Memorias de um verão passado
3 Capitulo 2 – Amigos, futuros inimigos.
Notas iniciais
Memorias de um verão passado
Capitulo 2 – Amigos, futuros inimigos.

Correram em direção à ala direita do lugar. Katsura vez ou outra virava para trás para visualizar Shinsuke que corria a uns dois metros de distancias do Kotarou, podia ouvir o Takasugi reclamando sobre a injustiça de Katsura ter largado na frente – este último somente ria.
Quando pararam em frente a um quarto com as portas madeira fechadas, flexionara os joelhos e colocara as mãos sobre os mesmos, tentando recuperar o fôlego da corrida até a ali. A distancia era medianamente grande, no entanto cansativa para as duas crianças que tinham acabado de treinar.
– Como será o aluno novo? – Shinsuke que havia chegado ao lado do Kotarou poucos segundo antes do mesmo parar, perguntara após controlar a respiração que antes era descompassada. Certo nervosismo tomava conta do menor, mesmo que nem sobre tortura iria admitir aquilo. Katsura o olhou dando de ombros, tentando parecer o mais confiante possível.
– É só abrir a porta, e veremos. – colocou as mãozinhas gordinhas e pequenas sobre a porta de madeira pronta para empurra-la. Não tardou a fazer tal ação, deixando a mesma escorregar para o lado revelando o quarto cujo qual continha uma criança sobre um futon, o pequenino dormia agarrado a espada que antes deveria ser de seu Sensei.
O garoto de cabelos estranhamente branco com reflexos prateados em um permanente natural ressoava, sua face estava um pouco franzida deixando a hipótese de que talvez estivesse em um pesadelo. Os lábios rosados entreabertos e a barrigada subindo e descendo, em uma respiração levemente descompassada.
– Deveríamos acorda-lo? – indagou Takasugi enquanto observa seu novo colega de classe. Os olhos esverdeados do garoto de cabelos púrpuros chocaram-se com os olhos castanhos do outro menino de cabelos negritos e compridos. Encararam-se por alguns segundos sem saber o que fazer, antes do Kotarou suspirar, cansado.
– Acho que deveríamo-- — não pode terminar de falar porque no segundo seguinte uma espada estava perto de seu pescoço, o mesmo acontecia com Shinsuke. No segundo em que seus olhos haviam se descolado do corpo do albino para chocar-se com os de Takasugi – esse fizera o mesmo que o Kotarou – o garoto albino aproveitara a brecha para atacar os possíveis inimigos, sentara-se no futon e apontara o objeto cortante na direção alheia.
Os olhos vermelhos avaliavam meticulosamente os dois “intrusos”, antes de praticamente perguntarem: O que estão fazendo aqui?, não precisava usar sua voz para indaga-los, os dois podiam ver com transparência a pergunta formando-se na face do outro.
– Amigos, amigos! – Katsura exclamou erguendo as mãos em sinal de rendição – Não queremos te fazer mal, viemos em paz! – um arrepio percorreu sua espinha assim que os olhos vermelhos chocaram-se contra suas orbes castanhas, todavia o outro não fizera mais nada, somente mudara seu olhar em direção a Takasugi.
– Antes era por amizade, agora eu quero te matar mesmo, bastardo! – Shinsuke gritou irritadiço, quem aquele novato achava que era para apontar uma espada contra seu pescoço. Os olhos verdes e os vermelhos praticamente soltavam faíscas ao encontrarem-se e uma briga de olhares começara até o mais novo estudante dispersar-se dela.
O albino levantara-se do seu futon com a ponta da espada a milímetros do pescoço da criança mais baixinha, agora estavam praticamente na mesma altura, claro, se Takasugi com o susto não acabasse por desequilibrar-se e cair sentado no chão, a espada havia seguindo-o, ainda rente ao seu pescoço.
Estava meio atônito. Havia encarado os olhos do prateado quando o mesmo adotara uma postura seria e surpreendera-se com os sentimentos que os mesmos emitiam. Aqueles olhos avermelhados transmitiam uma sensação muito ruim. Algo como aniquilação, obliteração e erradicação.
– Oe, Shin-chan! Pede desculpas! – o Kotarou gritou desesperado, seu melhor amigo tinha uma espada apontada contra seu pescoço e uma criança com o que parecia ser raiva, empunhando-a. Era hoje que o Takasugi morria, não podia deixar de pensar.
– Nunca! – exclamou com uma pseudo confiança enquanto rangia os dentes. Katsura sempre o avisava de que seu orgulho iria lhe matar precoce, mas ele não esperava que fosse tão cedo! E por falar na criança de cabelos compridos, a mesma estava à beira de um ataque cardíaco, estava quase hiperventilado.
– Shinsuke, Katsura, Gintoki-kun? O que está acontecendo aqui? – perguntou Shouyou estava parado na porta, com um avental rosa de babadinhos e em suas mãos um pano qualquer, cujo qual estava secando as mesmas. Ele iria chamar seus alunos para jantarem, mas a cena ocorrente o preocupou. Franziu o cenho.
Assim que os olhos avermelhados de Gintoki chocaram-se contra os azulados do seu Sensei, de imediato ele recuou a espada e correu em direção ao adulto de cabelos aloirados, agarrando-se a preciosa arma que o mesmo havia lhe entregue. Escondeu-se atrás do adulto, segurando bem forte a Yukata branca que o mesmo trajava.
– Ele tentou me matar! – Takasugi gritou irritado e apontou para o denominado Gintoki, que se encolhera mais ainda atrás do seu Sensei e tentara esconder-se atrás das vestes do mais velho. Shouyou olhou para seu aluno de cabelos negritos e reflexos roxos, antes de olhar para Gintoki mais uma vez. Sorriu para a criança albina e bagunçou os cabelos naturalmente desarrumados.
– Com você dizendo que queria mata-lo, não era para mesmos, Shin-chan. – o Kotarou repreendeu o baixinho que colocara a língua para fora em sua direção antes de afinar sua voz e remendar tudo o que a criança de cabelos compridos havia dito – Da próxima vez eu te deixo morrer! – exclamou irritado e inflara as bochechas.
– Já que o encontro de vocês não ocorreu muito certo, deixe-me apresenta-los. – Shouyou sorria gentilmente como sempre, se divertindo com a situação. Claro, se tivesse cegado um pouco tarde de mais, não poderia saber o que Gintoki iria fazer com seu aluno irritadiço, mas era por isso que tinha chamado à criança para vir consigo. Ensina-lo sentimentos benevolentes – Katsura, Shinsuke, esse é Sakata Gintoki-kun, nosso novo aluno. Gintoki-kun, esses são Kotarou Katsura e Takasugi Shinsuke, seus colegas de classe. – deu mais um de seus sorrisos afáveis.
– Por que eu tenho que estudar com alguém que tentou me matar? – Shinsuke murmurou ainda irritado e cruzando os braços em cima de seu peitoral. Na verdade, nem se quer estava irritado por Gintoki ameaça-lo mata-lo, mas sim por que Gintoki era alguém da sua mesma idade e tinha o domado tão facilmente. Ultrajante!
– E-Eu não q-queria te m-matar... – surpreenderam-se ao ouvir o Sakata falando, aquela voz rouca e falha, demonstrando que não realmente não falava muito e quando fazia tal ato parecia que estava engolindo milhares de cacos de vidros. Doía utilizar sua voz e sua garganta secava rápido – V-Você me irri-tou, só te a-assust-tei. – murmurou e voltou a esconder-se atrás do Yoshida.
– Bastardo! Não se esconda atrás do Sensei! Lute! – Takasugi grunhiu irritado, querendo achar urgentemente uma espada de bambu e quebra-la na cabeça daquela criança de permanente natural.
– Shin-chan, ele vai te derrubar de novo. – Katsura balançou a cabeça em sinal negativo em direção a Takasugi que virou seus olhos esverdeados sedentos por sangue na direção do Kotarou, que acabara por se assustar e por pouco também não havia caído sentado no chão.
– Está do lado dele, desgraçado? É todo mundo contra o Shinsuke? Okay, okay! Fique do lado dele! – esbravejou irritado – e com ciúmes – na direção do Kotarou que logo desatou a rir da irritação do seu amigo, Takasugi corou um pouco e virou-se de costas para a criança de cabelos longínquos.
– Shin-chan, não seja dramático. – voltou a rir, divertindo-se com o acesso de raiva cheio de ciúmes da criança baixinha. Shouyou também riu, divertindo-se e bagunçando mais uma vez os cabelos prateados do seu mais novo aluno.
“Vocês serão bons amigos. Para a vida toda.” – não pode deixar de pensar aquilo, e estava certo daquilo.
O inteligente Kotarou, o irritadiço Takasugi e o “indiferente” Sakata. Não poderia ser uma combinação melhor e explosiva. E mesmo que talvez pudesse vir a desentender-se, o destino os juntaria novamente.
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