Memento Mori
2 Capítulo Dois
Uma batida no vidro da janela despertou Danny abruptamente. Ele se endireitou com baba secando em uma faixa na lateral de sua mandíbula e se virando para olhar para a janela do lado do motorista, mas a noite obscurecia a pessoa do lado de fora para uma silhueta. Ele não conseguia se lembrar onde estava. O couro do assento estava grudado nas palmas das mãos. O suor escorria por trás de seus joelhos e por suas costas.
"Ei cara", disse uma voz abafada, leve, mas rouca. “Uh, Daniel?”
Ele esfregou as palmas das mãos sobre o rosto, o coração batendo desorientado e com adrenalina e resmungou: "Sim, desculpe, me dê um segundo."
Não havia maneira digna de manobrar-se para a frente do carro novamente sem o ímpeto do pânico histérico. Ele enfiou uma perna no banco do passageiro e contorceu seu corpo sobre o divisor depois dele, batendo cabeça e seu orgulho no teto do carro. Ele pegou as chaves do ignição e deslizou para fora, engolindo uma lufada de ar mais fresco da noite enquanto ele plantava uma mão no batente da porta para se erguer. Noah, o companheiro de quarto, estava de pé em frente a toda a extensão do capô. Alex tinha encenado suas fotos ou tido sorte, porque Danny não tinha notado que Noah era ainda mais baixo do que ele era – pelo menos quinze centímetros abaixo do não-insignificante 1,80 metro de Alex.
"Então, isso é estranho pra caralho", disse Noah.
"Sim", ele respondeu. As cigarras gritavam. "Que horas são?"
"Depois da meia-noite", disse ele. Seu sotaque arrastava as vogais.
“Acho que você viu o carro.”
"Pois é." Mais um momento de silêncio tenso se espalhou antes que ele estendesse sua mão. “Noah Price, estudante do segundo ano de mestrado, à sua disposição. Desculpe, as circunstâncias totalmente fodidas.”
Danny apertou sua mão, dedos cruzando seu pulso para mais um aperto do que um balançar. A tensão apareceu nos cantos dos olhos do outro garoto e boca, espreitando sob seu sorriso acolhedor. Ele deve ter passado as duas últimas semanas sozinho, isolado em uma casa que ele dividiu com Alex antes — aqueles seis meses haviam desaparecido para Danny, exceto por meio de trechos digitais mediados. Seis meses para procurar respostas sobre os... hábitos, escolhas, as chances de Alex que ele tomou sem seu habitual segundo em comando no local. Todos os momentos que ele perdeu enquanto outros, como Noah, estavam presentes.
Danny pegou uma mochila contendo algumas mudas de roupa, sua escova de dentes e seu laptop da parte de trás do carro, depois bateu a porta com uma estrondosa determinação.
“Mostre o caminho.” Ele disse.
Eles travessaram o pátio rachado de verão em vez de pegar a trilha. A camiseta cinza de Noah estava esticada ao redor de seus ombros, o formato dos músculos torneados se mostrando visíveis através do tecido. Seu jeans skinny era preto, acima pés estreitos e descalços. Ele balançou a maçaneta enquanto a girava, olhou por cima de seu ombro e disse: “Às vezes, a porta emperra, ainda não consertamos.”
Danny prendeu a língua entre os dentes de trás para não falar sua parte muito cedo. Não havia nós fora de Alex e Alex. Ele havia deixado Alex aos cuidados dessas pessoas, e elas não o mantiveram bem. O que quer que tenha acontecido, Danny não conhecia esses estranhos de merda, e nenhum deles foram presumidos inocentes. O passo através da soleira atrás de Noah foi estranhamente normal, idêntico a entrar na casa de qualquer estranho pela primeira vez. Duas bicicletas estavam penduradas no rack no foyer escuro e fresco, com espaço para uma terceira.
"Deixe-me mostrar a você", disse Noah, rindo sem graça. "É como se fosse sua casa agora, certo?”
Danny andou atrás dele pela sala de estar, passando por uma TV passando ESPN no mudo, e olhou para a cozinha — pratos sujos ao lado da pia, uma pilha de latas de cerveja e uma garrafa de bourbon vazia — depois subiu as escadas. Os degraus rangeram quando eles se viraram e deram os últimos passos até os quartos. Noah apontou o polegar para a porta imediatamente à direita, disse “meu”, então apontou para o que estava depois dele — "seu" — e finalmente apontou para a única porta a esquerda. “Alex.” O banheiro, bem na frente deles, se explicava.
Todo o lugar cheirava a casa, mas com um tom desconcertante de casa velha. Mesmo o ar condicionado não conseguia lutar contra o cheiro de verde espesso. Os pais de Danny mudaram a família para o norte quatro meses depois que adoção de Alex foi aprovada – aparentemente por trabalho, mas desde sua surpresa que um garoto adicional os havia tornado ricos, Danny imaginou que a mudança teve mais a ver com a fuga do que aconteceu com ele e Alex no verão anterior; no verão em que sua vida deu errado. Ele estrangulou o pensamento de antes assim que esse se soltou.
Noah quebrou o silêncio para dizer: "Sem ofensa, mas eu não acho que nenhum de nós me quer aqui para este papel.”
E ele se espremeu passando por Danny para desaparecer nos degraus em uma cascata de pancadas. As três portas estavam fechadas. Danny colocou a mão na maçaneta da porta de Alex e deixou cair a testa na madeira. Ele tinha visto o quarto muitas vezes, em imagem e em vídeo, a centenas de quilômetros de distância: uma cama contra uma parede com a mesa de Alex e a configuração de jogos ao pé; uma cômoda com um espelho apoiado torto; cortinas sobre a parede oposta que era ocupada por quase toda janela. As luzes da rua do lado de fora dariam um brilho fraco. Lá se encontravam bebidas pela metade nas prateleiras, uma guitarra e um amplificador surrado em um armário que costumava ser de Danny.
Em vez disso, ele se virou para abrir a porta de seu próprio quarto — adiando o inevitável. As dobradiças chiaram. O luar lançava sombras sobre a variedade de móveis incompatíveis que Alex havia selecionado para ele: uma monstruosa escrivaninha, de um marrom tão profundo que poderia muito bem ser preta, empurrada para um canto; uma prateleira manchada de ouro brilhante com lascas arrancadas de seus cantos e um punhado de livros empilhados nas prateleiras; uma luxuosa cama king-size que dominava o quarto, encostada na parede para que Danny pudesse se enrolar no canto jeito que ele preferia.
A foto emoldurada na mesa de cabeceira, uma gêmea daquela que ele sabia que esperava no quarto de Alex, deu o toque final. Hannah tinha a original em seu telefone dos carros de Danny e Alex estacionados lado a lado, enquanto ela esperava na estrada à frente deles para servir como sinalizador. A foto imortalizava o momento em que Danny se esparramou sobre o console central para alcançar a janela do passageiro e mandar um dedo do meio para um Alex sorridente, que tinha seus óculos escuros empurrados para cima na bagunça despenteada de seu cabelo loiro. Suas expressões eram selvagens com alegria.
Danny fechou a porta atrás dele com o tornozelo. Ele afundou em um agachar e enterrou o rosto nos joelhos. Quando isso se mostrou insuficiente, ele se inclinou para frente nas tábuas do assoalho e cravou as unhas nas costuras. Sua boca se encheu de cuspe, rápido e doentio. Alex tinha montado um quarto perfeito, um quarto que o acolhia todo sem o menor esforço. Ele tinha feito isso sem perguntar nada, conhecendo as necessidades de Danny por dentro e por fora. A prateleira clamava por seus próprios livros sendo adicionadas a ela, o armário aberto para roupas, o espaço esperando para tornar-se uma casa. Nenhuma parte de Danny poderia conceber o quarto como um adeus. Foi um muito bem-vindo à vida em Nashville que Alex tinha falado em suas ligações, a reunião iminente após sua breve e desconfortável separação.
No andar de baixo a TV continuava ligada, o murmúrio silencioso de um locutor esportivo através do respiradouro. Depois que a investida vertiginosa terminou de torcer através dele, Danny se levantou usando o canto da cama. A escada ecoou ruidosamente com o baque de seus tênis passando por ela. A televisão estava ligada, mas a sala estava abandonada. Ele afundou em um sofá — havia dois — deixando cair as mãos entre os joelhos.
Há quanto tempo aquele quarto estava pronto? Quão cedo Alex preparou um lugar para ele? Se ele tivesse sido autorizado a ir duas, quatro ou seis semanas antes, em vez de ficar parado por uma série de razões mesquinhas, Alex ainda poderia ter estado ali para vê-lo. Um momento depois, passos se aproximaram e uma garrafa fria foi pressionada em seu pulso, oferecida sem palavras.
"Sinto muito", disse Noah.
"Sem problemas", ele murmurou em resposta.
"Ele falava sobre você o tempo todo", continuou Noah. Seu pé descalço e a mesa de centro formavam a peça central da visão de Danny. "Sinto como se eu já te conhecesse, honestamente.”
Seria apropriado dar como resposta um sim, ele falou sobre você também. Danny virou sua garrafa para trás e engoliu uma cerveja gelada em um longo gole. Quando a garrafa estava pela metade, ele relaxou para respirar e olhou para ver Noah brincando com a garrafa por conta própria.
"Desculpe", disse Danny em seu constrangimento.
“Não se preocupe com isso. Acho que ninguém ficaria bem, com a situação sendo…” ele parou e gesticulou para os quartos acima deles.
Danny viu seu antebraço tatuado e perguntou: "O que é isso?"
Noah virou o braço para mostrar a tinta elegante, em letras fortes a frase SI VIS PACEM PARA BELLUM. Danny reconheceu a frase de uma banda de um filme do qual Alex era fã. A conversa se acalmou. Ambos os meninos bebiam em silencio. Danny se sentia um estranho nesta cidade, nesta casa, em seu próprio corpo. Ele transformou Noah em um estranho também, apenas por ter passado pela porta. Ele tinha perguntas, mas não sabia por onde começar a faze-las.
Por que ele não me deixou vir antes?
"Você quer outra?" Noah perguntou com uma ponta de sua garrafa vazia.
"Eu vou pegar", disse Danny.
Poderia muito bem começar a conhecer a casa, por mais estranha que fosse essa sensação. Ele entrou na cozinha, examinou os armários, abriu a desconhecia geladeira. A prateleira de baixo continha seis tipos diferentes de cerveja. Ele pegou duas garrafas desencontradas e as trouxe de volta; Noah abriu as tampas com o mosquetão preso em seu jeans. Sabiamente, ele não disse nada sobre seu novo colega de quarto explorando o outro cômodo.
Em vez disso, ele perguntou: “Você está começando nosso programa, certo? A orientação é amanhã."
"Certo, eu estou", disse Danny.
Ele não tinha pensado em seu calendário acadêmico. Baseado nas noticias anteriores de Alex, a orientação tinha sido um tédio, uma hora social glorificada sem o tampão do álcool. Alex cuidara de sua matrícula do primeiro semestre para ele, como ele tinha feito desde o primeiro ano na OSU. Ele tinha um print do e-mail com seu login, senha e agenda, e tudo definhava em sua abismal caixa de entrada do Gmail. Alex havia tomado essas decisões por Danny por uma questão de mantê-los próximos o máximo que podia — até sua entrada surpresa início do semestre. Cinco meses de separação que se estenderam em oito durante o verão, e agora nunca terminaria. Alex e seus malditos segredos. Danny ouviu a provocação em sua cabeça: vou lhe dizer o que estou aprontando até quando for a hora de você saber, apenas sente-se bem e seja paciente. E ele aceitou isso, burro como um cachorro. Não havia razão para se torturar sentando através de uma orientação com a qual ele não se importava.
Noah arqueou as costas, se espreguiçando. As juntas estalaram com força audível. Ele levantou-se e disse: “Vou dormir. Obviamente eu sou uma merda completa em qualquer coisa que eu deveria estar fazendo para ajudar com esta situação, mas você é bem vindo na geladeira ou qualquer outra coisa. Me deixe saber se há algo que você precisa,ok?”
Danny lançou um longo olhar sobre ele enquanto esperava na sombra da escada para confirmação. Enquanto ele estava se esforçando e esperando por permissão para jogar sua merda no banco de trás e voltar para casa, Noah tinha dormido do outro lado do corredor de Alex, talvez até tenha falado com ele naquela última tarde.
Noah estava conectado. Ele não era um estranho.
"Não se preocupe com isso, eu estou bem", disse ele finalmente. Danny balançou os pés para se deitar enquanto Noah subia no ranger das escadas. Ele verificou seu telefone. Passada uma da manhã; três chamadas perdidas e um punhado de textos não lidos. Sabendo que o quarto bem arrumado esperava por ele, sua cabeça enviou um latejar surdo de dor através de suas têmporas. Essas coisas poderiam ficar intocada por mais uma noite. Alex não ia se importar.
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Pela manhã, após sair do banheiro, ele passou por Noah vestindo as mesmas roupas da noite anterior. O som do chuveiro ecoou pela casa enquanto Danny se encontrava parado na cozinha. Seu estomago roncava enquanto ele explorava os armários encontrando sopa enlatada, containers misteriosos e salgadinhos meio comidos. Uma caixa de cereal parecia a melhor opção então ele a tirou do armário, abriu o saco enrolado e comeu três colheres de cereal seco. O som de água corrente logo foi cortado, deixando-o sozinho com o som do cereal doce sendo mastigado.
“Oi,” Noah disse por detrás dele, lhe dando um susto e o fazendo se virar. “Foi mal pelo susto. Vou para o campus agora, você quer uma carona para a orientação?”
A expressão em seus lábios finos e sobrancelhas levemente franzidas pairava entre sério e desajeitado. Seu peso mudou para um pé para o quadril, chaves em seu punho e bolsa de mensageiro pendurada em seu peito. Danny engoliu contra as migalhas que faziam cócegas em sua garganta, colocou o cereal no balcão e disse: “Não, estou bem. Obrigado."
"OK então." Ele tinha a porta aberta e um pé para fora quando continuou por cima do ombro: "Eu estarei em casa tarde, então eu vou te encontrar provavelmente de manhã.”
Danny murchou assim que a porta da frente se fechou. Ele observou Noah no da lado de fora enquanto ele se espreguiçava inconscientemente com seus pulsos no teto de seu Mazda. O pescoço de Danny e seus ombros doíam da viagem longa mais a noite dormindo no sofá. O outro homem entrou em seu carro e o som do motor sendo ligado ecoou pela casa. Danny foi para a geladeira, encontrando uma caixa de leite da qual ele bebeu diretamente da caixa.
A assombração que o havia visitado na noite anterior, brutalmente familiar e assustadora, estava ali em plena luz do dia. A poeira nas escadas grudava em seus pés suados enquanto ele subia novamente. A porta para o quarto de Alex não era nada notável, mas isso não impediu sua mão de pairar na maçaneta de latão. Ele deu os primeiros dois passos na sala com seus olhos fechados, arrastando os dedos dos pés pelas tábuas do piso para evitar tropeçar. Ele empurrou a porta fechada. Uma vez travada, ele forçou uma respiração através seu nariz e abriu os olhos novamente.
Lençóis amarrotados derramados no chão no final do colchão em sua grande estrutura de metal. Dois travesseiros estavam amontoados em uma pilha contra a parede, e um terceiro estava deitado de lado no centro da cama. As roupas estavam em um círculo disperso em torno de um cesto de roupa suja cheio no canto da mesa. Um par de cuecas boxer laranja neon e uma meia com um buraco gigante no calcanhar estava pendurada aleatoriamente da borda da pilha. A cadeira foi puxada para trás na mesa bagunçada, coberta por uma montanha espalhada de papéis, canetas, livros, latas de energético e um monitor com um fone de ouvido preso a ele. Um baseado meio fumado repousava na beira de um cinzeiro de vidro. Uma pintura de natureza morta: Quarto de um menino, Verão.
No piloto automático, ele cambaleou pelo quarto para desabar na cadeira, a mesma cadeira de seu apartamento compartilhado longe dali. Ele agarrou os braços e deitou a cabeça contra o buraco que eles abriram no estofamento através os anos. O quarto parecia tão recém-tocado que ele ficou surpreso com a cadeira não estava quente ao toque. Um monte de folhas soltas chamou sua atenção — papel de impressão simples e pautado da mesma forma, coberto com a caligrafia apertada de Alex em várias cores de tinta — mas o verso quebrado de um livro de composição aberto em cima da pilha desleixada era obviamente a última peça tocada.
Danny arrastou-o para o colo, pegou as linhas mais recentes em um rabisco que implicava excitação ou distração:
a terra em si é a coisa na maioria dessas histórias, certo, é sobre pessoas que estão ligadas à terra em sua herança (??) ou sangue ou alguma merda. Não é inerte, é a fonte — é uma bateria? ou um personagem? — aos herdeiros. Há um custo que o usuário tem que pagar pela escolher a maldição/presente. A terra tem que ser paga
Ele olhou para a frase inacabada. O cabelo de sua nuca se ergueu em uma onda abrupta, nervos formigando. Ele virou para o início do caderno, já que Alex já havia preenchido três quartos e começou a ler.
Fatos:
(1) Eu vejo pessoas mortas
(2) Eu não sabia antes daquele verão
(3) Quanto mais me aproximo de casa, pior fica
(4) Danny também, mas não tanto quanto eu
Então é hora de descobrir: por quê?
— e rabiscado na margem ao lado do maldito número quatro estava a anotação, ele vai ficar tão chateado comigo.
Danny atirou o caderno na porta como se queimasse suas mãos. Ele bateu na madeira e bateu em um canto, caindo em suas costas rachadas, páginas se abrindo. Nossa história de fantasmas, Alex chamava às vezes quando eles estavam bêbados, ou meio adormecidos, ou recuperando o fôlego depois de uma corrida – sempre que ele achava que Danny iria perdoá-lo por trazer a coisa ele prometeu deixar descansar. Danny jurou-lhes silêncio naquele verão, e se fingiu depois com amnésia que ele nunca se debateu para longe dos fantasmas que rastejavam famintos de suas sepulturas a cada passo que ele passava. Danny fingiu que não passou a maior parte de sua vida ignorando sussurros desesperados nos limites de sua audição, e que seus ossos ficaram quietos sob sua pele em vez de brilhar para com vida em uma terrível coceira de potencial durante as profundezas mais negras da noite. Alex nunca quis fingir, desde a primeira noite até a última, a julgar pelo seu maldito caderno e a pilha de textos que, Danny percebeu com um tremor, tinha títulos como Tennessee Folklore e Histórias de Fantasmas do Sul e Magia da Vovó.
Ao longo da última década, Alex havia concordado repetidamente com as exigências de silêncio de Danny, mas aqui estava ele, fodendo tudo no momento em que deixou a vista de Danny. Ele não deveria estar em Nashville em primeiro lugar, considerando a força com que Danny havia protestado contra sua aplicação para a faculdade, muito perto do passado adolescente que eles perderam. Mas Alex era um mentiroso convincente com uma longa lista de motivos falsos; sua decisão resistiu aos fracos argumentos de Danny. Em retrospectiva, parecia muito que Alex o levou pelo nariz em torno de seu ódio pela perspectiva de regresso a casa, levou-o com promessas de conforto, promessas de que ele não iria colocá-lo no mesmo problema novamente, prometendo que era o melhor lugar para sua pesquisa — não Oregon ou Califórnia, estados com mais oceano e menos gritos, nenhum de seus fantasmas de infância compartilhados.
“Estudos Americanos minha bunda.” Alex e seus contos góticos sulistas. Como ele tinha pensado que a revelação inevitável iria acontecer? Será que ele achava que havia alguma maneira que Danny acolheria a verdade: que ele os trouxe para o sul para perseguir assombrações? Era por isso que ele continuava adiando a chegada de Danny?
E ele havia colocado um desnecessário colega de quarto no meio da bagunça, baseado em “interesses em comum”. Danny desejou que Noah estivesse em casa para que ele pudesse se afundar nessa bagunça que Alex havia se metido, mas a casa estava vazia, como uma piada de mal gosto.
Os rabiscos coloridos se deformaram sob o borrão úmido de seu olhar furioso. Ele varreu as páginas para o chão em um ataque de frustração. Ele precisava ir para fora. Ele precisava estar em outro lugar.
A vizinhança se desenrolou enquanto ele se afastava da casa no Capitólio, deixando a porta destrancada atrás dele quando lhe ocorreu que não tinha chaves. Depois de quarenta minutos ou uma hora ou mais, ele não tinha ideia, ele acabou em uma área mais irregular: casas menores, menos carros, alpendres caídos. A batida de seu coração tinha esfriado uma fração, mas ele mentiu para mim correu em um laço cacofônico através de seu crânio. Ou ele foi enganado? Alex tinha guiado-o em torno da verdade de seu trabalho em Vanderbilt com dissimulação e respostas que se passavam por simples. Danny foi enganado, mal direcionado, mal utilizado. Agora ele não tinha mais nada além de juntar as peças. Ele pegou seu telefone e não encontrou nada, então percebeu que ainda estava na mesa de volta à casa. Seus passos desaceleraram. À primeira vista, a rua do bairro parecia familiar como se ele já tivesse estado lá antes, mas em um olhar, ele não reconheceu nenhum dos sinais de trânsito — nada ao seu redor era realmente familiar.
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Com a ajuda de um punhado de estranhos dando direções, e um desvio para um café para um chá gelado e uma xícara gigante de água fria, Danny voltou para casa tarde da noite, pés doloridos e queimados de sol como o inferno. Noah estava ausente, como prometido. Um silêncio estranho caiu sobre a casa quando ele fechou a porta e virou o ferrolho atrás dele, quase uma pressão contra seus tímpanos. Uma sensação abafada o perseguiu em sua relutante viagem ao segundo andar.
A porta do quarto estava aberta, papéis espalhados pelo patamar. Danny curvou-se e os reuniu, franzindo a testa, para deixá-los sobre a mesa mais uma vez. O velho baseado sentava-se exatamente como Alex havia deixado, meio fumado na borda do cinzeiro. Dezessete dias haviam secado o envoltório o suficiente para rachar. Danny lambeu o polegar e suavizou a divisão em movimentos curtos. A extremidade comprimida se encaixou entre seus lábios natural como respirar. Ele pegou o Bic roxo, acendeu o fogo e então acendeu a extremidade carbonizada.
A tragada inicial tinha gosto de pó queimado e cinzas envelhecidas primeiro, terra doce e fumaça em segundo lugar. Ele imaginou Alex no mesmo lugar ao lado da mesa, iluminado com o sol branco do verão, baseado pendurado na boca enquanto ele se equilibrava um pé para calçar os tênis. Danny chutou o seu em vez disso. Ele sentou cuidadosamente na beirada do colchão, segurando cada tragada até que seus pulmões doessem um pouco. Não havia mão para quem passar, e a única fumaça em seu rosto veio escorrendo por entre seus próprios lábios.
No final, ele puxou com tanta força que chamuscou o lábio inferior, vacilando. O baseado caiu na palma da mão e arrastou-o no cinzeiro. Esse foi o último baseado que Alex jamais enrolaria para ele, e ele não estava lá para brincar sobre Danny não fumar direito: você baba como um cachorro, cara, eu tenho tanto do seu cuspe na minha boca, como ele disse uma vez. Cada momento de sua vida que se seguiu levaria ele para ainda mais longe de Alex, não importa seus esforços para se segurar os restos, mas o que mais havia para ele fazer exceto desenhar o que restava o mais perto que poderia? Uma coisa: descobrir o que ou quem havia tirado Alex dele, já que ele tinha certeza de que não poderia ter sido Alex. Não de propósito.
Ele desafivelou o cinto e chutou as calças em puxões abruptos, a cabeça nadando, então rastejou para colchão para arrastar os travesseiros ao redor de sua cabeça. O almíscar de suor e shampoo encheu seu nariz.
Tecido grudou em sua bochecha úmida. No momento em que ele percebeu que as lágrimas começaram a vazar pelos cantos dos olhos, a represa se rompeu; ele enfiou seus joelhos contra o peito enquanto ele arfava com soluços quase profundos o suficiente para faze-lo sentir vontade de vomitar. Delirante, ele imaginou que suas costelas poderiam quebrar com a força e espetar direto em seus pulmões.
O choro incontrolável se estendeu infinitamente, até o início da dor física e depois muito além dela. As luzes da rua zumbiam do lado de fora. Espasmos musculares em seus lados, garganta e mandíbula quando, eventualmente, sua tensão diminuiu e ele começou a fungar mais do que gemer. A exaustão o envolveu, mas quando o sono desceu, uma pontada de sensação de ardor queimou na raiz de sua espinha. Ele não teve tempo para resistir a fria pressão de um tornozelo escorregando entre os dele, o peso de um braço largo e cotovelo pressionando em torno de seu ombro e sobre o colchão. Dedos brancos como ossos penteando seu cabelo. Murmúrios indistinguíveis tocando a concha de sua orelha. Ele teve um momento para pensar, Alex, antes que o sonho o derrubasse.
A noite do sonho assombrado nunca conhecera a luz das estrelas: negra, cega. Danny usava a pele errada, pequena e frágil, com os joelhos nodosos e braços desengonçados que ele usava para bater em batentes de portas, cabeceiras de cama, todo tipo de coisa antes que ele tivesse crescido neles. O líquido acumulado sob suas mãos e canelas era frio e fino, depois grosso e quente. Ele se esforçou para encontrar o equilíbrio; pedra o feriu quando ele caiu. Isso era familiar, pesadelo e a memória. Aconteceu algo assim, e ele não tinha poder para detê-lo. P pequeno empurrou para frente até que suas mãos ávidas e pungentes encontraram um pano. Ele arrastou-se através da escuridão primordial e esmagadora sobre o corpo também adolescente abaixo dele.
Os dedos que se estenderam para tocar seu rosto riscaram sua pele molhada, nariz e lábio. Ele falava, mas não conseguia se ouvir. Tudo o que ele ouviu foi um assobio e uma sibilância que tapava seus ouvidos. Os dedos empurrados em sua boca aberta e o veneno de ferro do sangue cobriu suas papilas gustativas. Ele engasgou; o silvo subiu para uma tagarelice. A mão invasiva mergulhou de sua boca, patinou para sua camisa rasgada e encontrou as bordas abertas de sua carne, empurradas para dentro com horrível ternura, colocando-o de costas. Bom menino, ele ouviu em sua cabeça com a força de uma campainha.
Dedos medonhos agarrando seu cabelo o puxaram do sonho, sibilos e tremores. Sua camisa estava amarrada até os ombros, sua própria a unhas cravadas em seu peito tão fundo que manchas de sangue pontilhavam a pele. O sal grudava em seus cílios e na ponta do nariz, como se tivesse continuado a chorar em seu sono. Quando ele rolou contra a forma do corpo congelante mergulhado no colchão atrás dele, ele se afastou, batendo os dentes, mas não se levantou. O frio retrocedeu uma polegada de cada vez sem outro toque, outra palavra. A coisa que tinha sido Alex o abandonou em sua cama.
Danny não sonhava com a noite na caverna há seis anos.
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