Memories
13 Mamory Twelve
Notas iniciais
Eu queria ter postado ontem, mas enquanto digitava (já quase no final), o Word simplesmente fechou sem salvar o arquivo. Muito triste.
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Bem, no geral, boa leitura ;D
Memory Twelve
Mai observou seu próprio reflexo na água da fonte, ajeitando alguns de seus fios negros atrás da orelha. Olhou para os lados, procurando o informante, mas não o viu. Apertou a alça de sua pasta e soltou um suspiro de nervosismo. Por que ele não chegava logo? Desse jeito a espera ia mata-la...
Sentiu na beirada da fonte e tentou se acalmar, abaixando a cabeça.
Alguns metros dali, caminhando com tranquilidade, Izaya se aproximava do local marcado. Ele estava com as mãos no bolso do sobretudo e observava a figura de Mai adiante.
— Bom dia, Mai-chan ~ — cumprimentou ao se aproximar.
Ela ergueu a cabeça com surpresa e depois ficou de pé.
— Você veio — falou com um grande tom de alivio e felicidade.
— Eu costumo cumprir com minha palavra. — comentou, observando-a dos pés a cabeça, apreciando a figura da garota vestida de uniforme de marinheira.
Era um conjunto negro de blusa de mangas longas e saia de pregas. Sustentando a gola em “v”, havia um lenço da cor vinho e mais alguns pequenos detalhes da mesma cor. E para completar, ela usava meias negras cobrindo toda a extensão das pernas. Muito bom.
— Bom, qual é o nome da sua escola? — quis saber.
— Colégio Kodama.
No fundo, Izaya queria que ela tivesse se matriculado no Raira, pois foi lá que a colocara da última vez e também onde ele próprio se formou. Porém, pensando com mais clareza, foi realmente melhor ela não ter escolhido lá. Poderia correr o risco de encontrar velhos conhecidos e sabia que Sonohara Anri teria muito o que falar dele.
— Hm, vejamos... — parou para pensar. — Não é aquele que fico próximo à divisa entre Ikebukuro e Shinjuku?
— Isso mesmo.
— Então por que me fez vir até aqui ao invés de me pedir para esperar lá por perto?
— Não faria sentido te pedir isso, se eu queria a sua companhia durante o trajeto. — argumentou com simplicidade. — Vamos.
Ela passou ao lado dele, puxando-o pelo pano do casaco para que a acompanhasse.
— Eu sei a direção, não precisa me arrastar. — ele tirou a mão da garota de si, mas ao segurá-la, ela logo se recolheu.
A caminhada se iniciou silenciosa, porém Mai sempre erguia os olhos para o rapaz. E quando ele notou, pronunciou-se:
— Vamos, pergunte logo o que quer.
— Onde você estudou?
— Na Academia Raira, mas na minha época chamava Colégio Raijin. — contou.
— Raira... Eu quase escolhi esse lugar, mas acabei mudando no último instante. — comentou.
— Fez bem.
— E como foram os anos que passou lá? — ela perguntou.
— Terrivelmente desagradáveis. — falou sem pensar. Era verdade que foi uma época em que desenvolveu ainda mais suas habilidades de observação e dedução, porém em contra partida, foram tempos um tanto irritantes. Não era tão temido quanto agora, por isso muitos de seus colegas cometiam o terrível erro de tratá-lo como no mesmo nível. Fora que foi quando conheceu Shizuo.
— Foi tão ruim assim? — devia ter feito um careta muito ruim, pois o tom da garota mudou para preocupado.
— Adolescentes, Mai. São seres bem problemáticos.
— Que dizer que você não tinha amigos?
— O que?
De onde ela tinha tirado tal conclusão, Izaya não sabia.
— O conceito e utilidade do termo “amigo” é pouco prático para alguém como eu. Digamos que eu tinha pessoas com quem gastar meu tempo ocioso.
Mai ponderou sobre a definição por alguns segundos.
— E como eram essas pessoas? — continuou.
— Duas. — deu de ombros. — E uma delas você conhece, Shinra. E a outra se chama Kyouhei Kadota. Um dia, talvez, eu o apresento a você.
Não via problemas nela conhecê-lo. Não era do feitio dele intrometer-se em assuntos de caráter tão pessoal.
— E vocês ainda não...? — ela tentou sem sucesso arranjar uma palavra para defini-los.
— Pode dizer amigos. — afirmou com pouco caso. — É, pode se dizer que sim.
— Mas se tinha amigos, por que diz que foram tempos ruins? — insistiu. — Por acaso havia alguém que o perturbava? — ela pensou um pouco. — Tem alguma relação com aquele homem loiro?
Às vezes a capacidade de dedução de Mai ao seu respeito o impressionava. Todavia, não mudava o fato de que a conversa estava rumando para um caminho um tanto desagradável. Detestava falar sobre aquele protozoário. E detestava mais ainda falar sobre ele para Mai.
— Heiwajima Shizuo — foi seco. — Foi quando o conheci. É aquele homem que me perseguiu quando saímos juntos. Nos vimos pela primeira vez no colegial, e por algum motivo, ele decidiu que me odiaria eternamente. Sempre me caçando e tentando me matar. — olhou para a colegial. — Ele é um terrível monstro, não se aproxime dele.
Ela o encarou, notando o quanto seu tom ao se referir ao rapaz loiro era carregado de ódio.
— E você também o odeia. — constou.
— É claro. Como eu disse: ele é um monstro. Aquela força sobre-humana e sua imprevisibilidade... Não dá pra comparar ele a um ser humano. Por isso eu o odeio.
— ... Que cruel, Izaya. — sussurrou.
Se abstendo de fazer mais perguntas, Mai ficou em silencio até chegarem ao destino que desejavam. Os dois pararam em frente ao portão, um virado para o outro.
— Você vai estar aqui quando eu sair? — ele quis confirmar.
— Abrirei uma exceção na minha ocupada agenda e darei a você esse privilégio. — respondeu com ar altivo.
A garota riu.
— Obrigada.
Caminhando alegremente, ela se afastou, adentrando em sua nova escola. Izaya ficou parado ali observando-a. Soltou uma risada de satisfação ao concluir que Mai estava mais feliz por ter sua companhia do que propriamente ir para a escola. Era apenas uma impressão, na realidade, porém tinha plena confiança em seu senso de dedução, o que colocava até uma mínima suspeita em patamar de verdade.
Bom, Agora que não tinha mais seu turno da manhã ocupado, poderia gastá-lo integralmente com sua maior diversão: manipular pessoas.
As brigas com as gangues já estavam engajadas de tal forma que nem precisava atiçar a fúria dos lados — salvo alguns comentários bem colocados na sala de chat. Talvez já fosse hora de brincar um pouco com Celty. Tinha um bom tempo que não lhe dava atenção, a vida de Dullahan devia estar bem chata.
— Talvez alguns grupos do submundo estejam interessados nela. — ponderou. — Mas as coisas só irão ficar realmente interessantes quando a mídia entrar em cena...
Rindo e com um olhar confiante, Izaya seguiu pelas ruas de Shinjuku.
Mai não tinha uma base para dizer se aquele estava sendo um bom dia de aula ou não. Mediano? Não sabia definir.
Quando chegou à sala, o professor logo pediu que se apresentasse. Lembrando-se dos concelhos dos assistentes do orfanato, tentou se mostrar realmente animada. Algumas garotas riram, mas não se importou. Quando chegou o intervalo, vários alunos reuniram-se em sua mesa, bombardeando-a com uma série de perguntas. Muitas Mai não conseguia responder, já outras preferia não dar uma resposta, com medo de revelar demais sobre si. E quando notaram o quanto ela estava fechada, seus colegas se afastaram, alguns a olhando de forma estranha e desconfiada. Também tinha a ligeira impressão que seu comportamento acentuava essa reação por parte do resto da turma. As pessoas pareciam não gostar de serem chamadas pelo primeiro nome.
Isso Mai achava estranho.
Entretanto, ela tentou não se preocupar com isso. Talvez fosse ela a desavisada e com falta de experiência. Acreditava que com o tempo as coisas melhorariam. E quando o último sinal ecoou pelo colégio, suas preocupações logo fora jogadas para longe. Afinal, sua felicidade naquele momento estava em encontrar com Izaya na saída.
Ela levantou-se, pegou sua pasta e saiu. Ao chegar ao armário de sapatos, trocou as macias sapatilhas por suas botas — outra coisa que não fazia o menor sentido para ela — e saiu. Ao passar pelos portões de ferro olhou de um lado para o outro, não vendo o informante. Uma onda desânimo a atingiu, fazendo seus ombros caírem. Onde estava Izaya?
Talvez... Talvez estivesse apenas atrasado, tentou se convencer. Afinal, pelo que ele havia lhe falado, seu trabalho era inconstante, demandando uma coisa diferente a cada dia. Provavelmente havia surgido algo inesperado e de última hora para resolver.
Ele havia prometido, era só esperar.
Afastou-se um pouco da entrada e sentou no meio fio, observando os alunos deixarem a escola.
Os minutos foram passando, talvez uma hora inteira e mais outra, não sabia definir ao certo. Estava entediada e desanimada, mas não queria sair dali.
— E não é que você me esperou por uma hora inteira? — ela ouviu.
Mai sobressaltou no lugar e olhou para cima, visualizando a figura de Izaya em pé diante de si com um sorriso presunçoso nos lábios.
— Realmente estou impressionado, assim vou achar que realmente aprecia minha companhia. É verdade, Mai-chan? ~ — riu. — Apesar de achar que teria sido inteligente de sua parte usar o celular.
— O-o que? — ela se colocou de pé, confusa.
— Ah, mas foi muito fofo ver a decepção em seus olhos quando percebeu que eu não estava aqui te esperando ~
Finalmente entendendo a situação, a colegial sentiu seu rosto esquentar de raiva e embaraço.
— Você estava aqui o tempo todo?! — exclamou. — Por que não me chamou?
— Ora, estava apenas fazendo um teste com você. — argumentou como se não fosse nada. — Queria saber quanto tempo você estaria disposta a me esperar, mas acabei me cansando e agora cá estou eu ~ O lado bom é que obtive resultados mais do que satisfatórios.
Sem conseguir respondê-lo, a menor lhe deu as costas, afastando-se dali irritada. Esse tempo todo, enquanto ela repetia para si mesma que deveria confiar em Izaya... E ele estava ali, testando-a como se fosse um experimento qualquer.
— Não fique chateada, Mai-chan. — ele a seguiu, rindo de sua reação.
Ver que ela havia aguardava por tanto tempo era algo, no mínimo, gratificante. Não esperava por isso. Achava que assim que notasse que ele estava demorando, Mai seguiria direto para Ikebukuro sozinha. Muito, muito interessante... O único problema era que agora ela estava brava, mas isso ele resolvia.
— Mai — chamou, mas ela não reagiu.
Estalando a língua, ele a segurou pelo braço, puxando-a para perto de si. No entanto, ao sentir entrar em contato com ele, a garota o empurrou. Insatisfeito, Izaya a segurou de forma que Mai precisasse encará-lo. Quando seus olhares se encontraram, por um momento o moreno achou que ela iria chorar. Porém ela se segurou.
— O que foi? — sussurrou.
— Você ficou chateada? Era só uma brincadeira. — riu, dando de ombros.
— Você é o único que está se divertindo. — rebateu.
Suspirando com falsa benevolência, Izaya sorriu.
— Certo, certo, então irei lhe recompensar. Vou leva-la para comer algo e você me conta como foi seu dia. Em Ikebukuro.
Mas nem o nome do distrito pareceu surtir algum efeito. Suspirando, o informante soltou a garota, que deu um passo para trás e abaixou a cabeça.
— Acho que não tenho escolha, não é? — falou para si.
Ele encarou Mai e foi até ela, abaixando-se na altura de rosto. De leve levou os lábios a sua bochecha, deixando um beijo ali. A reação foi automática, a garota deu um pulo para trás com o rosto corado e a mão sobre o local beijado.
— Assim é melhor — concluiu. — Agora, vamos?
Sem esperar resposta, ele deu as costas para a menor e começou a andar. Parada no mesmo lugar, Mai o olhava com os olhos arregalados. O que foi aquilo? Engoliu seco, tentando empurrar a magoa para o fundo de seu coração e acalmar seus batimentos cardíacos disparados, para enfim segui-lo.
Seguindo a frente, Izaya cruzou o distrito até chegar à Ikebukuro, partindo em direção ao Rússia Sushi. Logo atrás, a colegial não fez quaisquer comentários. Mas nãos e importava, ela o estava seguindo e já estava muito bom.
Ao se aproximarem do restaurante, avistou Simon entregando panfletos.
— Oh, Izaya! — ele acenou de onde estava. — E Mai também. Bom ver vocês dois.
— Olá, Simon-san — devolveu. — Têm salas privadas livres?
— É claro. — respondeu com ânimo. — É só entrar e pedir.
Acenando em agradecimento, o informante entrou. Mai ficou uns instantes do lado de fora, encarando aquele imenso homem com ar de dúvida. Ele a respondeu com um sorriso.
— Boa sorte, jovem — falou em sua língua de origem.
Ela não havia entendido, mas queria perguntar algo diferente.
— Por acaso... — tentou, mas Izaya a chamou de lá de dentro.
Suspirando, ela o deixou, adentrando também. O moreno estava em pé em um corredor mais ao fundo, cheia de cabines de cada lado. Os dois seguiram para uma que estava vazia e assentaram na mesa baixa.
— Tem algo em mente, ou prefere que eu peça por você? — sugeriu, pegando o cardápio.
— Pode escolher por mim.
— Muito bem — abaixou o papel, encarando-a. — Como foi seu primeiro dia de aula?
Ela tentou se concentrar, mas era difícil esquecer o que aconteceu nos portões da escola.
— Foi... bom. — disse.
Izaya ficou analisando-a, à espera de mais, porém ela não se estendeu nos relatos. E como para ele pouco importava, não insistiu.
— Aquele homem... — comentou, não gostava de ser observada longamente pelo mais velho, era desconfortável. — Você o conhece?
— Ah, é o Simon-san — explicou. — É um russo que trabalha aqui. Muito forte, igual ao Shizu-chan, mas ao contrário dele, completamente inofensivo. Prefere separar brigas a causá-las. — não havia se esquecido do forte soco que levara, mas aquela era uma exceção.
— Vocês são amigos? — continuou.
— Hm, não realmente. Mas Simon-san parece gostar de se intrometer e filosofar sobre meu caráter. — seu olhar ficou um tanto maldoso e cruel. — Debaixo daquela pose de estrangeiro pacifista, há muito inteligência.
No mesmo segundo as portas de correr abriram, revelando o assunto da conversa. Mandando para Mai um olhar de: não falei?, Izaya ditou seus pedidos para o negro, que logo saiu da sala.
— Ele também me conhece? — retomou.
O informante parou um pouco para pensar. Pergunta difícil. Sabia de poucos momentos em que ela tivera algum contato direto com o russo. Apesar dele sempre demonstrar saber bem demais sobre o que ocorria entre Izaya e ela.
— Não muito — supôs. — Por quê? Ele te disse algo?
— Acho que sim, mas eu não entendi direito...
— Ele falou em russo, suponho. — murmurou.
— Você fala russo?
Ele a fitou. Novamente a conversa estava rumando para um lado que não era de seu interesse e muito menos trazia algum beneficio para atual situação deles. Para mudar de assunto, perguntou:
— Sabia que já esteve nesse lugar?
A indagação a pegou de surpresa. Mai olhou para os lados, observando a pequena sala.
— Escolhi exatamente a mesma cabine que usamos na primeira vez que comemos aqui. — acrescentou e depois sorriu com malicia. — Na ocasião, você até tentou flertar comigo ~
— O que?! — o rosto dela esquentou. — Mentira! Eu nem sei como se faz isso!
Izaya riu, foi a mesma coisa que ela havia dito no passado. Porém sua risada foi morrendo, até parar em um sorriso triste.
— Sabe, aquela foi a primeira vez que saímos juntos. Depois, mesmo morando no mesmo apartamento, passamos sempre a nos encontrar. Algumas vezes apenas para andarmos juntos sem rumo por Ikebukuro. Você sempre gostou de passear pelo distrito e eu... — ele parou, olhando para as próprias mãos em cima do tampo do kotatsu. — Bem, eu gostava de ter sua companhia.
Mai ficou parada, olhando para o rapaz. Inicialmente achou que os relatos que estava fazendo eram uma tentativa de fazê-la lembrar-se dele. No entanto, na medida em que ele ia falando, sentiu como se o próprio estivesse tentando lembrar a si mesmo daqueles tempos. E a todo instante Izaya parecia tão... Solitário.
Talvez, se realmente tivessem se conhecido anteriormente, era até plausível essa busca intensa por suas memorias perdidas. Era apenas solidão.
Ela queria dizer e fazer algo, mas era difícil. Caso cedesse, as coisas iriam se complicar ainda mais. Para ambos. Havia algo que ainda precisava fazer.
O rapaz voltou a levantar a cabeça, observando-a. Não havia mais solidão refletida naqueles olhos vermelhos, eles apenas a fitavam com intensidade. Às veze era desconfortável sustentar aquele olhar, deixava-a inquieta, mexia consigo. Desviando-se dele, ela encarou um canto qualquer da salinha.
Segundos depois, os pedidos chegaram e os dois se ocuparam com os sushis. Nem mesmo quando terminaram voltaram a se falar. Depois que Izaya pagou a conta, seguiram até a porta. Porém, no meio do caminho, a colegial percebeu que havia esquecido sua mochila. Apressada, ela voltou para dentro, enquanto o informante seguia para fora, encontrando Simon.
— Infelizmente Mai não sabe russo. — avisou com um sorriso falso. — Uma pena. O que disse para ela? Posso repassar o recado.
O negro ficou em silêncio, sorrindo e acenando para os clientes que saiam. Achando que não receberia uma resposta — e não tinha muito tempo para insistir —, deu as costas para ele.
— Só porque é a segunda vez, não significa que não vá cometer os mesmos erros. — falou para o informante. — É ainda mais difícil, já que corre o risco de cometer novos.
— Eu não sou estúpido. — olhou por cima do ombro. — Tenho tudo sob controle.
Mai surgiu na porta.
— Vamos? — perguntou.
— Vamos. — respondeu.
— Estamos indo para o escritório? — ela quis saber.
— Não, ainda não. Preciso fazer alguns serviços. Você me acompanha?
— Claro. — Mai tentou sorrir.
E foi assim que passou sua tarde, seguindo Izaya por toda Ikebukuro. Ela não entendia bem o que ele fazia, e muitas vezes ficava longe de onde estava “trabalhando”. Apenas conseguiu constar que boa parte de seu serviço consistia em conversar com homens e jovens, sempre se apresentando de forma confiante. Ou apenas ficar observando. E, uma vez ou outra, mexer no celular para mandar mensagens e fazer ligações.
A garota também queria gastar aquele tempo fazendo sua tão importante busca, porém o informante sempre a puxava para perto quando se afastava demais.
No geral, tirando a estranha ocasião em que uma menina de óculos e encarou longamente e fugiu quando tentou se aproximar, foi uma tarde bem tranquila. E quando finalmente voltaram ao escritório, Mai estava exausta.
— Você trabalha assim todo dia? — ela perguntou, sentando no sofá.
— Nem sempre. — deu de ombros. — Normalmente as pessoas que vêm até mim.
Ele tirou seu sobretudo, jogando-o em cima da bancada, e foi sentar ao lado dela.
— Gostou do passeio? — quis saber.
— Foi... Divertido.
— Quem bom. Assim não vai se importar em sair comigo de novo.
Aquele comentário a fez lembrar-se do que Izaya havia lhe falado no Sushi Bar e o que sentira com suas palavras. Mai respirou fundo, recordando-se também do beijo, e o encarou.
— Sabe, eu... Eu fiquei bem feliz de passar esse tempo com você, mesmo com o que aconteceu. Você é estranho e às vezes faz coisas ruins, mas mesmo assim eu me sinto bem em ficar perto de você, Izaya.
Ela tentou ao máximo não corar, mas era difícil. Principalmente devido à expressão de surpresa de Izaya. Só que não durou muito, pois ele logo sorriu com malicia.
— Por acaso quer ganhar outro beijo? — ofereceu.
Sentindo seu rosto em chamas, ela se pôs de pé.
— E-e-eu vou ali procurar o Kuro! — Improvisou, correndo para a escada e subindo para o andar de cima.
Ele sorriu de forma debochada, escutando uma das portas bater. Depois começou a rir alto. Ele levou a mão sobre os olhos, inclinando a cabeça para trás, sem parar de rir.
— Ah, Mai-chan — falou com deleite. — Você nem percebe, mas tem mais habilidade do que eu nesse nosso joguinho. — tirou a mão dos olhos, fitando o andar superior. — Porém, se continuar assim, não sei até quando vou conseguir ver isso apenas como um jogo. — sua voz tinha um tom perigoso. — Então é melhor estar preparada.
O sol, que já estava dando sinais de que ia deixar os céus, deu por definitivo seu lugar à brilhante Lua. Izaya, ainda no andar inferior, passou o resto do dia descansando ou conversando no chat. Havia se distraído tanto, que mal se lembrou de Mai trancada em um dos quartos. Estranhando, pois era normalmente nesse horário que ela dava sinais de que queria ir embora, subiu até lá.
A duas portas estavam fechadas, mas por lógica foi até o quarto dela. Porém a garota não se encontrava lá. Seguiu então para o seu e abriu a porta, achando-a deitada em sua cama completamente adormecida com Kuro ao seu lado enrolado em uma bola de pelos.
— É, acho que você estava cansada mesmo. — comentou.
Izaya sentou-se na beirada do colchão, observando o rosto tranquilo da menor. Vê-la deitada em sua cama trouxe um intenso sentimento de satisfação, tanto, que sorriu com malícia. Ele voltou a se levantar e pegou a mochila dela que estava caída aos pés da cama, tirando de lá seu celular.
— Não se preocupe, Mai-chan, farei a gentileza de avisar ao Akihiro-san que hoje você vai dormir aqui.
Depois de enviar a mensagem, olhou-a novamente.
— Acho que nós dois teremos uma boa noite de sono.
Memory Twelve Finalized
Notas finais
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Bom, gostaria apenas de dar boas vindas à Hanabi, quer muito lindamente fez uma conta no Nyah para comentar aqui.
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Sigam o exemplo dela, fantasminhas.
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Bem, não esqueçam de comentar bastante! Até o próximo capítulo.
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