Notas iniciais
Segundo algumas pesquisas, tudo não passa de um cérebro cansado.

29/05/15

— Oi. Eu não se se você vai chegar a ler isso um dia. Mas olha, eu senti sua falta esses dias. Volta logo.

...

— Oi. Aconteceu alguma coisa?

...

— Hey!

...

— Acho que você não vai voltar.

Hey velho amigo! Me perdoe por não escrever.

Bem, essas foram parte das minhas mensagens para ele. Hoje ta fazendo praticamente deste a sua mensagem, um simples “Eu volto”.

Lembro-me de cruzar os braços acima do peito, enquanto encarava o teto. Apesar da penumbra do quarto, um pequeno traço de luz ousava invadir meu mundo solitário, ele atravessa por um pequeno buraco na cortina cinza, daquelas em que a passagem de luz deveria ser impossível. Meu coração batia em um ritmo acelerado, apesar de eu me sentir completamente calmo. Dessa vez, os pensamentos obscuros não surgiram, mas meus pulsos ainda ardiam. O sangue ainda deve estar sobre a pia junto com a pequena gilete que eu deixei ao lado da torneira.

Na ultima semana, eu fui obrigado a jogar meus calmantes fora, e passei a tomar antidepressivos mais leves. Acho que eles começaram a ficar assustados e preocupados com o fato de eu tentar me matar novamente. Também fui obrigado a ir ao psicólogo. Como é lá? Exatamente do jeito que eu imaginava. Eles estão jogando dinheiro no lixo, apenas para eu sentar em um puf confortável, e passar duas horas tentando explicar meus sentimentos, como eu me sentia quando a escuridão chegava, essas baboseiras que devemos dizer. E ele? Bem, a conclusão dele é de que algo na minha infância tenha influenciado aos acontecimentos atuais. Por uma longa meia hora, ele ficou anotando naquele bloquinho maldito, e dizendo que a morte dos meus pais poderia ser um dos prováveis motivos. Se ele soubesse como eu queria pegar aquele bloco e enfiar no meio da fusa dele, só para fazê-lo calar a droga daquela maldita boca. Resolvi que eu não iria tocar no nome dele, pelo menos não naquele lugar.

Hoje aconteceu algo. Estou com medo de lembrar disso, porque fazia tanto tempo deste a ultima vez que aconteceu.

Ele voltou. Bem, não estou me referindo ao Vini. Ah Deus, eu queria que fosse ele, mas não. Sabe velho amigo, alguns monstros voltam do passado para te atormentar, e você percebe que nunca será forte o suficiente para enfrenta-los.

Eram quase duas da manhã. Eu não lembro exatamente o que me fez acordar. Um barulho como o de algo se quebrando, ou algo assim. Talvez tenha sido minha mente, talvez tenha sido real. Apesar de ter sido a algumas super horas atrás, eu ainda consigo sentir meu próprio desespero ao abrir os olhos e não conseguir mexer um musculo sequer do meu corpo. Lembro como meu coração afundou dentro do peito, enquanto batia em um ritmo tão rápido, que eu literalmente desejei que eu tivesse um infarto. Enfim. Ele estava parado perto da porta, a luz do pisca a pisca, que fica sobre a minha pequena estante, nunca pareceu tão fraca. No inicio, ele era apenas aquela massa negra, aquele formato meio humanoide, apesar de esfumaçado. Eu tentei gritar, tentei me debater, mas era tão inútil quanto tentar nadar contra uma correnteza forte.

Ele se virou, e seus olhos vermelhos me encararam por um longo tempo. Seu rosto continuava o mesmo. A mesma expressão vazia. As cicatrizes profundas, que pareciam terem sido feitas com ferro quente. Seus pentes pontiagudos, saindo dos lábios. Como sempre, ele usava roupas negras, ou aquele era apenas seu corpo. Seus dedos longos, que chegavam a arrastar no chão, apontaram em minha direção, enquanto sua voz, que era como milhares de pessoas gritando ao mesmo tempo ecoaram em minha mente.

— Olá criança. – essa simples frase fez com que cada pelo do meu corpo se arrepiasse. E apesar de tudo, eu chorei.

Lembro-me da primeira vez em que ele apareceu ao lado da minha cama. Seus olhos vermelhos me encarando de cima, enquanto ele crescia até bater no teto.

Pesquisei sobre isso na internet e descobri que era paralisia do sono com alucinações. Algumas pessoas dizem que ele pode ser algum espirito errante, que aparece no momento mais vulnerável de uma pessoa. Sinceramente? Eu acredito que isso seja bobagem.

Mas olha para mim, eu deveria escrever sobre o Vini, e sobre como ele me faz sentir bem, e não sobre meus medos. Mas estou tentando evitar chorar. Tentando fazer com que a escuridão se mantenha longe, pelo menos por tempo suficiente.

Na verdade, eu deveria me levantar e ir limpar o sangue que caiu sobre a pia. Apesar de acreditar que eles não vão mais se importar. Talvez eles me mandem para algum hospício ou acabem me internando em uma daquelas clinicas de reabilitação. E para ser sincero, eu nem me importaria se isso acontecesse. Talvez se eu morrer lá dentro, o máximo que ira acontecer é a clinicar ter que responder por negligencia e ser obrigada a pagar alguma indenização. E depois? Bem, eu serei apenas mais um numero no índice de suicidas do Brasil.

Desculpa por parar de escrever agora. Mas preciso tomar alguma coisa para ficar acordado. Não quero dormir novamente.

Espero poder suportar mais um dia, para ter o que escrever em você.

Notas finais
Eu sei que alguns de vocês irão vir perguntar porque as vezes eu vou fugir do tema Pinny, (nome do shipper). E eu vou explicar. Cada palavra escrita aqui, é tirada do meu diário ou das minhas lembranças, e cada uma dela vai compor a história. Conforme vocês forem acompanhando a fic, vão começar a reparar que o Vini sumiu por muito tempo, e eu precisei me adaptar ao mundo sem ele. Então, não me matem por as vezes não lerem algo que não tenha haver com nós dois. Eu recomendo que vocês leiam esse cap escutando uma dessas duas musicas aqui Paramore - The Only Exception Paramore - In The Mourning