Memories
11 Memory Ten
Notas iniciais
Tenham uma boa leitura.
Memory Ten
Mai olhava em dúvida de um lado para o outro na rua, à procura de Izaya. Não entendia o que estava acontecendo. Saíra bem mais tarde do orfanato e Akihiro, ao invés de deixá-la no edifício do informante, a levou para uma rua no centro de Ikebukuro, pedindo que ali esperasse.
A garota observou as pessoas caminhando pela rua. Talvez devesse aproveitar o fato de estar sozinha para iniciar sua busca. Deu seu primeiro passo, quando sentiu alguém segurá-la pelo pulso.
— Onde pensa que vai? — ouviu a voz do rapaz. — Está tentando fugir de mim, Mai-chan?
— Não, eu só queria dar uma volta. — respondeu, puxando sua mão de volta.
— Uma volta? E para onde você pretendia ir?
— Eu... Não sei. — confessou. — Eu queria apenas... Andar.
Izaya soltou uma risada.
— Você não muda mesmo. — comentou para si mesmo.
— Ei, Izaya — ela o chamou. — Por que pediu para que me deixassem aqui? Aconteceu algo com o escritório?
— Ah, sobre isso... Bem, tive um trabalho para fazer de última hora que tomou boa parte da manhã e almoço. — explicou. — Por isso, pedi para trazê-la aqui, já que pretendo ir a algum restaurante, ganhamos tempo.
— O que exatamente você faz? — ela quis saber.
— Sou um informante, recolho informações relacionadas às pessoas e acontecimentos, para depois vendê-las a quem esteja interessado em saber sobre elas. — contou, colocando as mãos nos bolsos, começando a caminhar.
Mai o acompanhou, interessada no assunto.
— E como você descobre esse tipo de coisa?
— Pesquisando — disse simplesmente. — E observação, muita. Porém, no meu caso, já estou tão experiente que posso facilmente prever as ações das pessoas. Sendo assim, uso essa vantagem a meu favor.
— Quer dizer que você manipula as pessoas? — indagou desapontada.
— Exatamente — falou sem se importar. — E não me olhe com essa cara, Mai. Hipocrisia não é algo comum em sua personalidade.
— O que quer dizer com isso?
— Ora, estou falando do seu pequeno joguinho para tentar se manter no orfanato. Pobre Akihiro-san, ficou realmente convencido de que você queria ser adotada por ele. — falou com ar de pesar. — Mal sabe ele que você só o estava usando para tentar me afastar.
A garota parou de andar, atônita com o que ouvira.
— Eu não... — começou.
— Vamos, Mai-chan, ninguém é perfeito. E não precisa tentar ser para mim. — falou de forma convencida.
— Isso não é verdade! — negou. — Eu só fiz aquilo porque você queria me arrastar dali sem nem mesmo o meu consentimento.
Mai exaltou-se com o rapaz, sem se importar com as pessoas que passavam ao lado deles e observavam a briga. Ouvir Izaya falando dela daquela forma tão prepotente a irritava.
Entretanto, ele não a levava a sério, rindo de sua reação irritada diante da provocação.
— Pare de rir! — ela exclamou. — Para você pode parecer uma brincadeira, mas para mim não.
Ela parou de falar, esperando alguma palavra de oposição vinda do outro. Entretanto, Izaya soltou uma última risada com presunção.
— Acabou com o chilique, criança? — perguntou com sarcasmo.
A menor sentiu o rosto esquentar de raiva.
— Izaya idiota! — xingou. — Fique sozinho hoje! Eu vou embora.
— O que? Ficou irritada só porque expus sua atitude desagradável? — desafiou. — Não seja mimada, Mai-chan.
Aquilo aumentou ainda mais a raiva da garota, que deu as costas para o rapaz e começou a se afastar.
— Aonde pensa que vai? — quis saber, sem realmente se preocupar com a resposta.
— Pra qualquer lugar longe de você.
Izaya soltou um suspiro divertido, não se movendo. Mai era facilmente provocável, em todos os sentidos. Era muito divertido vê-la irritada, parecia uma criança.
Também não se preocupava com o caminho que ela estava tomando. Tinha certeza, voltar para o orfanato ela não iria. Provavelmente ficaria vagando pela cidade sem rumo, para no fim, acabar perdida, desejando não ter se afastado dele.
Fora que, mal ela sabia que tipo de consequência fugir dele assim teria.
Izaya largou de lado os devaneios e olhou em volta. Ainda havia pessoas encarando-o devido à briga em público. Algumas murmuravam coisas uma dos ouvidos das outras. E em meio a isso, o rapaz escutou: “pobre garota”.
O informante estalou a língua, incomodando-se com aquilo. A culpa não era dele se Mai irritou-se tão facilmente com um comentário dele.
— Izaya idiota. Idiota, idiota, idiota. — a garota reclamou sozinha enquanto caminhava.
Ela parou de andar e olhou para trás, percebendo que ele não a seguia.
— Ele ao menos poderia ter pedido desculpas. — suspirou ressentida. — Eu teria aceitado.
A única coisa boa naquilo tudo era que finalmente poderia começar sua busca adequadamente. O problema era que não conhecia bem aquele distrito. Havia apenas a certeza de que aquilo que buscava estava ali, em escondido em alguma esquina ou beco. Talvez se andasse um pouco, sua mente se adaptasse àquele lugar.
Mai retomou a caminhada, observando tudo a sua volta. Aquela cidade era interessante, e ao contrário do orfanato, sentia-se bem ao estar lá. Às vezes se assustava com o volume de pessoas, carros e luzes, tendo que cortar caminho por alguma ruela, mas no geral, para um primeiro passeio solitário, estava se saindo bem.
Aos poucos, começou a reconhecer o caminho que estava percorrendo. Até que chegou à praça que visitara com Izaya no dia anterior. Havia gostado dali, era calmo e agradável.
Estava se aproximando da fonte, quando sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela olhou para os lados, tentando saber o motivo daquilo. Seus olhos automaticamente a guiaram até uma mulher de negro, sentada em um banco de madeira. Ela suava um capacete amarelo com orelhas de gato e ao seu lado estava o mesmo rapaz que atacara Izaya.
Com cautela e fora do campo de visão dos dois, Mai começou a se aproximar, mas o loiro se levantou do lugar, despedindo-se, e foi embora. A garota deu mais alguns passos, se aproximando por trás do banco. A mulher, agora sozinha, não se moveu ou notou sua presença. Mai pretendia tocar-lhe o ombro, quando viu um pedaço de graveto no chão. Ela abaixou-se para pegá-lo, usando-o como vareta para tocar o capacete amarelo.
Ao sentir-se sendo tocada, a moça levantou bruscamente e viu-se para trás, percebendo finalmente a presença da outra.
— D-desculpe... Eu não queria...
A moça não respondeu, deu a volta no banco com rapidez e jogou seus braços em volta da menor. Mai, achando que havia irritado-a, fechou os olhos com força e encolheu no lugar, porém a única coisa que sentiu foi seu corpo sendo apertado em um forte abraço.
“Mai!” — ela exclamou.
O que?
— Com licença... Você me conhece? — sua voz saiu abafada, enquanto tentava se soltar sem muito sucesso.
A de capacete não respondeu, continuou a apertar Mai, até se sentir satisfeita o suficiente para soltá-la. Liberta, a menina puxou o ar com força, tentando rentabilizar a respiração interrompida devido ao forte contato físico. A outra riu com o ato e tirou da manga um aparelho negro.
“Shinra me contou a respeito do que está acontecendo” — ela escreveu. O que deixou a de olhos azuis confusa, pois podia ouvir sua voz. “Venha comigo, talvez possamos ajudá-la”.
— O que? — olhou confusa. — Quem é Shinra?
“Te explico quando chegarmos”
Ainda um pouco perdida, a menina acenou de leve com a cabeça e deixou-se ser levada até uma moto negra.
— Qual é o seu nome? — Mai perguntou, enquanto a moça subia no veículo.
“Ah, desculpe, acho que me empolguei” — ela pareceu ficar sem graça. “Pode me chamar de Celty. Sturluson Celty.”
— Você não é humana, não é mesmo?
A motoqueira ficou um pouco insegura, com receio da menor se assustar com a resposta afirmativa e se afastar. No entanto, não querendo mentir, acenou com a cabeça.
“Não, sua uma Dollahan” — confirmou.
— Agora entendo. — então era por isso que se sentiu estranha ao se aproximar da fonte. — Tudo bem, isso não me assusta, porém estou confusa. Onde quer me levar e como me conhece?
“Isso é algo complicado... Talvez você não entenda ou não acredite. Por isso, quero te levar até alguém confiável o bastante para ajudá-la”
— Shinra? — deduziu.
“Exatamente. Vivemos juntos; ele é uma pessoa estranha, mas ao mesmo tempo gentil. Vai gostar dele” — ela parou um segundo. “Espero”
Mai ainda relutou por alguns momentos, mas por fim acabou cedendo e aceitando a mão que Celty lhe oferecia para subir na moto. Quando sentiu a menor se acomodar no acento, a Dullahan fez um capacete de sombras e colocou em sua cabeça.
“Segure-se em mim” — pediu.
— Onde?
“Na minha cintura”
Sem jeito, Mai abraçou a mulher e, quando a partida foi dada, afundou seu rosto em suas costas cobertas pela roupa negra.
Se a viagem foi rápida ou não, a de cabelos negros não sabia dizer, pois manteve os olhos fechados com força o trajeto inteiro, enquanto desejava que a viagem terminasse logo. E, quando deu por si, já não sentia mais o vento batendo fortemente sobre si ou a sensação de ansiedade.
Ela olhou em volta, notando que estava dentro de um edifício. Celty desceu da moto e ajudou-a a fazer o mesmo.
— Ainda estamos em Ikebukuro? — perguntou curiosa.
“Sim, estamos. Venha comigo, o apartamento fica em um dos últimos andares”
Deixando-se ser guiada, a menina seguiu a motoqueira. Entraram em um elevador e saíram no inicio de um corredor curto com uma porta. Celty foi até ela e a abriu, acenando para que a outra a acompanhasse.
— Oh, finalmente você chegou!!
Um homem vestindo jaleco branco e usando óculos surgiu no corredor por qual seguiam de braços abertos e com um grande sorriso. Ele veio correndo em direção a Celty, quando notou Mai parada alguns passos atrás dela.
— Vejo que trouxe uma visita. — ajeitou os óculos de aro grosso, recuperando a compostura. — Olá ~
— Ele é o tal Shinra? — a menor perguntou, dando alguns passos para trás.
“Sim, sim. Não precisa fugir” — a mulher fechou a porta do apartamento. “Viu o que você fez, Shinra? Assustou ela!”
— Assustei? Não vejo motivos para o belíssimo ato de receber a amada de braços abertos ser visto como algo digno de espanto. — argumentou. — Tenho certeza que logo a Mai-chan vai aderir ao grupo Pró-CeltyxShinra. Não é mesmo? — ele olhou para a garota com um sorriso bobo.
“SHINRA!” — a Dullahan deu um cutucão em suas costelas.
— Isso, sim, é digno de medo... — ele arfou.
Vendo aquela cena, sem querer, Mai riu com delicadeza. Não sabia o porquê, mas sentiu certo carinho pelo casal. Fora que, há muito não ria dessa forma. Era uma sensação agradável.
Celty parou de cutucar o rapaz, que olhou para a visitante e voltou a sorrir.
— Agora que está se sentindo mais a vontade, o que acha de conversarmos um pouco? — ele ofereceu. — Começando, me chamo Kishitani Shinra. Assim como a Celty, eu também te conheço.
Mai parou de rir, olhando atentamente para os dois.
— Mas eu não me lembro de vocês. — atestou.
“Vamos nos sentar, acho que a conversa vai ser longa”
Os três seguiram juntos para a sala do apartamento. O médico ofereceu à recém-chegada algo para beber, mas ela recusou. Queria começar logo o assunto e entender a situação.
— Bom, por onde eu começo... — o rapaz colocou a mão no queixo, pensativo. — Eu sei que é realmente difícil acreditar em dois estranhos, ainda mais levando em conta que um deles praticamente a sequestrou...
“Shinra!” — Celty o repreendeu.
— De qualquer forma... — tentou achar palavras para descrever a confusa situação. — Em outras palavras, você perdeu a memoria.
— Isso não é possível. — Mai afirmou com convicção.
“É verdade, Mai-chan, nós conhecemos você. Não só nós, como também...” — ela parou de digitar, ao sentir Shinra tocar seu ombro.
— Por que isso não é possível? — ele quis saber, sério.
— Porquê... — ela olhou para o chão. Havia tantos motivos, cada um mais complexo que o outro. Porém não sabia se deveria se expor dessa forma à outras pessoas. Tudo bem, Celty não era humana, mas mesmo assim, sua existência era algo completamente diferente disso. — Eu tenho meus motivos.
— E quais seriam eles? — insistiu.
Mai apertou os punhos, desconfortável. Podia confiar neles?
— Não posso dizer. — confessou com pesar. — E mesmo que, por ventura, eu tenhs realmente perdido a memoria, isso não importa mais. Tenho algo mais importante para fazer.
O casal trocou um olhar preocupado, devido à resposta da menina.
“E... O Izaya-san?” — Celty perguntou, mostrando seu aparelho apenas para o médico. No entanto, Mai podia ouvir sua voz. E quando o nome do informante foi citado, ela entrou em estado de alerta.
— Izaya?! — exclamou. — Vocês o conhecem? Sabem que é Izaya?
— Mai-chan — o de branco tentou acalmá-la. — O que acha do Orihara-kun?
A garota afundou no sofá, desanimada.
— O Izaya é um homem estranho. Ele me assusta, pois age de forma que não entendo. Ele é completamente inconstante e faz coisas ruins! Vive dizendo que eu o conhecia e coisas do tipo, sem falar dos comentários esquisitos que faz.
— Bom — Shinra coçou a nuca. — Concordo que o Orihara-kun está bem longe do padrão considerado como “normal” e “aceitável”, mas sobre vocês se conhecerem é verdade.
Aquela resposta deixou Mai inquieta e desconfortável. Quando Izaya afirmava aquele fato para ela, só conseguia sentir descrença. No entanto, ter outras duas pessoas também afirmando aquela mesma sentença mudava um pouco o ângulo das coisas.
Ainda sim... Não conseguia sentir total confiança nos fatos. Sentia-se tão estranha na presença do informante.
— Então — ela tomou folego. — qual é a nossa relação? O que eu era para o Izaya e o que ele era para mim?
Celty fez menção de começar a digitar e ao mesmo tempo falar, entretanto Shinra gentilmente a interrompeu.
— Lamento, Mai-chan — ele se desculpou. — Isso você só vai poder saber perguntando ao próprio Orihara-kun. Ou então, tentando descobrir por si só.
A garota deixou os ombros caírem, desconsolada. Parecia que tudo a sua volta estava tentando conspirar contra si.
— Ele te disse algo? — o de cabelos castanhos questionou.
Mai comprimiu os lábios, se recusando a dizer o que Izaya lhe falara.
— Tem algo mais que preciso saber? — ignorou a indagação do outro.
O médico suspirou, porém tentou adotar uma postura relaxada.
— Bom — ele colocou a mão em seu ombro. —, saiba que somos seus amigos.
“Isso mesmo” — concordou Celty.
Por um momento, tentando esquecer todas aquelas dúvidas e receios, Mai deixou-se sorrir com carinho.
— Vocês me parecem boas pessoas. — ela afirmou. — Se eu realmente os conheci, fui grata por isso.
“Nós também” — ajuntou a moça.
Depois disso, o trio ainda continuou a conversar, porém sobre coisas mais leves e simples. Celty e Shinra contaram um pouco sobre a vida deles, enquanto a outra ouvia tudo com total atenção – revezando entre acenar para a Dullahan e rir dos comentários do rapaz. Em seguida foi a vez da menina, que os encheu de perguntas comuns sobre o dia-a-dia das pessoas, comportamento e costumes que aos olhos dela eram estranhos. O médico respondeu a todas pacientemente, como se já esperasse por elas, e não estranhou o fato de Mai não entender aquilo.
A jovem de olhos azuis bebia tranquilamente seu recém-descoberto café, adorando o gosto forte da bebida, quando olhou para a porta de vidro que dava para a varanda. Mal havia percebido o tempo passar, já estava escuro!
— Acho melhor eu ir! — falou, virando de uma vez sua bebida.
Havia se esquecido de sua briga com Izaya. E quando voltasse a encontrá-lo, tinha certeza que ele usaria isso para perturbá-la.
— É mesmo, já é tarde. — observou Shinra.
O casal se levantou do sofá e acompanhou Mai até a porta. Celty se ofereceu para levá-la de moto, mas a garota recusou.
— Eu realmente agradeço por tudo que fizeram — ela disse. — Sabe, nos últimos dias ando um pouco desanimada, mas vir até aqui revigorou minhas forças.
“Fico feliz em ouvir isso”
— Volte quando quiser, Mai-chan ~
A menor sorriu e se dirigiu para o elevador. Ela ainda podia ver os dois parados na porta, quando Shinra sorriu de forma estranha.
— O papai sentiu saudades! ~ — falou acenando.
— Papai? — ela franziu o cenho, mas a porta do elevador se fechou. A última coisa que viu foi Celty socando o médico no estomago.
Ao descer até a rua, Mai respirou profundamente o ar quente de verão, feliz com pequeno encontro. Verdade que nem tudo que ouvira lhe agradou, mas havia gostado de ficar com eles. Os dois pareciam gentis e divertidos.
Porém isso não mudava o fato de que afirmavam o que Izaya vivia lhe dizendo sobre se conhecerem. Conseguia até, com esforço, ignorar o que sabia sobre si e acreditar que conhecera o casal e que havia perdido a memoria. Porém ter conhecido Izaya... Parecia tão absurdo.
E, afinal, por que Shinra não quis contar qual a relação que tinham? Sua mente não conseguia formar um motivo para tal atitude.
Bom, perguntar para Izaya estava fora de cogitação. Ele não lhe tramita confiança e aquilo que disse sobre “amor” lhe pareceu muito assustador. A única alternativa que sobrava era tentar descobrir por si só. Não sabia bem como faria isso, mas precisava. Talvez assim conseguisse tentar os motivos do rapaz fazer tudo aquilo e descobrir a verdade.
Enquanto tentava fazer algum planejamento, Mai andava sem atenção pela cidade. Quando sentiu sua bota agarrar em uma rachadura do passeio, fazendo-a perder o equilíbrio. Esperou o impacto de olhos fechados, mas esse não veio. Alguém a segurava pela cintura.
Ela tentou ver quem era através de sua franja que atrapalhava sua visão, reconhecendo um par de impactantes olhos vermelhos.
—Izaya! — ela se remexeu de susto, soltando-se do rapaz desajeitadamente e caindo sentada no chão.
Por um momento o informante ficou confuso, mas depois riu da situação.
— Se seu soubesse que você ia cair de qualquer jeito, não teria feito o esforço de te segurar. — debochou.
Mai bufou, colando-se de pé e tirando a poeira da saia.
— Como você me achou? — ela quis saber.
— Ora, sou um informante, saber a localização das pessoas não é lá muito trabalhoso para alguém como eu.
— Então sabe...
— Que estava xeretando na casa do Shinra? Obviamente. — adiantou-se. — E já até imagino que tipo de pergunta fez a ele. — falou de forma insinuada.
— Eu não estava xer... — ao perceber que não conseguia pronunciar corretamente a palavra, largou de lado a frase. — Não posso fazer nada se você age de forma incompreensível a ponto de eu precisar pedir ajuda.
— Então por que não pede para mim? — ofereceu.
Mai estreitou os olhos. Izaya apenas deu de ombros.
— De qualquer forma, o que ele te respondeu?
— ... Não me respondeu. — confessou, dando as costas para o rapaz, começando a andar.
— Interessante — Izaya murmurou pensativo, acompanhando-a na caminhada.
Então Shinra não quis dizer à ela qual relação que tinham e, provavelmente, não permitiu que Celty o fizesse também. Isso poderia significar que ele não queria se envolver em seus negócios diretamente. Ou então o estava ajudando, a sua forma estranha, mas estava.
Para o moreno, não importava quais eram as intensões do médico doido. Sabia que ele não o prejudicaria. Se era por amizade ou por medo de Izaya fazer algo com sua amada Dullahan, não ligava.
Os dois caminharam em silêncio, até chegar ao edifício onde o rapaz morava. Mai parou, antes mesmo de entrar, pegando o celular em seu bolso.
— Ah, ainda não ligue para o Akihiro-san. — Izaya chamou sua atenção.
— Por quê? — ela parou no meio do ato de digitar os números.
— Se eu bem me lembro, hoje você fugiu de mim, certo? — ele comentou, como se aquilo acabasse de lhe ocorrer.
— Porque você foi grosso comigo. — ela tentou se defender.
— Independente disso, você fugiu de mim, mesmo sabendo que havíamos combinado que você ficaria comigo para que eu tentasse fazê-la se lembrar de mim.
— E-e o que tem? — Mai tremeu sob o olhar manipulador do rapaz.
— Você rompeu com o acordo. — finalizou.
— Mas...! Você falou coisas ruins para mim e riu, sem nem mesmo se desculpar. — seu tom era ferido.
— Lamento — ele deu de ombros. — Trato é trato. O que significa que terei que pensar em uma punição.
A menor engoliu seco, sem saber o que esperar.
— Ao menos... Vai pedir desculpas pelo que disse? — tentou.
— Desculpas? Ah, por favor, Mai-chan, esqueça isso. O que eu disse foi a mais pura verdade e você sabe disso. E entenda uma coisa — mudou para uma expressão de descaso. — pessoas que ficam se lamuriando diante da verdade me irritam profundamente.
Izaya notou que a conversa estava começando a intimidar a garota. Não se importava muito, porém não queria se estender demais naquele assunto batido. Relaxou um pouco a postura e sorriu para ela.
— Faremos o seguinte: já que eu sou um homem generoso, vou pedir que me faça algo simples. — foi até ela e se abaixou na altura de seus olhos azuis. — Quero que diga algo gentil para mim.
— O que?! — ela deu um passo para trás, extremamente surpresa.
— Isso mesmo ~
— Algo gentil... — Mai entrelaçou os dedos de uma mão na outra na altura do colo, tentando imaginar de onde o rapaz havia tirado aquilo e o motivo.
— Estou esperando — ele alertou, pegando-a pelo pulso, mas dessa fez um pouco mais gentilmente, e a puxando para mais próximo de si. — Vamos.
Mai olhou nos olhos vermelhos do rapaz, sentindo-se arrepiar. As palavras não saiam pelos seus lábios e sua mente não conseguia pensar com coerência.
— Você... Seus olhos — ela finalmente respondeu. — São bonitos.
— O que?
— Quando não há más intensões refletidas neles, seus olhos são realmente bonitos. — terminou.
Izaya soltou o pulso da garota, ainda encarando-a surpreso. Não esperava aquilo. Imaginava que ela falaria algo bobo ou sem lógica, não um elogio real e sincero.
— Não vai agradecer? — ela pediu, da mesma forma que uma criança pede aos pais para ser elogiada por ter feito algo bom.
— Está liberada, já pode ligar para o Akihiro-san.
O informante se afastou dela, recostando-se na parede frontal do edifício. Mai deixou os ombros caírem lentamente e esboçou uma expressão triste. Será que havia dito algo de errado?
Depois que a carona veio busca-la, Izaya saiu de sua posição e adentrou em seu prédio. Internamente praguejava por não ter conseguido lidar com aquele elogio, principalmente por ter sido ele a pedi-lo. Não soube o que responder a ela, na verdade, mal sabia o que sentir quando Mai disse aquelas palavras.
Odiava não saber lidar com algo. Principalmente quando esse algo vinha de Mai.
— Izaya idiota!!
Sentindo que algo vinha em sua direção, por reflexo desviou-se para direta. Evitando assim que uma pasta ginasial atingisse seu rosto. Olhou para frente, analisando suas duas irmãs em pé em frente à porta de seu apartamento.
— Você fugiu da gente! — Mairu gritou.
— Que cruel... — emendou Kururi.
— O que? — ele as olhou confuso.
— Iza-nii disse que poderíamos vir aqui no dia seguinte. — sussurrou a irmã mais velha.
— Mas você não estava aqui quando chegamos! Ficamos esperando durante horas e você não apareceu.
— Ora, o problema não é meu. — o informante deu de ombros. — Tenho muito trabalho, não posso adaptar minha agenda ao horário escolar de vocês.
Mairu bufou.
— Vamos embora, Kuru-nee — chamou. — Amanhã não fuja.
Izaya riu das duas, acenando para elas ao passarem ao seu lado.
Evitar encontra-las não era uma má ideia.
Memory Ten Finalized
Notas finais
Não deixem de comentar. Deixar elogios, criticas, sugestões ou o que for.
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O primeiro capítulo de HeartBeat está pronto até a metade. Acho que essa semana eu posto.
E, gente, tenho que fazer uma confissão: eu amo escrever comédia. Por isso comecei uma de DRRR
http://fanfiction.com.br/historia/347969/Seguranca_Irritantemente_Particular/
Se alguém aqui já tem mais tempo de Nyah e frequentava a sessão de Death Note, devem ter conhecido Vivendo Juntos. Planejo reescrevê-la também e quem sabe retomá-la.
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Bye, bye, queridos!
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