Memories

17 Memory Sixteen


Notas iniciais
Olá eu aqui mais cedo que o normal!!! ♥
Gostaria de dizer que consegui escrever esse capítulo mais rápido, mas a verdade é que eu enrolei menos dessa vez.

Como as notas finais irão ficar grandes, já vou começá-las por aqui.
Como se já não bastasse receber uma recomendação, eis que me aparece mais uma! Muito obrigada Kchan-lm pela sua linda recomendação (por sinal, te adicionei no skoob, uhueheu). Fiquei muito feliz com ela
E obviamente, agradeço também os lindos comentários que tanto me incentivam
♥ You all are in my heart ♥

BTW, boa leitura.

Memory Sixteen



Mai sabia que não era uma aluna muito popular no colégio. Desde os primeiros dias de aula, nunca se sentiu parte da turma. Tal fato acabou tornando-a uma aluna isolada. Entretanto, não queria que as coisas continuassem assim. Então, tentou deixar a timidez de lado e se aproximar das pessoas. Fez o máximo que pôde; sorrindo, sendo gentil e agradável a sua maneira. Mas isso só piorou a situação. Ninguém se aproximava dela, havia garotas que faziam comentários maldosos a seu respeito e ainda aquelas que a olhavam com desconfiança e nojo.

Inicialmente não conseguiu entender o porquê de agirem assim. Afinal, portava-se dessa maneira com Celty, Shinra, Kururi e Mairu e possuía uma agradável relação com eles. Até que um dia ouviu alguém comentar que seu comportamento era atrevido, estranho e desagradável. Isso a magoou, mas tentou ignorar e se afastar por completo da turma, preocupando-se apenas na vida que tinha com Izaya – como ele a havia aconselhado.

Entretanto, naquele dia, foi difícil fazer isso.


Havia acabado de voltar do intervalo, quando notou que um clima tenso impregnava a sala. Muitos a olhavam, mas ninguém disse nada. Desconfiada, foi até sua mesa, percebendo seu caderno aberto sobre ela. Ao chegar perto, percebeu que havia algo escrito em suas páginas com marcador preto.


COLEGIAL SUJA E PROMÍSCUA


Seus olhos se arregalaram ao ler aquilo. Ela virou-se para a turma, observando cada um dos alunos, mas todos se desviaram dela, menos um grupo de três garotas. Essas sorriram para ela com cinismo em resposta. Mai apertou os punhos, nervosa, mas respirou fundo, tentando e acalmar. Ela arrancou as folhas rabiscadas e jogou-as no lixo, ainda sentindo os olhares desconfiados queimarem em suas costas.


Os horários passaram com ela ocasionalmente ouvindo alguém sussurrar seu nome. Quando o sinal final tocou, ergueu-se de sua carteira e saiu. Ao parar em frente ao seu armário de sapatos, percebeu que a portinha estava apenas encostada. Abrindo-a, restos de comida, embalagens descartáveis e folhas secas caíram de lá de dentro.

Perplexa, demorou alguns segundos para reagir. Alguns estudantes passaram ao seu lado, rindo, quando finalmente voltou a si e juntou toda aquela sujeita, voltando com ela para o lixo. Suas botas estavam manchadas, mas nem se importou, rapidamente as calçou e deixou a escola.


Enquanto caminhava para o centro de Ikebukuro, os acontecimentos anteriores corriam por sua mente. Primeiro, aquelas palavras horríveis e depois todo aquele lixo... O que ela havia feito de tão errado para receber esse tipo de tratamento? Sentia-se triste e até pensou na possibilidade de contar aquilo para Izaya, mas descartou a ideia. Já havia lhe trazido tantos problemas, não queria importuná-lo com mais um.


Soltou um suspiro, mas depois tentou sorrir. Deveria seguir o conselho que o rapaz lhe dera e não dar atenção a esse tipo de coisa. O dia anterior havia sido incrível, deixaria que a alegria de estar com Izaya a inundasse e subjugasse o desanimo.

Mais animada, caminhou até uma loja de conveniências para comprar algo para comer. Lojas como aquela eram realmente fascinantes, ela achava, conseguia encontrar de tudo nelas. Às vezes, sentia que apenas bastava querer comprar algo, para achá-la naquele estabelecimento. Passeando pelos corredores, parou em uma banca de revistas, pegando uma delas que falava sobre os pratos que melhor combinavam com as estações do ano. Ela riu de forma boba ao ler os da primavera, lembrando-se do que o moreno lhe falara na noite anterior. Passou mais algumas páginas, até chegar ao outono, já que era a estação que estavam.

Será que era uma boa ideia preparar um desses para Izaya? Não sabia cozinhar, mas tinha certeza que se pedisse ajuda a Namie, conseguiria um resultado descente.


— Hm, yakissoba — murmurou, procurando pelos ingredientes.


Depois de comprar tudo, Mai saiu da loja e assim que começou a andar, sentiu a aproximação de Celty. O característico relinchar de sua moto ecoou pela rua e um rápido vulto negro passou por ela. A garota a seguiu com os olhos, ficando surpresa quando o veículo começou a desacelerar e depois dar ré até onde ela estava.


— Trabalhando muito, Celty? — a menor cumprimentou.


“Acabei de terminar minha última entrega” — digitou. “Tenho um convite para te fazer”


Curiosa, ela inclinou a cabeça para o lado.


“Eu e o Shinra estamos preparando um hotpot no nosso apartamento” — começou. “É uma espécie de festa particular para se divertir com os amigos. Gostaria de participar? Vai muita gente que você conheceu, imagino que seja bom para você revê-los”


— Que divertido. — ela sorriu, empolgada. — E quando vai ser?


“Hoje, lá pras seis da tarde”


Mai parou um segundo, olhando para sua sacola. Queria preparar o yakissoba, mas se iria comer e se divertir no hotpot, não havia problema em deixá-lo para outro dia.


— O Izaya também foi convidado? — quis saber.


Celty demorou um pouco para dar uma resposta.


“Bem... Não.” — respondeu sem graça. “Quer dizer, nós já chamamos o Shizuo, e você sabe como é a relação deles. Então não seria uma boa ideia convidar o Izaya também”


Aquilo estava mais para uma quase verdade. Obviamente, ninguém em sã consciência chamaria ambos para um mesmo encontro. Porém o motivo de não ter falado com ele sobre a festa era que, inquestionavelmente, Izaya era uma péssima companhia. Para a motoqueira e possivelmente para todos que os conheciam, era um completo mistérios como Mai conseguia suportar e gostar tanto dele.

Mas, é claro, a Dullahan preferia não expor essa dura verdade.


— Uma pena... — ela ficou desanimada. — Mas se eu for, acho que ele vai se sentir abandonado, não acha?


“Não tenho certeza disso”


— Acho melhor não, mas quem sabe numa próxima ocasião. — recusou. — Mas realmente espero que se divirtam. Depois me conte como foi. — sorriu.


“... Tudo bem. De certa forma, entendo como se sente” — digitou. “Mas eu realmente gostaria que você se reencontrasse com algumas pessoas lá. Sei que gosta do Izaya, mas acho que seria bom para você se aproximar de outras pessoas também”


— Ora, não precisa se preocupar, eu tenho você e o Shinra. Sem falar na Mairu e Kururi. Para alguém como eu, Celty, isso é até muito...



Primeiro havia sido uma lixeira, depois uma maquina de refrigerantes e agora um poste. Izaya se perguntava qual seria o próximo objeto que Shizuo arremessaria ou se ele simplesmente começaria a persegui-lo feito um cão de caça.

Geralmente o informante conseguia e se desviada com maestria dos acessos de fúria do loiro, mas nessa ocasião, em meio a uma de suas manobras de parkour, sua mão havia sido ferida pelos destroços da placa de metal. Ao menos, logo em seguida, conseguiu cortar o braço do guarda-costas.


— Prepare-se para morrer hoje, pulga imunda. — Shizuo falou em seu tom cavernoso.


— Ah, mas você fala isso todas às vezes que me encontra na cidade e eu ainda estou vivo! — rebateu. — Estou começando a achar que no fundo não tem coragem de fazer algum mal a mim. Oh, que gracinha ~


— Para de falar besteiras, seu idiota doente! — exclamou, correndo até uma moto estacionada perto do passeio e erguendo-a. — Morra!


O pesado veículo voou na direção do moreno, que tratou de desviar para esquerda. Tirou em seguida duas pequenas facas do bolso e atirou-as no outro, que conseguiu aparar uma com a mão, mas a segunda acabou cravando-se em sua perna.

Rindo com maldade por ter conseguido acertá-lo, Izaya disparou a correr rua afora. Shizuo tentou acompanhar seu ritmo, mas devido ao ferimento, acabou ficando para trás.


Quando finalmente se viu livre de seu agressor, o informante soltou uma risada de vitória. Era obvio que o ex-barman nunca iria conseguir matá-lo, porém admitia que o ferimento que fizera em sua mão não parecia tão simples assim. Erguendo-a na frente dos olhos, analisou o estrago. Doía bastante e estava um pouco inchada, com algumas partes arroxeadas. Talvez fosse uma boa ideia pedir ao Shinra para dar uma olhada.



— Isso é realmente raro. — comentou o médico, enquanto examinava sua mão. — Há um bom tempo não cuido de um ferimento seu provocado pelo Shizuo-kun.


— E provavelmente não irá se repetir tão cedo. — assegurou. — Um mero erro de calculo na minha velocidade na hora de desviar.


Sentado em uma cadeira, de frente para o informante que estava no sofá, Shinra não respondeu, estava concentrado em aplicar pomada no membro ferido.


— É só uma luxação, evite movimentá-la muito e logo melhora. — concluiu, começando a enfaixá-la.


— Então, Shinra, como anda Celty? As pessoas de fora andam cada vez mais interessadas nela, você notou? — comentou com um sorriso fino.


— Eu percebi. — respondeu sem muita emoção. — Mas seria muita ingenuidade da minha parte achar que conseguiríamos viver em paz em uma cidade tão grande sem ela ser assediada por “curiosos”.


— Não tem medo que algo aconteça com ela? — insistiu.


— Tenho, mas reconheço a força de Celty. Sei que ela sabe se cuidar bem. — o de óculos finalizou seu trabalho, recolhendo os objetos em usara no processo. — Mas e você, Orihara-kun, não se preocupa com a segurança da Mai-chan?


— O que? — ele riu. — Mai não corre perigo. Mesmo que eu mexa com o submundo, duvido que alguém tenha coragem de me afrontar fazendo algo de ruim com ela.


Shinra o encarou, mas depois balançou a cabeça, com um sorriso sem vida.


— Não é desse tipo de perigo que estou falando. — corrigiu-o. — Refiro-me aos perigos que corremos ao nos envolvermos mais intimamente com as pessoas e suas consequências.


— Hm, por acaso está sugerindo que eu pretendo ferir a Mai de alguma forma? — desafiou.


— Para machucar alguém não precisa, necessariamente, ter esse objetivo. — explicou. — Estou dizendo que talvez ambos tenham perspectivas diferentes de um relacionamento. E um sempre acaba se sacrificando demais pelo outro, suportando demais pelo outro. Por isso, acho que seria bom para os dois se começasse a prestar mais atenção no que significa para ela estar com você. É importante aprender a cuidar da pessoa que está ao nosso lado.


O informante olhou para o rapaz de jaleco, surpreso, mas era apenas fachada. Pois ele logo começou a gargalhar.


— Desde quando virou expert em relacionamentos? — perguntou rindo. — Não é como se pudesse falar muito, não é? Não me esqueci do que fez para afastar Celty de sua cabeça.


O jovem médico suspirou.


— Você e a Mai-chan são meus amigos, preocupo-me com vocês, mesmo que não faça questão.


O moreno de olhos vermelhos deu de ombros, não muito satisfeito com as últimas palavras. O apartamento ficou em silêncio por longos minutos, até que a porta da frente se abriu, revelando Celty com várias sacolas de compras.


— Bem vinda volta! ~ — recebeu Shinra, recuperando-se instantaneamente da conversa e sorrindo de forma boba e alegre.


Revirando os olhos, Izaya se levantou do sofá, enquanto o casal carregava as sacolas para a cozinha.


— Olá, Celty — cumprimentou. — Bem, já vou indo. Obrigado pelos curativos.


O rapaz foi até a porta, ainda podendo ouvir seu amigo conversar com a motoqueira. Já estava do lado de fora, guando Shinra o alcançou.


— Celty mandou dizer que viu há pouco tempo Mai passando aqui por perto. E... — ele puxou um pouco a porta. — sei que logo ficará sabendo, mas vou te adiantar: meu pai apareceu em Ikebukuro esses dias. Não sei o que ele anda fazendo, mas no caso dele é sempre bom tomar cuidado.


— Interessante. — murmurou. — Agradeço a informação.


Despedindo-se, o informante foi embora.



— Você pode me ajudar? — garota de olhos azuis pediu a mulher de cabelos e olhos castanhos.


— A preparar yakissoba? — Namie perguntou, analisando sem muito interesse os ingredientes dentro da sacola.


— Isso.


Mai olhou para a secretária. Devido a sua eterna expressão amarga e palavras azedas que sempre dirigia a Izaya, ela raramente conversava com a mulher. Mas conseguia notar que, nas poucas ocasiões em que isso acontecia, seu tom de tratamento suavizava. Se Namie a odiava, ao menos, não era tanto quanto odiava o informante.


— E que horas pretende fazer isso? — continuou.


— Possivelmente depois das oito.


— Nesse horário eu já terei ido embora. — respondeu, sem muita emoção. — Só serve esse horário?


— Sim. Quero que seja uma surpresa. E é nessa hora que ele normalmente sobe para tomar banho. — explicou.


— Sinceramente, prefiro não passar tempo aqui mais do que o necessário. Por isso, sugiro que tente fazer sozinha. Não é tão difícil assim, ainda mais tendo a receita.


— Talvez... Mas não acho que seja uma boa ideia. — Mai pegou os ingredientes e os guardou na geladeira. — De qualquer forma, obrigada.


Assim que terminou de guardar as compras, com Kuro seguindo seus passos, ela subiu para o andar de cima. Iria dar uma lida na revista que comprara, mesmo não estando muito confiante quanto a fazer o prato sozinha. Entrando em seu quarto, sentou na cama e abriu sua pasta para pegar a revista, vendo ao lado dela seu caderno de história. Aquele que...


Colegial suja e promíscua, lembrou-se.


Balançando a cabeça para espantar aquela inquietação, pegou o que queria e guardou a mochila. Kuro pulou ao seu lado, miando e fitando-a com seus inteligentes olhos.


— Não é nada. — falou.



Quando finalmente voltou para o seu escritório, já havia escurecido. Izaya adentrou no recinto, ligeiramente mal-humorado. E nem era pelo que Shinra lhe falara, mesmo aquilo tendo irritado-o um pouco. Estava daquele jeito porque ficou dando voltas pela cidade a procura de seus peões mais interessantes, mas não achou nenhum. Tentou acessar via celular o chat e até lá estava vazio!


Resmungando, tirou seu sobretudo e o jogou no sofá.


— Que cara é essa? — perguntou Namie com humor.


— Nada que seja da sua conta. — devolveu em tom ácido. — Onde está Mai?


— Saiu há pouco tempo. Disse que queria levar Kuro para passear.


— Não se leva gatos para passear... — revirou os olhos. — Ela inda vai perdê-lo.


Tentando aliviar sua irritação crescente, ainda mais agora que nem Mai estava lá para entretê-lo, voltou a entrar na internet pelo computador e ficou vagando por sites aleatórios. Quando não aguentou mais, acessou o chat. E, para sua felicidade e curiosidade, Setton, Tanaka Tarou, Saika, Kyo e Mai estavam online. Porém, isso não durou muito, pois assim que começou a conversar com eles, logo notou o assunto que discutiam.


CHATROOM


(Kanra-san): Hotpot, nessa época do ano?!

(Kanra-san): E eu nem fiquei sabendo!

(Mai-san): Foi realmente bom. Nós nos divertimos bastante.

(Kyo-san): Verdade.

(Setton-san): Eu e a Saika-san também fomos a um hotpot.

(Saika-san): A comida estava ótima, não é?

(Kanra-san): Que absurdo!

[Private Mode] (Kanra-san): Vocês duas ainda continuam acessando o chat?

[Private Mode] (Kanra-san): E quer dizer que foram a um hotpot? Onde? Não sabia que tinham amigos para esse tipo de coisa.

[Private Mode] (Mai-san): Ha-ha

[Private Mode] (Mai-san): É claro que temos.

[Private Mode] (Mai-san): E não desconte sua frustração em nós por não ter amigos com quem possa se divertir, onii-sama.

[Private Mode] (Kanra-san): Quanta bobagem.

[Private Mode] (Mai-san): E veja se não estraga a amizade que estamos cultivando.

[Private Mode] (Mai-san): Já basta fazer isso com a pobre Mai-nee.

[Private Mode] (Kanra-san): O que quer dizer com isso?

[Private Mode] (Mai-san): Oh, então ela não te contou?

[Private Mode] (Mai-san): Obviamente, Mai-nee também foi convidada para o hotpot. Mas ela muito gentilmente recusou, porque certa pessoa poderia se sentir sozinha e abandonada caso ela fosse.

[Private Mode] (Kanra-san): ...

[Private Mode] (Mai-san): Agora que sabe, imagino que seja uma excelente ideia presenteá-la com uma agradável noite pelo afetuoso ato ~~

(Kyo-san): Que sujo...

(Tanaka Tarou): Ahn?

[Private Mode] (Kanra-san): Isso não é da sua conta.

[Private Mode] (Kanra-san): E aprenda logo a usar o modo privado, Kururi!

(Kanra-san): Vocês realmente não tem bom senso quanto à escolha de festas.

(Setton-san): Aconteceu algo, Kanra-san?

(Kanra-san): Não realmente.

(Kanra-san): Mas acho que agora é hora de me retirar.


— — Kanra-san saiu do chat.


— O que está olhando? — ele inquiriu Namie, que espiava a conversa enquanto arrumava alguns documentos ao seu lado na mesa. — Imagino que tenha sido você a apresentar minhas irmãs a Celty.


— Estou surpresa com a sua reação. Por acaso ficou com o ego ferido por não ter sido convidado para o hotpot? — rebateu com uma expressão satisfeita.


— Isso é ridículo. — cuspiu, fazendo a secretária rir.


Nesse mesmo instante, Mai entrou no escritório, com Kuro no colo.


— Mas não fique assim, Mai me contou que queria preparar para você algo para o jantar. — falou em tom alto, fazendo a menor arregalar os olhos. — Por que não a ajuda?


O rapaz instantaneamente olhou para a colegial, que deu um passo para trás e soltou o gato. Enquanto isso, Namie usou a distração para levantar-se, pegar usas coisas e ir embora, sem que seu chefe a perturbasse mais.


— O que ela quis dizer com aquilo? — quis saber.


— Na-nada... — sussurrou.


Izaya a fitou com o cenho franzido, pressionando-a com o olhar. Por fim, ela cedeu.


— Hoje, quando estava voltando da escola, li que yakissoba é um ótimo prato para se comer no outono, então pensei que seria uma boa ideia fazer para você. — confessou. — O problema é que não sou boa na cozinha.


O moreno ficou em silêncio.


— Foi uma ideia boba, eu sei... — ela falou desanimada.


— Não realmente.


Sem dizer mais nada, o moreno se levantou e passou pela menor, indo até a cozinha e averiguando o que havia na geladeira.


— E não é que você comprou todos os ingredientes? — comentou, distribuindo-os sobre a bancada. — Venha aqui, Mai, vou te ensinar a cozinhar.


Surpresa, ela foi até o rapaz. Prendendo o cabelo de forma displicente, a garota parou ao seu lado.


— Você vai mesmo me ajudar? — perguntou incrédula.


— Pretendo, mas se você acha que sou dispensável... — sugeriu com humor.


— Não, não! — falou com veemência. — Quero aprender a cozinhar, assim vou poder fazer vários pratos para comermos juntos.


Izaya parou com o que estava fazendo e olhou para ela, sem expressão.


— O que foi?


— Nada... — respondeu, voltando sua atenção para os ingredientes.


Um pouco sem jeito, ele começou a ensiná-la a como preparar o yakissoba. Mai prestava atenção nos mínimos detalhes no que fazia e parecia estar se divertindo em aprender com ele.

Ao terminarem, levaram a panela fumegante para a mesinha de centro entre o sofá e a T.V, que também servia como kotatsu. Ambos se sentaram lado a lado e, quando Izaya tirou a tampa da panela, Mai olhou para dentro dela animada. A aparência do prato estava realmente boa, e quando provaram, descobriram que o gosto estava melhor ainda.


— Ficou uma delícia, Izaya. — elogiou, levando a boca um pouco do macarrão temperado.


— É claro, fui eu quem fez. — respondeu, também degustando do prato.


— Mas eu te ajudei. — objetou.


— Sim, sim, um pouco.


Ainda chegaram a trocar mais alguns comentários, mas em maioria se concentraram em saborear o macarrão com legumes e carne de porco. E, ao terminarem, já quase não havia mais nada na vasilha.

Izaya se levantou do chão e deitou-se no sofá, espreguiçando. Realmente havia comido muito. Enquanto Mai se ocupou em levar os pratos para a pia e começar a lavá-los.


— Não precisa lavar agora, te ajudo daqui a pouco. — ele ofereceu.


— Não se preocupe com isso. — negou, continuando seu trabalho.


Rindo baixo, ele apenas fechou os olhos. O escritório estava silencioso, salvo pelo barulho da água e da canção sem melodia que a menor cantarolava, e com apenas a luz sobre a mesinha e a da cozinha acesas. Um clima agradável circulava pelo cômodo; meio nostálgico, porém confortável.

Voltou a pensar na conversa no chat e o sentimento amargo que o tomara ao saber que todos ali possuíam pessoas com quem passar o tempo e se divertir, percebendo que agora isso não mais incomodava. Na verdade, sentia-se muito mais satisfeito em estar ali com Mai. Ela era sua única companhia e, sinceramente, a única que queria ter.


Terminando de lavar a louça, a colegial voltou para perto dele, sentando no chão, mas apoiada de lado no sofá, de forma que pudesse ver o rosto do rapaz.


— Se tivesse esperado, eu teria ajudado. — ele disse.


— Seria melhor se não forçasse ou molhasse as bandagens da sua mão machucada. — respondeu, olhando para o que se referira.


— Há quanto tempo notou ela? — quis saber.


— Assim que cheguei.


Com delicadeza, ela pegou sua mão, encarando-a com tristeza.


— Dói muito?


— Não realmente. E não precisa se preocupar, não é nada grave. — assegurou, passando de leve os dedos pela bochecha da garota.


Pouco satisfeita, ela voltou-se para frente, soltando um suspiro. O informante a olhou por alguns segundos, e resolveu comentar:


— Soube que Celty e Shinra fizeram um hotpot no apartamento deles.


— ... É. — confirmou apenas.


— E que eles te convidaram para participar.


Dessa vez, ela não respondeu.


— Por que não quis participar? — insistiu. Mesmo sabendo o motivo, queria ouvi-lo de Mai.


Ela flexionou os joelhos, abraçando-os.


— Por que não seria tão divertido se você não estivesse lá comigo também. E que talvez fosse se sentir solitário aqui. — acrescentou em tom baixo.


O rapaz sorriu, colocando sua mão boa sobre a cabeça da menor, afagando seus cabelos negros. Ela corou com o gesto e encolheu-se um pouco, mas acabou deixando que seus lábios se curvassem em um sorriso afetuoso.


Izaya afastou seu membro dela, mudando de posição, de forma que seu rosto se aproximasse do dela.


— Quer dizer que prefere minha companhia a deles? Hm, muito romântico e estimulante ~ — falou, próximo ao seu ouvido.


Ela arrepiou com suas palavras.


— E ainda se prontificou para cozinhar algo para mim. — adicionou. — Desse jeito fico até tentado a lhe recompensar de alguma forma. — ofereceu com prazer. — Deseja algo em especial de mim?


— Vo-você não precisa retribuir. — sua voz tremeu ao tentar olhá-los nos olhos. — Eu... Eu fiz isso porque queria ficar com você.


Izaya soltou uma curta risada de deleite.


— Assim não tem graça. — reclamou com humor. — Seria mais interessante se você respondesse as minhas provocações.


— E o que queria que eu dissesse? — encolheu os ombros.


— Hm, vejamos, algo como: Ah, Izaya-sama, tudo o que eu desejo é o seu corpo quente junto ao meu na cama ♥ — sugeriu com malícia.


Com o rosto em chamas, Mai se levantou bruscamente do chão.


— Isso... Isso foi...


— Excitante? — acrescentou com inocência, fazendo o embaraço dela aumentar. Ele riu. — O que houve com você, Mai-chan? Nem parece a mesma pessoa de ontem que trocou beijos tão intensos comigo ~ — provocou. — Por sinal, não nos beijamos hoje. Venha aqui no meu colo, que resolvemos esse problema.


—Não! Quer dizer... — com o rosto quente, ela se afastou do sofá. — Pare de ficar falando essas coisas.


— Ora, por que? Foi algo que aconteceu entre nós dois. Deveria se sentir confortável em conversar sobre isso comigo.


O rapaz se ergueu do sofá, ainda fitando-a.


— Eu sei. — ela lhe deu as costas. — É que às vezes isso é meio... — ia dizer estranho, mas mordeu o lábio inferior para se calar.


Dando-se por satisfeito, o mais velho caminhou até a colegial, colocando a mão em seu ombro.


— Venha dormir comigo hoje, sei que não gosta de ficar sozinha também. — ofereceu. — Prometo não te provocar mais por hoje.


Izaya passou por Mai, subindo as escadas. Demorou um pouco, mas ela acabou fazendo o mesmo. Só que entrando em seu próprio quarto. Lá, tirou seu uniforme e colocou um pijama. Ao terminar, olhou para a porta do cômodo e respirou fundo, saindo dele e entrando no ao lado.


— Fico feliz que tenha aceitado meu convite. — ele recebeu-a.


Para a tranquilidade da menor, ele usava uma blusa cinza de moletom. Entretanto, isso não mudava o fato de que ainda se sentia um pouco perdida com a situação.

Percebendo isso, o moreno foi até o lado direito da cama e se acomodou em meio às cobertas escuras.


— Venha, está frio. — chamou.


Acenando, ela foi para o lado esquerdo e se deitou, virada para o rapaz. Ele esboçou um sorriso fino, encarando-a.


— Você nunca gostou de dormir sozinha, preferia ficar aqui comigo. — contou apenas. — Boa noite, Mai.


Após dizer isso, ele voltou-se para o abajur na cômoda ao lado da cama e o apagou. Inicialmente o quarto ficou tomado pelo breu, mas aos poucos os olhos da jovem foi se acostumando com a falta de claridade, conseguindo captar de forma mais clara a silhueta do rapaz.


— Izaya. — chamou.


— Hm?


— Hoje foi divertido, não é? — questionou. — Você se sentiu feliz por ter estado comigo?


— É claro, Mai. — respondeu, ainda de costas para ela. — Eu realmente fiquei satisfeito em saber que você prefere muito mais ficar comigo do que com outras pessoas.


— Eu me sinto confortável perto de você. E gosto de te ver sorrindo, mesmo que diga coisas pervertidas logo depois. — confessou.


Rindo, ele virou-se para Mai.


— Nessas ocasiões, gosto de pensar que estou flertando com você. — explicou-se.


Ouvir aquilo fez seu rosto esquentar.


— Você diz coisas embaraçosas. — murmurou.


— Não se preocupe, ainda vai passar a gostar dos meus comentários, da mesma forma que eu gosto de dizê-los. — assegurou.


A garota riu sem graça, mas depois se calou.


— Você se sentiu mal por não ter sido convidado para o hotpot, Izaya? — ela quis saber, mas pelo seu tom transparecia certa certeza no que dizia.


Por um segundo ele desviou seus olhos dos dela, mas depois voltou a fitá-la no escuro.


— Eu nunca tive muitas pessoas próximas a mim, Mai. Já estou acostumado com esse tipo de situação. — contou sem muito sentimento em sua voz.


— ... Não se preocupe, você tem a mim. — confortou.


— Uma declaração perigosa. — sorriu maldosamente, mas com certa melancolia inclusa. — Vai se responsabilizar pelo peso dela?


— É claro que sim. — confirmou. — Eu... — ela começou e naquele momento sentiu vontade de revelar tudo que estava preso em seu coração a Izaya, mas acabou perdendo a coragem. — ... Eu prometo.


O informante apenas sorriu, percebendo as intensões da outra.


— Você também, Mai. — disse. — Não precisa se preocupar caso se sinta sozinha, não há necessidade de procurar outras pessoas, você tem a mim da mesma forma.


A sentença do moreno a fez sorrir.


— Obrigada.


— Boa noite. — repetiu.


— Boa noite, Izaya.


Mai, que logo pegou no sono, remexeu-se na cama, dando as costas pra o moreno. Já esse, demorou um pouco a dormir. Por alguns minutos, ficou na mesma posição, olhando a garota descansar tranquilamente.


Ela não precisava de ninguém além dele, pensou. Sua alegria, carinho, amor e afeto deveriam sempre ficar focados em Izaya. Ele era o seu centro, o seu motivo de viver e sorrir. Ela existia para ele. E se Mai ainda não via a situação dessa forma, ainda iria. Querendo ou não.


Não se iluda, ela não pertence a você.


De súbito seus pensamentos foram cortados, deixando sua mente vazia. Entretanto, aquelas palavras pareciam ecoar pela noite escura, como uma sentença amaldiçoada.



Estava realmente confortável e quente, mas ele sabia que precisava levantar. Apenas mais alguns minutos e ele o faria, decidiu.

Remexendo-se na cama macia, esticou o braço para o lado esquerdo do colchão, a fim de puxar para si o que estava ali, mas não sentiu nada. Percebendo isso, abriu os olhos apressadamente.


— Mai? — chamou um pouco perdido.


— Bom dia. — ouviu e quando se virou para frente, a viu sentada nos pés da cama, vestindo suas meias escuras.


Suspirando, sentou-se.


— Acordou cedo. — observou, coçando os olhos.


— Na verdade, você que acordou tarde. Já são quase oito. — avisou.


Ele deu de ombros, sorrindo com malícia.


— Não me culpe, a noite anterior foi cheia de surpresas agradáveis, que mal consegui dormir.


Ela riu.


— Acho que ainda não está completamente acordado. — brincou. — Mas, bem, eu preciso ir agora.


Observando-a ir embora, o informante estreitou os olhos, sentindo aquelas soturnas palavras voltarem a sua mente. Uma estranha raiva subiu pelo seu corpo, mas não sabia a quem direcioná-la. Porém, qualquer coisa que tentasse dizer o contrário de que Mai deveria ser dele, merecia seu ódio. E isso inclui qualquer pessoa que ousasse interferir em seus planos.



Era a primeira vez que sentia algo como aquilo. Ao se aproximar da escola, um nó formou-se em seu estômago e ela quis dar meia volta. Estava com medo, pois ainda se lembrava do que acontecera no dia anterior e aquilo a assustava. Tentou respirar fundo, buscando coragem e entrou.

Durante o trajeto até a sala, nada aconteceu, nem mesmo durante os primeiros horários e depois do intervalo. Aquilo lhe deu uma frágil sensação de segurança, que foi brutalmente esmagada na última aula do dia.


Prestava atenção na aula de literatura, quando alguém jogou uma bolinha de papel em sua mesa. Não chegou a ver quem era e ninguém na sala a olhava. Pensou em jogá-la fora, mas quando notou que havia coisa escritas no papel, resolveu abri-la.


Parecia uma conversa escrita em uma folha de caderno entre várias pessoas, pois havia várias caligrafias diferentes nela. E, no momento em que começou a lê-la, sentiu seu rosto empalidecer.


“Sabiam que aquela garota chamada Mai sai com um homem mais velho? Sééério? E ela tem cara de ser tão bobinha. Haha, só cara. Ouvi dizer que é um homem muito perigoso, mas com dinheiro. Esperta. Apesar de ser nojento. Ele parece quase quinze anos mais velho que ela. ECA!! Você já viu os dois na rua? Sim. E uma amiga minha viu eles se agarrando em um beco. Que menina nojenta. Será que ela ganha para isso? Não sei, mas há boatos de que ela estudava em outro colégio e que lá um professor tentou assediá-la. E agora esse tal homem. Não sei dizer se é ele quem a está usando para realizar suas fantasias sujas ou se é ela quem está interessada no dinheiro dele. Talvez os dois! Que garota indecente...”


Havia mais coisas escritas, entretanto Mai se recusou a ler. Ela amassou o papel novamente com as mãos trêmulas e o guardou em sua pasta. Queria olhar para a turma e ver se havia alguém a encarando a espera de sua reação, mas não conseguiu.


Aflita, mal conseguiu prestas atenção no resto da aula. Quando o sinal bateu, rapidamente se levantou da mesma e foi embora. Queria de distanciar o máximo possível daquele lugar e daquelas pessoas.


Seus passos a levaram até Ikebukuro. Ofegante, Mai entrou em um beco e recostou-se à parede lateral. Mesmo tendo lido o bilhete apenas uma vez, conseguia se lembrar de cada palavra escrita. Não entendia o motivo de receber tal tratamento e ainda menos o porquê de envolverem seu relacionamento com Izaya. O que havia de errado entre os dois para chamá-los de coisas tão cruéis?


— Que pena — ouviu. — Achei que ela ia se encontrar com ele.


Assustada, Mai olhou para o lado, vendo duas meninas de sua sala na entrada do beco.


— Ei, Mai, cadê aquele homem? — a outra perguntou.


— Foram vocês quem escreveram aquilo? — questionou, encarando-as.


Elas riram.


— Oh, você pensa um pouquinho, — zombou. — Mas não fique achando que é só a gente que sabe sobre esse seu segredinho sujo.


— Então, onde está o cara pervertido com quem está saindo? — a primeira exigiu.


— Pervertido e doente! — a amiga acrescentou.


— Isso não é da conta de vocês. — Mai rebateu. — não sabem nada sobre mim e são duas covardes. Se não gostam de mim, venham falar direto comigo, ao invés de mandarem bilhetinhos ou envolver alguém próximo a mim.


Normalmente não gosta de discutir com as pessoas, porém não conseguia ficar calara apenas ouvindo alguém falar coisas ruins sobre Izaya, sem nem mesmo conhecê-lo.


— O que? — uma franziu o cenho, irritada. — Olha aqui, sua colegial rodada, quem você pensa que é para falar assim com a gente?


— Bullying, não é? Muito triste pensar que é algo realmente comum no Japão.


As duas meninas olharam para trás e Mai por cima o ombro delas. Um homem estranho, vestindo jaleco branco e usando uma mascara esquisita estava em pé ali, com as mãos no bolso.


— Será que devo fazer algo a respeito? — perguntou, com sua voz sendo abafada pela máscara. — Chamar a policia? Ligar para os pais? Quem sabe acionar a escola?


As meninas parecerem ficar assustadas com a misteriosa figura, trocaram um olhar alarmado e saíram dali praguejando.


O homem soltou uma risada sinistra e acenou para elas, depois se virou para Mai.


— Mu-muito obr...


— Bullying realmente não é bom. — ele a interrompeu. — Mas quando a própria pessoa tem atitudes questionáveis, às vezes é difícil ficar do lado dela. Não é mesmo, Mai-kun?


Memory Sixteen Finalized

Notas finais
Entããão, o que acharam?
Sinto que decepcionei um pouco vocês x) O clima do capítulo anterior estava tão bom e eu acabei deixando as coisas meio tensas, mas ao menos a parte do jantar ficou fofinha. Entretanto, infelizmente, nem tudo são rosas e isso que vocês leram faz parte das primeiras dificuldades que os dois irão enfrentar. Espero que essa coisa do bullying não tenha ficado forçada. E, na verdade, era pro capítulo ser maior, mas eu resolvi cortar a cena em que o pai do Shinra conversa com a Mai e deixá-la para o capítulo seguinte, para dar um pouco de mistério. Siiim, é uma conversa muito importante para o desenvolvimento da história. Fim dos spoilers.

Bem, queria falar um pouco sobre o hotpot. Isso que eu mencionei no capítulo realmente aconteceu no Light Novel, o hotpot, a conversa entre o Izaya e a Mairu (sim, ele meio que faz um chilique) e entre a Namie. Claro, alterado para caber a Mai. Porém o fato do Izaya não ter sido convidado para a festa realmente o afetou, principalmente porque um monte de gente que ele conhece foi. Tanto, que no LN ele convida a Namie para jantar com ele, devido ao ego ferido. E, mais para frente, quando ele monta uma gangue, convoca todos para um hotpot.
E, como bônus o autor meio que faz uma escola de 1 a 100 dos dotes culinários das personagens.
Mika: 100 / Namie: 95 / Erika: 70 / Celty: 35 / Anri: 30
Cozinhando sozinha, a Mai seria 20 xD

Acharam que o capítulo ficou grande? =/

Acho que era só isso que eu queria falar.

No mais, digam o que acharam do desenvolvimento do capítulo ~~