a fazer o pedido. Mas havia acontecido e não se arrependia de nada que havia dito naquela roda-gigante. Pretendia seguir em frente com cada palavra.

Entretanto, para concretizá-las, sem que nada deixasse a desejar, precisava fazer planos. Casar-se não era tão simples assim, havia muitos detalhes, desconhecidos a garota, e que ele precisaria lidar.

Como a cerimônia, devido aos seus preparativos, iria demorar a acontecer, o ideal era que se casassem antes no civil. O que se resumia a reunir uma série de documentos, marcar uma data e ir até o cartório. Como Mai, antes de encontrá-lo, havia ido parar em um orfanato, seus documentos pessoais dessa vez eram verdadeiros e ele já havia organizado tudo e cortado as relações dela com aquele lugar, tornando-se seu guardião legal – e não pai. Obviamente, por ela ser menor de idade, teria que usar um pouco de dinheiro como “auxílio”, mas se tudo fosse feito o quanto antes e de forma organizada, em uma semana seria oficialmente casados.

Agora só lhe restava pensar sobre como seria feita a cerimônia. Sabia que deveria pensar isso junto de Mai, porém levando em conta suas experiências passadas, já tinha uma boa ideia de que tipo de evento ela tinha em mente. Mai não era caprichosa, muito menos extravagante, um casamento para ela tinha exclusivamente valor simbólico. O que ela queria de fato era ter um momento feliz com Izaya, que fizesse seu coração bater mais rápido e a emocionasse.

Para ela, celebrar um casamento ao lado de Izaya era, nas próprias palavras da garota, confirmar através de atos o intenso desejo de nunca mais se separarem. Por isso, não importava a forma como o fizessem, desde que o sentimento em seus corações fosse sincero. Até mesmo se comemorassem no escritório, com ambos vestidos a caráter e trocando alianças, bastava Izaya lhe dizer que a amava que para Mai seria perfeito.

Chega até a ser bonitinho, pensou, abrindo um sorriso torto.

Mai desejava algo simples, porém moldado pelos sentimentos profundos e verdadeiros que compartilhavam. Era uma visão diferente e pura sobre o real significado do casamento.

Pensar que ela queria isso para os dois despertava em Izaya ainda mais sentimentos de apresso e carinho pela jovem, e intensificava a vontade de demonstrá-los.

— Vou precisar aprender a lidar com isso... — murmurou com humor.

Mai sempre lhe dava tanto... Já estava mais do que na hora de retribuí-la de alguma forma. Apesar dele não ter ideia de como fazê-los.

Às vezes é difícil correspondê-la a altura, continuou, suavizando seu sorriso. Quando o assunto é amar, ela sempre consegue ir além das minhas expectativas. Mas eu até que dei um bom primeiro passo pedindo-a em casamento.

Distraidamente ele olhou para a própria mão sobre a mesa, relembrando as últimas palavras da menor naquela noite.

“Você acredita que estamos ligados pela Akai Ito?”

“Não sei, quem sabe?”

— Quem sabe? — Ele repetiu para si mesmo, quando então uma ideia lhe ocorreu.

Izaya sorriu, abrindo e fechando a mão.

Acho que acabei de dar outro passo.

Pouco tempo depois, seu pedido chegou. O informante tomou de café e saiu logo depois de pagar. Havia dado poucos passos para longe da cafeteria, quando seu celular tocou, avisando que recebera uma mensagem. Era de Mai, avisando que também estava em Ikebukuro e pedindo, caso tivesse terminado, que se encontrassem na praça principal. Em resposta, mandou uma mensagem dizendo que já estava livre, mas que, antes de ir para lá, ainda precisava passar em outro lugar.

***

Não precisou se aproximar muito de onde Mai estava para ela avistá-lo. Com uma expressão de animação, ela se levantou do banco e correu até o rapaz.

— Boa dia ~ — ela cumprimentou. — Senti sua falta hoje de manhã — brincou.

— Imagino que sim — ele devolveu. — Afinal, você dorme tão agarrada a mim que fica até difícil sair da cama.

— Izaya!

Ele riu de seu rosto corado.

— Bem, não há nada mais que eu precise fazer por aqui, já quer voltar para o escritório? — Perguntou. — Por sinal, o que fazia por aqui?

— Estava comprando algumas revistas e mangás — ela respondeu, mostrando a sacola que segurava. — Por mim, podemos voltar. E você, depois do trabalho aonde foi?

— Hmm, receio ter que manter isso em segredo — falou com um dar de ombros exagerado. — Estava em uma missão sigilosa. Mas, por enquanto, esqueça isso, há algo que quero conversar com você.

Mai assentiu e ambos começaram a caminhar de volta para o escritório. Nos primeiros metros que andaram, não deram as mãos, porém Izaya percebeu que frequentemente a jovem olhava para sua mão com certo receio.

— Pode segurá-la, se quiser — ele falou.

Mai corou um pouco com seu comentário, mas, ainda que um pouco sem jeito, pegou sua mão. Era pequena e suave, e ela segurava-o como se fosse uma criança apertando a mão do pai para que não se perdesse.

— S-sobre o que gostaria de conversar? — A menor perguntou.

— Bem... — Ele a olhou enquanto caminhava. — Nós vamos nos casar, certo?

A simples menção daquela palavra fez toda a vergonha sumir de suas feições, sendo substituída pela empolgação.

— Sim!

— E imagino que queira uma cerimônia simples, estou certo? — Continuou. — Porém, para poder realizá-la vamos precisar primeiro nos casar no civil, que é algo feito dentro de um cartório.

— Cartório? — Ela o encarou confusa. — O que é isso?

— Irei te explicar...

Então, durante boa parte do caminho, Izaya explicou a jovem o que era e como funcionava um casamento civil, sempre dando ênfase que não passava de um processo puramente burocrático. Também falou dos documentos e que levaria mais ou menos uma semana para isso acontecer, mas que não precisava se preocupar com nada, pois ele tomaria todas as providências.

— No dia, não deve demorar mais do que uma hora. Vamos apenas assinar e preencher alguns formulários. Nada muito emocionante, porém necessário. Mas, depois disso, você será oficialmente Orihara Mai, como também teremos a liberdade para decidirmos como e quando será o casamento.

— Entendi, entendi.

— Por sinal, como exatamente você que você quer ele seja? — Izaya perguntou curioso.

— Para falar a verdade... Eu não sei — confessou. — Eu queria algo simples, porém que tivesse algum significado para nós dois. Sabe, hoje enquanto tomava café-da-manhã, comecei a pensar e ler sobre isso. Olhei várias coisas que poderíamos fazer durante a cerimônia, incluindo o lugar, mas...

— Mas...?

— Mas nenhuma das ideias que apareciam nos livros e revistas pareciam se encaixar ou me deixar satisfeita. Porém, quando eu tentava pensar em alguma coisa partido do nada, simplesmente imaginando algo por mim mesma, a imagem de algo vinha a minha cabeça. E eu sinto que é exatamente isso que quero para a cerimônia. O problema é que não consigo identificar exatamente o que é que estou vendo. Parece um quadro desfocado de algo muito distante que não consigo alcançar. No entanto, quanto mais penso no que poderia ser, mais eu sinto que é exatamente isso que quero para o dia.

Mai abaixou o olhar, um pouco frustrada. Por mais que tentasse compreender essa estranha imagem que flutuava em seus pensamentos e a sensação que ela lhe causava, menos consegue entendê-la. Parecia um fragmento distante de algo inalcançável, mas que não parava de espetá-la para que tentasse assim mesmo.

Ela suspirou pesadamente, voltando a encarar o mais velho.

— E você, tem algum desejo em especial para o dia?

— Já que está perguntando, tenho sim — Izaya sorriu com malícia. — Quando eu penso a respeito, imagino algo bem íntimo, envolvendo vinhos, petalas de rosas, uma banheira com espuma e você usando uma linda lingerie branca e dizendo de forma bem manhosa “por favor, Izaya-sama, cuide bem de mim esta noite. Mas nãos e segure, pois quero me sentir completamente sua” .

— I-Izaya...! — Mai largou sua mão, completamente vermelha — Isso... Isso não é uma cerimônia de casamento!

— Não, mas faz parte dela — ele insistiu. — Ou será que você pensou em ignorar esse nem tão pequeno detalhe?

Mai entreabriu os lábios para responder, mas acabou fechando-os novamente e desviou-se do rapaz, tomada pelo embaraço.

Ora, então é mais grave do que pensei.

Izaya até pensou em perguntar onde estava aquela Mai-chan que havia divido com ele momentos tão prazerosos e depois dito que tudo parecia um lindo sonho, mas acabou percebendo que isso só pioraria a situação. Essa “vergonha” que ela tinha de coisas desse tipo parecia ser algo mais profundo do que um mero constrangimento momentâneo.

— Mai... — ele tentou tocá-la, porém deteve-se ao sentir seu celular vibrar no bolso de seu casaco.

Izaya o pegou, logo vendo que era uma mensagem enviada pela Mairu.

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Mensagem

De: Mairu

Para: Iza-nii

Assunto: Seu tarado...

Seu maldito, descarado e idiota! Irmão desnaturado!! Simplesmente decide que vai se casar, mas não conta a novidade para suas queridas irmãs? É um absurdo! Se não fosse pela Mai-nee, tenho certeza que nem se daria ao trabalho de nos convidar para o casamento. Hmpf!

Entretanto, mesmo que eu e a Kuru-nee estejamos muitíssimo decepcionadas com você, ainda pretendemos lhe fazer uma visita e parabenizá-lo formalmente pelo feito. E, como amamos a Mai-nee, também iremos levar presente ~

Por isso, amanhã é melhor nos esperar de braços abertos, entendeu, seu babaca?

Hehehehe, tenho certeza que irá amanhar o que compramos para vocês dois ~ ♥

Abraços

Mairu e Kururi

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— Mas que droga é essa? — Izaya perguntou para si mesmo, franzindo o cenho enquanto fitava aquelas palavras.

— S-sinto muito — Mai falou com um pouco de pesar ao seu lado. Ela também havia se aproximado para ler a mensagem ao ver a expressão do rapaz. — Hoje de manhã encontrei com as duas na loja de mangás e eu estava tão empolgada, que acabei contando a elas sobre o pedido de casamento. Sei que você é reservado e provavelmente não quer que a notícia se espalhe, mas como elas são uma das poucas pessoas que tenho próximo a mim além de você, achei que ao menos para as duas eu poderia contar. Sem falar que elas ficaram tão felizes com a notícia...

— Tudo bem — ele suspirou, guardando o celular. — Não que eu pretendesse contar para elas, mas não acho que isso vá nos causar algum problema muito grave.

Presentes..., ele pensou. Com certeza elas estavam aprontando algo.

— Enfim, com relação ao casamento, tenho certeza que uma hora você irá descobrir exatamente o que quer para a data. Não há necessidade de se apressar, pode ir com calma. E eu também irei te ajudar — falou, fazendo a menor sorrir.

Ele também pensou em acrescentar um comentário mais sério sobre o pequeno “problema de constrangimento”, mas preferiu deixar para quando voltasse ao escritório e tivessem um momento mais oportuno para tal.

Em silêncio, caminharam de volta ao apartamento. Logo quando chegaram, apertando a sacola contra o peito, Mai subiu para o andar de cima, dizendo que iria guardar seus mangás e procurar em seu antigo quarto todas as revistas de casamento que havia guardado ali e juntar com suas novas. Izaya acenou, considerando aquela uma ótima oportunidade para resolver uma pendência sem que ela percebesse.

Por mais que houvesse dito a jovem que estava tudo pronto para a união civil, havia uma parcela de mentira em suas palavras.

Ela ainda não havia conseguido as testemunhas.

Para casar, precisava-se que duas pessoas presenciasse o evento e, também, preenchessem os formulários. No início ele apenas achou que poderia contratar duas pessoas para isso, quando se lembrou de que queria manter sua relação com Mai em segredo. Sem falar que a própria poderia se sentir desconfortável com a presença de estranhos no dia.

Tentou fazer uma lista mental de possíveis candidatos, avaliando e supondo como cada uma se portaria no dia. Considerou aqueles que melhor manteriam a discrição acerca do casamento e os que eram mais próximos de Mai e dele.

Infelizmente, além de sua lista ser pequena demais, ninguém parecia ser bom o bastante. Até que chegou nos últimos nomes...

— Ah, não...

Não, não, não. Eles não. Era simplesmente ridículo escolher aqueles dois para serem testemunhas. Não! Afinal, eles eram perfeitos até demais para isso, o que só poderia significar desastre eminente.

O problema era que não havia outras opções... De todos, eles eram os mais confiáveis e mais próximos dele e de Mai.

Suspirando pesadamente, Izaya pegou seu celular e abriu a agenda. Para o seu infortúnio, não havia mais a quem recorrer. Por isso ele, Orihara Izaya, em um ato de desespero e genuína vontade e agradar sua noiva, decidiu que seu “melhor amigo”, médico clandestino e papai coruja nas horas vagas, Kishitani Shinra, iria testemunhar seu casamento junto de sua pseudo-namorada descabeçada, Celty.

Ainda sem acreditar, ele discou o número e levou o celular até o ouvido.

— Siiim? ~ — Ele ouviu depois de alguns segundos.

— Eu preciso te pedir um favor — o informante começou se rodeios.

— Ora, se não é o meu bom amigo Orihara-kun, o destruidor de lares — Shinra respondeu com humor. — Como andam as coisas entre você e a Mai-chan? Depois de roubá-la de nós, eu realmente espero que a esteja tratando bem.

— É sobre isso que quero falar.

— Oh, vai devolvê-la para nós? — O médico perguntou esperançoso.

— É claro que não!

— Que pena... — Shinra suspirou. — Então, o que queria me pedir?

— Bem... — Izaya respirou fundo. Estava sendo curiosamente difícil dizer aquilo. — Ao que parece, eu e a Mai vamos nos casar. Mas primeiro será no civil, então preciso que você e a Celty sejam testemunhas.

Silêncio.

— Shinra?

— EU NÃO ACREDITO!! Finalmente, FINALMENTE, o Orihara-kun vai se casar! — O médico exclamou eufórico. — Ouviu isso, Celty? A Mai-chan e o Orihra-kun vão se casar! Nossa pequena bombinha finalmente alçou voo. Estou tão orgulhoso de você, Orihara-kun. Ah, que felicidade ~ Sim, é claro que eu aceito. Será uma honra para eu e a Celty sermos seus padrinhos!

— O que?

— Se já estão indo se casar no civil, imagino que também estejam planejando a cerimônia, não é? — Ele continuou. — Quando será? Já escolheram o lugar? E o vestido da Mai-chan? Se me permite, gostaria de leva-la ao altar...

— Ei, ei, ei! — Izaya interrompeu. — Eu não te pedi para seu meu padrinho.

— Claro que não pediu, e nem precisou. Acha que não notei a indireta? — Ele riu. — Não seja tímido, Orihara-kun. E pense na Mai-chan e como ela ficará feliz por ter nós dois como padrinhos.

Izaya bufou.

— Certo, certo, faça como quiser — desistiu. — Apenas não faça muito escândalo sobre isso e esteja livre no final da semana que vem, ok? Irei enviar os formulários para você por e-mail e assim que tiver a data certa, eu te falo.

— Tudo bem ~ Estaremos esperando ansiosamente ~ — falou Shinra em tom empolgado. — Antes de desligar, posso falar com a Mai-chan e dar os parabéns?

— Não, você já fez demais — cortou Izaya, finalizando a ligação antes que seu amigo pudesse dizer algo mais.

Suspirando pesadamente, o informante voltou com o telefone para o bolso e se recostou na beirada de sua mesa, completamente exausto. Era exatamente por isso que não queria chamá-los.

Não sei quem é pior, ele ou minhas irmãs..., pensou massageando as têmporas. E, afinal, o que há de tão especial em eu me casar?

Desencostando da mesa, ele seguiu para sua cadeira, ao passo que Mai saía do quarto e descia as escadas carregando uma pilha de revistas.

— Quanta coisa, ein? — Perguntou com humor.

— Achei a maioria delas guardadas debaixo da cama do meu outro quarto — ela respondeu. — Tenho certeza que seu eu der uma olhada em todas elas, irei achar o que procuro.

Caminhando até o kotatsu, a jovem acomodou-se no espaço entre a mesinha e o sofá, espalhando as revistas sobre sua superfície e começando a ler uma delas.

Enquanto se focava em seu próprio trabalho, Izaya também deu continuidade ao seu. Por vários minutos, talvez quase uma hora, o escritório foi tomado apenas pelos sons provenientes das páginas da revista sendo foleadas e dos dedos do informante batendo contra o teclado.

Um pouco entediado, Izaya tirou os olhos da tela do computador e espiou Mai. Observou-a por vários minutos, quando ergueu-se de sua cadeira e caminhou até o sofá, sentando bem atrás dela. Todavia, a jovem não reagiu ao seu movimento, concentrada demais no que estava fazendo, o que deu ao rapaz a oportunidade de analisá-la.

Desde o começo sempre esteve óbvia sua atração pela garota. Claro, no início era algo puramente físico, mas que com o passar do tempo transformou-se em um sentimento diferente, mais forte e profundo. Mesmo que ainda houvesse o prazer físico, já não era mais apenas uma questão de tocar e ser tocado, e sim ter o desejo se misturando a todo o amor e apreço que tinha por ela, traduzindo-o em gestos de carinho. Era algo que arrebatava seu coração e intensificava a vontade de tê-la para si a todo o momento.

Izaya olhou para baixo, visualizando as costas de Mai cobertas pelo seu longo cabelo negro e se perguntou como ela lidava com essas sensações e se eram tão fortes quando as dele. Se, além da vontade de estar em sua companhia, ela também ansiava por tê-lo de forma mais íntima.

Não que tivesse dúvidas sobre o amor de Mai por ele, mas sempre se questionava até onde ia o desejo e prazer dela por Izaya e até onde poderia ir com a jovem sem que ela se sentisse desconfortável.

— Ainda nada... — Mai suspirou, espreguiçando-se. Ela arredou um pouco para trás, sentindo suas costas tocarem em algo. — Oh, Izaya, não percebi que havia vindo para cá.

— Cansei de trabalhar — respondeu.

Mai o observou, notando que seus olhos cor de sangue continham um brilho diferente. Pareciam analisá-la completamente, vendo muito além de seu exterior e... Desejando-a.

A menor sentiu um arrepio percorrer seu corpo e seu rosto enrubesceu.

— A... Aconteceu algo, Izaya? — Tentou um pouco sem jeito.

— Não — respondeu de forma simples, erguendo as sobrancelhas para ela. — Ei, Mai, por que não se senta um pouco aqui comigo?

— Certo...

Um pouco confusa, colocou-se de pé, mas antes que pudesse se acomodar no sofá, Izaya a segurou pelo braço e puxou-a para o seu colo.

— E-ei, Izaya, o que você...

— Acalme-se, Mai-chan — ele falou em tom rouco, enquanto contornava sua cintura com os braços e a sentia estremecer. — Desse jeito vou acabar achando que está com medo de mim. Hm, ou será que está?

— É claro que não...! — Ela exclamou com a voz trêmula. — Você apenas me pegou de surpresa.

— É mesmo? Se é assim... — ele sorriu com malícia. — Não há motivos para parar, não é?

— Acho... Que não — respondeu insegura.

— Hmn, boa garota.

Segurando seu rosto, Izaya juntou seus lábios, dando inicio a um beijo intenso e cheio de desejo. Ele a abraçou mais forte, enquanto roçava sua língua entre os lábios da garota, pedindo passagem. Ainda que com um pouco de receio, Mai lhe concedeu, sentido Izaya explorar sua boca com avidez e massagear sua língua aveludada contra a dela. Era uma sensação realmente boa, mas que ao mesmo tempo lhe deixava perdida e com um pouco de medo.

Involuntariamente, reagindo ao toque do rapaz, ela deixou alguns gemidos escaparem nos curtos instantes que suas bocas se separavam. Ao ouvir aquele som manhoso, Izaya não conseguiu se conter, ele a empurrou contra o sofá e colocou-se sobre menor. Pressionando seu corpo contra o dela, sentindo o anseio correr por suas veias, voltou a beijá-la.

— E-espera, Izaya... — Mai pediu quando ele deixou seus lábios para brincar com a pele macia de seu pescoço.

A jovem tentava relaxar, mas não conseguia. Realmente queria se sentir confortável com tudo aquilo, pois sabia o quão bom e prazeroso era se deixar levar pelos toques do rapaz. Entretanto, por mais que tentasse se entregar como na última vez, a insegurança e vergonha a tomavam, impedindo-a de aproveitar devidamente a experiência.

Enquanto deixava marcas em seu pescoço, o moreno começou a explorar o corpo da menor por baixo da blusa, tocando-a por cima de seu sutiã. Depois ele passou a brincar com a região macia de suas coxas, apertando-a de leve.

Mai fechou os olhos, deixando-o que continuasse. Ela ficou assim por vários segundos, quando percebeu que ele havia parado de tocá-la. Surpresa, voltou a abri-los, percebendo-o suspenso sobre o seu corpo sobre ambos os braços e fitando-a de forma séria, mas ao mesmo tempo com certa compreensão.

— Oh, então você está realmente com medo — falou. — Bem, não estou surpreso. Mesmo depois de tudo o que fizemos, você ainda parece ter alguns problemas para lidar com isso. Você quer me dizer o que está te assustando?

Mai abriu a boca para dizer algo, porém nada saiu dela. Em resposta, ela apenas desviou os olhos do rapaz, completamente constrangida.

Izaya penas riu de forma leve.

— Sua timidez e inocência são adoráveis, Mai-chan — falou, voltando a ficar sentado. — Mas eu gostaria que começasse a se deixar sentir mais confortável com esse tipo de coisa. Não vou me sentir bem em tocá-la se não souber que está gostando.

Ele ergueu-se do sofá e deu as costas para Mai.

— Não quero que aquela linda garota que estava comigo na cama, e disse que estar comigo era como sonho, se torne apenas uma lembrança.

Comprimindo os lábios e sentindo-se culpada, a menor voltou a ficar sentada.

— ... Desculpe — sussurrou, mas Izaya já havia voltado para sua mesa.

***

Parado de frente para a porta de seu escritório, Izaya tirou a chave do bolso e destrancou a porta. O lado de dentro do cômodo estava banhado pelo laranja do pôr do sol que passava pelo vidro da janela, colorindo o espaço com uma cor preguiçosa.

Olhou em volta, à procura de Mai, porém não a viu. Izaya aproximou-se do sofá, depositando ali seu casaco, quando ouviu vozes vindas do andar de cima. Franzindo o cenho, ele apurou os ouvidos, percebendo que se tratava de uma discussão e que uma das envolvidas era Mairu.

— Ah, droga... — Praguejou.

Havia se esquecido de suas irmãs.

Revirando os olhos com mau humor, ele subiu as escadas, aos poucos distinguido melhor as palavras proferidas, que pareciam vir de seu quarto.

— Vamos, Mai-nee, saía dai! — Ele ouviu Mairu pedir.

— O que está acontecendo aqui? — Izaya perguntou ao adentrar no recinto.

Seus olhos atentos varreram o ambiente a sua volta, averiguando a situação. Mairu estava parada de frete para porta do banheiro, que estava fechada, com Kururi ao seu lado. Sobre a cama, havia algumas sacolas coloridas em tons de velho e rosa, e várias peças de roupa um tanto... Indiscretas. E pelo chão, roupas que pareciam ser de Mai. Todavia, dela não havia sinal algum.

— Por que ela está trancada no banheiro? — Perguntou em tom de ameaça, desviando os olhos do transparente conjunto de peças intimas em tom vermelho próximo ao seu travesseiro. — O que vocês aprontaram dessa vez?

Mairu o fitou, dando um sorrio malicioso.

— Nada diferente do que dissemos na mensagem — ela respondeu com um dar de ombros. — Viemos parabenizá-lo formalmente e trazer presentes! ♥

— Bem, não faço questão de suas congratulações e já trouxeram tudo que queriam, então podem ir embora — Izaya enxotou, fazendo um gesto de descaso.

— Ora, não seja ingrato! — A de óculos reclamou. — Nós é que deveríamos estar bravas com você por não ter feiro questão de nos contar a novidade. Aposto que nem pretendia nos convidar para o casamento.

— Óbvio que não — afirmou, sem a menor vontade de dizer que o pedido havia sido feito há apenas dois dias.

Mairu fez uma careta e então suspirou.

— Não pretendo lhe fazer perguntas sobre o evento, sei que a Mai-nee me dará todos os detalhes e de bom grado — falou em tom provocativo. — Mas tem um assunto que quero tratar com você.

— Então diga logo.

Assumindo uma expressão seria, sua irmã andou até ele e o fitou.

— Sei que não faz a menor questão de envolver outras pessoas em seus assuntos particulares, mas isso não muda o fato de que há quem se preocupe com você e a Mai-nee e querem o bem de vocês — explicou. — Que querem que sejam felizes.

— Tocante — revirou os olhos. — Continue.

— E é por ser uma dessas pessoas que estou aqui. Quero lembrar a você, Iza-nii, que por mais que na sua concepção e na das pessoas mais próximas a diferença de idade não interfira, para quem está de fora não é algo visto com bons olhos — disse em tom preocupado. — O que os outros pensam pode até não te incomodar, mas há coisas que podem acabar machucando a Mai-nee. E é seu dever protegê-la disso — Mairu lhe apontou o dedo. — E eu sei muito bem que o problema que ela sofre na escola também é sua culpa, então trate de dar um jeito nisso, ouviu?

Izaya deixou os ombros caírem, com ar cansado. Era óbvio que ele tinha consciência disso tudo. Sabia que a relação deles não era vista como algo normal e muito menos aceitável. Tinha consciência de que ao serem vistos juntos, muitos lhe direcionariam olhares de nojo e os julgariam. E que tudo isso iria ferir o coração de Mai. Ele não era estúpido e muito menos ingênuo, tinha completamente noção da condição deles perante a sociedade e que problemas poderia surgir disso.

E Izaya iria resolver isso, a seu modo.

— Eu não sou idiota, Mairu, sei muito bem o que nos espera e sou completamente capaz de lidar com qualquer problema que apareça. Às vezes acho que você se esquece de quem eu sou, criança.

— Espero que sim... — falou em tom descrente. — Mas deixemos os assuntos sérios para depois, agora...

Ela deu alguns passos em sua direção e pegou uma das mãos de Izaya, segurando-a entre as suas.

— Meus sinceros parabéns, Iza-nii — ela falou com um enorme sorriso. — Eu e a Kuru-nee estamos muito felizes pelo casamento. Desejamos do fundo de nossos corações que vocês dois sejam felizes. Estaremos sempre torcendo pelos dois e ao lado de vocês para o que precisarem — disse. — E, não se esqueça, amar é aprender e errar, porém nunca desistir. Cuide bem da Mai-nee e nunca mais solta a mão dela, viu? Lembre-se que você não está mais sozinho. Ela te ama e vai estar sempre ao seu lado cuidando de você.

E então, Mairu soltou sua mão e lhe deu um abraço rápido.

— E não se esqueça de ser carinhoso e romântico, ouviu? ~~ Faça o coração dela disparar várias e várias vezes! — Acrescentou animada ao se afastar. — Espero que faça a Mai-nee sorrir bastante.

— Tsc — ele fez, cruzando os braços, mas também com um sorriso de deboche nos lábios. — Não faça coisas desnecessárias.

Sua irmã apenas riu.

— Bem, então acho que acabamos nossa missão — ela virou-se para Kururi, que havia se mantido próximo à porta. — Qual o resultado?

— Ela não vai sair — a gêmea mais velha respondeu.

— Já esperava por isso — respondeu pensativa.

— O que vocês fizeram?

— Ora — ela o olhou com malícia. — O plano era a Mai-nee vestir uma de nossas belas roupas e esperá-lo na cama, recebendo-o com um manhoso “bem vindo de volta, meu Izaya-sama ♥”. Porém, só conseguimos a primeira parte. Quando ela ouviu você destrancando a porta, correu para o banheiro.

— E... — ele hesitou, passando os olhos pelos vários conjuntos sobre o colchão. — O que ela está vestindo?

— Hm! Se quiser saber, faça-a sair de sua toca — respondeu caminhando até a porta. — Hora de ir, Kuru-nee. Ah, um último conselho, Iza-nii: não se esqueça de ensinar a Mai-nee várias coisas de adultos ♥ Bye bye ~

Praticamente saltitando e com Kururi logo atrás, Mairu deixou o quarto e foi embora, mergulhando o ambiente em um profundo silêncio.

— Mai...? — Izaya chamou.

— Eu não vou sair... — ele ouviu do outro lado da porta.

— Tudo bem, tudo bem, saía apenas quando se sentir a vontade — falou, tentando não deixar transparecer pelo seu tom a grande curiosidade que sentia.

Contendo o desejo de ir até o banheiro de tirá-la de lá, Izaya foi até a cama e sentou em sua beirada, logo sentindo algo incomodá-lo ao se acomodar. Ele pegou o objeto em que havia sentado em cima e levou a frente dos olhos.

— Algemas...?

Rindo, ele olhou para trás, vendo as várias lingeries e acessórios que suas irmãs haviam comprado – como ele não sabia. Perguntava-se qual teria sido a reação de Mai ao ver aquilo e descobrir para que eram. Também se perguntava como ela ficaria usando cada uma daquelas coisas. Pensar nas várias possibilidades que tinham fazia sua imaginação ir a mil.

— N-não é para você ficar fuçando! — Ele ouviu, mas dessa vez a voz dela não havia saído abafada pela porta.

Izaya voltou-se m direção ao banheiro, a porta estava apenas entreaberta, ele só conseguia ver o rosto da jovem, porém não havia como não notar as orelhas brancas de coelho que despontavam de sua cabeça.

— Fantasia de coelho? Nada mal, nada mal mesmo — falou satisfeito, deixando as algemas de lado. — Por que não saí de sua toca e me monstra ela por completo, Mai-chan?

A porta fechou-se mais um pouco e ela escondeu-se mais atrás dela, hesitante.

— Tudo bem... — respondeu. — Mas feche os olhos.

— Oook ~ — falou, acatando ao pedido.

— Pode abrir.

Com um sorriso nos lábios, voltou a abrir os olhos, se deparando com a figura de Mai vestida em uma linda fantasia de coelhinho. Ela usava uma baby-doll branca e transparente, com um curte vertical abaixo da linha dos seios, que se abria, exibindo sua barriga. Acompanhando o conjunto, uma calcinha da mesma cor cheia de rendas e meias que iam até a altura de suas coxas. Além das orelhas, também havia um rabinho felpudo. E por último, luvas brancas até os cotovelos e uma gargantilha.

Ela estava simplesmente linda e atraente usando aquilo, com suas curvas postas em evidência. Era algo erótico, mas não conseguia deixar de sentir a aura de pureza e delicadeza que Mai emanava.

— E-e então...? — Ela perguntou sem encará-lo. — O que achou?

— Você está simplesmente incrível, Mai-chan ~ Mal consigo tirar os olhos de você!

— Obrigada... — respondeu, sentindo seu rosto esquentar, porém, apesar do embaraço, uma parte de si havia gostado do elogio. — Bem, acho melhor eu me vestir.

Sob os olhos de Izaya, Mai caminhou até suas roupas. Seria um grande desperdício deixá-la se vestir novamente, afinal, aquela era a oportunidade perfeita para começar a mostrar que não havia motivos para ter vergonha dele ou do que faziam juntos. Todavia, considerando o que havia acontecido no dia anterior, era melhor ter cautela.

— Você realmente vai tirar a fantasia? — Perguntou.

— ... Sim. — ela respondeu sem graça, já entre a cama e o banheiro com suas roupas em mãos.

— Ora, mas por que? Você está tão encantadoramente atraente nesses trajes Seria uma pena se os tirasse.

— Mas eu... — mordendo o lábio inferior, tomada pela indecisão e culpa, ela olhou para o banheiro e depois para Izaya.

E ele correspondeu ao seu olhar. Em sua íris havia malícia, mas também um brilho de carinho. Izaya lhe estendeu a mão e sorriu.

— Venha para mim, minha linda coelhinha — falou em tom aveludado.

Mai sentiu um arrepio subir por sua espinha e seu rosto ficou ainda mais corado. Ela deixou suas roupas caírem no chão e caminhou até o rapaz, pegando sua mão e se deixando ser levada até seu colo.

Ao sentir o peso da menor sobre suas pernas, ele soltou um murmúrio satisfeito e circulou sua cintura com os braços, acomodando-a melhor e mais perto de seu corpo.

— C-coelhinha? — Ela perguntou.

— Isso mesmo. Minha linda coelhinha ~ — repetiu, abraçando-a mais.

Finalmente a tinha em seus braços. Sentia tanta vontade de tocá-la e tê-la para si, e aquelas roupas eram tão excitantes, que mal conseguia se conter.

— Não gostou do apelido? — Quis saber. — Eu, particularmente, acho que combina bastante com você. Uma coelhinha manhosa, branca e pura, sensível e delicada, mas que quando está nos braços de alguém faz essa pessoa se sentir bem e confortável a ponto de não quer mais soltá-la.

— Obrigada... — Mai respondeu, encolhendo no lugar.

Os olhos de Izaya a fitavam da mesma forma que no dia anterior, banhados pelo prazer da excitação. Ela sentia como aquelas roupas o haviam provocado e sabia o que estava para acontecer.

Uma das mãos do rapaz subiu pela curva de sua cintura, até chegar a um de seus seios, e ele levou os lábios até seu pescoço, roçando-os de leve contra aquela região. Ainda que estivesse nervosa, percebia seu corpo se aquecendo. Seu coração batia rápido e o cheiro amadeirado do informante a embriagava.

Novamente, queria se deixar levar por aquelas sensações agradáveis e reviver a experiência daquela noite. Mas, infelizmente, sua angustiante insegurança perante momentos assim não a largava.

Um pouco trêmula e mordendo o lábio inferior, Mai ficou os olhos, se forçando a manter-se firme.

— Ei, se acalme, Mai-chan.

Ao ouvir aquilo, ela voltou a abri os olhos, encontrando-se com os de Izaya.

— Eu já disse que não farei nada com você se perceber que não está se sentindo confortável — falou.

— Mas você não precisa parar! — Devolveu aflita e com medo de o estar repelindo. — Você pode continuar, eu estou bem! Nada disso me incomoda, eu realmente quero que você continue. Só estou um pouco...

— Ei, Mai, o que está acontecendo? — Interrompeu.

A menor parou no meio da frase e então suspirou longamente,

— Eu estou insegura — confessou.

— Insegura?

— É... Ao contrário de você, eu quase não tenho experiência nesse tipo de situação. Muitas vezes não sei o que fazer e acabo ficando perdida. Você disse que esse tipo de coisa se tornará normal entre nós, mas para mim não deixa de ser embaraçoso e desconhecido. Eu sempre acabo hesitando ou constrangida com as coisas que me faz sentir pelo fato de serem tão íntimas e ao mesmo tempo me fazerem tão bem. E a forma como você me olha, o jeito que me toca e sussurra coisas no meu ouvido... Me deixa completamente sem reação. Sem falar que... — ela parou, insegura. — Que eu fico com medo de não ser boa o bastante e não conseguir fazer você se sentir tão bem quanto me faz. Tenho medo de não corresponder as suas expectativas e decepcioná-lo.

Mai respirou fundo.

— E até mesmo quando tento saber mais a respeito disso, pior eu me sinto e percebo o quão incapaz eu sou.

— Você pesquisou?

— Sim — respondeu envergonhada — Suas irmãs me deram algumas revistas, mas elas só me mostraram o quão inexperiente e ingênua eu sou. Por mais que eu tente e queira, não consigo demonstrar o quanto eu te amo dessa forma — ela levou as mãos ao rosto, escondendo-o. — E eu realmente queria poder fazer você dizer que teve uma noite incrível comigo e saber fazê-lo se sentir tão bem quanto eu me sinto com você.

Houve silêncio e ao não ouvir uma resposta do mais velho, Mai sentiu-se ainda pior.

— Sinto muito... — sussurrou, segurando-se para não chorar. — Sinto...

Suas desculpas ficaram presas em sua boca, bloqueadas pelos lábios de Izaya. Foi um beijo suave e rápido, com o informante se afastando pouco tempo depois.

— Izaya...?

— Ah, droga...

Era esse o problema?!

Ah, como ela conseguia ser tão provocantemente fofa e nem se dar conta disso? Com medo de nãos ser boa o bastante e decepcioná-lo na cama? De onde ela havia tirado aquilo? Quer dizer, é claro que Mai ainda era inexperiente e não conhecia muitas coisas a respeito do sexo, mas isso não era algo que Izaya teria o prazer de ensiná-la. Sem contar que em nenhum das ocasiões em que dormiram juntos a experiência deixou a desejar. E... Ingênua demais? Sinceramente, Izaya já havia perdido as contas de quantas vezes a inocência da garota o havia deixado excitado.

Saber que Mai pensava assim só o fazia querer mostrar mais ainda como ela estava enganada e como ele gostava de estar com ela dessa forma.

— Eu ainda não acredito que era esse o problema... — Falou. — Você realmente está com medo de não me satisfazer?

Ela acenou afirmativamente com a cabeça e abaixou o olhar. Izaya apenas suspirou.

— Mai, olhe para mim.

— Não quero.

Com a recusa, o informante levantou seu queixo, obrigando-a a encará-lo.

— Olhe bem para mim e me diga se estrou insatisfeito com você.

— ...

— Não vai me dar uma resposta? — Ele sorriu de forma perversa. — Tudo bem, eu mesmo dou, mas depois não reclame, ouviu?

Mai engoliu em seco.

— E-espera, Izaya...

— Você pode até ser inexperiente, Mai-chan, mas em momento algum me decepcionou. Na verdade, tudo que você faz me deixa incrivelmente excitado e me faz querê-la mais e mais. Seus gemidos, seu rosto corado e até sua falta de jeito me deixam simplesmente louco — ele falou em um tom que transbordava malícia. — Sem nem mesmo se dar conta, você sabe exatamente o que fazer para me provocar e me deixar completamente entregue.

Izaya parou de falar, dando um sorriso completamente satisfeito diante do rosto vermelho de Mai.

— Satisfeita? Caso contrário, posso contar de forma mais detalhada — falou. — Quer saber o que eu achei quando naquela noite você me pediu para continuar?

— Está bom! Está bom! — ela exclamou, cobrindo o rosto com as mãos e soltando um gemido envergonhado.

Por fim, o informante deu um suspiro relaxado. Ele a abraçou mais e depositou um beijo suave em sua bochecha.

— E não se esqueça, Mai, independente do que você faça, para mim só é necessário que você esteja comigo para que tudo seja incrível — sussurrou em seu ouvido.

Mai tirou as mãos de seu rosto e fitou-o com surpresa.

— Você é, de fato, inexperiente, mas nesse caso, em relação a você, até eu sou — explicou. — Não é algo que se sabe simplesmente, mas que se aprende de forma natural e aos poucos. Da mesma forma que irei lhe ensinar o que sei, eu também irei aprender exatamente o que te agrada e te faz sentir bem. Por isso, não há necessidade de ficar nervosa ou insegura, apenas relaxe e lembre-se: sexo não é nada mais do que uma extensão do sentimento que temos um pelo outro. É algo para nos aproximar e intensificar o nosso amor.

— Você é incrível, Izaya... — Mai falou fascinada pela emoção.

— É claro que sou.

A jovem lhe deu um sorriso genuíno e o abraçou forte.

— Eu prometo que tentarei dar meu melhor!

— Sei que vai — concordou, apesar de achar que ainda veria muito aquele restinho corado. — Bem, já que o problema foi resolvido... — ele se deixou tomar sobre o colchão. — O que acha de termos nossa primeira aulinha? ~

— S-sim!

Izaya rolou na cama, ficando por cima de Mai e empurrando as peças de roupa para o chão.

— Elas realmente compraram coisas bem interessantes, não é? — Ele comentou, brincando com as orelhas brancas acima de sua cabeça.

— Algumas coisas são meio estranhas — ela falou, enquanto, com cuidado, adentrava com sua mão dentro da camisa do mais velho. — Você gostou de alguma em especial?

— Das algemas e do uniforme de maid, mas de longe essa é a melhor — respondeu, beijando seus lábios. — Sim, nada supera ter uma linda e manhosa coelhinha comigo na cama.

Mai riu sem graça, ajudando-o a tirar sua camisa negra.

— Mas, sabe, Izaya... — ela começou. — Na verdade, as algemas são para usar em você... Na noite de núpcias.

— O que?

Memory Twenty Six Finalized

Notas finais
Então, o que acharam? O que acham que o Izaya foi fazer antes de se encontrar com ela? E o que será que está na cabeça de Mai, mas ela não consegue identificar o que é? Agora a Mai ganhou mais um apelido, kkkkkk. Por sinal, adoro reprenetar o Shinra. Teremos mais dele no próximo capítulo ~ Well, eu realmente espero que tenham gostado e não tenham achado ruim esse conteúdo meio perv. Ele ficou desse jeito porque essa "vergonha" da Mai era algo que eu precisava trabalhar. Sabemos que a timidez e inocência são a marca registrada dela e obviamente não poderia interpretá-la simplesmente como se de uma hora da outra ela houvesse aprendido a lidar com isso. Também gostaria de dizer que na verdade eu tive que picar o capitulo em dois. Eu também queria ter retratado o dia do casamento civil e algumas coisinhas que iriam acontecer depois, mas eu acabei percebendo que o capítulo iria ficar muito longo, então dividi ele. Devido a isso, e ao meu TOC de escritora que não me permite deixar coisas incompletas, provavelmente o seguinte saíra bem mais rápido. Se não der algum tipo de bloqueio, estimo que daqui a uma semana e meia ou duas. Felizes? =D Bem, apenas peço que não deixem de comentar, pois é com o apoio de vocês que continuo mantendo a história de pé. Se você favoritou ou colocou nos acompanhando, não deixe de mandar sua opinião. Por favor, não sejam leitores fantasmas. Até se você for um hater, não se acanhe, sou legal e recebo todos de braços abertos. Também aceito recomendações u-u Acho que é só. Meu face: https://www.facebook.com/kah.writer.01 Imagens, spolers e datas de postagem. Sem contar com a promoção: faça bullying com a autora e ganhe um spoiler do final, heuheuhehe. A Maryliah Costa é mestra nisso, podem confirmar. Até o capítulo seguinte. (Responderei os reviews amanhã pela noite)