Memorias de um verão passado
2 Capitulo 1 – Bons momentos não eternos
Notas iniciais
Memorias de um verão passado
Capitulo 1 – Bons momentos não eternos

Sentiu um ótimo calor espalhado por seu corpo. Havia duas mãos segurando-o confortavelmente contra alguma coisa maior que si, próximos, quentes. Gostava da sensação. Levemente atordoado com aquele calor e carinho, entreabriu suas orbes estranhamente vermelhas, observando o local ao seu âmbito. Estava nas costas do homem que tinha lhe oferecido abrigo. Yoshida Shouyou-sensei.
O calor que o mais velho compartilhava consigo era agradável. Acabou remexer-se no colo alheio, dando consciência ao homem de cabelos dourados que havia acabado por acordar. Lembrava-se que depois de certo tempo, em um caminho silencioso, onde somente o mais velho tinha se apresentado, recebendo um simples aceno de cabeça do albino, o último começara a ficar cansado, recebendo as costas do loiro como apoio. Mesmo desconfiado, depois de um tempo, acabara-se a render ao cansaço.
– Vejo que acordou. – o mais velho sorriu gentilmente. O albino olhou para baixo com certa curiosidade em seus olhinhos, corando levemente. O mais velho era agradavelmente gentil – Eu ainda não sei seu nome, pequeno. – depois de alguns segundos de quietude, a voz alheia novamente pronunciara-se, retirando a criança de seu transe, que olhava tudo a sua volta, a entrada de uma pequena aldeia, com curiosidade. Hesitou ao ouvir o outro. Pessoas gentis de mais poderiam ser perigosas.
– G-Ginto-ki. S-Sakata G-Gintoki. – por fim acabou por falar. Já estava confiando em certa parte no Yoshida, falar seu nome não poderia ser um agravante àquela situação. Quando terminou sua fala, sentiu sua garganta seca e cortante. Sua voz estava mais profunda e rouca do que um menino de sua deveria ter. Não tinha culpa se não a utilizava muito. Tossiu.
– Tudo bem, Gintoki-kun? – perguntou com a voz repleta de certa preocupação, acabou, em um ato inconsciente, franzindo os traços delicados de sua face. A voz do garoto era desgasta. Aquilo o preocupou. Crianças têm uma mania de falar com qualquer coisinha. Não era normal, nem saudável, uma que não tinha o habito de comunicar-se. Ao menos, entendia porque Gintoki não tinha falado nada até agora durante o caminho.
– S-Sim... – sussurrou, pigarreando. Achou que por agora, seria melhor deixar o albino sem falar mais até que chegassem ao destino pretendido e o menor acabasse por tomar um copo de água. Aquilo deveria alivia-lo.
– Bom... – Shouyou começou , tentando quebrar o silêncio, sem que o albino tivesse de falar muito. Talvez o silêncio estivesse deixando Gintoki constrangido, como ele estava. Todavia, o Sakata gostava de silêncio, até mais do que vozes de pessoas, mas, a do Yoshida não o incomodava, a voz afável do home era agradável – Estamos chegando, Gintoki-kun – sorriu mais uma vez.
Gintoki acenou com a cabeça, e ligou-se em um detalhe importante, o loiro não estava cansado de carrega-lo? Pela a posição do Sol, tinha dormido um pouco mais que uma hora e meia. Mas, também não queria sair do colo de Shouyou. Talvez, somente por agora, seria um pouco egoísta e continuaria por ali.
Acabou adormecendo novamente, enquanto observava uma mariposa mais a frente, suas mãozinhas estavam bem agarradas a Yukata masculino do mais velho, e seu rosto estava encostado confortavelmente sobre as costas largas. E enquanto as mãos grandes seguravam-no, sentia-se protegido e acolhido. E, depois de um bom tempo, sentia-se bem ao ser amparado por mãos adultas.
(...)
Shouyou chegou a sua escola. Era um lugar relativo grande, com cômodos espaçosos e aconchegantes, construídos de madeira cor mel. Esse lugar servia para abrigar crianças que perderam seus pais na guerra, agora sem os mesmos para ensinar-lhe alguma coisa, como estudos ou a arte da esgrima, o Yoshida os ensinava.
A maioria de seus alunos eram criados por parentes que tinham pouco tempo, pois o trabalho era pesado naqueles tempos de guerra, e sem escolhas, acabam por ter que deixa-los por lá. O bom era que Yoshida Shouyou era confiável em sua pequena vila, e tinha fama de ser um homem muito bom.
De seus alunos, somente dois não tinham pais. Haviam morrido durante a guerra, e agora estavam sendo criados pelo Sensei de cabelos dourados. Durante mais ou menos um ano e três meses, os garotos estavam sobre os cuidados do Yoshida. Os nomes eram: Takasugi Shinsuke e Katsura Kotarou.
Com passos silenciosos, e com Gintoki ainda nas costas, entrou na escola, indo para parte onde ficava os quartos, queria encontrar seus dois garotos, e se possível, falar-lhes sobre o Sakata e como o albino agora faria parte da dupla, formando-se um trio. Queria que o menor ficasse o mais incluso possível.
Parou em um quarto desocupado, abrindo-o, tentando fazer barulho o menos possível para deixar o albino sobre um futon, que nem se quer fazia menção de acordar. Sorriu para a figura do menor que repousava serenamente. Esticou uma de suas mãos para retirar os fios pratas que caíam sobre os olhos alheios, ajeitando os cabelos rebeldes e cacheados. Gintoki tinha uma aparência angelical por demasia para ser apelidado como um demônio.
Depois de acordar do transe que entrara, perdendo-se em pensamentos, levantara do chão e seguira rumo aos outros cômodos de sua casa, queria achar Shinsuke e Katsura. Queria avisar-lhes sobre o novo morador que residia na casa, antes que eles dessem de cara com a figura dormindo e acabassem por interpretar aquela situação de forma errada.
– Katsura, Shinsuke – sorriu ao encontrar os dois no quintal da área, treinando com uma katana de bambu alguns movimentos que tinha os ensinado essa manhã. Os dois pararam de treinar assim que ouviram seu Sensei chamando-os, largando as espadas no chão e correndo na direção do Yoshida, com sorrisos largos ou laterais em suas faces.
– Shouyou-sensei – Katsura abraçou as pernas do loiro enquanto exclamava o nome alheio. Ainda tinha sete anos, não passando de um pirralho, facilmente confundido com uma menina. O loiro sorriu para seu aluno, antes de chamar Shinsuke para um abraço também, que acabara não resistindo e envergonhadamente, abraçara o Yoshida. Soltaram-se depois de alguns segundos – Nee, Sensei, aprendi a fazer o movimento de hoje mais cedo – comentou feliz erguendo um punho alegremente no ar.
– Que bom Katsura – brincou com os cabelos longos do menino, preso em um rabo de cavalo, em um carinho – E você, Shinsuke? – perguntou e viu o menor virar a cabeça de lado, escondendo o rubor que passou por suas bochechas, o loiro não entendeu.
– Shin-chan não conseguiu. Ele caiu – Katsura respondeu pelo menino mais baixo, fazendo-o estalar a língua no seu da boca, virando ainda mais o rosto. Estava envergonhado. Ele tinha que aprender todos os movimentos de Yoshida, e ser possível, ser igual ao mais velho ao lutar. O loiro lutava perfeitamente em sua opinião.
– Tenho certeza que conseguirá, Shinsuke – Takasugi só distraíra-se por alguns segundos e quando olhara novamente, Shouyou estava em sua frente, agachado e passando a mão delicadamente por cima de seus cabelos curtos e cortados irregularmente em tom de um preto com sombras arroxeadas. Não pode deixar de sorrir, mesmo depois que a caricia cessou e o Yoshida voltou a erguer-se – Mudando de assunto, o Sensei trouxe uma nova criança – anunciou.
– Um novo aluno? – Katsura perguntou curioso, meio ansioso e meio nervoso. Gostava de pessoas diferentes ao seu redor, só tinha um pouco de medo e nervosismo ao aproximar-se delas, nunca sabia como fazer isso ao certo.
– Sim, ele é como vocês, perdeu os pais, e agora, vai morar com a gente – agachou-se na direção dos dois, e fez sinal para que os pequenos chegassem mais perto de si, e logo seu pedido foi concedido. Colocou suas mãos na cabeça de cada, bagunçando de leve os fios de cada um – Só peço para que seja gentil com ele. Ele é tímido e não fala muito – piscou com somente um olho em direção aos seus alunos, recebendo um aceno de cabeça de cada.
– Qual o nome dele? – Shinsuke perguntou, e Katsura acenou em concordância com curiosidade, vendo o professor levantar-se e ampliar o sorriso perante a curiosidade de seus alunos.
– Por que não perguntam a ele mesmo? Aproveitem enquanto o Sensei está fazendo o jantar, acordem-no e conheça-o melhor – sugeriu, vendo-os ficarem ansiosos – Ele está no terceiro quarto da direita – informou.
– Nós vamos, Sensei – Katsura gritou com animação mais aparente que a de Takasugi, que tentava disfarçar – E Shin-chan, aposto que chego lá primeiro que você – o de cabelos longo anunciara, correndo na frente do menor, enquanto ria.
– Hey! – Shinsuke gritou – Isso não vale! Você saiu primeiro – e sem perder mais tempo, correu no enlaço do outro.
Yoshida Shouyou observava tudo, feliz. Seus dois alunos eram uns amores, mesmo que uns mais tímidos que outros, algumas vezes. E enquanto observava essa harmonia, pedia:
“Que a guerra não chegue aqui. Espero que esses tempos de paz sejam eternos.”
E era por esse motivo, que Gintoki nunca acreditou em Kami. O seu Sensei, dali a uns bons anos, descobriu que tal pedido nunca fora ouço, junto aos seus alunos.
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