Notas iniciais
Oi, oi, tá ai o capítulo.
Como dar título aos capítulos e particularmente difícil, resolvi mudar um pouco e deixar os nomes nesse estilo.
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[Capítulo editado dia 18/02/2013]

Memory One


Aqueles olhos azuis... Simplesmente o encararam por míseros segundos, para depois o ignorarem como se fosse um ninguém. Izaya sentia a raiva subir pelo seu corpo. Com pressa, saiu de perto da janela e foi para a porta, mas essa se abriu sem que fizesse nada.


— Orihara-san, certo? — o homem que provavelmente era Takashi Akihiro perguntou ao entrar.


O informante apertou os punhos com força, voltando para sua postura tranquila. Aquele era o seu trabalho, tinha que manter sua excepcional profissionalidade. Olhou melhor para o homem; era um pouco mais velho que Izaya, alto, de cabelos e olhos castanhos. Já havia visto sua foto, mas ficou surpreso ao notar que ele não possuía aquela típica aura de mafioso corrupto.


— Sou eu mesmo. — respondeu.


— Me disseram que tinha assuntos a tratar comigo. Vamos nos sentar.


Como foi solicitado, os dois se acomodaram – Ahikiro na cadeira de sua escrivaninha e Izaya na poltrona logo a frente. Com tranquilidade, o informante começou a falar o que Shiki comentara consigo e logo depois deu inicio as suas pequenas ameaças. Incrivelmente, o diretor não agiu como esperava. Ao invés de se desesperar, como acontece com as pessoas em tal situação, ele ouviu tudo o que tinha a ser dito com um semblante sério.

Enquanto o homem pensava sobre a delicada situação em que estava, Izaya deixou que seus pensamentos vagassem para longe da conversa e pousassem novamente naquela garota. A aparência, o nome e a voz eram os mesmo, mas não podia ser ela. E se fosse, por que não o reconheceu? E o que ela fazia naquele orfanato? Não havia sentido nos fatos.


— Orihara-san — Akihiro o despertou de seus pensamentos. — Sabe, eu já esperava sua visita, é bem famoso na Yakuza.


— Então se já me esperava, suponho que tenha noção do quão importuno está sendo para os chefes mafiosos. — comentou.


— Eu ajo na área de contrabando de animais e uso minha parte dos lucros para manter esse orfanato, apenas isso. Não entendo o motivo do alvoroço. — explicou-se, deixando um pouco de irritação transparecer.


— Se não entende, irei esclarecer melhor as coisas. — inclinou-se sobre a mesa, apoiando os cotovelos no tampo de madeira e entrelaçando os dedos. — Takashi-san, você trabalha como contrabandistas de animais raros e recebe uma boa quantia em troca, que pode gastar com qualquer luxo que desejar. Até esse ponto, não há nada de errado. O problema é com o que está gastando e o risco que isso traz. Um orfanato é uma instituição intimamente ligada ao governo, e é submetida a rigorosas fiscalizações. E isso, para a Yakuza é altamente arriscado. Para os líderes mafiosos, você está usando dinheiro sujo para bancar o bom samaritano, correndo o risco de expor todo o submundo. Agora você me entende? — estreitou os olhos.


Akihiro não respondeu – é claro que não tinha resposta para os argumentos do informante. Demonstrando agora preocupação, levantou-se da cadeira e foi até a janela, colocando a mão na nuca.


— Eu não estou tentando parecer um bom samaritano, estou apenas tentando ajudar essas crianças. Este orfanato estava quase fechando quando resolvi tomar sua direção há alguns anos. Não podia deixar essas crianças na mão.


O informante revirou os olhos, achando tudo aquilo uma baboseira. Esboçando um sorriso falso, foi para o lado dele na janela e colocou a mão em seu ombro.


— Tenho noção das suas boas intensões e que está em uma situação perigosa, mas talvez eu possa ajudá-lo.


Sabia que ao invés de estar tentando tranquilizar o homem, deveria intimidando-o. Entretanto, havia um bom motivo para o que estava fazendo. Alguém naquele orfanato o interessava, por isso, precisava ter uma boa relação com o diretor. Pouco se importava com o que podia acontecer com o lugar, mas por enquanto, precisava tê-lo de pé e ao seu dispor. Izaya poderia muito bem resolver todo aquele problema.


— Devo dizer que me interesso por sua causa — começou. — Quem sabe, eu até consigo reverter o quadro delicado em que está.


— Poderia realmente? — Akihiro o olhou com cautela.


— É claro que sim! ~ Sou um homem bem influente e bom para fazer negócios. — afastou-se, colocando as mãos no bolso. — Eu gostaria muito de dar uma volta pelo Orfanato Masayuki, sinto que me motivará ainda mais a ajudá-lo e montar uma estratégia. O que acha, importa-se?


— Fi-fique á vontade.


Izaya segurou uma risada, o homem mal estava conseguindo acompanhar a conversar de tanta surpresa.


— Tenho uma reunião daqui a pouco, mas posso pedir para uma de minhas assistentes acompanhá-lo.


— Não se incomode com isso, posso me virar sozinho. Só me diga como chegar ao jardim dos fundos.


— Continue nesse corredor e vire na terceira á direita.


Ainda proferindo algumas palavras de animo, Izaya saiu do escritório. Caminhava com tranquilidade pelo corredor, mas por dentro sentia um aperto da boca do estômago. Talvez, no fundo, estivesse com medo do que fosse encontrar. Na verdade, mal sabia o que queria encontrar.

Dobrou a esquina como lhe fora instruído, já conseguindo ver as grandes portas de correr abertas para o jardim. Duas crianças passaram correndo ao seu lado quando saiu pela porta. O jardim dos fundos era uma espécie de área de recreação, bem extensa e arborizada, com vários bancos de madeira e brinquedos.

Olhou para os lados; viu crianças e adolescente, mas nenhuma se assemelhava a ela. Desceu para o gramado e deu alguns passos a frente, procurando-a. Um vento forte bateu, bagunçando seus cabelos e levantando as folhas soltas do chão.


Foi quando a viu.


Sentada embaixo de uma árvore, praticamente oculta pelas sombras devido às vestes negras, estava ela. Izaya a encarou por alguns segundos, e por um momento esqueceu-se da raiva. Há quanto tempo não a via? Mesmo que tivesse passado um ano, não conseguiu esquecer nada a seu respeito, mas vê-la de novo depois de tanto tempo... Era como se tudo sobre Mai que guardava em sua cabeça tivesse se renovado. Por um momento, a doce ilusão de que tudo voltaria ao normal o tomou.

Mas só por um momento, pois logo esse sentimento se esvaiu, dando lugar a raiva novamente.

Percebendo que não havia reação alguma da outra parte, começou a caminhar em sua direção. A cada passo, sentia seu nervosismo aumentar. Tentou não demonstrá-lo, pois ainda queria entender aquilo tudo.


— Mai? — perguntou ao se aproximar.


Ao notar que algo fazia sombra sobre si, a menina levantou a cabeça, inclinando ela para o lado com ar de dúvida.


— Você me conhece? — perguntou.


O moreno apertou os punhos, tentando se segurar.


— O que quer dizer com isso? — sua voz começou a endurecer, mas isso não pareceu afetá-la. Aos olhos de Izaya, ela parecia a mesma, porém agia como se ele fosse um ninguém.


— Acho que você me confundiu com alguém, nunca te vi antes.


Por alguns instantes Izaya não reagiu, apenas a encarou. Tempo que não durou muito, pois a raiva acumulada explodiu dentro de seu corpo. Segurou o pulso da garota com força e a puxou bruscamente, colocando-a de pé, próxima ao seu corpo.


— E-ei, o que...


— Que droga de brincadeira é essa, Mai? — interrompeu-a, com a voz dura e grave, assustando a menor.


— M-me solta... — ela pediu com a voz fraca. — Por favor, está doendo...!


— Eu vou te soltar quando parar com isso. — apertou mais.


— Já disse, você deve ter me confundido com alguém, pois eu não te conheço. — ela tentou se afastar, em vão. — Se não me largar, eu vou gritar.


Praguejando, o informante soltou seu pulso, o que a fez dar um passo incerto para trás e cair sentada no banco. Os dois ofegavam, ela pelo susto e Izaya pela raiva.


— Mai... — tentou usar um tom mais calmo, porém antes de proferir qualquer outra palavra, ela se levantou e saiu correndo.


O rapaz não se moveu, continuou parado fitando o banco com um olhar de descrença. Apenas uma coisa ecoava pela sua mente:


Ela não se lembrava dele.


Memory One Finalized.



Notas finais
O que acharammm?
Ficou pequeno, eu sei. Na verdade, queria fazê-lo maior, porém percebi que todo começo de fic é assim.
É a primeira vez que escrevo em primeira pessoa, ainda mais com o Izaya, então paciência com minha pessoa.
Não deixem de comentar ~