Memories

14 Memory Thirteen


Notas iniciais
Nossa, dessa vez eu demorei. Me perdoem.
Bem, nas notas finais eu converso mais com você.

Boa leitura.

Memory Thirteen



Mai sentia seu corpo tomado por uma sensação agradável. Ela remexeu-se no lugar, aproveitando aquele calor confortável e acolhedor que a tomava. Bem diferente do frio e desamparo que sentia no orfanato.

Orfanato Masayuki... Mas se não era lá que estava, onde...?


Assustada, ela abriu os olhos, percebendo-se envolta por lençóis e edredons. Para o lado em que estava deitada, podia ver um criado mudo encostado perto da cabeceira e uma janela coberta por longas cortinas. Próximo a suas costas, sentia algo quente e que se movimentava que forma lenta e compassada. Uma respiração morna tocava sua nuca.


Seu corpo arrepiou completamente.


Ainda que temerosa com o que iria encontrar, a garota virou-se lentamente para o outro lado, finalmente visualizando a imagem de Izaya dormindo tranquilamente ao seu lado.

Inicialmente, sua mente ficou em branco, depois tentou de todas as formas possíveis buscar uma explicação para aquela situação. E, ao perceber que não iria obter sucesso, restou-lhe apenas soltar um grito de pavor.

Sua exclamação foi tão alta, que assustou o informante, arrancando-o a força de seu sono.


— O que...?! — ele olhou para os lados procurando, mas ao notar que era apenas Mai, soltou um suspiro. — É só você, Mai-chan...


Preguiçosamente ele sentou-se na cama, passando a mão pelos fios desarrumados.


— Belo jeito de acordar o homem com quem está dormindo. — riu.


— Como... Como eu vim parar aqui?! — ela disparou. — E-eu não me lembro de nada... E você... Aqui!


— Você não está fazendo sentido. — observou.


A menor respirou fundo e tentou se acalmar.


— Por que estamos dormindo na mesma cama? — falou por fim. — E por que você parece tão calmo com isso?


— Ah, sobre isso ~ — ele deixou a postura ficar mais relaxada. — Bem, ontem quando você fugiu de mim, entrou no meu quarto e acabou caindo no sono. Parecia estar se sentindo tão bem, que fiquei com pena de te acordar. E como essa é a minha cama, tenho todo o direito de dormir nela. E por que eu me sentiria incomodado em dormir com você?


— Mas...


— Ah, vamos, não é a primeira vez que dormimos na mesma cama. — deu de ombros. — Deveria me agradecer por lhe proporcionar uma noite de sono tão boa e aconchegante ~


O rosto de Mai ficou vermelho e ela evitou o rosto do rapaz.


— É-é melhor eu ir embora. — levantou-se da cama, jogando a coberta em cima do outro. — Espera, quantas horas são?


Revirando os olhos, ele pegou o celular.


— Quase oito.


— O que?! A aula já vai começar. — desesperou-se. — Preciso...


— Acho melhor você desistir de ir para a escola hoje. — argumentou como se não fosse nada. — Não só vai chegar atrasada, como também está com o uniforme todo amarrotado.


Ao ouvir aquilo, a garota olhou para si mesma.


— Meu uniforme! — assustou-se, fazendo o moreno soltar uma risada.


— Sabe, Mai-chan, eu até pensei em lhe fazer o generosíssimo favor de tirá-lo de você enquanto dormia, mas fiquei em dúvida se era uma boa ideia ou não.


— ...


— Posso considerar seu silêncio como uma permissão para ocasiões futuras? ~


— ... Nunca mais toque em mim! — ela gritou, pegando sua pasta no chão e correndo para fora do quarto.


— Tenha uma boa aula, Mai-chan! — ele desejou, alto o suficiente para que ela o ouvisse.


Espreguiçando, ele se levantou da cama, ainda rindo um pouco com a situação presenciada. Ele olhou para a cama coberta com os lençóis e edredons desarrumados, lembrando-se que há pouco segundos os dois estavam deitados ali juntos. Realmente tivera uma ótima noite. E tinha certeza que ela compartilhava o sentimento, só não tinha coragem de admitir.


— Espero que isso se torne o habito. — comentou com malícia.



Pelas ruas de Shinjuku, Mai corria em direção a sua escola. No fundo, não se importava se estava atrasa ou não, queria apenas um pretexto para se afastar de Izaya, sem que esse desconfiasse do real motivo.

Estava um pouco confusa com o que acontecera noite passada. Lembrava-se de ter subido até o andar de cima para procurar por Kuro. Foi até “seu” quarto – como o rapaz gostava de dizer –, mas não o encontrou. Então foi até o do informante, achando o animalzinho dormindo em sua cama. Ao vê-lo, também se deitou lá para brincar e depois disso... Nada mais.

Foi uma péssima ideia ter ido até lá e permanecido. Acabou pegando no sono e quando acordou...


— Não, não... — ela sentiu o rosto ficar quente ao reviver a sensação de estar dormindo sob os mesmo lençóis que Izaya. O calor de seu corpo e a sensação de conforto.


Não devia sentir isso. E o próprio rapaz não deveria ter feito aquilo. Era só ele tê-la acordado. Fora que aquilo não era o combinado. Ela deveria ter voltado ao orfanato.


E quanto ao Akihiro? Afinal, sua estadia na casa de Izaya foi completamente de surpresa. Não o havia avisado de nada.

Curiosa, Mai pegou seu celular para ver se havia alguma ligação do homem. Mas nada. Foi então para as mensagens, percebendo que havia uma destinada ao diretor avisando-o que não era para buscá-la.


— Mas... — ela parou de correr, olhando aquelas palavras. — Eu não digitei isso.


Izaya.

Ele havia mandado a mensagem com se fosse ela própria.

A garota apertou o aparelho em sua mão, sentindo-se desconcertada com o ato dele.


— Ele queria tanto assim que eu passasse a noite lá...? — murmurou para si.


Tentando espantar aquilo de sua cabeça, ela tentou se concentrar no caminho a ser percorrido até a escola.


Como previsto pelo moreno, Mai chegou atrasada e o fato de seu uniforme estar amarrotado também lhe causou problemas. Não só algumas alunas riram do seu estado, como foi repreendida por um grupo de alunos chamado “corpo docente”, que a informou que suas roupas estavam inapropriadas para os padrões da escola.

Aquilo diminuiu um pouco sua esperança de ter dias melhoras na escola, mas ela tentava não desistir disso.


Ao sair depois do encerramento das aulas, caminhou em direção a Ikebukuro. Aos poucos, as ruas e lojas começaram a lhe parecer mais conhecidas. Ela olhou em volta, aproveitando a sensação agradável que aquele distrito lhe trazia.


— É um bom lugar para começar minha busca. — falou para si mesma, tentando inspirar animo.


Todas as vezes que tentava iniciar sua busca, alguém – Izaya – a interrompia. Mas dessa vez o rapaz não estava por perto para atrapalhá-la. Poderia fazer o que quisesse em paz.


Ignorando a forma desastrosa que seu dia se iniciara, Mai começou a andar de forma mais animada, atenta a todo e qualquer detalhe da cidade. Havia algo ali que precisava encontrar e ser, por ela, reparado. Não sabia o que era, onde estava e, muito menos, o que deveria fazer. Mas não estava preocupada, aquilo era de sua natureza e, no momento certo, as coisas iria se encaixar. Esperava.

Por isso, precisava seguir em frente e não desistir.



O sol estava quase se escondendo atrás do horizonte, quando ela finalmente parou de andar e sentou-se em um banco da conhecida Praça Central.

A jovem olhou para os próprios pés, repreendendo-se. Não porque não havia achado o que queria. Sabia que não seria fácil. O problema era que, enquanto estava andando, constantemente se distraia. E por culpa do informante. Durante seu passeio, constantemente se pegava procurando por ele. Perguntando-se se iria encontrá-lo por acaso e o que faria caso isso acontecesse.

Estava pesando demais nele.


Tentando relaxar a própria mente, ela respirou fundo. Porém, começou a sentir algo estranho. Uma presença diferenciada, que parecia chamar sua atenção em meio às pessoas normais.


— Celty! — ela exclamou, ao ver a mulher sentada em um banco mais afastado, ao lado de um rapaz loiro.


Logo ela notou que a motoqueira acenava para que se aproximasse.

Sorrindo, a menor ergueu-se do banco e começou a andar na direção dos dois. Entretanto, deteve-se. Aquele rapaz era o tal de Shizuo Heiwajima. Homem que Izaya dizia odiar profundamente e que não era para Mai se aproximar.

As palavras de ódio do informante em relação ao outro ainda ecoavam dentro de sua mente, junto com os xingamentos que recebera na primeira vez que saíram juntos. A possibilidade de ouvi-los novamente lhe trazia uma sensação de tristeza.


Ela voltou a olhar para os dois, que pareceram notar sua resistência. A colegial sorriu sem graça e se afastou, indo embora da praça. Ela atravessou a rua que a circulava e andou a passos rápidos pelo passeio, tentando ao máximo se afastar dali. Quando achou a distância suficiente, voltou ao ritmo normal.

Não havia sido gentil de sua parte fazer aquilo e sentia o arrependimento queimar dentro de si, porém Izaya a assustava quando estava irritado.


Andou alguns metros ainda remoendo aquilo, quando a sensação estranha voltou. Por seus ouvidos, o barulho de relincho ecoou. Ela virou-se para trás e viu Celty novamente, aproximando-se em sua moto e parando ao lado dela no passeio.


“Está tudo bem, Mai-chan?” — ela perguntou, e a garota podia notar pelo seu tom que estava preocupada.


— Está, sim. — respondeu, olhando para baixo. — Desculpe pelo que fiz agora a pouco...


“Tudo bem... Quer dizer, eu fiquei um pouco preocupada” — comentou. “Achei que tivesse feito algo desagradável em nosso último encontro e a magoado”


— Não, não. — respondeu imediatamente, com uma pontada de humor. — Você e o Shinra foram muito gentis comigo. O problema é o...


“Shizuo?” — completou. E ao receber um aceno afirmativo, ficou surpresa. “Você se lembra dele? Quer dizer, já foi apresentada?”


— Não me lembro dele, nem nada do tipo. — falou baixo. — Mas não importa. O verdadeiro problema é o Izaya.


“O Izaya-san? O que ele fez?”


Suspirando, Mai recostou-se à grade feita de canos metálicos que ladeava o passeio de concreto.


— “Fez” não é a palavra certa. Por algum motivo, ele parece odiar o Shizuo e detesta ainda mais quando eu me aproximo dele. E eu... — seu rosto começou a ficar vermelho. — ... Eu não quero que o Izaya fique bravo comigo.


A motoqueira a observou por alguns segundos.


“Me diga, por que não quer que o Izaya-san fique bravo com você? Do jeito que você falou dele na última vez, não parecia se importar tanto”


Mesmo que Shinra houvesse dito à Dullahan para não se intrometer tanto naquela confusão, além de dar apoio, ela não conseguia ficar “calada” diante daquela situação. Queria que, ao menos, Mai tomasse consciência de algumas coisas.


— Não é que eu não me importe... — ela coçou a cabeça, bagunçando alguns de seus fios, na tentativa de formar algum raciocínio lógico. — É difícil explicar. O Izaya... Ele não é tão ruim assim. Apenas confuso. Mas eu também me sinto confusa algumas vezes, então acho que não tem problema ele ser assim. Ah, é tão complicado explicar!


“Acalme-se, Mai-chan” — ela pediu.


— O que eu quero dizer é que o Izaya é alguém complicado... Não, essa não é a palavra certa. — corrigiu-se. — Acho que tem algo nele quebrado, por isso vive fazendo e dizendo cosias ruins. Pois coisas quebradas não funcionam bem; como um vidro que se partiu e deixou cacos soltos que machucam as pessoas. Então, bem, ele precisa de alguém que o conserte.


“É isso que você pensa?”


— Sim! — confirmou com convicção.


“E suponho que a pessoa que vai consertá-lo será você” — sugeriu.


— Si... — ela se auto cortou, perdendo suas forças. Mai olhou para as próprias mãos, como se avaliasse a si mesma. — É, acho que essa pessoa serei eu. Bem, vou ao menos tentar. — acrescentou sem graça.


De certa forma, Celty estava feliz com o rumo e conclusão da conversa. Todavia, também estava preocupado. Pois para juntar cacos quebrados, precisa cortas os dedos no processo. Por fim, apenas digitou:


“Dê o seu melhor. E boa sorte” — ela pensou alguns segundos. “E quanto ao Shizuo, acho que não há necessidade de fugir dele. Talvez o Izaya-san esteja apenas exagerando”


A garota sorriu, no mesmo instante em que seu estomago reclamou alta e sonoramente por comida.


— Er... — ela colocou a mão na região da barriga. — Acho que estou com fome.


“Venha comigo, te levo para comer algo”



Depois de ir à uma cafeteria com Celty e se alimentar devidamente, Mai agradeceu a mulher e se despediu, pronta para voltar ao escritório. Ela olhou para o céu escuro e pontilhado por estrelas, lembrando-se de suas próprias palavras.


— Quebrado... — murmurou.


Aquele dia no Rússia Sushi havia visto em Izaya uma sombra de solidão tão grande, que a sensação de que havia algo de muito errado com o rapaz não saia de sua cabeça. Era como se houvesse nele uma grande ferida aberta. Uma rachadura que pouco a pouco se estilhaçava. E parecia que ele não tinha consciência disso, ou então fingia não sentir, o que era mais provável.

Ela queria fazer algo para ajudá-lo. Mas o que? O que, exatamente, cura solidão e tristeza? Não sabia dizer, uma vez que esses sentimentos também a perturbavam e não conseguia fazer anda para sumirem. De certo modo, os dois eram até parecidos.


— E se eu não conseguir fazer algo? — perguntou para si mesma.


E se aparecesse alguém que pudesse ajudá-lo melhor do que ela? Talvez Mai só fosse piorar a situação. Tal perspectiva fez seu coração apertar.


— Mai.


— Ao ouvir seu nome, ela levantou a cabeça, notando Akihiro parado na porta do escritório de Izaya. Mal havia notado que chegara.


— O que...? — ela olhou para o lado, vendo o carro do homem estacionado próximo ao local. — O que faz aqui?


— Fiquei preocupado. Depois que você dormiu aqui, não atendeu mais o telefone. Por isso, resolvi buscá-la mais cedo. — explicou. — Vamos?


— A-agora? — ela deu um passo para trás. — Eu ao menos posso subir até o escritório?


— Não adianta, o Orihara-san não está lá.


— Mas... — a menor deixou os ombros caírem.


Eu mal vi o Izaya hoje..., completou mentalmente.


— Vamos? — repetiu Akihiro, caminhando até o carro.


— Não podemos esperar? — insistiu.


O diretor ergueu uma sobrancelha para a colegial.


— Algum motivo especial para querer tanto esperá-lo? — instigou sem rodeios.


Ela não quis responder.


— Eu não posso esperá-lo e, muito menos, vir buscá-la mais tarde.


— Então... Eu peço para o Izaya me levar.


O homem pareceu pouco satisfeito com a decisão da outra, mas não havia muito que fazer. Suspirando, ele falou:


— Não vou dizer que apoio isso, mas no seu caso não posso interferir. — abriu a porta do carro. — Só acho que deveria escolher melhor em quem se apagar.


Deixando uma atônita garota para trás, Akihiro deu a partida e foi embora.



O lugar parecia um bar comum, se não fosse pelo ar sombrio e abandonado. Lá, vários mafiosos se reuniam em volta de uma grande mesa. E, em meio a eles, estava um influente informante.


— Então, Akabayashi-san¹, essas são todas as informações sobre aquele grupo rival que veem tomando seu território em Tóquio. — Orihara Izaya falou. — O que acha?


Ao ler os dados recolhidos pelo rapaz, o mafioso ruivo e com uma cicatriz no olho direito levantou o olhar das folhas.


— Muito bom. — ele voltou com elas para o envelope pardo. — E quanto quer por isso?


— Hm, vejamos... — o moreno pegou uma folha de papel e rabiscou algo nela. — Penso que é um preço justo.


Ao analisar o valor, o membro da Yakuza o encarou.


— Sorte sua o seu trabalho ser realmente confiável e acima das expectativas — ele riu com desdém. — São poucos os que me cobram algo tão absurdo e saem ilesos.


— Ora, mas essa é uma das vantagens de ser tão bom de serviço. — deu de ombros. Por dentro, ele ria. Tentava se segurar para não zombar de Akabayashi por estar tão desesperado por informações ao ponto de aceitar um preço daqueles. Era obvio que o informante não cobrava um valor como aquele que pedira, mas queria ver até onde ia a sede do homem e destruir o outro grupo rival que o ameaçava.


— Negócio fechado. — o chefão finalizou. — Devo mandar alguém até você para entrar o dinheiro como nas últimas vezes?


— ... Não. Vou lhe passar o número de uma entregadora em quem confio. Mande-me o dinheiro através dela.


— Oh, não quer receber mafiosos em seu apartamento? Essa é nova para mim.


— Deve estar com uma companhia interessante. — murmurou Shiki, que estava ao lado do informante, em tom de sarcasmo.


— Ou talvez eu não queria chamar atenção. — respondeu Izaya simplesmente. — De qualquer forma, negócio feito e finalizado. É melhor eu ir.


Ele levantou-se da cadeira e foi até a porta do local, que na verdade era um dos esconderijos da Awakusu. Shiki também o acompanhou e quando saíram, perguntou:


— Gostaria de uma carona até o escritório?


— Como não gosto de ser descortês com meus parceiros de negocio, vou aceitar seu convite.


A viagem de volta foi silenciosa. Izaya ficou a maior parte do tempo distraído com seu celular. E ele só foi perceber que havia chegado quando o mafioso soltou uma risada irônica.


— Parece que tem alguém te esperando. — falou.


O moreno tirou os olhos do aparelho e virou-se para a janela.


— ... Tcs. — fez.


Sem dizer mais nada, ele saiu do carro e bateu a porta. Com passos desinteressados e mãos no bolso do sobretudo, caminhou em direção a Mai.


— O que faz aqui fora? — perguntou para a garota recostada à parede do edifício.


— Estava te esperando. — respondeu.


— Por que não entrou? Fora o fato de ser perigoso, também está frio. — comentou. — Devo supor que a vontade de me ver era tanta que não quis esperar lá dentro?


Ignorando a última parte, ela apenas disse:


— A porta estava trancada, não havia como entrar. — realmente estava frio, sentia todo o seu corpo tremer.


— Então vamos subir e... — ele parou de falar ao senti-la segurar sua mão.


— Eu precioso voltar para o orfanato, você pode me levar? — pediu, sem encará-lo.


— Voltar? Achei que havia gostado de dormir comigo. — disse com malícia.


— Izaya...


— Ok, ok. — deu de ombros. — Mas porque está me pedindo isso? Onde está Akihiro-san? É ele quem deveria te buscar.


— Ele já foi embora. — a menor confessou. — Não podia ficar aqui comigo esperando por você.


— Oh ~ E por que motivo você ficou aqui no frio aguardando por minha belíssima pessoa?


— Porque eu queria conversar com você.


Ele ergueu as sobrancelhas, demonstrando surpresa em exagero.


— E qual seria ao assunto? Ou será apenas um pretexto para ficar à sós comigo? Ah, Mai-chan, não precisa disso ~ Sabe que podemos ficar juntos sozinhos o tempo que quiser em meu apartamento.


— Como você dificulta as coisas! — ela exclamou com embaraço. — Apenas venha.


Revirando os olhos com humor, ele a seguiu.


— Então, o que queria falar comigo? — perguntou, evitando soar zombeteiro para que ela não se sentisse acuada.


Mai apertou a alça de sua pasta, um pouco nervosa. Havia ficado um bom tempo sozinha esperando por Izaya. Tempo que usou para pensar sobre o que fazer dali em diante. Não havia conseguido formar uma ideia realmente promissora, mas pelo menos tinha um começo.


— Amanhã... O que acha de fazermos algo divertido? Hoje, enquanto andava por Ikebukuro, vi várias pessoas andando juntas, rindo e se divertindo. Pareciam felizes. — contou. — O que acha de fazermos o mesmo amanhã?


— Ora, ora, o que é isso, Mai-chan? — ele ponderou. — Pensei que você não me quisesse por perto.


— Não diga mais isso, Izaya. — a mais nova pediu. — Assim soa como se eu o odiasse. E isso não é verdade.


— Mesmo? Então o que pretende com tudo isso? — continuou. — Decidiu que agora gosta de mim?


— Do jeito que fala, parece que não quer ir... Ou ficou sem graça. — acrescentou mais baixo.


— Há, há, que bobagem, Mai-chan ~ Eu nunca fico sem graça. — riu alto. — Queria apenas saber o motivo do súbito convite. Às vezes você consegue ser uma incógnita para mim.


— De vez em quando as pessoas precisam fazer coisas que as façam felizes. — explicou com seriedade. — E você, mais do que qualquer um, precisa dessa alegria.


— Está supondo que eu não seja feliz e, por isso, quer fazer algo a respeito? — seu tom ficou profundo, mas ao mesmo tempo continha um pouco de desdém.


—I-isso... — falou insegura, percebendo a mudança do rapaz.


Ele parou de andar, olhando para Mai com malícia.


— Muito ousado da sua parte. — falou. — Mas, sabe, há algo de muito interessante nisso tudo. Você diz que nunca me viu, mas repete inconscientemente as mesmas coisas que fazia naqueles dias.


— O que quer dizer com isso? — a colegial quis saber. — Você sempre fica falando “daqueles tempos”, mas nunca explica! Fica contando apenas pedaços, que nunca fazem sentido.


— Por que eu quero que você se lembre disso. — Izaya a encarou fixamente.


— Mas não seria mais fácil...


— Façamos o seguinte — interrompeu. — Se o dia de amanhã for realmente bom, te recompenso de alguma forma.


— Vai me explicar direito essas coisas? — pediu esperançosa.


— Não ~


— Izaya...


— Eu quero muito mais que apenas lembranças, Mai. — falou por fim. — Boa noite.


— Ahn? — ela olhou para o lado, percebendo que estava de frente para o orfanato.


Deixando-a para trás, o informante reiniciou sua caminhada de volta para sua casa.


Um encontro... Não foram essas as palavras de Mai, mas a essência era a mesma. O mais interessante daquilo era que a própria o convidara. O que era bom. Significava que ela queria passar algum tempo a mais com ele.


Seria um dia interessante. Deixaria a menor tomar as rédeas de toda a situação e ver até onde ela chegaria. Ao imaginar o que resultaria daquilo, soltou uma risada.


Infelizmente, havia outra parte de si que não via com bons olhos esse futuro acontecimento. Uma parte de si que dizia que aquilo envolvimento só acabaria em desastre.



Memory Thirteen Finalized



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¹ Personagem de DRRR que aparece apenas no Light Novel.

Notas finais
O que acharam?
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Dando um spoiler... O próximo capítulo PROMETE! Quero postá-lo o mais rápido possível, de acordo com minha periodicidade antiga. Talvez na próxima quarta. Tudo depende também um pouco do meu animo, mas estou louca para escrever o capítulo seguinte!
Então, se quiserem me ajudar, não se esqueçam de comentar!
.
Espero que tenham gostado ~