Memories
16 Memory Fifteen
Notas iniciais
Gente, eu mudei a capa... Qual vocês preferem, essa agora ou a outra? Talvez eu faça outra xD
Boa leitura!!!
Memory Fifteen
— Izaya — ouviu em meio a escuridão. — Izaya. — a voz repetiu, e dessa vez ele tentou se mover, mas não conseguiu, havia algo o prendendo na região da cintura.
Incomodado, finalmente abriu os olhos. Sua visão estava embaçada, mas aos poucos foi ganhando foco.
— Izaya! — Mai chamou, animada por ter finalmente acordado.
O peso em sua cintura, na verdade era garota, que estava sentada sobre si, ainda de pijama, mas inteiramente acordada.
— Bom dia. — ela cumprimentou sorrindo.
— Posso perguntar por que está sentada em cima de mim?
— Estava esperando você levantar, mas como demorava demais, resolvi te acordar eu mesma. — explicou com simplicidade.
— Bem, já estou acordado. Já pode descer.
Sem se importar se havia sido uma atitude estranha ou não da parte dela, a menor desceu o foi até a porta.
— Vou me trocar para ir para a escola. — avisou antes de sair.
Izaya finalmente se sentou, olhando para o próprio colo que ainda estava quente, soltando uma risada baixa.
— Acho que perdi uma boa oportunidade. — comentou para si.
Entretanto, deu de ombros. Teria muito tempo com Mai dali em diante. Momentos oportunos não faltariam para se aproximar dela.
Depois de se trocar e efetuar suas higienes, deixou o quarto e foi até o da garota. Olhando lá dentro, percebeu que falava ao telefone.
— M-mas eu avisei que não iria voltar. — ela protestou, com uma pontada de insegurança em seu tom, sem perceber que o moreno a observava. — E por que não posso ficar? Todos ai passam dias, até meses, na casa de outras pessoas.
Não precisava pensar muito para saber com quem Mai estava falando. Estreitando os olhos, caminhou até ela, que estava de costas para Izaya, e tomou o telefone de suas mãos. A jovem retraiu-se com o susto e virou-se, fazendo menção de pegá-lo de voltar. Porém ele se afastou, sentando com tranquilidade na cama.
— Orihara Izaya-san falando ~
A pessoa do outro lado da linha engasgou com a súbita mudança.
— Assustou-se tanto assim, Akihiro-san? — provocou.
— Orihara-san — ele começou. — Pare de influenciar Mai a tomar esse tipo de decisão.
— Eu? Influenciar? — fingiu surpresa. — Nunca faria algo desse tipo! A Mai-chan optou por ficar no meu escritório por desejo próprio de querer passar mais tempo comigo. — ele olhou para a garota, que o encarava preocupada, e lhe dirigiu um sorriso malicioso. — Não tenho culpa se ela se afeiçoou a mim.
— Isso não fazia parte do acordo. — objetou.
— Mas o acordo só existia porque antes ela não queria vir comigo. Todavia, agora a situação é outra.
Por alguns segundos a linha ficou silenciosa.
— Uma semana. — o diretor falou. — E eu volto a ligar para ela.
— Como quiser ~ — despediu-se, desligando o aparelho. Ao virar-se para Mai, percebeu que ela o fitava com expectativa. — Não se preocupe, Mai-chan, está tudo bem.
— Pensei que... — ela começou com pesar.
— Eu não te disse que cuidaria de tudo?
— Obrigada. — sorriu. — Bem, agora eu preciso ir.
A colegial caminhou até a porta do quarto, mas parou ali.
— Izaya. — chamou em um tom receoso. — Quando eu estava conversando com o Akihiro, tentei dizer que não havia problema em ficar aqui com você, pois o mesmo acontecia com as outras crianças do orfanato e isso sempre as deixava felizes, pois depois disso, elas sempre iam embora de lá. Mas ele disse que comigo era diferente. Que o que havia entre nós dois era algo estranho e errado. O que ele quis dizer com isso?
O rapaz a encarou por alguns instantes sem expressão, mas depois deu um sorriso descompromissado.
— Nada que mereça sua atenção. — deu de ombros. — Você não tem que se preocupar com nada nem ninguém, apenas com sua vida aqui comigo.
Ela mostrou-se inicialmente relutante, mas acabou concordando.
— Ainda não vá, tenho algo que quero te entregar. — ele interceptou.
O moreno se levantou da cama e desceu com a colegial até o andar inferior, indo até sua mesa. Abriu uma das várias gavetas e tirou de lá um celular; era o mesmo aparelho que dera a ela da primeira vez. Mas, diferentemente do seu casaco e anel, não o havia levado consigo naquela ocasião da praia.
— Não precisa disso aqui. — olhando com nojo para o celular dado por Akihiro, estendeu o seu para ela. — Você usava esse quando vivia aqui comigo.
A menina o pegou, analisando o modelo.
— Tudo bem eu ficar com isso? — perguntou.
— Eu o havia dado a você, então é seu, de qualquer forma. — explicou. — Ontem me disse que acreditava na possibilidade de termos nos conhecido, mas ainda não parece totalmente convencida. Por isso, quero que dê uma olhada no que tem salvo nesse celular. Vai descobrir muitas coisas interessantes.
Mai olhou para o celular e depois para o mais velho, em dúvida.
— ... Certo.
Com um último aceno, ela deixou o escritório sob o olhar atendo do rapaz. Ele sentou-se em sua cadeira e olhou para o aparelho descartado, apertando uma das teclas para desligá-lo. Quanto mais afastada daquele lugar, melhor. Para ser sincero, Izaya não fazia questão que ela se aproximasse emocionalmente de outras pessoas, exceto ele. Porém isso era algo que iria trabalhar aos poucos. Ainda precisava fazê-la se abrir mais para ele e o primeiro passo era a garota descobrir seus próprios sentimentos. E o que tinha naquela celular iria ajudar muito.
Assim que a aula acabou, Mai deixou o prédio da escola e se dirigiu para Ikebukuro. No fundo, queria voltar para o escritório e ver Izaya, entretanto, estava curiosa quanto ao conteúdo do aparelho e preferia averiguá-lo sozinha.
Automaticamente a imagem daquele parquinho veio a sua mente e foi para lá que decidiu ir.
O rapaz havia falado que odiava aquele lugar, mas ela não entendia o motivo. Era um local lindo. Ficava em um nível um pouco acima da calçada. O chão era pintado de um vermelho claro e delicado, enquanto os brinquedos – havia uns seis tipos – eram multicoloridos. Havia alguns bancos de madeira e várias árvores de cerejeira espalhadas. Como não gostar de um lugar com um clima tão agradável? Bem, ela dissera que era por culpa dela, mas era difícil imaginar o que possivelmente havia feito de errado. Talvez devesse perguntar ao Izaya sobre isso, mesmo que estivesse pouco confiante de que lhe responderia.
Dando um fim as suas divagações, Mai foi até um dos bancos – queria sentar-se no balanço, mas estavam todos sendo usados por crianças – e se acomodou ali tirando o celular da pasta. Inicialmente apenas o analisou, para finalmente tomar coragem e acessar seu menu. O informante dissera que aquele aparelho possuía coisas importantes para ela, mas por onde começar? No fim das contas, decidiu ir checar a agenda, surpreendendo-se ao ver a grande quantidade de contatos salvos.
Celty
Erika-chan
Heiwajima Shizuo
Kyouhei Kadota
Masaomi, o incrível
Mikado
Shinra (papai ♥)
Sonohara Anri
Walker-kun
♥ Izaya-sama ♥
Sem querer deixou uma risada escapar.
Mas se aquele objeto era realmente seu, chegou a conhecer muita gente. Celty e Shinra, e pelo que parecia, Shizuo, se lembravam dela e a tratavam bem. E quanto às outras? Será que eram todos seus amigos? E será que sentiam sua falta? Pensar nisso fez seu coração se aquecer calidamente, mas também sentir um pouco de tristeza. Havia deixado muitas coisas para trás, então. Mas para ela, ter raízes e criar sua própria história eram uma fantasia distante e inalcançável.
Saiu da agenda e foi para as mensagens. Também eram várias, mas a grande maioria, ou vinham do Izaya, ou eram para ele. Pegou uma aleatória e abriu.
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Mensagem
De: Izaya-sama ♥
Para: Mai-chan
Assunto: ~
Sei como gosta de usar minhas roupas como pijama, mas estou precisando justamente desta que está usando.
Por favor, retire-a antes que eu saia do banho, senão, eu mesmo o farei.
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— O-o que?!
Que tipo de situação era aquela? Ao tentar imaginá-la, Izaya desabotoando botão por botão de sua roupa, sentiu seu rosto corar. O que aquilo significava?
Ela balançou a cabeça, constrangida. Era melhor passar para outra.
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Mensagem
De: Mai
Para: Izaya
Assunto: —
Ao por do sol de manhã, me espere naquela praça em que nos encontramos naquele dia de chuva semana passada.
Por favor... Apareça.
Eu te amo.
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Ela parou, lendo novamente aquelas três palavras.
— Amor?
Seus olhos saíram do aparelho e focaram-se no céu azulado. Todos aqueles sentimentos que feriam seu coração e gritavam pelo rapaz eram de amor? Não, não podia ser... Quer dizer, estava com Izaya há apenas um mês e meio, não havia como ter um sentimento assim por ele. Entretanto, quando se lembrava do que aconteceu no dia anterior, de suas palavras, seus braços em volta de seu corpo e até o beijo que deram, sentia seu coração bater mais forte. Será que os sentimentos do seu “outro eu” estavam se misturando aos seus atuais, como se estivessem voltando? E o que a fez, no passado, ter algo tão forte assim pelo mais velho?
E, pensando agora, tudo que o rapaz fazia e dizia a ela faziam sentido. Não eram provocações, ele não estava brincando com Mai.
Izaya queria que ela o amasse.
Sentiu um arrepio correr pelo seu corpo. Se ele queria isso, estava conseguindo. Mai tinha dificuldade de entender algumas concepções humanas e desconhecia muitas delas. Mas o amor era uma das poucas que estava gravada em seu ser. Era algo intenso e profundo, que conseguia tocar de forma única o coração das pessoas, quase o dominando. E chegar ao ponto de influenciar a própria mente.
Era um sentimento forte.
O que faria quando ele conseguisse tomar seu coração dessa forma? Confessaria a ele? Mas e depois, o que aconteceria? E quanto ao próprio informante?
E pensar que tentar responder a essas perguntas, e ter medo das respostas, nem era o começo de seus problemas reais.
Ela suspirou, olhando novamente para a tela do celular.
— Oh, uma mensagem de amor? — ouviu a sua esquerda.
Pulando de susto, virou-se para onde vinha a voz. Mairu, como se estivesse lá há muito tempo, estava sentada ao seu lado no banco, e do outro, Kururi.
— Q-quando chegaram aqui?! — fechou o celular com pressa.
— Hm, tem dois minutos. — deu de ombros. — Estava tão distraída que nem nos viu chegando. Será que estava pensando no Iza-nii? ~
Ela riu quando a de olhos azuis engasgou com o comentário.
— Ah, Mai-nee, o encontro foi tão bom assim? — perguntou de forma maliciosa, agarrando-se ao seu braço. — Vamos, nós te ajudamos com a roupa, merecemos saber!
Nervosa, Mai sentou se afastar dela, mas Kururi a segurava do outro lado. As duas a olharam com expectativa. Por fim, ela cedeu.
— Nós saímos... Comemos, conversamos e viemos para esse parque. Depois fomos embora.
— Só isso?! — a de óculos soou completamente decepcionada. — Nem um beijinho?
— É melhor eu ir. — falou, soltando-se das duas e se levantando.
Infelizmente a gêmea mais nova soube interpretar muito bem aquele gesto.
— Aah, você se beijaram ~~ — concluiu com deleite, seguindo-a. — E como foi beijar o Iza-nii? Eu, como irmã dele, imagino que seja algo nojento, mas penso que para você deve ter sido uma experiência incrível. Foi seu primeiro beijo? Será que isso significa que estão prontos para dar o próximo passo?
Constrangida, Mai saiu do playground, sendo seguida por Mairu que tagarelava coisas embaraçosas e outras que não entendia, enquanto Kururi andava ao seu lado em silêncio. Essa, ao olhar para sua mão, segurou seu braço com delicadeza.
— Celular... — sussurrou.
— Foi o Izaya quem me deu. — respondeu, parando de andar para mostrar-lhe o aparelho.
— Oh, um celular! — exclamou a de tranças. — Vamos trocar nossos números.
Sem espera uma confirmação, ela pegou o objeto e tirou o seu próprio da pasta. Apertou algumas teclas em ambos e depois devolveu.
— Pronto ~
Mai verificou sua agenda, achando dois novos contatos.
Mairu-sama
Neko-Kururi
Ela revirou os olhos.
— Ei, Mai-nee, o que acha de ir ao cinema com a gente? — Mairu convidou.
A colegial olhou para as duas. Até pensou aceitar o convite, mas desistiu da ideia.
— Sinto muito. — declinou. — Há algo que preciso fazer no momento.
— Algo? — a mais nova a olhou curiosa. — Quer nossa ajuda?
— Não... Preciso fazer isso sozinha. — lamentou-se. — Até mais tarde.
Acenando, deixou as gêmeas para trás.
Como era distraída, havia se esquecido de sua busca! Bem, já que não tinha nada para fazer, era melhor começar logo. E tinha que fazer isso sozinha. Mas quando pensou nisso, um sentimento de autocensura lhe corroeu. O que estava fazendo era errado, sabia. Tinha plena consciência que não era isso que tinha que fazer, porém... Odiava ficar parada esperando por algo que nunca parecia chegar.
Sempre sozinha.
Depois de ter designado à Celty mais uma entrega, Izaya resolveu dar uma volta pela cidade para observar seus tão amados humanos. E seu passeio foi satisfatório; viu gangues de motoqueiros, os Quadrados Azuis, alguns Cachecóis Amarelos e até membros da Yakuza. Chegou a conversar com alguns – recolher e espalhar informações –, e quando se deu por satisfeito, resolveu descanar e um dos bancos da praça central.
O sol começava a dar indícios de querer desaparecer, quando pôs os pés no local e viu Mai sentada na fonte. Abriu um meio sorriso, enquanto se aproximava silenciosamente. Ao chegar mais perto, notou que seu semblante era desanimado.
— Muito entediada? — perguntou, parando ao lado dela.
A colegial deu um pulinho no lugar e o olhou.
— De onde você veio?
— Ora, da rua. — deu de ombros. — E você, o que faz aqui?
Ela abaixou os olhos para o chão, deixando os ombros caírem lentamente.
— Esperando. — murmurou.
— Por alguém em especial? — ela riu, mas com uma pontada de desconfiança na voz.
Suspirando, ela se levantou, tirando a poeira da saia.
— Por ninguém — respondeu. — Você já está voltando para o escritório?
Irritado com o estranho desanimo da garota, perguntou sem muita paciência:
— O que aconteceu com você?
— Nada... — ela se esquivou de seus olhos. — Eu já estou indo.
Mai deu alguns passos, mas Izaya a segurou.
— Já que não tem nada para fazer, venha comigo. — ordenou com um sorriso autoritário. — Quero passar em um lugar.
A menor sentiu vontade de protestar, pois realmente não estava animada, mas ao mesmo tempo queria ficar perto de Izaya. Deixou que ele a levasse para sabe-se lá onde.
— O que exatamente você pretende, Izaya? — a jovem indagou, enquanto subia junto do rapaz por uma escada de incêndio de um prédio velho, mas alto.
Depois de muitos degraus, chegaram ao topo. O moreno ultrapassou a grade que circulava a cobertura, ajudando Mai a fazer o mesmo.
Era um grande espaço aberto, com apenas uma pequena porta para descer para os andares inferiores.
A mais nova andou até a parte frontal, surpresa com a visão de toda Ikebukuro.
— Nossa... — sussurrou.
O rapaz parou ao seu lado.
— Prédios altos realmente me atraem. — comentou. — E dão uma belíssima sensação de superioridade.
Entretanto, ela mal prestou atenção em suas palavras. Seus olhos corriam pelos edifícios iluminados, as belas praças e as frondosas árvores de cerejeira. Sem falar no magnifico por do sol.
— Ikebukuro é tão bonita. — elogiou com encanto.
Izaya olhou para as brilhantes íris azuladas da garota, agora sem nenhum traço de desanimo, dando uma risada satisfeita.
— Ei, Izaya, por que as folhas das árvores estão caindo? — questionou.
— Por quê? Ora... — começou em um tom que demonstrava que era uma pergunta completamente banal, mas conteve-se ao se lembrar da curta experiência de vida que ela tinha. Soltando um suspiro, começou: — As folhas estão caindo porque o verão acabou e o outono está começando. O ano é dividido em quatro estações e essa é uma delas. — ao perceber total atenção de Mai em si, prosseguiu — Primeiro temos a primavera, que é quando a cidade fica cheia de flores e árvores com folhas. Depois vem o verão, faz muito calor e chove bastante. Em seguida, começa o outono, as flores e folhas da primavera começam a cair até não sobrar nenhuma. Para então vir o inverno, que é quando faz frio e neva, até tudo ficar branco. E assim sucessivamente, ano após ano.
Ao terminar sua explicação, sentindo-se levemente bobo, ele olhou para Mai, que o encarava maravilhada.
— Que incrível! — exclamou. — E isso tudo acontece em apenas um ano... Deve ser algo realmente bonito. Ah, mal posso esperar para poder ver todas as estações do ano aqui ~
Izaya sorriu, como se estivesse vendo um filhotinho fazer algo engraçado e fofo.
— Você se contenta com tão pouco. — observou, recostando-se à grade, deixando seu olhar se perder no sol que pouco a pouco sumia no horizonte. Um cálido vento frio batia em seu rosto, bagunçando seu cabelo. — Sorri por qualquer coisa, se anima com qualquer coisa. Isso é perigoso, sabia? Pois você corre o sério risco de se envolver com a pessoa errada sem saber.
Ele virou-se para Mai e seus olhares se encontraram. Nos olhos dele, ela viu uma malícia obscura e egoísmo, mas no fundo transmitia um aviso. Como se aquela fosse sua última chance de fugir. Já nos dela, Izaya viu pureza e fragilidade. Uma inocência que ele sentia-se tentado a corromper. Porém também viu carinho e compreensão.
Até tentou sentir pena dela, ou culpa pelo que estava fazendo, mas não conseguiu. Dando de ombros, deixou seu olhar voltar a fitar a cidade.
Não havia mais volta.
— ... Acho que não tem problema eu ser assim. — ela falou, depois de um longo e incomodo silêncio. — Pelo que eu aprendi, toda flor vem de uma semente pequenininha. Imagino que aconteça o mesmo com os sentimentos que temos pelas outras pessoas, como carinho, afeto e amor. Eles vêm de coisas pequenas, que às vezes a gente nem nota, mas que vão crescendo calidamente até virarem algo belo. Penso que ser tocado no coração dessa forma deve ser algo muito bonito e sincero.
O informante riu com descrença. Mai o observou, mas ele continuava com os olhos na cidade. Ela sentiu seu coração bater mais forte. Havia mais coisas que queria dizer, mas precisava munir-se de coragem.
— P-pra mim... Você é como a primavera. — sua voz saiu trêmula. — Eu sempre me senti como o outono, com o coração frio e solitário. Sem bons momentos guardados nele que me fizessem sorrir. Mas depois que te conheci, senti como se várias flores coloridas tivessem crescido no meu peito, trazendo alegria e carinho. — ela calou-se por um segundo. — Eu estou feliz por estar com você. E...
Mai parou de falar quando Izaya saiu de sua posição e ficou de frente para ela. Em seus lábios havia um sorriso astuto.
— E o que esses sentimentos por mim significam pra você? — perguntou.
Ela tentou dizer algo, mas as palavras se atropelaram antes mesmo de saírem. Seu peito doía de tão forte que seu coração estava batendo e seu rosto estava quente.
Dando de ombros condescendente, ele riu de leve, indo embora dali. Surpresa, a menor demorou um pouco para começar a segui-lo.
Ele já havia colocado o primeiro pé no chão acinzentado, quando ela gritou:
— Izaya, espera!
O rapaz virou-se, enquanto a mais nova descia apressada, parando no último degrau da escada, ainda sem conseguir ficar na sua altura.
— Achou que eu ia te deixar para trás por que não me respondeu? — desafiou em tom zombeteiro. Não recebendo uma resposta, continuou: — Ahn? O que foi? Muito complicado lidar com os próprios sentimentos?
Triste pela forma desastrosa que a conversa terminara, e não querendo deixar suas palavras de carinhos se perderem, Mai o puxou pelo sobretudo e se colocou nas pontas dos pés, fazendo com que seus lábios se encontrassem. Ela tentou repetir os movimentos que o mais velho fizera da última vez, no entanto, ele não correspondeu, apenas sorriu em meio ao superficial contato.
Ele estava brincando com ela.
— Vai ter que se esforçar um pouco mais. — sussurrou.
Aquelas palavras a deixaram nervosa e constrangida. Todavia, não queria desistir. Havia tomado coragem para se aproximar de Izaya de forma tão intima, precisava continuar. Queria demonstrar seus sentimentos através daquele ato.
— Eu não estou com medo. — ela também falou no mesmo tom.
Mai enlaçou o pescoço do mais velho com seus braços, fazendo seu corpo se encostar ao dele e voltou a juntar seus lábios com mais forças, inclinando de leve a cabeça para o lado e fechando dos olhos.
Dessa vez ele correspondeu.
Satisfeito, Izaya a abraçou, ajudando-a a aprofundar o beijo. Ela ainda era inexperiente, e ele precisava guiá-la, mas isso não era um problema. Gostava disso, mas, principalmente, adorava o fato de que havia sido Mai a correr até ele e tentar beijá-lo. Era a garota quem estava desejando tocá-lo para transmitir seus sentimentos. Sem falar na sensação física que aquilo trazia; ter o corpo dela contra o seu, seus lábios se movimentando juntos... Era algo realmente bom.
Quando começaram a sentir falta de ar, ambos se separaram, tentando estabilizar suas respirações.
O rosto da mais nova estava vermelho e ela tocava seus próprios lábios com as pontas dos dedos, surpresa com as atitudes que havia tomado. Até que fez algo que surpreendeu o rapaz.
Desceu até o chão e o abraçou.
— Não quero mais voltar para o orfanato, quero ficar com você. — confessou.
Depois de recuperar do pequeno susto, ele apenas sorriu e acariciou seu cabelo negro.
— É mais do que um prazer ter você comigo, Mai. — assegurou.
A caminhada de volta ao escritório foi silenciosa. Andavam lado a lado e, estranhamente, sentiam vontade de dizer algo um para o outro, mas nenhum se pronunciou durante o percurso.
— Eu já vou subir. — ela avisou assim que chegaram.
Recebendo um aceno e um sorriso torto por parte do outro como resposta, a garota subiu para o andar de cima. Ao entrar em seu quarto, vou Kuro deitado na cama. Cumprimentou-o, acariciando sua cabeça e barriga. Em seguida, caminhou para o banheiro e tomou banho, usando como pijama uma longa blusa branca de botões que achara dias antes no “seu” armário.
Por curiosidade, pegou seu celular guardado em sua pasta, notando que esse piscava, indicando que havia recebido uma mensagem.
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Mensagem
De: Mairu-sama
Para: Mai-nee ~
Assunto: Chat
Olááá ~
Tenho algo para você que imagino que vá gostar. É chamado de chat, é um lugar online onde você pode conversar com outras pessoas todos os dias. É muito divertido! Clique nesse link e se cadastre. Mas, antes, precisa entender quatro coisas:
Primeiro, não use ou revele seu verdadeira nome por lá. Segundo, não diga que fui eu quem te mostrou esse link. Terceiro, não fale para o Iza-nii sobre isso. Ele é um chato e vai mandá-la não participar mais. E, por último, digite “-san” depois do nome das pessoas.
Ah, por sinal, lá eu sou a Mai (desculpe, não te conhecia antes de cadastrar) e a Kuru-nee é a Kyo.
Espero que se divirta ~
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Interessada com aquilo, Mai clicou no link enviado, recebendo pelo celular um pequeno formulário para preencher. E a primeira coisa que pedia era um nome de usuário. Em dúvida sobre o que deveria colocar, olhou em volta, quando parou sem eu próprio reflexo no vidro da janela.
Já que não era tão tarde assim, Izaya aproveitou para fazer algumas pesquisas na internet e conversar no chat.
(Kanra-san): É verdade o que estou dizendo.
(Kanra-san): Soube por terceiros que estão dando um prémio de 10.000.000 yens para quem conseguir capturar a Motoqueira Negra.
(Setton-san): Isso é loucura!
(Tanaka Tarou-san): Bem, ultimamente muita gente anda interessada nela.
(Tanaka Tarou-san): Acho que já era de se esperar...
(Setton-san): ...
(Tanaka Tarou-san): Não que eu concorde com isso!
(Bakyura-san): Como sempre, Kanra-san fofocando sobre Ikebukuro.
(Kanra-san): Hm, será que ficaram interessados no dinheiro?
— Novo membro no chat: Aoi-san —
(Tanaka Tarou-san): ?
(Kanra-san): Alguém aqui convidou uma pessoa nova para o chat?
(Aoi-san): Olá.
(Setton-san): Seja bem vindo.
Izaya franziu o cenho para a tela do computador, encarando o novo membro de coloração roxa com o nome Aoi.
(Kanra-san): Que maravilha, mais uma pessoa para o nosso chat!
(Kanra-san): Mas, por curiosidade, onde achou o link desse chat, Aoi-san?
(Aoi-san): Um amigo falou sobre esse chat comigo.
(Aoi-san): Achei que seria interessante participar.
(Kanra-san): Curioso...
(Bakyura-san): Pare de intimidar o novato, Kanra-san!
(Bakyura-san): Ela é uma pessoa terrível, Aoi-san, mas logo você acostuma.
(Bakyura-san): De qualquer forma, seja bem vindo.
(Aoi-san): Muito obrigado.
(Aoi-san): Espero que a gente se dê bem.
(Setton-san): É claro!
(Aoi-san): Sobre o que vocês costumam conversar aqui?
(Tanaka Tarou-san): Acho que depende de quem está online.
(Kanra-san): No geral, falamos sobre quase tudo que envolve Ikebukuro.
(Kanra-san): Você mora lá, Aoi-san?
(Aoi-san): Mais ou menos... Estou há pouco tempo na cidade.
(Setton-san): É um excelente distrito.
(Setton-san): Mesmo que às vezes seja meio caótico.
(Kanra-san): Se precisar de algum tipo de conselho sobre como viver lá, pode me perguntar ~
(Aoi-san): Obrigado.
(Aoi-san): Mas, bem, preciso ir.
(Aoi-san): Entrei apenas para saber como é.
(Kanra-san): Certo, boa noite.
(Bakyura-san): Noite.
(Tanaka Tarou-san): Boa noite.
(Setton-san): Até ~
— — Aoi-san saiu do chat — —
Mai fechou o celular e deu um suspiro. Não estava feliz por ter mentido tanto, mas se Mairu havia falado que não era para revelar sua verdadeira identidade, era melhor escondê-la direito. Fora que havia sido um pouco assustador conversar em tempo real com várias pessoas que não conhecia ou podia ver. Mas até que tinha sido um pouco legal. Talvez entrasse no dia seguinte.
Curioso acerca do novo membro, Izaya tentou tirar dos outros usuários informações sobre ele. Infelizmente não parecia ter sido algum deles a convidá-lo para o chat. Bem, ainda havia mais três membros para perguntar e poderia interrogar, de forma indireta, o próprio “Aoi”.
Despedindo-se dos outros, desconectou-se e desligou o computador. Em seguida, subiu para o segundo andar e adentrou em seu quarto. Tirou suas roupas casuais e as trocou por uma calça de moletom preta.
— I-Izaya... — ele ouviu.
O rapaz se virou para a porta, vendo Mai parada lá com o rosto corado.
— Quer dormir aqui comigo? Sinta-se a vontade. — sentou-se na cama, batendo a mão sobre o colchão com um sorriso convidativo.
— Não foi pra isso que eu vim aqui... — esclareceu, tentando não olhar para o tronco nu do rapaz. — Poderia vestir algo?
Revirando os olhos, ele pegou sua blusa cinza jogada em cima da cama e a vestiu.
— Você é muito sem graça, Mai-chan.
Suspirando aliviada, ela finalmente o encarou.
— Eu só vim aqui lhe desejar boa noite e dizer obrigada. — ela tentou sorrir.
— Agradecer pelo que?
— Aquela hora em que você me encontrou no praça, eu estava me sentindo muito triste e desanimada. — confessou. — Mas depois que você me levou para ver a cidade e o por do sol, eu me senti muito feliz e acabei me esquecendo do que me incomodava. — ela riu sem graça. — Eu disse que queria te ajudar e me aproximar de você, mas é o contrário que está acontecendo. É você quem está sendo bom para mim.
Ela parou, um pouco envergonhada.
— Para mim você é uma pessoa incrível, Izaya. Por isso, quando se sentir triste ou sozinho, me diga, pois quero fazer o mesmo por você.
Quando Mai terminou de falar, Izaya se levantou da cama e caminhou até ela. A garota deu um passo para trás, mas ele a alcançou mesmo assim.
— E-eu disse algo de errado? — perguntou receosa.
— Não, pelo contrário.
O informante tocou os fios negros da menor, passando seus dedos entre eles. Seus olhos vermelhos pousaram nos dela, fitando-a com profundidade.
— Não se preocupe, mesmo que você ache que se parece com o outono, para mim você também é como a primavera, linda e florida. Enquanto eu estou mais para o inverno.
O súbito elogio pegou ambos de surpresa. Mai arregalou os olhos, enquanto Izaya colocou a mão sobre a boca, condenando suas palavras.
— Bem — ele olhou para o lado. — É melhor você ir dormir.
— Obrigada... — ela disse baixo, saindo do quarto.
O rapaz fechou a porta, assim que ela entrou no para o dela, amaldiçoando a si mesmo. Mai e sua maldita habilidade de conseguir facilmente mexer com seus sentimentos. Como era difícil se segurar perto dela! Odiava ter que fazer isso. Mas precisava, ao menos enquanto ela ainda não estivesse totalmente presa a ele. Entretanto, isso era apenas questão de tempo. Quando o momento chegasse, não precisaria mais se torturar daquela forma. Não fisicamente.
Memory Fifteen Finalized
Notas finais
Ai, gente, queria dizer que estou muuito feliz. Ganhei duas leitoras novas em Miracle/Memores ♥ ♥
Gostaria de dar boas vindas a YukiDatenshi e BirdTarer! Sejam bem vindas!!
E agradecer a recomendação que recebei da YukiDatenshi, que me deixou mais feliz ainda. Muito obrigada mesmo!
E é claro, tenho que agradecer o apoio que recebo de todos você leitores. Obrigada por tudo.
Sobre o chat, desde Miracle eu queria ter colocado ele nas história, mas nunca consegui espaço. Mas agora achei uma excelente função para ele na história, haha.
Espero que tenham gostado desse capítulo!!
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