Memories
28 Memory Twenty Seven
Notas iniciais
Memories
Memory Twenty Seven
***
Pelas portas do cartório quatro pessoas passaram, deixando juntas o grande prédio cinzento, depois de passarem quase duas horas seguindo procedimentos burocráticos.
Ao lado de Izaya, trajando um delicado vestido rosa com um cinto marrom claro envolvendo sua cintura e casaco branco, Mai encarava com certa expectativa o envelope pardo o qual guardava todos os documentos referentes ao que tinha acabado de acontecer.
— Orihara Mai… — Ela sussurrou, apreciando a sonoridade que seu nome havia ganhado com aquele novo acréscimo.
Por mais que o processo em si tivesse sido chato e pouco emocionante, estava feliz por terem dado mais um passo em direção a cerimônia de casamento.
— Ah, mal posso acreditar que isso realmente aconteceu! ~ — Cantarolou Shinra, quase saltitando ao lado de Celty. — Estou tão eufórico com o que acabei de presenciar que mal consigo me conter.
— Não exagere, Shinra — Izaya revirou os olhos. — Apenas assinamos alguns documentos, nada de mais.
— Mas é claro que foi, Orihara-kun. Não… — Ele balançou a cabeça. — Agora que sou o padrinho de vocês, sinto que tenho a liberdade de chamá-lo de Izaya.
— Maravilhoso ~ — o informante retrucou com ironia. — Também estava querendo começar a chamá-lo de Shin-chan.
— Sh-Shin-chan?! — Ele exclamou, fazendo Mai e Celty rirem. — A-acho que não há necessidade disso, Ori… Quer dizer, Izaya. Afinal, você já me chama de Shinra sem sufixo algum. Pense que agora estamos quites.
— Oh, mas você queria tanto fazer parte da família. Considerando isso, acho que o apelido é bem apropriado — continuou, se deliciando com a expressão embaraçada do outro.
— É-é melhor irmos com calma — conseguiu dizer apenas.
Suspirando divertidamente, o informante olhou para o céu, que começava a se despedir do frio Sol outonal, e depois para Mai.
— Acho que é hora de irmos, não? — Sugeriu a ela. — Sem falar que tem algo que quero…
— Mas já?! — Shinra o interrompeu, se recompondo. — Nós precisamos comemorar.
— Dispenso a sugestão — Izaya cortou.
“O que acha de comemorarmos em algum restaurante, Mai-chan?” — Celty perguntou. “Tenho certeza que vamos nos divertir bastante”
— Claro! — Ela respondeu com um sorriso, mas ao virar-se para o informante e ver sua expressão pouco ansiosa, o desfez. — Tudo bem para você se a gente for?
— Ir ou não, para mim, não faz a menor diferença — falou, mandando pra Shinra um olhar mal-humorado. — Mas se você quer, irei acompanhá-la.
— Ebá! — Exclamaram Mai e Shinra em uníssono.
— Fico feliz que tenha aceitado, Izaya — o médico disse aliviado. — Porque eu já fiz reservas para nós em uma sala privada de um excelente Sushi Bar que abriu recentemente.
— Já imaginava que havia algo preparado — murmurou. — Me pergunto se esse convite é realmente para comemoramos, ou só um pretexto para você ter um encontro com a Celty.
— É c-claro que não — o de óculos respondeu com o rosto ligeiramente corado.
— Sua resposta não me convenceu — retrucou e depois se virou para Mai. — O que você acha? Será que ele está apenas nos usando?
— Isso é verdade, Shinra? — A menor olhou para o médico com ar magoado.
— Isso é verdade, Shin-chan? — Izaya imitou o tom de voz dela.
— Pare com isso, Izaya! — Pediu aflito. — Ei, Celty, me ajude aqui.
“Se vira” — foi simples.
— Quanta maldade, Shin-chan! — O informante fingiu indignação. — Magoou a pobre Mai-chan.
— Izaya, eu quero voltar para o escritório — a jovem pediu. — Não quero mais ir ao restaurante.
— Nã-não é o que está pensando, Mai-chan — Shinra tentou, sentindo-se suar. — Você não deve acreditar em tudo que ele diz.
Izaya riu.
— Tudo bem, Mai-chan, já está bom — ele colocou a mão na cabeça da jovem, que em um segundo desmanchou sua expressão triste. — Sinto que consegui me vingar.
— O-O que…?! — Shinra olhou para os dois, espantado. — Ah, não, Mai-chan, você está sendo influenciada pelo Izaya. Desse jeito o papai fica preocupado!
O informante apenas lhe deu um sorriso satisfeito. Realmente precisava fazê-lo sofrer ao menos um pouquinho por ser tão intrometido.
Com o médico calado e Celty e Mai conversando, o quarteto seguiu para a zona leste do distrito comercial de Ikebukuro. A cada metro que percorriam, as lojas, restaurantes e bares ficavam cada vez mais modernos e elegantes. Andando um pouco a frente, Shinra parou diante de um restaurante que carregava em sua faixada as palavras “Deep Sushi” em neon.
Seu interior era enorme, ocupado por mesas e cadeiras estofadas de mogno. Havia aquários por todos os lados e a decoração era de bom gosto. Um extenso balcão separava a cozinha do resto e ao fundo era possível ver o corredor que levava às salas privadas, escondidas por portas de correr.
— Não é incrível? — Shinra perguntou, ao ver a expressão de surpresa no rosto de Mai.
— Dá pro gasto… — Intrometeu-se Izaya, passando por ele e fazendo o médico bufar.
Juntos foram em direção ao bar, requisitando a um dos garçons que os levassem até a sala que haviam reservado. O atendente já estava lhes abrindo a porta do lugar, quando o jovem de óculos soltou uma exclamação de surpresa.
— Meu celular! — Falou. — Esqueci-o no apartamento. Precisamos voltar, Celty. Posso receber uma ligação urgente a qualquer segundo.
“Nos espere aqui” — a motoqueira pediu. “Voltamos bem rápido”.
Mai assentiu, vendo os dois saírem, enquanto Izaya entrava na sala sem se afetar com o contratempo.
— Boa sorte indo buscar o celular que eu tenho certeza que você não esqueceu em casa — murmurou, sentando no longo kotatsu no centro do cômodo.
— O que disse? — Ela perguntou, também entrando.
O chão era feito de tatâmi e as paredes decoradas com painéis de pinturas japonesas. Havia também um aquário cheio de peixes coloridos em um canto e uma T.V com um aparelho de karaokê.
— Nada — disse. — Vamos, Mai-chan, venha sentar comigo ~
A jovem foi até ele, acomodando-se ao seu lado.
— Ei, Izaya, desculpe por isso — falou.
— Isso?
— Vir aqui — ela apontou para tudo a volta deles. — Sei que não gosta de coisas desse tipo, que prefere não se envolver dessa forma com as pessoas. É que eu só achei que dessa vez, como é uma ocasião especial, poderia ser… Divertido.
— Bem… — Ele fingiu estar pensativo. — Confesso que prefiro muito mais passar meu tempo às sós com você, mas também estou aberto a novas experiências, se elas te fazerem feliz.
Suas palavras a fizeram sorrir.
— Vamos nos divertir muito hoje! — Cantarolou pegando o cardápio. — Assim como você, que sempre está me mostrando coisas novas e interessantes, eu também quero ser capaz de lhe dar o mesmo. Quero poder fazer com que experimente coisas novas e únicas ao meu lado.
Ela parou um segundo, corando com as próprias palavras e com o olhar surpreso do mais velho.
— O-ou ao menos vou tentar… — Terminou sem graça.
— Ora, ora, que linda declaração. Até me pegou de surpresa ~ — comentou com deleite, passando o braço ao redor da cintura de Mai e puxando-a para mais perto. — Fez até meu coração disparar ~
— Não e-exagere… — falou, deixando um sorriso sem graça escapar, sentindo os lábios do rapaz lhe fazerem uma singela carícia em seu pescoço. — Isso faz cócegas…
— Só cócegas? — Perguntou. — Então vamos tentar algo mais romântico.
Com delicadeza, Izaya segurou o queixo de Mai, erguendo seu rosto. Ele começou a se aproximar dela, que lentamente fechou os olhos. Seus lábios quase se tocavam, quando subitamente a porta da sala se abriu e um coro de vozes gritou:
— SURPRESA!
Se Izaya não tivesse continuado a segurá-la, Mai teria dado um pulo no lugar e se afastado, mas como ele ainda a mantinha em seus braços, ela apenas olhou para a porta com uma expressão espantada e completamente vermelha.
— Vamos todos comemorar! — Exclamou Shinra, ao lado não só de Celty, como também Kadota, Erika, Walker, Togusa, Mairu, Kururi e, surpreendentemente, Namie.
— Que droga é essa? — Izaya perguntou pausadamente, fuzilando o médico com um olhar assassino, mas sem soltar-se de Mai.
— Ora, uma festa! — Interveio Erika, entrando na frente. — Um presente de todos nós para você e a Mai-chan! ~
— Isso mesmo — concordou Mairu. — Você se casando é um fato histórico. Uma ocasião que, com toda certeza, merece ser celebrada ~
— E mesmo que ainda não esteja convencido, pense na Mai-chan — Shinra apontou. — Ela nunca participou de algo do tipo. Não quer vê-la se divertindo nesse dia tão espacial?
Izaya virou-se para a pequena, mas ela rapidamente desviou-se dele. Porém havia sido suficiente para que ele captasse certa expectativa em seu olhar.
O informante suspirou.
— Façam como quiser.
Diante suas palavras, o pessoal começou a adentrar na sala reservada. Cada um parabenizando a sua maneira o casal, lhes dispensando cumprimentos amistosos e felicitações empolgadas.
— O que você faz aqui? — Izaya perguntou a Namie, que havia se acomodado ao seu lado.
— Ora, vim dar pessoalmente os meus parabéns ao meu querido chefe — ela respondeu, fingindo surpresa.
— Você não gosta de mim.
— Passei a gostar assim que descobri que decidiu se casar — falou simplesmente, analisando as unhas muitíssimo bem feitas. — Porque agora, meu caro, estou oficialmente entregando meu cargo de “babá do Izaya” para outra pessoa, que por mais incrível que pareça, o está aceitando de bom grado — ela deu um sorriso fino e astuto. — Finalmente posso atuar apenas como secretária faz-tudo, sem ter que me dar ao trabalho de lidar com sua personalidade carente.
Izaya deu uma risada sem humor.
— Muito gentil da sua parte, Namie-san — falou em um tom exageradamente polido. — Você é mesmo um doce de pessoa. Até chego a me perguntar porque o Seiji-kun não presta a mínima atenção em você. Ah, não, tem um motivo para isso! É porque ele não gosta de mulheres melosas e psicóticas. Bem, se eu fosse você desistiria dele logo, afinal, o tempo não para e eu e você sabemos que a cada dia fica mais velha e enrugada.
Os dois trocaram um sorriso frio e espinhoso.
Fora dessa aura gélida, o garçom adentrava na sala, distribuindo, drinques, água e petiscos.
— Agradeço suas doces palavras. Nada muito diferente do que eu poderia esperar de um… — ela pegou um copo com coquetel de frutas. — … Ladrão de Donzelas.
Izaya engasgou com a água que havia pego para beber.
— O que? — Sibilou.
— Sempre soube que você gostava de garotas mais novas, mas não achei que era tanto — disse por fim, dando um sorriso satisfeito.
O rapaz bufou, decidindo que era perda de tempo continuar a discutir com ela. Bebeu mais um gole de água e virou-se para Mai, presenciando o exato momento que em Mairu tentava lhe dar um drinque de cor verde.
— Ei, ei! Não dê bebidas alcoólicas a ela — repreendeu, pegando das mãos da irmã o copo de vidro e assustando a outra.
— Ora, não seja chato! — A de óculos reclamou. — Isso é uma festa e ela está entre amigos.
O informante estreitou os olhos, mandando ma ameaça silenciosa a gêmea, que fez uma careta emburrada.
— Desculpe… — Mai falou.
— A culpa não é sua — respondeu, colocando o copo sobre a mesa. — Apenas evite essas bebidas coloridas, ouviu? Podem não lhe fazer bem.
— Por quê?
— Porque isso é uma bebida alcoólica e pode deixá-la bêbada e fora de si, o que é uma péssima ideia — explicou, mas ao ver que a expressão de dúvida nas feições da menor prevaleceu, continuou: — Quando você está bêbado, perde o bom senso e a vergonha. Diz e faz coisas que normalmente não teria coragem, se comportando de um jeito diferente do normal.
— Ora, Izaya, não seja careta, deixe-a ao menos experimentar! — Erika gritou do outro lado do kotatsu. — Ou será que está esperando voltarem para casa para beber com ela e tê-la todinha para você? Oh, como você é ousado ~
Irritado, Izaya ignorou o comentário, olhando para o outro lado e dando de cara com Shinra, que havia deixado de lado os drinques para se aventurar em pequenas doses de saquê.
— O-o que foi, Izaya? — Perguntou, intimidado pelo olhar do outro.
— Achei ter pedido para manter nosso casamento em segredo — falou em tom perigoso.
— Mas eu mantive! Quem contou para eles foram suas irmãs, eu apenas as ajudei a organizar a festa.
O informante continuou a olhá-lo com ar mal-humorado.
— Não faça essa cara — sua expressão assustada desapareceu e Shinra passou a olhá-lo de forma amigável. — Somos todos seus amigos e estamos aqui porque ficamos muito felizes em saber que você e a Mai-chan, depois de tudo que passaram, finalmente estavam casados e compartilhando uma vida feliz. Você pode até ser detestável quando quer, mas quando está com ela fica até suportável, e a gente gosta de você quando está desse jeito.
— Tocante… — Revirou os olhos.
— Vamos, Izaya, se solte um pouco — ele insistiu. — Até você merece passar por momentos divertidos e alegres. Todo mundo viu como ficou naquele tempo em que passou longe da Mai-chan, tanto recentemente, quanto há um ano, e ninguém quer que você tenha que passar por isso de novo. Mas se isso não é suficiente para melhorar seu humor, olhe ali — ele apontou com o copo, mostrando Mai, Kururi, Mairu, Celty e Erika conversando. Era nítido pelo sorriso no rosto da jovem o quando ela estava se divertindo. — Ela está gostando, mas se perceber que você não está, vai se sentir triste e culpada. E você quer que isso aconteça, Izaya?
O informante ficou em silêncio por alguns segundos. Seus olhos vermelhos varreram todos o espaço, até pousarem sobre Mai ao seu lado. Depois se voltou para Shinra.
— Mas não espere que eu vá ficar bêbado — disse apenas.
— É claro que não, precisa ser um bom exemplo para minha filhinha.
E então, de fora agradável e proveitosa, a festa surpresa deu continuidade. Além das bebidas, alcoólicas ou não, os deliciosos pratos de sushi começaram a ser servidos e muito bem apreciados. As pessoas ali conversavam a riam sobre todo tipo de assunto, ora ou outra fazendo piadas e brincadeiras com o casal, que em maioria terminavam com uma Mai embaraçada.
Depois de um tempo, o karaokê foi ligado e cada um, com exceção de Izaya e Celty, teve a chance de mostrar seu talento. Cada música cantada rendia uma salva de palmas e, quando Shinra, Erika e Togusa resolveram formar um grupo para cantar as músicas da Idol Hijiribe Ruri, houve até assovios.
Se Izaya fosse uma pessoa que visse interações sociais de um jeito normal, e fosse uma pessoa normal, ele até teria dito abertamente que estava sendo uma festa incrivelmente divertida. Mas como ele não era, admitir tal fato passou longe de seus pensamentos, mesmo que, irritantemente estivesse nítido o sincero desejo dos presentes agradarem ele e Mai com a comemoração.
Ao menos ela estava feliz, era o que pensava, enquanto olhava para a menor, que já havia mudado de lugar, como todos ali fora ele, e conversava animadamente com Walker sobre mangás.
— Ei, Izaya, venha beber com a gente! — Chamou Shinra, junto de Kadota e Togusa, erguendo copinhos cheios de saquê.
— Não, muito obrigado — recusou, levando o tekamaki a boca, saboreando o gosto de atum agridoce.
Ele engoliu o sushi, pronto para pegar outro, quando se sentiu sendo observado. Era Erika, e o encarava com um sorriso malicioso.
— O que foi?
Ela então pegou sua bolsa, tirando dela uma caneta, e trouxe um guardanapo para perto, escrevendo algo nele. Acabando, entregou-o a ele. Desconfiado, Izaya pegou e leu.
~ *** ~
Não se preocupe, a festa não vai até muito tarde. Terá tempo suficiente com ela no escritório, ok?
Boa sorte quando voltarem! ~
P.S.: Sei o seu segredo ♥
~***~
Por cima do guardanapo, ele estreitou os olhos para a moça, desconfiado. Ela riu em resposta e piscou para ele, levantando para cantar uma música no karaokê.
— Então eu estava sendo stalkeado… — Murmurou.
— Relaxe, Iza-nii, o fato de termos visto você em certa loja foi pura coincidência — Mairu falou ao seu lado com naturalidade.
— Sabe, agora eu penso… Era melhor nunca ter deixado a Mai fazer amizade com vocês. São perigosas demais para se ter por perto — retrucou, tomando um gole de saquê.
— Haha ~ Irritado porque perdeu o controle da situação? — Riu, experimentando um sashimi.
— Nem um pouco. Na verdade, estou particularmente interessado nessa festa, ela vai me possibilitar presenciar o que horas de consumo de bebidas alcoólicas faz ao ser humano.
— Hmmm — ela fez. — Sempre bancando o indiferente com ares de superioridade. Fico me perguntado se você também é assim quando está na cama com a Mai-nee.
Izaya se deixou dar um sorriso malicioso.
— Ah, minha doce irmãzinha, a resposta para essa pergunta você nunca terá — ele passou a mão em sua cabeça. — Mas sinta-se livre para tentar imaginar, apesar de saber que nunca conseguirá chegar a algo minimamente próximo do que realmente acontece entre nós dois em momentos desse tipo.
— Você consegue ser muito chato às vezes, sabia? — Falou emburrada, empurrando sua mão.
— É um dom, Mairu.
— Ei, ei, hora do brinde! ~~ — Gritou Shinra, chamando a atenção de todos. — Mai-chan, sente-se ao lado do Izaya. Todos peguem seus copos!
Saindo de seu lugar a jovem se acomodou ao lado do informante. O médico ergueu o copo de saquê que segurava, sendo acompanhado pelo resto dos presentes, com exceção de Izaya.
— Vamos, não seja orgulhoso — Mairu o obrigou a levantar também.
— Ao melhor casal de Ikebukuro! ~ — Declamou Shinra. — Que esse amor continue incrivelmente intenso hoje, amanhã e sempre! Não só eu, como todos aqui, desejamos aos dois o melhor e mais feliz dos futuros. Um viva aos recém-casados!
O som de taças e copos se chocando ecoou pela sala, assim como um coral de vozes parabenizando os dois com um empolgado “viva”. E então, todos deram um generoso gole nas próprias bebidas.
Enquanto Mai recebia carinhosos cumprimentos, Izaya era parabenizado com amistosos tapinhas no ombro.
— Hora da foto ~ — Exclamou Erika, parando na frente dos dois do outro lado da mesa com uma câmera em mãos. — Vamos, juntem os dois.
Sendo pega de surpresa, um pouco sem jeito, Mai se afastou de Celty, com quem conversava, e se aproximou de Izaya. Ambos olharam para a câmera, enquanto a moça de vestido negro mirava os dois. Todavia, ela não tirou a foto, fitando ambos com uma expressão insatisfeita.
— Ora, vocês estão casados! Quero ver mais amor nisso ai — reclamou. — Que tal um beijinho? ♥
— O-o que?!
O rosto de Mai enrubesceu e ela virou-se para Izaya com um olhar perdido, logo abaixando a cabeça devido ao constrangimento. Aquela era a primeira vez que iria demostrar um afeto mais íntimo que andar de mãos dadas na frente de pessoas, e isso a deixava bastante envergonhada. Principalmente porque agora não só Erika, mas como o resto dos presentes os observavam com certa expectativa.
Ao lado dela, Izaya soltou um suspiro surpreendentemente tranquilo. E assim, da mesma forma delicada que na primeira vez, ele segurou seu queixo, erguendo seu rosto para que o encarasse. O informante sorria e a olhava como se houvesse apenas os dois ali.
— I-Izaya…?
Impedindo-a de dizer algo ais, ele juntou seus lábios. No mesmo instante toda aquela inquietação e insegurança desapareceram, junto com os expectadores, dando espaço para uma sensação de aconchego e segurança.
Enquanto o rapaz segurava seu rosto, seus lábios se moviam de forma delicada e gentil, sem pressa alguma em terminar aquele carinhoso toque.
Quando o beijo sessou, Izaya afastou-se dela e olhou para Erika.
— Satisfeita?
— Kyahh! ♥ Muuuito! — Exclamou, dando pulinhos alegres no lugar. — Foi perfeito! As fotos ficaram ótimas ~ Serão uma maravilhosa inspiração para minhas fanfics e doujinshis. Ahh, o clima de amor proibido, mesclando maturidade com inocência é tão exitante! ~~
A súbita demonstração de afeto por parte de Izaya surpreendeu os convidados, porém, para espantar aqueles olhares, o informante fez uma careta e voltou a comer sushi, agindo como se nada tivesse acontecido. Aos poucos, em meio aos ataques eufóricos de Erika, que agora havia se juntando com Mairu para falar de coisas que era melhor Mai não ouvir, o clima de descontração agradável voltou a reinar no recinto.
Novas músicas foram cantadas, muitas pela recém-formada dupla Shinra e Togusa; Namie, um pouco alterada pelo álcool, conversava animadamente com Kururi e Mai; Celty e Walker falavam sobre aliens e Izaya, pela primeira vez na festa, desfrutava de uma conversa agradável com Kadota.
Seguindo esse ritmo, a comemoração chegou ao fim. A contragosto, as pessoas naquela sala começaram a se levantar para deixar o local. Celty, uma das poucas ali de fato sóbrias, pagou a conta e pediu ao garçom que chamasse alguns táxis.
Na porta do restauraste, à espera dos transportes requisitados, o grande grupo aproveitava para efetuar as despedidas. Mai agradecia com ternura a comemoração, ao passo que Izaya dava cumprimentos desinteressados, até Shinra se aproximar.
— Meus parabéns, Izaya!! — Ele se jogou nos braços do amigo.
— Você já disse isso — falou entre dentes, tentando afastá-lo. — Agora, me solte!
— Eu estou muito feliz que meu melhor amigo e minha linda filhinha se casaram ♥ — continuou, ainda agarrado a ele. — Cuide bem dela, ouviu?
— Você fede a bebida — reclamou.
— Um último conselho — disse, aproximando seus lábios do ouvido do outro. — Amar é diferente de ser amado. Troque as posições de vez em quando e terá resultados incríveis.
Tão rápido quanto havia se aproximado, Shinra soltou-se dele, agora se jogando em Celty, tentando beijar seu capacete.
— O que ele te disse? — Mai perguntou.
— Nada de interessante — deu de ombros. — Vamos, nosso táxi chegou.
Juntos adentraram no veículo, que ao receber as instruções do informante, deu a partida.
Sentada no banco, a jovem olhava pela janela do carro, observando o céu estrelado que abrigava a cidade. Havia sido incrivelmente divertida aquela festa. Conversou, deu risadas e desfrutou da companhia de ótimas pessoas, que pouco a pouco haviam se tornado suas amigas. Havia amado cada pedacinho daquela dia e agora guardava em seu coração as memórias de cada instante vivido.
Com um terno sorriso nos lábios, afastou-se da janela e encostou em Izaya, aguardando até que chegassem ao escritório.
Quando o prédio ficou visível, o motorista desacelerou, até parar próximo ao meio-fio, às portas do edifício. O rapaz pagou a corrida e subiu junto dela para o apartamento.
— Ah, eu me diverti tanto ~ — Mai cantarolou ao entrar.
Ela retirou o casaco que usava e o deposito sobre o sofá, junto com o envelope pardo. Algo peludo roçou em suas pernas e um miado chegou aos seus ouvidos.
— Olá, Kuro — ela o pegou no colo. — Hm, será que você está com fome? Ficamos muito tempo fora, talvez seja melhor alimentá-lo antes de ir dormir. O que acha, Izaya?
Ao não ouvir uma resposta, olhou em volta, mas não o encontrou ali.
— Izaya?
Estava só.
Curiosa, voltou com o gato para o chão e foi até as escadas, subindo em direção ao andar superior. Ao parar de frente para porta do quarto deles, viu Izaya sentado na cama. Já não usava mais o sobretudo, evidenciando a blusa social negra com os primeiros botões abertos que usava. Seu rosto sério, que olhava para algo em suas mãos, era banhado pela luz do abajur.
Em pé ali, a jovem achou que aquela combinação o deixava ainda mais atraente.
— Izaya? — Chamou.
Ele levantou a cabeça, um pouco surpreso.
— Não vi que tinha subido — comentou um pouco distraído.
— Está tudo bem? — Perguntou, adentrando no quarto.
— E por que não estaria?
— Não sei ao certo… Quer dizer, depois que fomos embora, você ficou repentinamente calado e sério.
— É apenas impressão sua, Mai-chan — ele lhe deu um sorriso enigmático.
— C-certo… — respondeu, sentindo um calafrio subir por sua espinha.
Ela caminhou até o armário e abriu a porta de madeira para trocar de roupa.
— Sabe, Mai, você pode até dizer que não se lembra, mas eu me recordo perfeitamente do dia em que nos conhecemos — ele comentou.
Mai, que procurava pelo seu pijama, parou o movimento. Ela olhou para trás, Izaya havia voltado a se focar no misterioso objeto em suas mãos, e voltou-se novamente para frente.
— Na ocasião, eu fugia do Shizu-chan, quando sem querer trombei em você ao virar uma esquina. Naquela época, achei que tivesse sido apenas um mero acontecimento mundano, que logo cairia no esquecimento — o informante continuou em um tom rouco e penetrante, porém calmo ao mesmo tempo. — Como eu estava enganado. Antes que me desse conta, você já havia se aproximado de mim e tocado meu coração de um jeito que eu nunca havia sentido antes. Sem perceber, havia me apegado completamente a você e a amado. Você era, e sempre foi, o que eu tinha de mais precioso. Mas então… — ele ergueu-se da cama e foi até Mai, parado atrás dela. — Você foi embora.
A jovem abaixou a cabeça, olhando com melancolia para o pijama que segurava em sua mão.
— Durante o ano em que estive longe de você, provei da verdadeira solidão. Intensa e implacável, ela assolava meus dias. Junto com o medo de nunca mais te encontrar. Sim, eu temia que não voltasse para mim. Ou que, caso retornasse, não fosse capaz de reencontrá-la. Essa perspectiva era ainda mais assustadora. “E se ela estiver por ai, perdida e chamando o meu nome?”, eu pensava. “ela ainda é tão inexperiente, não saberá se virar sozinha. Sem falar em sua inocência. Ela corre perigo se eu não estiver ao seu lado para protegê-la”. — Ele riu com um pouco de amargura. — Era ironicamente curioso como, longe de você, eu me preocupava abertamente, mas na época em que estávamos juntos, resistia em demonstrar meu zelo.
— Izaya… — Ela tentou trêmula, porém parou ao sentir as mãos dele em seus ombros.
— Pensar me você e na falta me que fazia doía.
Ele ficou em silêncio por vários segundos. O rapaz soltou os ombros da jovem e circulou sua cintura com os braços abraçando-a.
— Feche os olhos — pediu.
Mai o fez, sentindo Izaya pegar uma de suas mãos e colocar algo de textura aveludada sobre ela.
— Pode abrir.
Ela voltou a fitar sua mão, arregalando os olhos ao notar o que era o objeto.
— Izaya, isso é-é...
— Mas agora você está de volta, Mai. Aqui, bem ao meu lado, me amando e me permitindo amá-la. E é só isso que importa.
Com a mão livre, completamente trêmula, Mai abriu a caixinha de cor vinho, revelando duas alianças de ouro branco, com três pedrinhas brilhantes adorando cada uma.
— Independente do que aconteça daqui para frente, Mai, meu maior desejo é aproveitar ao máximo cada segundo com você. Enquanto ainda me for permitido estar ao se lado, farei cada momento valer a pena. Cuidarei de você tão bem quanto vem cuidando de mim.
Todavia, não houve resposta a declaração do rapaz. Mai não conseguia. As lágrimas que desciam pelas maçãs de seu rosto e o coração que palpitava em seu peito impediam-na de dizer algo.
Rindo do estado da outra, Izaya a pegou nos braços e voltou para a cama, colocando-a sentada sobre seu colo. Mai já não segurava mais a caixinha aberta em suas mãos. Havia fechado-a e agora a apertava contra o peito, chorando.
— Não vi me deixar colocá-la em você? — Ele perguntou em tom de riso.
A menor acenou com a cabeça e abriu lentamente as mãos, deixando Izaya pega a caixinha. Ele a abriu e tirou dela uma das alianças, porém em vez de colocá-la no dedo da jovem, mostrou-a diante seus olhos.
— O que você vê? — Perguntou.
Com as vistas embaçadas devido as lágrimas, Mai secou os olhos, suspirando de surpresa e emoção com o que viu.
— Akai Ito… — Sussurrou.
Os anéis de ouro branco possuíam por dentro uma delicada faixa vermelha companhando seu perímetro.
— Se ela existe ou não, isso não importa, pois eu mesmo estou lhe dando nossa própria Akai Ito — falou, pegando sua mão esquerda e colocando lentamente a aliança. — Sua vez.
Mai pegou a outra que restara e segurou a mão de Izaya, mas em seu dedo já havia um anel.
— Oh — ele fez, tirando-o. — Esqueci que ainda o usava. Sabe, foi você quem o colocou em mim há muito tempo. Porém, isso é história para outro dia — ele o colocou no bolso do vestido dela. — Guarde-o, pois um dia eu irei lhe contar mais sobre as coisas que esqueceu.
Mai olhou para o pequeno volume em seu bolso e depois se voltou para o rapaz, que a encarava.
— Pronta?
— Sim.
Com delicadeza, ela segurou sua mão e colocou a aliança.
— Ah, Izaya… — Ela deixou escapar, sentindo os olhos voltarem a ficar marejados.
— Como a Mai-chan é chorona ~ — riu, abraçando-a mais.
— Obrigada, Izaya… Muito obrigada — Ela falou, olhando com carinho e estima para o anel em seu dedo.
— Não há necessidade de agradecer.
A jovem ficou em silencio alguns segundo, até que levantou a cabeça e olhou para o rapaz.
— Você não precisa ter medo — falou, com os olhos carregados de emoções intensas. — Independente do que aconteça, serei sua para sempre. Mesmo que eu desapareça, perca minha memória e vários anos se passem, eu voltarei para você. Sempre. Mesmo que eu tenha que ir contra a minha própria natureza, eu voltarei para os seus braços. Há muito lhe dei meu coração e ele, independente das minhas memórias e do tempo, nunca deixou de te amar.
— Mai… — Ele encarou-a surpreso.
— Por isso… — Sua mão tocou o rosto dele com carinho. — Não tenha medo, quando tudo acabar, apenas me aguarde, pois eu irei voltar para você e poderemos ser felizes de novo.
Izaya tocou sua mão, sentindo o anel frio sob seus dedos, e aproximou seu rosto do dela, unindo seus lábios.
O beijo começou com carícias amorosas em forma de movimentos lentos e contínuos. Porém, pouco a pouco a intensidade do sentimento que compartilhavam naquele momento começou a aumentar. A língua do rapaz, experiente e ávida, roçou contra os lábios de Mai, abrindo passagem. Explorando aquela caverna úmida, ele estimulava a língua da menor, convidando-a para uma dança sensual e prazerosa, que alternava entre a sua boa e a dele.
Os braços de Izaya aproximaram-na ainda mais de seu corpo, a ponto de permiti-lo sentir seu coração batendo, ao passo que ela o abraçava pelo pescoço, entregando-se ainda mais aquele beijo apaixonado.
Lentamente, na medida em que o ar se tornava escasso, diminuíam o ritmo, até se separarem por completo, ofegantes, porém completamente satisfeitos.
Mai ajeitou-se melhor em seu colo e aproximou os lábios do ouvido do informante.
— Um dia… — Sussurrou ofegante, fazendo Izaya sentir arrepios. — Não hoje, nem amanhã, mas um dia, eu ainda irei lhe contar todo sobre mim, de forma que não haja mais segredos ou mistérios. Não sou capaz de lhe dar todas as respostas, pois eu mesma não as sei, mas tenho certeza que nesse dia, você será capaz de juntar todas as peças e descobrir porque estou aqui.
Izaya a afastou com delicadeza, fitando aqueles enigmáticos olhos azuis com surpresa. Mai apenas sorriu de forma compreensiva.
— Apenas espere pelo momento certo.
Memory Twenty Seven Finalized
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