Memories
31 Memory Thirty
Notas iniciais
Memories
Memory Thirty
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Sentado na cama de casal que dividiam, Izaya observava Mai pegar algumas roupas em seu armário e guardá-las em uma pequena mala de mão ao seu lado.
— Você realmente tem certeza de que quer ir? — Perguntou pela quinta vez. — Não vejo como passar o fim de semana inteiro com minhas irmãs possa ser minimamente divertido. Principalmente quando você pode passá-lo comigo.
Contendo uma risada, a jovem fechou o zíper de sua mala.
— Não é o final de semana todo — explicou calmamente. — Vou para lá hoje para passar a noite de sexta com elas e voltar no sábado a tarde. E eu tenho certeza de que será divertido, combinamos de fazer várias coisas juntas.
O informante fez uma careta e cruzou os braços.
— Seja lá o que for, pode fazer comigo — ele devolveu, usando um tom de superioridade para esconder seu ciúmes. — Garanto que será bem melhor do que com minhas irmãs.
Dessa vez Mai não conseguiu conter uma risada baixa.
— Não fique assim — disse, se aproximando dele na cama. — Prometo que logo estarei de volta para ser toda sua.
— Hmm — ele fez, desviando os olhos dela e fingindo estar insatisfeito.
A menor o encarou alguns segundos e então sorriu. Sem dizer nada, ela acomodou-se em seu colo e o abraçou, aproximando os lábios de seu ouvido.
— Já que não está satisfeito — sussurrou lentamente. — Acho que terei que convidá-lo para um encontro esse domingo. O que acha? Prometo que irei compensá-lo por cada segundo que passei longe de você. Será um longo dia só para nós dois.
Izaya a espiou pelo canto dos olhos, deixando que um sorriso malicioso se insinuasse em seu rosto.
— É mesmo? — Falou, virando-se para ela e circulando sua cintura com os braços. — Se é assim, acho que vou conseguir sobreviver a esses dois dias.
Aproximando seu rosto do dela, o rapaz juntou seus lábios em um beijo amoroso e lento. Ela a acomodou melhor em seu coloco e o abraçou, aprofundando mais aquela troca de carinho e desfrutando do prazer de estar em seus braços.
Entretanto, para a infelicidade de Izaya, o celular da jovem tocou pouco tempo depois de começarem, interrompendo o momento dos dois.
— Elas chegaram — Mai falou, ao olhar o visor de seu telefone identificar quem a ligava.
— Muito inconveniente da parte delas — murmurou. — Logo agora que eu estava quase te convencendo a ficar.
A jovem riu, dando um último beijo nele antes de se levantar. O informante fez o mesmo, carregando a mala para ela. Juntos, deixaram o quarto e desceram para o escritório. A ideia inicial era acompanhá-la até a portaria do prédio, porém ao sair do apartamento e ver suas duas irmãs abandonando o elevador, Izaya percebeu que seria ali onde se despediriam.
— Ora, se não é o nosso querido onii-sama — provocou Mairu. — Muito irritado com a perspectiva de perder a Mai-nee para nós?
Fingindo não se afetar, quando no fundo a coisa que mais queria era expulsá-las dali e levar Mai para de volta para dentro, Izaya se virou para sua companheira.
— Tome cuidado com essas duas pestes — falou. — E se divirta.
— Certo! — Ela respondeu, animada.
Se deixando relaxa com a felicidade dela, ele passou a mão em sua cabeça e sorriu, entregando-lhe a mala.
— Até sábado — Mai se despediu, começando a se afastar — E não se esqueça do nosso domingo!
— Nunca — devolveu.
Vendo o trio se distanciar, Izaya notou que Mairu o fitou uma última fez por cima do ombro. Primeiro ela fez uma careta e mostrou a língua, porém depois ela lhe sorriu com malícia e piscou com um olho. Em resposta, pouco interessado em pensar no que aquilo podia significar, ele lhe deu as costas e adentrou novamente no escritório.
Após fechar a porta atrás de si, o rapaz observou como, sem a presença de Mai, aquele lugar aprecia escuro e sufocante. Era estranho ver-se longe dela, mesmo que por alguns dias, ainda mas depois de tudo que passaram. No fundo, sentia-se desconfortável e sozinho sem ela, principalmente porque esse tipo de situação o fazia lembrar da época em que estiveram verdadeiramente separados — tempos dolorosos que tentava esquecer. Não admitia em voz alta, mas Izaya era muito mais apegado a Mai do que tinha coragem de demonstrar. Ela era a única coisa capaz de fazê-lo feliz e trazer vida aos seus dias escuros. Sem ela, sentia não ter nada.
Não seja tão dramático, repreendeu a si mesmo, mesmo que aquilo fosse a mais pura verdade. Amanhã ela estará de volta.
Suspirando, afastou-se da porta e foi até sua mesa de trabalho, sentando-se na cadeira de rodinhas. Automaticamente seus olhos foram atraídos para a mesa de Mai que ficava ao lado da sua e por pouco não soltou outro suspiro.
— Preciso trabalhar um pouco e distrair minha mente — falou para si mesmo em voz alta.
Pegando seu celular e ligando o computador, Izaya obrigou-se a focar nos serviços pendentes que tinha em mãos. Entretanto, acabou não sendo bem-sucedido em sua tarefa. Chegou a trabalhar por uma hora, quase duas, e até resolveu uma coisa ou outra, no entanto, sua mente sempre acabava se distraindo de seus negócios e procurando por Mai em suas lembranças. Por fim, após insistir por mais meia hora e não conseguir nada além de coisas malfeitas ou pela metade, o rapaz desistiu do que estava fazendo.
Deixando sua mesa, ele caminhou até a estante que ficava na lateral do escritório e pegou um livro. Acomodando-se no sofá, começou a ler. Dessa vez sua atenção cooperou por mais tempo. Entretanto, ao chegar na página quarenta de A Divina Comédia, já havia perdido completamente a vontade de continuar com a leitura. Bufando, largou o livro sobre a mesa de centro e se deixou escorregar no sofá, até cair para o lado e ficar deitado sobre as almofadas pretas do assento.
— Argh, odeio isso… — gemeu.
Por mais que fosse embaraçoso passar por isso, não dava para negar que já estava com saudades. Queria Mai de volta, desejava-a com ele e sem ninguém se intrometendo no mundinho deles.
Eu não preciso de mais ninguém além dela, pensou, fazendo uma careta. Queria que ela também pensasse do mesmo jeito.
Não falava isso para Mai, pois sabia que não tinha o direito de privá-la de suas amizades, anda mais quando essas a faziam tão feliz. No entanto, uma parte dele não conseguia simplesmente fingir que não sentia ciúmes de quando ela se relacionava com outras pessoas. Gostava de tê-la só para ele e quando a via com outras pessoas, quase sentia como se estivessem tentando roubá-la dele. No fundo, queria ser o único capaz de fazê-la sorrir, o único a ser tudo que Mai precisava, da mesma forma que ela era para Izaya.
Contendo outro suspiro frustrado, o rapaz direcionou os olhos para a janela do escritório, odiando o fato de que ainda era apenas começo de tarde.
Próximo de seu rosto, Kuro pulou no sofá, roçando seu corpo peludo contra o informante e se deitando.
— É, hoje o dia será bem longo… — murmurou.
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Izaya só foi descobrir que havia cochilado no sofá quando o barulho do toque de seu celular o arrancou de seus sonhos. Ainda um pouco perdido, ele apalpou a sua volta, em busca do aparelho, até achá-lo caído no chão.
— O que você quer? — Perguntou com a voz arrastada, já sabendo quem era.
— Que tom mais mal-humorado, Izaya! Justo hoje que é um dia de grande comemoração! — Ele ouviu a voz animada de Shinra do outro lado da linha. Sua empolgação fazia a cabeça de Izaya latejar.
— Não tenho a menor ideia do que está falando — devolveu sem paciência. — E, sinceramente, não estou com vontade de saber. Por isso, se me der licença…
— Ora, tem certeza de que não quer saber? — Interrompeu-o, antes que desligasse.
O informante franziu o cenho. Ao fundo na ligação ele conseguiu ouvir vozes animadas de outras pessoas. Um em especial chamou sua atenção.
— A Mai está com você?! — Questionou incrédulo, sentando-se de súbito no sofá
— Não só ela, como suas irmãs, a Celty, Anri-chan e a Karisawa-san — contou com tranquilidade.
— E o que vocês fazem todos juntos? — Continuou, começando a ficar irritado.
— Ora, não parece óbvio? — Shinra riu. — Estamos trabalhando nos preparativos para o Dia Especial! ~~
Izaya não conseguiu responder, sentia-se terrivelmente ofendido por não ter sido convidado a participar. Não que ele fosse um homem romântico ou estivesse cheio de expectativas quanto aos preparativos, mas, no fundo, havia criado em sua cabeça cenas dele e Mai escolhendo juntos, e completamente sozinhos, os detalhes para o casamento.
— Izaya? — O médico o chamou.
— E por que absurdo motivo eu não fui avisado sobre isso, seu intrometido? — Devolveu em tom de ameaça.
— Ora, assim como algumas coisas a respeito do Grande Dia serão uma surpresa para a Mai-chan, outras serão para você ~ — explicou, cheio de ânimo.
— Então, se era para ser um segredo, por que me ligou?
— Porque eu queria te deixar curioso! ♥ — Respondeu com humor, mas depois mudando para um tom mais sonhador. — Sabe, Izaya, se você estivesse aqui com a gente, não se aguentaria de emoção. A Mai-chan.... Ah, você não tem ideia de como ela ficou linda! Eu quase chorei, acredita?
Fazendo uma careta de desagrado, ele apertou o celular com mais força. Se antes estava com ciúmes, agora estava quase explodindo.
— Eu quero falar com ela — exigiu.
— Não ~ — respondeu. — Aprenda a dividi-la com os outros, seu destruidor de lares.
— Ora, seu…!
— Bye bye ~
Antes que Izaya pudesse xingá-lo, Shinra desligou. Amaldiçoando o médico por sua ousadia, ele enfiou o celular de qualquer jeito no bolso de seu casaco e ergueu-se do sofá.
— Maldito — praguejou.
Agora todo mundo havia resolvido passar o dia com a Mai, enquanto ele ficava ali, mergulhado no mais profundo tédio.
Eu é quem devia estar lá com ela agora, não eles!, revoltou-se.
Com uma carranca, foi até sua mesa novamente. Queria que o dia acabasse logo, mas sabia que tentar distrair sua mente ali no escritório não iria mais funcionar. Precisava encontrar um serviço que o obrigasse a sair dali e o fizesse ficar um bom tempo fora.
Ligando o computador, checou seus e-mails. Felizmente, Shiki havia recentemente mandado uma mensagem, pedindo a Izaya que, assim que pudesse, o contactasse para ajudá-lo a lidar com uma negociação complicada. Enviando uma resposta, o rapaz esperou e em poucos minutos já tinha um local de encontro e os detalhes sobre a transação.
— Perfeito — falou. — Espero que demora bastante.
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Com um sorriso nos lábios, Izaya caminhava pelas ruas escuras de Shinjuku. Como havia desejado, seu trabalho demorou bem mais do que o esperado e já passava das onze da noite. Quando voltasse para o escritório, tomaria um banho, conversaria um pouco no chat e iria para a cama. E, antes que percebesse, teria sua Mai de volta.
— É muito chato tomar banho sem ela — O informante comentou ao sair do banheiro, trajando apenas uma calça de moletom.
Na verdade, já havia aceitado o fato de que tudo parecia chato sem Mai. Não havia muita graça em fazer suas coisas do dia a dia se não a tinha ao seu lado para compartilhar esses momentos.
Deitando-se sobre a cama, Izaya se recordou da época em que ainda não havia conhecido Mai. Ao se lembrar de seus dias frios e sombrios, sentiu seu estômago se contorcer em um nó dolorido. Pensar em um mundo sem ela era horrível.
Não ligava se isso havia virado um tipo de dependência, Izaya já não conseguia viver mais sem ela. Ela havia se tornado seu mundo, seu apoio, uma parte insubstituível de seu próprio corpo. Na verdade, gostava de compará-la ao seu próprio coração. Algo imprescindível para que continuasse vivendo e aquilo que o tornava capaz de sentir felicidade, tristeza, mas principalmente amor.
E pensar que algum dia, refletiu de forma sombria. Vou ter esse coração arrancado de mim da pior forma possível.
Quando tudo acabasse, o que sobraria de Izaya? Não gostava de pensar nisso, mas às vezes esse assunto simplesmente surgia em sua mente. Quando Mai fosse embora e só sobrasse ele, o que seria de sua vida?
Se deixando tomar por um sentimento obscuro e desolador, Izaya virou-se pra o lado fazia da cama. Viver sem Mai, sem seu sorriso, não poder mais sentir seu carinho amoroso e não ser mais capaz de ouvir sua voz… Pensar que um dia essa seria a sua vida o deixava sufocado e o fazia temer o futuro. Pois no fundo ele sabia que no dia me que ter Mai ao seu lado já não fosse mais possível, não lhe sobraria nada, muito menos vontade de continuar vivendo.
O barulho estridente do toque de seu celular o arrancou de suas divagações mórbidas. Ligeiramente desorientado, o rapaz o pegou e checou o visor, percebendo que não era uma chamada e sim uma mensagem privada no chat que frequentava. Ao ver que a enviara, fez uma careta de desgosto.
CHATROOM [PRIVATE MODE]
(Mai-san): Olááá, onii-sama!!!
(Mai-san): Como está sendo o seu dia? ♥
(Kanra-san): Não me provoque, Mairu.
(Mai-san): Tsc, tsc
(Mai-san): Tão bravinho...
(Mai-san): Se soubesse porque te chamei, não estaria me tratando desse jeito.
Lendo novamente a mensagem dela, Izaya bufou, impaciente. Já não bastava ter levado Mai para longe dele, ela ainda tinha que ficar o perturbando?
(Kanra-san): O que você quer?
(Mai-san): Não é essa a questão e sim…
(Mai-san): O que você quer.
(Kanra-san): Você não está falando coisa com coisa.
(Mai-san): Hm… Será mesmo?
(Kanra-san): Mairu
(Kanra-san): Ou você desembucha logo.
(Kanra-san): Ou eu desconecto.
(Kanra-san): A escolha é sua.
(Mai-san): Tãão impaciente! ~
(Mai-san): Certo, certo.
(Mai-san): Vou te dar um desconto por estar carente e ser boazinha.
(Kanra-san): Eu não estou carente.
(Mai-san): Haha, claro que não.
(Mai-san): Mas o assunto de hoje não é esse.
(Mai-san): Vamos falar de coisas mais interessantes.
(Mai-san): Responda-me, Iza-nii, o que pode surgir em meio a uma conversa entre garotas adolescentes durante uma noite do pijama?
(Kanra-san): considerando sua mente deturbada, nada de bom.
Izaya estava pronto para dar uma última resposta atravessada, quando a compreensão o certou em cheio e ele compreendeu aonde sua irmã que chegar com aquilo.
(Kanra-san): Mairu, sua peste!
(Kanra-san): Mantenha essa sua mente suja e pervertida bem longe da Mai!
(Mai-san): Hahahaha, parece que você entendeu ~
(Kanra-san): Eu não estou brincando…!
(Mai-san): Ah, vamos, se acalme, Iza-nii.
(Mai-san): Nem foram coisas pesadas.
(Mai-san): Na verdade, falamos de um assunto de seu interesse.
(Mai-san): E agora eu tenho aqui comigo informações muito uteis, meu caro.
(Mai-san): Valiosas informações sobre a sua preciosa Mai-chan e seus gostos pessoais.
(Mai-san): Se é que você me entende ~
(Kanra-san): Eu não acredito que você teve a ousadia de perguntar esse tipo de coisa a ela.
(Mai-san): Não seja hipócrita.
(Mai-san): Sei que ficou curioso.
(Mai-san): Você quer saber o que ela me disse.
(Mai-san): E eu ou lhe dizer.
(Mai-san): Mas só se eu ganhar algo em troca.
Izaya encarou aquelas palavras. Era muita petulância da parte de Mairu brincar com ele e desafiá-lo daquela forma, mas principalmente usar Mai para isso.
Uma parte do informante queria simplesmente xingá-la e sair do chat, mas outra, bem maior que a primeira, queria saber o que sua irmã tinha para lhe dizer.
(Kanra-san): E o que exatamente você quer?
(Mai-san): Em troca, eu quero saber os seus fetiches e preferências.
(Kanra-san): Nunca.
(Mai-san): Ora, não seja chato.
(Mai-san): É uma troca justa, onde ninguém sai perdendo.
(Mai-san): Afinal, estou fazendo isso exclusivamente para ajudar meu casal proferido.
(Mai-san): Pense em como será vantajoso ter uma informante como eu.
(Kanra-san): Hmm…
(Mai-san): Temos um trato?
(Kanra-san): Então, era sobre isso que estavam conversando?
(Kanra-san): Interessante.
(Mai-san): Já se decidiu?
(Kanra-san): Sim.
(Kanra-san): E minha resposta é não.
(Mai-san): O que?!
(Kanra-san): Como se eu fosse dar a você o prazer de saber sobre as coisas que acontecem entre eu e Mai.
(Kanra-san): Se ela disse essas coisas para você, tenho certeza que também me dirá se eu pedir.
(Kanra-san): Sem falar que…
(Kanra-san): Não sou nenhum tarado para ficar tendo conversas picantes com minha irmã pelo celular.
(Mai-san): Hahahahaha!
(Mai-san): Primeiro, isso são apenas negócios, Izaya-sensei.
(Mai-san): Segundo, você é um pervertido.
(Mai-san): Já ficou bem óbvio para todo mundo seu gosto por lolicon.
(Mai-san): E por peitos grandes.
(Kanra-san): Isso é um absurdo.
(Kanra-san): Não há fundamento no que você diz.
(Kanra-san): Não entendo porque as pessoas insistem nesse assunto maldito.
(Kanra-san): Não passa de uma mera coincidência a Mai se encaixar nessa descrição.
(Mai-san): Ah, é claro…
(Mai-san): Sabe, tenho um pouco de pena da Mai-nee.
(Mai-san): Fico pensando em quais tipos de fetiches rondam essa sua cabecinha depravada.
(Kanra-san): Oh, não fique assim, Mairu-chan.
(Kanra-san): Se o seu objetivo era nos ajudar, saiba que conseguiu.
(Mai-san): O que quer dizer com isso?
(Kanra-san): Ora, graças a você, agora eu sei que a Mai-chan pensa nesse tipo de coisa.
(Kanra-san): O que significa que poderei conversar com ela sobre o assunto.
(Kanra-san): Muito obrigado! ♥
(Kanra-san): Mal posso esperar pela volta da Mai-chan ~
(Mai-san): Isso não é justo!
(Kanra-san): A vida não é justa, minha doce irmã.
(Kanra-san): Boa noite e não se esqueça de me devolver a Mai-chan amanhã.
(Mai-san): Iza-nii!
— – Kanra-san deixou o chat
Largando o celular sobre o criado-mudo, Izaya deitou-se sobre a cama e fitou o teto. Depois daquela conversa, sentia-se um tanto surpreso com o fato de Mai ter suas preferências sexuais, mas principalmente por ela não ter contado esse tipo de coisa — muito importante — para Izaya. Quer dizer, sabia que haviam coisas que a agradavam mais e menos na cama, mas nunca imaginou que fosse algo que chegasse ao ponto de ser chamado de fetiche ou “preferências”. E por que, mesmo com tudo isso, ela nunca havia lhe contado nada sobre isso? São coisas importantes, oras! Já havia conversado com Mai sobre suas inseguranças e estava tratando de ensiná-la a sentir-se confortável com ele, por isso acreditava ter resolvido esse problema. Mas, ao que parecia, ela ainda guardava algumas coisas para si mesma.
Iriam precisar conversar. Uma longa e interessante conversa.
Puxando as cobertas para cima do corpo, Izaya acomodou-se melhor na cama, preparando-se para dormir. Era horrível passar a noite sozinho e sentia falta do calor de Mai ao seu lado, de se enroscar nela e sentir-se acolhido, e até mesmo de conversar com ela até que caíssem no sono. Mas iria sobreviver, amanhã a teria de volta.
Se deixando relaxar, fichou os olhos, lentamente sendo levado para o mundo dos sonhos.
“Ela sempre estava lá, sozinha.
Sentada naquele mesmo banco, via-a quase todos os dias. No início, não deu muita atenção a sua presença, até que certa vez seus olhares se encontraram e ela sorriu. Por algum motivo, achou aquele sorriso o mais lindo que já tinha visto. E, de alguma forma, ele fez seu pequeno coração palpitar.
Depois disso, sempre que passava na frente daquele lugar, procurava-a silenciosamente com os olhos. E, quando a encontrava, erguia sua mão em um tímido aceno. E ela sempre retribuía, nunca esquecendo de lhe dar aquele caloroso sorriso que havia aprendido a admirar.
Certa vez, munido de um pouco coragem e curioso a respeito de quem seria aquela pessoa com quem trocava gentis cumprimentos, atreveu-se a se aproximar dela. Achou que isso a deixaria feliz e que havia feito uma boa escolha, porém o contrário aconteceu. Ela ficou assustada, muito assustada. Um sentimento de dor tomou conta de suas feições quando se aproximou demais e, com pesar, ela lhe deu as costas e foi embora.
Por vários dias, não a viu naquele lugar onde sempre ficava e chegou a acreditar que ela nunca mais voltaria. Isso o fez se sentir um pouco triste e culpado. Havia afastado aquela pessoa que tanto despertava seu infantil interesse, sem nem ao menos ter a chance de conhecê-la e convidá-la para brincar.
Entretanto, após longas semanas se passarem, para sua surpresa, ela estava de volta. Sentada naquele banco, sozinha e sempre parecendo procurar algo com os olhos, que apreciam ganhar um brilho aliviado quando o via.
Aquilo o deixou feliz e o fez querer muito se aproximar novamente, mas temia afastá-la pela segunda vez. Por isso, esperou, contentando-se em voltar a trocar cumprimentos e ver de longe seu doce sorriso.
Até que um dia, sem que se desse conta, seus pesinhos involuntariamente o guiaram até ela e, quando deu por si, estavam frente a frente.
Dessa vez, ela não fugiu, mas parecia relutante. No início, não teve coragem de encará-lo e não o respondia quando perguntava seu nome, nem mesmo dizia uma palavra se quer. No entanto, no momento em que ele disse seu nome, algo pareceu atingi-la. Por um instante, chegou a acreditar que ela iria começar a chorar, porém, tudo que fez foi encará-lo. Em seus olhos havia uma mistura de emoções que não conseguia compreender de onde vinham. Viu dor, alegria, solidão e compaixão.
Foi então que ela estendendo o braço para tocá-lo. Em resposta, ele também esticou sua mãozinha. Todavia, antes que seus dedos se tocasse, ela recuou, amedrontada. Abraçando a si mesma, abaixou a cabeça e de alguns passos para trás, como se tivesse feito algo de muito errado.
Encolhida, ela lhe pareceu incrivelmente triste e indefesa. Tentou se aproximar e perguntar se havia lago de errado, mas isso só a deixou pior. E quando seus olhos voltaram e se encontrar, viu que os dela estavam marejados e ela o fitava como se doesse estar em sua presença.
Sentindo-se tocado por suas emoções, ele se afastou. Talvez fosse melhor não se aproximar mais dela. Também lhe doía ver o quando ela parecia sofrer. Por isso, seguiu para longe, pronto para deixar aquele lugar. Porém, quando estava prestes a sair daquela praça, viu algo que chamou sua atenção.
Rodeando uma grande árvore, havia um canteiro com pequenas flores de pétalas brancas. Com uma inocente ideia em mente, seguiu naquela direção e colheu uma delas. Ainda que um pouco relutante, voltou até aquela pessoa, que continuava parada no mesmo lugar, imersa em seu sofrimento.
Com muita cautela, se aproximou mais e, num gesto de desculpas, lhe estendeu a flor. Muito surpresa, ela o encarou sem reação. Chegou a pensar que não aceitaria seu presente, mas, para seu encanto, ela sorriu e pegou a flor.
Satisfeito consigo mesmo e feliz por tê-la proporcionado um singelo momento de alegria, ele se afastou. Na saída daquela praça, parou e se virou para ela. Erguendo seu braço, acenou, sendo prontamente correspondido, e foi embora.
Aquela foi a última vez que a viu, ou ao menos achava que assim havia sido…”
• • •
Seus olhos vermelhos carmesim fitavam o teto do quarto, enquanto sua mente era dominada por um vazio confuso e desolador. Não sabia dizer exatamente quando havia acordado ou há quanto tempo estava ali, parado naquela mesma posição sobre a cama. Encontrava-se em um estado de torpor tão intenso, que nada a sua volta parecia fazer sentido.
Lutando arduamente contra seu estado de choque, Izaya ergueu o braço em direção ao teto, como se tentasse alcançar a pessoa que vira em seus sonhos — cuja imagem lhe parecia confusa e familiar ao mesmo tempo.
Quem é você?, a pergunta ecoou por sua mente, que pouco a pouco recuperava sua lucidez. Quem são vocês?
Intensa e súbita, uma dor agonizante atingiu seu peito, e ele obrigou-se a se sentar sobre a cama, respirando com dificuldade e sentindo a cabeça latejar. Segurando-a entre as mãos, curvou-se sobre si mesmo, tentando recuperar o controle de seu corpo.
Confuso, tentou repassar as cenas daquele sonho em sua mente e compreender o que estava acontecendo, mas isso só serviu para intensificar sue sofrimento.
E então, de repente a dor física sumiu e tornou-se emocional.
Tristeza e saudade, tormentosas e profundas.
Por um momento, achou que aquela tortura nunca teria fim, até que seu celular começou a trocar e, assim como seu sonho, lentamente tudo aquilo começou a se dissipar, deixando para trás apenas um pequeno resquício de solidão.
Respirando fundo algumas vezes, ainda assustado, estendeu a mão até o celular e o pegou.
— Sim? — Atendeu, sem nem ao menos ver quem era.
— Nossa, que voz… — ouviu a voz de Mairu do outro lado. — Por acaso te acordei?
— O que você quer? — Perguntou cansado.
— Credo… — murmurou ofendida. — Bem, eu só liguei para dizer que já estamos a caminho. Por isso, trate de se arrumar e descer logo. Quero uma cena descente de reencontro.
Após dizer isso, ela desligou, deixando para trás um Izaya confuso. Passados alguns segundos sem conseguir reagir, abaixou o celular e checou as horas. Já passavam das duas da tarde.
Obrigando-se a levantar, Izaya se arrastou até o banheiro. De frente para a pia, rodou o registro e levou a mão em concha até o fluxo de água, jogando-a contra o rosto várias vezes. Quando terminou, olhou seu reflexo exausto no espelho.
Por que estava daquele jeito? Por que aquele sonho o abatera tanto? Exceto o fato de que não conseguia compreendê-lo, nada de impactante ou terrivelmente ruim havia acontecido para que ele acabasse daquele jeito. Havia sido um sonho simples: uma pessoa, cuja imagem parecia desfocada, e um garotinho interagindo em uma praça. Não havia nada de mais naquilo. Mas então, por que relembrar essas cenas lhe doía tanto? Por que era capaz de sentir com tanto realismo os sentimentos daquela criança?
Tudo havia sido tão real, tão palpável. Era quase como se realmente tivesse vivido aquela cena.
Não seja estúpido, repreendeu a si mesmo, tentando apagar aquelas dúvidas de sua mente. Foi só um sonho, apenas isso. Um sonho bobo e sem sentido.
Pegando uma toalha, secou o rosto e saiu do banheiro, caminhando até o armário. Após trocar de roupa, desceu para o escritório e deixou o apartamento.
Do lado de fora do prédio, esperou por Mai. Poucos minutos se passaram, até que um táxi parou próximo ao meio-fio e dele desceu a jovem.
A imagem dela instantaneamente fez Izaya sorrir. Entretanto, no momento em que seus olhares se encontraram, seu peito começou a doer e as cenas de seu sonho voltaram a perturbá-lo, deixando-o desorientado.
Tentando recuperar o controle sobre si mesmo, fechou os olhos com força e levou a mão a cabeça, respirando fundo várias vezes.
Esqueça isso, exigiu. Esqueça!
Voltando a abrir os olhos, observou Mai trocar algumas palavras com suas irmãs dentro do carro. Quando terminou, ela fechou a porta do táxi e virou-se para Izaya, correndo em sua direção com um grande sorriso.
Decidido a descartar aquelas preocupações, o informante também sorriu, começando a caminhar em sua direção.
— Senti sua falta! — Falou a menor, largando sua mala e o abraçando.
— Eu também — devolveu, envolvendo-a com os braços e a apertando. — A cama não é a mesma sem você.
Após se separarem, o rapaz pegou a mala de Mai e ambos subiram para o escritório. Chegando lá, não começaram a conversar sobre como cada um havia passado seu final de semana, como esperavam. Ao invés disso, houve uma troca de olhares que denunciava a tensão crescente que os consumia.
Sendo a primeira a ceder, Mai segurou a manga do casado de Izaya, olhando-o de forma suplicante.
— Izaya… — sussurrou seu nome timidamente.
— Eu sei — devolveu.
E, antes mesmo que se dessem conta, seus lábios já estavam unidos em um beijo intenso e voraz. Ansiosos por matarem a saudade que os consumia, não tiveram receio em conter o desejo que sentiam um pelo outro. Trocando afagos e carícias, caminharam até o sofá, onde Izaya sentou-se e puxou Mai para o seu colo.
— Eu realmente senti sua fala — sussurrou ofegante, entre um beijo e outro. — Não consigo ficar muito tempo longe de você, Mai.
Ao ouvi-lo dizer aquilo, com a voz tão rouca e ansiosa, a jovem sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Correspondendo as suas palavras, ela enlaçou seu pescoço com os braços e o beijou mais profundamente, invadindo sua boca com a língua e explorando com avidez aquela acolhedora caverna úmida que conhecia tão bem.
— Não se preocupe — devolveu entre o curto intervalo em que conseguiram se separar. — Agora estou de volta, sou toda sua.
Longos minutos se passaram, preenchidos com ofegos e carícias, até que finalmente conseguissem apartar o fogo que os consumia. Ofegantes, porém muito satisfeitos, separaram-se. Mai foi a primeira a desviar os olhos dele, corando e soltando uma doce risada tímida. O rapaz também sorriu, divertindo-se com seu constrangimento. Levando a mão ao rosto dela, ele acariciou gentilmente sua bochecha.
Todavia, aquele silencioso momento de carinho foi subitamente interrompido por um ronco baixo, porém significativo. Surpresa, a jovem encarou o informante, que também estava com os olhos arregalados.
— Isso foi você? — Ela perguntou, segurando-se para não começar a rir.
— Talvez — falou Izaya, pouco à vontade com a autorreivindicação de seu estômago por comida. — Eu não tomei café da manhã e nem almocei. A verdade é que eu acordei na hora em que a Mairu me ligou.
— Oh, entendo — Mai ergueu-se do sofá. — Então fique ai, vou preparar algo para você.
— Não precisa — negou. — Você acabou de chegar, eu saio para comprar algo quando terminarmos de conversar.
— Eu insisto.
Ambos se encararam por alguns instantes, até que Izaya acabou cedendo.
— Certo — deu de ombros. — Mas não se dê ao trabalho de fazer algo muito elaborado.
— Ok ~
Seguindo-a com os olhos, o informante observou-a caminhar até a cozinha e começar a preparar seu almoço.
— Por que você acordou tão tarde? — Ela quis saber, enquanto procurava alguns ingredientes na geladeira.
— Acabei dormindo tarde por causa do trabalho — mentiu.
Por um momento, até considerou contar a ela sobre o seu sonho e o que havia acontecido depois de acordar. Entretanto, logo descartou essa ideia. Havia sido um sonho estúpido e sem sentido, nada de mais. Nada naquela estranha experiência possuía algum significado lógico ou relevante. Tinha certeza que dentro de alguns dias logo esqueceria o ocorrido. Por isso, não havia necessidade de preocupá-la com algo tão banal.
— Prontinho ~ — falou Mai.
Voltando para onde o rapaz estava, ela depositou sobre o kotatsu uma bandeja com dois grandes sanduíches acompanhado por um par de copos com chá verde e guardanapos.
— O que é isso? — Perguntou ele, descendo do sofá e se acomodando na mesinha baixa.
— Baguete recheada com atum, tomate seco, alface, maionese, queijo, cenoura ralada e temperado com um pouquinho de pimenta preta — explicou, muito orgulhosa de si mesma. — Aprendi com a Kururi e é uma delícia. Prove ~
Sem hesitar, ele enrolou um dos sanduíches no guardanapo e levou a boca, dando uma mordida. Realmente estava bom, bem temperado, do jeito que ele gostava. Mai de fato levava jeito para cozinhar.
— E então? — Ela perguntou, com expectativa.
— Está muito bom, Mai-chan — elogiou com sinceridade.
— Hehe, obrigada! Ouvir isso me deixa muito feliz.
— Mas e você, não vai comer? — Perguntou, após sua quinta mordida, finalmente notando que o segundo sanduíche estava intocado.
— Os dois são para você — explicou.
— Eu não vou conseguir comer tudo.
— Vai sim — devolveu com humor. — Está com fome e eu vi a cara que fez depois que deu a primeira mordida.
Izaya fez uma careta falsamente ofendida e depositou seu almoço sobre o prato. Alcançando o segundo sanduíche, ele partiu-o ao meio e entrou um dos pedaços a Mai.
— Eu insisto — repetiu as palavras dela.
— Certo, certo.
Enquanto almoçavam, Mai então começou a falar sobre o seu final de semana fora. Contou que havia saído com Shinra e Celty, ido ao cinema, visitado uma loja de mangás e uma livraria, passeado e muito mais. Depois, ao anoitecer, foi para a casa das gêmeas, onde leu muitos mangás, viu outro filme e jogou videogame, objeto que parecia ter virado alvo de seu fascínio.
— Prometo comprar um para você — comentou Izaya.
— Eba! ~
Todavia, quanto ao tempo que havia gastado trabalhando nos preparativos para o casamento, nada foi dito, mesmo ele perguntado, apesar dela ter prometido mencionar o assunto novamente no encontro de domingo. E, no que dizia respeito a conversa picante que tivera com Mairu, Mai não deu nem a mais leve sugestão dela ter acontecido. Mas Izaya já sabia que isso iria acontecer, ela nunca falaria disso abertamente. E também não duvidava das palavras de sua irmã, mesmo ela sendo do tipo que gosta de aprontar, estava insistente e curiosa demais para alguém que estava tentando aplicar uma peça.
Aquela conversa havia acontecido e ele precisar arranjar um jeito de fazê-la se abrir com ele.
— Fico feliz que tenha se divertido — falou. Estava sendo sincero, apesar de que uma parte dele estava meio enciumada com tudo aquilo. — E o que achou de visitar a casa onde morei?
— Foi interessante. Suas irmãs me levaram até o seu antigo quarto, que agora é o de hóspedes, e me mostraram algumas coisas suas que você deixou para trás — comentou. — E, ah!
Erguendo-se do chão, ela correu até sua mala e a abriu, pescando de seu interior alguma coisa. Quando voltou, mostrou a Izaya o que trouxera.
— Ganhei fotos suas! ♥ — Disse com empolgação.
Pegando-as, o informante analisou as oito fotografias que tinha em mãos. Em pares, elas retratavam Izaya em diferentes partes de sua vida; colegial, ginasial, infância e quando ainda era um bebê. Uma em especial chamou sua atenção e o fez querer escondê-la de Mai. Era uma foto dele, ainda bebezinho, nu, rechonchudo e corado dentro de uma banheira. O que para muitos poderia parecer fofo, para ele era no mínimo constrangedor.
— Errr, Mai…
— Essa é a minha favorita — declarou, pegando-a de sua mão antes que fizesse algo com ela. — Tãão fofo! Espero que nosso Kiseki seja lindinho como você.
— Imagino que isso seja algum tipo de vingança por parte de Mairu — murmurou, vendo como Mai olhava de forma apaixonada para aquela foto.
— O que disse?
— Nada.
• • •
— Já está pronta, Mai? — Izaya chamou ao pé das escadas do escritório.
— Sim! — Ela gritou de volta, descendo apressadamente os degraus.
— Cuidado, se não vai tropeçar — riu.
Arrumada para o encontro, Mai trajava um belo vestido azul-marinho de mangas cumpridas, repleto de delicados bordados negros em forma de flores e borboletas ao longo da saia e uma faixa da mesma cor contornando-a na região abaixo dos seios. Também usava longas meias negras, botas e uma tiara vermelha na cabeça, além de carregar uma bolsa de mão marrom.
Já Izaya usava seu costumeiro jeans escuro e sobretudo, porém havia trocado a blusa prata comum por uma social cinza escuro.
— Você está uma gracinha, Mai-chan — elogiou, fazendo-a corar.
— Você t-também está ótimo — devolveu.
— Obrigado.
Pegando sua mão, Izaya levou-a para fora do escritório e ambos deram início ao encontro. Naquele fria noite de outono, o primeiro destino do casal foi o Sunshine City.
Localizado na região leste de Ikebukuro e alcançando proporções monstruosas, o Sunshine City era um complexo de edifícios que abrigava as melhores atrações da cidade. Repleto de excelentes restaurantes e lojas para todos os gosto, ele também acomodava locais como o Sunshine Aquarium, o Convés de Observação e o Planetário.
Sem deixar nenhum deles de fora, visitaram cada uma das atrações. Primeiro seguiram até o aquário, onde puderam conhecer uma quantidade incontável de belas e exóticas criaturas e assistir aos shows dos leões-marinhos, pinguins e lontras do mar. Depois que terminaram, a parada seguinte foi o planetário. Com imagens de tirar o fôlego, ambos tiveram o prazer de presenciar um magnífico show de luzes que dava ao telespectador a sensação de estar no próprio espaço, viajando em meio as estrelas, constelações e planetas. E, por fim, a última parada foi o Convés de Observação, que ficava no último andar do edifício e dava aos visitantes uma maravilhosa e romântica vista noturna de todo o distrito de Ikebukuro.
Apesar de Izaya já ter visitado cada um desses locais e ser do tipo pouco impressionável, era impossível não se divertir com Mai. Cheia de energia, ela demonstrava uma empolgação contagiante a cada nova experiência vivida. Ela nunca havia visitado o Sunshine City, o que faziam com que a experiência lhe parecesse quase mágica. E, em meio a tudo isso, Izaya acabava igualmente impressionado, desfrutando da ocasião tanto quanto ela. O prazer de vê-la se divertindo e estar ao seu lado dava um brilho diferente a tudo que via, quase como se aquilo também fosse novo para ele. E, quando havia dado por si, estava tão empolgado quanto ela.
Por fim, depois de verem tudo que queriam, deixaram para trás o Sunshine City, prontos para voltarem ao escritório. No entanto, no meio do caminho, Mai pediu que fizessem uma parada. Tomando a dianteira, ela o levou até uma praça tranquila de Ikebukuro, povoada por árvores e conjuntos de mesas e bancos de pedra.
— Por que me trouxe aqui? — O informante perguntou, acomodando-se em um banco ao lado dela.
— Um pouco porque estou cansada — riu. — Não paramos um minuto no Sunshine City. E segundo… Bem…
Ela pegou sua bolsa e a abriu, tirando de dentro algo.
— Eu queria te dar isso.
Estendido sobre as mãos de Mai havia um cachecol de coloração vermelha, no mesmo tom que os olhos de Izaya. Ela se aproximou mais do rapaz e, com toda delicadeza, enrolou-o em seu pescoço. Senti-la tão próxima fez um arrepio agradável percorrer o corpo do informante.
Um tanto surpreso, após Mai terminar, ele pegou uma das pontas do cachecol, observando-a.
— Eu que costurei — contou. — Sabe, você sempre faz tanto por mim, que eu senti que precisava retribuir de alguma forma. Por isso… — seu rosto corou levemente. — Eu resolvi te dar minha própria Akai Ito.
Ela então tirou da bolsa outro cachecol, idêntico ao de Izaya, e o enrolou em si mesma.
— O que achou?
— Mai, eu…
Tirando os olhos de seu presente, o informante a encarou, um tanto tocado pelo seu gesto. Nesse tempo, a jovem o aguardava esperançosa. Ao compreender o quanto ela devia ter se esforçado costurando aquele cachecol, provavelmente pensando nele a cada instante e colocado suas expectativas sobre aquele presente, ansiosa por agradá-lo, Izaya não conseguiu fazer outra coisa além de sorrir.
— Eu adorei, Mai — disse com sinceridade. — Nunca ganhei um presente tão incrível.
E era verdade. Izaya nunca havia sido presenteado por ninguém. Afinal, nunca teve quem se preocupasse com ele. Entretanto, depois de conhecer Mai, isso havia mudado completamente. Sempre gentil, ela lhe direcionava todo seu amor e carinho, sempre se esforçando ao máximo para fazê-lo feliz. E ela conseguia, simplesmente porque havia se tornado tudo que Izaya precisava.
— Muito obrigado — disse ele. — Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Izaya ajeitou melhor o cachecol em volta do pescoço dela.
— Nunca se esqueça disso, coelhinha — acrescentou.
Sua declaração fez o rosto de Mai corar intensamente e seu coração palpitar. Sem graça, ela encolheu-se no lugar.
— A-ah...! E-eu também… — ela pegou sua bolsa, abrindo-a novamente. — Eu também fiz um cachecol para o Kiseki. O-olha!
Erguendo-o para o informante, Mai mostrou-lhe o terceiro cachecol que costurara. Era um pouco menor que o deles e da cor azul.
— Ele vai adorar — o rapaz afirmou. — Ainda mais quando souber que foi a própria mãe quem o fez.
— Obrigada. Vou guardá-lo junto com o macacãozinho — ela sorriu, orgulhosa de si mesma. — Agora nós podemos ir.
Voltando com o cachecol para dentro da bolsa, a jovem ergue-se do banco junto de Izaya, para retomarem a caminhada de volta para o escritório.
— Ah, estou me lembrando de algo — começou o informante. — Ontem você comentou comigo que iria me dar mais detalhes sobre os preparativos do casamento.
— Oh, sobre isso… — um sorriso involuntário e cheio de carinho tomou conta de Mai. — Ontem eu escolhi meu vestido de noiva.
Ouvir aquilo mexeu um pouco com Izaya e igualmente atiçou sua curiosidade.
— E como ele é?
Mai lhe direcionou um sorriso travesso.
— Isso é se-gre-do — riu. — Só no dia você saberá.
Quando voltaram para o escritório, para terminar a noite, prepararam juntos um delicioso jantar. Comeram e conversaram acomodados no kotatsu, envoltos por um agradável clima de conforto e proximidade.
— Aaah, estava uma delícia ~ — declarou a jovem, terminando sua refeição.
— É claro que estava, teve minha ajuda — ele devolveu, convencido.
Levantando-se, Izaya pegou os pratos e os levou até a cozinha. Enquanto deixava-os sobre a pia, seu olhar acidentalmente recaiu sobre uma porta aberta do armário. Lá dentro, guardada e esquecia, escondia-se uma garrafa de licor de amarula. Curiosamente havia ganhado-o de Namie, como presente de casamento. E, mais surpreendente, era o fato de que se tratava de uma bebida de qualidade.
Apesar disso, o presente não havia despertado seu interesse, pois nunca foi de beber. Entretanto, dadas as circunstâncias daquele dia, agora lhe parecia uma boa ideia desfrutar do licor.
Pegando duas taças e seu presente, Izaya voltou para onde Mai estava.
— O que é isso? — Ela perguntou ao se aproximar, curiosa.
— Algo novo — respondeu. — Hoje você vai experimentar pela primeira vez algo chamado licor.
— E o que seria isso?
— Lembra do que eu te falei sobre o álcool? Bem, licor contem um pouco disso e mais outras coisas, como creme de leite e suco de frutas, no caso desse aqui. Tem um gosto suave e doce.
— Mas você disse que não era bom beber coisas com álcool…
— Normalmente não — explicou. — Mas estamos só nós dois em nosso apartamento. E não vamos beber muito. Mas, fora ocasiões como essa, continue se mantendo longe do álcool, ok?
— Certo.
Abrindo a garrafa, o informante despejou um pouco a bebida em cada taça e entregou uma a Mai.
— Saúde — brindou ele, segurando a sua própria.
— Saúde!
Ambos beberam, até terminarem com o que havia sido servido. Ao abaixarem a taça, Izaya olhou para Mai, observando atentamente como ela iria reagir.
— O que achou? — Quis saber.
Ela não lhe respondeu, encarava o fundo vazio do copo.
— Mai?
Erguendo a cabeça, a menor o encarou com os olhos cerrados. Um ligeiro rubor havia se espalhado por suas bochechas.
— Eu me sinto estranha, Izaya — falou, sua voz estava lenta e manhosa. — Meu corpo… Está quente…
Oh, não…, pensou.
Será que havia calculado mal e colocado demais para ela? Ou então Mai é que era muito fraca para bebidas? Talvez os dois.
Mai coçou os olhos, parecendo sonolenta, e depois fitou o rapaz. Sua expressão estava mais infantil e inocente do que normalmente era e seu olhar tinha um brilho suplicante e fragilizado.
— Izaya… — gemeu, engatinhando até ele e se acomodando em seu colo.
— Acho que fui um pouco irresponsável com você — lamentou-se, abraçando-a.
— Eu estou bem… — murmurou. — Só um pouquinho estranha.
— Então é melhor eu subir com você — falou, ajeitando-a melhor em seus braços e se levantando. — Parece que nosso encontro acabou.
Enquanto caminhava até as escadas e começava a subir, Izaya ouviu Mai soltar uma risadinha baixa. Ela envolveu seu pescoço com os braços e aproximou os lábios de seu ouvido.
— Ei, Izaya — sussurrou de forma travessa. — Por acaso nós estamos subindo porque você quer fazer coisas indecentes comigo?
Um sorriso malicioso insinuou-se em seus lábios, porém Izaya tentou se manter sério.
— Tentador, mas confesso que não sei se isso é uma boa ideia — comentou com humor.
— Hmmm, por que não? — Provocou. — Nós poderíamos brincar um pouco ~ Você finge ser o meu sensei e eu seria sua dedicada aluna. Prometo que irei me comportar e obedecer ao meu querido Izaya-sensei ♥
Ouvir aquilo atingiu o informante em cheio, estimulando sua imaginação. Porém, ao perceber que estava se deixando levar, obrigou-se a se recompor.
— Então quer dizer que você gosta desse tipo de coisa? — Sorriu. — Muito interessante.
Entretanto, assim que terminou de falar, a lembrança de sua conversa com Mairu o atingiu, fazendo-o se recordar do instante que ela também o chamara de Izaya-sensei enquanto discutiam as preferências de Mai.
Então isso significa que…
Tendo sua curiosidade atiçada, ele a espiou pelo canto dos olhos. Aquila poderia ser sua chance de descobrir os segredos de Mai. O único problema era que não se sentia bem se aproveitando de seu estado um tanto alterado para conseguir isso.
Droga…, praguejou.
Mesmo que fossem só algumas perguntas, que no fundo eram exclusivamente para o benefício dela, não conseguia fazer isso.
Soltando um suspiro, o rapaz continuou seu caminho até o quarto, depositando Mai sobre a cama.
— Izaya… — ela o chamou, parecendo um tanto magoada com sua rejeição.
— Hora de dormir, Mai-chan — falou, indo até o armário e abrindo a porta. — Em que gaveta você guarda seu pijama?
A jovem demorou a responder.
— Acho que… Na segunda.
O rapaz a abriu, mas a única coisa que encontrou foi um amontoado de calcinhas. E, ele não conseguiu deixar de notar, a maioria tinha um aspecto um tanto infantil.
— Ei, Mai-chan, seu gosto para calcinhas é realmente fofo — riu, tirando uma de dentro da gaveta e observando-a. Era de um rosa bem clarinho e cheia de babados brancos.
— Seu tarado! — Ela xingou, jogando o travesseiro nele. — Pare de mexer nas minhas calcinhas!
Izaya riu, se divertindo ainda mais com a situação.
— Certo, me desculpe, é só que eu achei isso bem fofo — ele guardou-a de volta no lugar. — Não estou achando seu pijama, por isso vou pegar algo meu.
Após catar uma blusa branca de algodão e com botões em seu próprio armário, Izaya a entregou para Mai.
Ainda emburrada, ela a pegou e, sem se importar com a presença dele ali, começou a se despir, ficando apenas de calcinha antes de colocar seu novo pijama.
Cruzando os braços, o informante fingiu não notar seu ato, mas acabou não conseguiu não dar uma espiada na jovem. Ela era realmente muito bonita e atraente e seu rostinho corado era uma terrível tentação.
Controle-se, exigiu de si mesmo.
— Pronta para dormir? — Perguntou ao notar que ela havia terminado.
Sem respondê-lo, Mai olhou para o outro lado, fingindo ignorá-lo. Dando de ombros, ele apagou a luz do quarto e deitou ao lado dela.
— I-Izaya… — ele ouviu após um tempo. Sua voz estava fraca e assustada.
— Mai?
Acendendo o abajur que ficava no criado-mudo ao lado da cama, ele fitou o rosto da jovem iluminado por sua suave luz. Ela parecia muito triste.
— Está se sentindo mal? — Ele perguntou, começando a ficar preocupado. — Quer que eu busque um como d’água?
— Eu não quero água — choramingou. — Quero você.
Antes que ele pudesse reagir, Mai levantou-se de seu lugar e foi até Izaya, ficando sobre o seu corpo.
— Por que você não me dá atenção? — Perguntou ressentida.
— Ora, Mai-chan, não é que eu esteja te ignorando — explicou. — Mas eu não me sinto confortável em tocá-la sabendo que você não se encontra completamente bem.
A jovem fez uma careta, parecendo ofendida.
— Eu estou bem — declarou. — Por que não confia em mim?
Sem que Izaya se desse conta, seu sorriso sumiu e ele franziu o cenho.
— Na verdade, eu é que te pergunto isso. Afinal, parece que é você que não confia em mim — falou de forma seca.
Sua resposta assustou a menor, porém foi o informante quem se sentiu mais surpreso com suas próprias palavras. Era verdade que estava um pouco ressentido com Mai por ela ter se aberto com Mairu sobre seus assuntos íntimos ao invés de conversar com ele sobre isso. Entretanto, apesar disso, compreendia sua situação e não a culpava totalmente. Por isso sua súbita reação enraivecida o espantava.
Cobrindo os olhos com a mão, Izaya suspirou.
— Desculpe por isso, Mai — disse. — Falei algo estúpido sem pensar. Esqueça o que eu disse.
No entanto, ela continuo a encará-lo. Não mais se demonstrando assustada, aparentava compreendê-lo e até parecia sentir-se um pouco triste,
— A Mairu te contou?
Ele movimentou um pouco sua mão, fitando-a por entre seus dedos.
— Comentou, mas não me disse nada muito relevante. Apenas me deixou curioso e… — ele se refreou.
— E…? — Estimulou.
— E me fez perceber que você ainda não confia completamente em mim, o que é meio frustrante.
Mai abaixou os olhos, sua expressão triste demonstrava a culpa que sentia.
— Eu confio em você — falou baixinho, — Eu realmente confio, mas é só que… As coisas que eu tenho para te dizer são tão embaraçosas.
Izaya tirou a mão do rosto, interessado em suas palavras.
— Você pretendia falar sobre isso comigo?
Ela balançou a cabeça.
— De uns tempos para cá, com os preparativos para o casamento e... E... — seu rosto ficou vermelho. — E a noite de núpcias, eu tenho pensado bastante sobre isso. Mas eram sempre coisas muito constrangedoras e toda vez que tentava me aproximar de você para falar sobre isso, perdia a coragem e ficava com medo de você achar que eu era uma… Pervertida. E ontem, quando a Mairu me levou em uma loja estranha, ela acabou percebendo isso e fez várias perguntas quando fomos para a casa dela. Eu não queria respondê-la, pois eram coisas que eu gostaria que só você soubesse, mas ela insistiu tanto, que eu acabei dizendo uma coisa ou outra.
Ao acabar de falar, ela abaixou os ombros, envergonhada.
— Eu sinto muito, Izaya
Um tanto tocado por sua sinceridade e percebendo que no fundo o que ela mais queria era ter conversado com ele, Izaya se sentou sobre o colchão, sem tirá-la de seu colo, e ergueu seu rosto.
— Ora, Mai-chan, eu nunca pensaria algo assim de você se isso te fizesse se sentir mal — falou com carinho. — Você sempre será minha coelhinha manhosa e inocente.
O elogio pareceu alegrá-la, pois Mai corou e não conseguiu conter um pequeno sorriso.
— E você quer conversar sobre isso agora? — Perguntou. — Confesso que fiquei ainda mais curioso.
Inicialmente ela hesitou, tomada pela vergonha. Porém, após respirar fundo, começou a falar. Suas primeiras palavras saíram baixinhas, quase inaudíveis, mas Izaya logo lhe sorriu, incentivando-a a se abrir mais, o que a ajudou a continuar.
As coisas que ouviu de Mai eram de fato interessante. Quer dizer, muito interessantes. Por mais que a experiência o tivesse ajudado a compreender um pouco de suas preferências, presenciá-las falando sobre ela era algo completamente diferente. Ouviu coisas um tanto inesperadas, mas que fazia sua imaginação ir a mil. Ao que parecia, Mai tinha certo gosto por jogos de submissão, coisas envolvendo temáticas “professor x aluna”, terno e gravata — ela amava Izaya usando roupas sóbrias e com uma expressão séria — e orelhas de gatinho e coleira.
— Não, não — ela o interrompeu. — Quem deve usá-los é você.
— O que?
— Eu amo nekos ~ — falou sonhadora. — Não consigo parar de pensar em você usar um par de orelhinhas, sem camisa e com uma coleirinha ♥
Isso sim era inesperado.
— Você faria tudo que eu mandasse, não é, Izaya? — Perguntou. — Você seria meu lindo gatinho ~
O rapaz tentou imaginar a cena. Para sua surpresa, algo nele pareceu gostar muito disso.
— Mas nós também podemos brincar na sua mesa de trabalho — continuou. — Quando você estiver muito cansado, eu posso te ajudar a desestressar.
— Oh — ele deixou escapar. A imagem dos dois “brincando” na sua mesa de trabalho era ainda mais excitante.
— Agora é a sua vez — Mai pediu.
— Ok ~
Ao contrário da menor, ele não teve problema algum em expôr seus “gostos”. Na verdade, quem acabou ficando um pouco embaraçada com as coisas que dizia foi Mai. Entretanto, ao mesmo tempo, ela demonstrou grande interesse em tudo que falava. Pelo jeito que reagiu, parecia que ela possuía a maioria das fantasias e acessórios — presente das gêmeas. Um uniforme de Maid, fantasia de coelhinha, uniforme de marinheira, lingerie vermelha e preta, cremes, brinquedos e… Ah, seu vestido de noive. Esse Izaya realmente estava ansioso para vê-la em seu vestido branco.
Nessa parte, Mai sorriu com carinho, prometendo que logo poderia vê-la vestida de noiva e que ela estava igualmente ansiosa.
— Bem — ele começou. —, acho que por hoje está bom, imagino. Nos divertimos bastante, ein, Mai-chan?
— Sim ~
Saindo de cima dele, a jovem aconchegou-se ao seu lado na cama, rodeando-o com os braços.
— Boa noite, Izaya.
— Boa noite, coelhinha.
• • •
Quando acordou no outro dia, Izaya não sentiu Mai ao seu lado como de costume. Coçando os olhos, ele procurou a sua volta, achando-a sentada na beirada da cama vestindo sua meia-calça preta.
— Mai-chan? — Chamou.
Ela não respondeu. Ao invés disso, levantou-se de seu lugar e foi até o armário pegar algo.
No começo, o informante não entendeu o que estava se passando, até que os acontecimentos da noite passada voltaram a sua mente.
Oh, ela se lembra de tudo, pensou. Será que agora está brava comigo?
— Mai-chan ~ — chamou em tom dócil, ficando sentado sobre o colchão. — Por acaso você está chateada comigo pelo que aconteceu ontem? Por favor, não fique. Foi inesperado até para mim você ser tão fraca para bebias. E sobre as coisas que conversamos… Bem, pense naquilo como uma forma de apimentar ainda mais nossa relação…
— Izaya — ela o interrompeu.
O informante se calou, fitando Mai que estava de costas para ele.
— S-sim?
Após alguns instantes em silêncio, ela se virou para o rapaz. Seu rosto estava tomado por um intenso rubor.
— E-espero que se responsabilize pelo que houve ontem e faça nossa conversa valer a pena — disse, tentando parecer séria, mas com a voz trêmula.
Surpreso, Izaya sorriu com malícia.
— Oh, mas é claro ~ Prometo que não irei decepcioná-la.
Ela abaixou os olhos, o rosto quente.
— Eu também não.
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