Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estou eu com mais um capítulo tranquilo para vocês. Espero de verdade que gostem, já que a partir do capítulo de amanhã, as coisas começam a ficarem mais intensas. E eu quero agradecer ao comentário do capítulo passado a AndreaNeves. Vocês é maravilhosa demais! Espero que gostem do capítulo de hoje. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO XXI — ESPERANÇA

— Obrigado pela carona. – Agradeço a Jarvis, assim que ele estaciona o carro em frente à casa de paredes cor de creme. A neve caia intensa pela cidade e o bonito jardim que antes decorava a entrada da casa agora estava coberto pela camada densa e branca de neve.

— Não foi nada. – Afirma Jarvis, dando um sorriso educado. Aceno em despedida e me afasto do carro. Estava muito frio e eu não via a hora de tomar um bom banho quente depois de um dia tão cansativo como o que eu havia tido. No entanto, antes que eu passasse do terceiro passo, ouço a voz de Jarvis me chamando. – Connor! Espera.

Viro-me para o homem e o vidro do carro estava abaixado, enquanto ele acenava para que eu me aproximasse. Encolhendo-me contra o meu casaco, aproximo-me do carro e me apoio na janela para ouvir o que o homem tinha a me dizer.

— Algum problema, tio Jarvis? – Pergunto e ele suspira, cansado.

— Apenas não se esqueça sobre o que conversamos de manhã. Você e Ashley precisam tomar uma decisão até amanhã. Se forem mesmo se mudar, preciso informar a seus superiores sobre a decisão e cuidar de toda a mudança mais uma vez. – Explica Jarvis e dessa vez sou eu quem suspira. Assinto, concordando e dou um fraco sorriso.

— Tudo bem. Amanhã de manhã eu terei a minha resposta. Eu prometo. – Garanto e ele aquiesce.

— Estarei esperando então. Boa noite, Connor. – Despede-se o homem, dando um pequeno sorriso.

— Boa noite, tio Jarvis. – Respondo e me afasto do carro.

O homem acena e parte em direção a sua casa que ficava a somente uns trezentos metros de minha casa. Observo-o por alguns instantes e, assim que sinto o frio começar a incomodar a pele sensível de meu rosto, retorno o meu caminho para entrada da casa a minha frente. Pego a chave da porta de entrada em minha mochila, abro a porta e entro, suspirando aliviado ao sentir o calor do ambiente familiar me envolver.

Tranco a porta e retiro meus sapatos, mochila e casacos, organizando-os no hall da entrada. Assim que sigo para a sala, encontro Alex sentado no tapete felpudo assistindo um desenho animado na televisão acompanhado de Liz, que estava com o mordedor em sua boca, tão concentrada na animação que nem mesmo havia notado a minha presença.

— Boa noite. – Cumprimento na porta da sala de estar, não demorando a ter a atenção das duas crianças.

— Papai! Você chegou! – Grita Alex, animado. O garoto corre em minha direção e abraça a minha cintura.

— Papai! – Liz também grita, imitando o irmão mais velho, antes de engatinhar em minha direção de maneira agitada.

Sorrio e abraço Alex, deixando um beijo no topo de sua cabeça. Então me abaixo para receber Liz, que não demora a chegar. Pego a bebê no colo e os abraços calorosos das duas crianças são o bastante para trazer aquela paz que eu precisava em meio a preocupação pela presença de Schimdt na cidade e ao cansaço que sentia depois de um dia puxado de trabalho.

— Onde está a mãe e a irmã de vocês? – Pergunto, voltando a me levantar com Liz em meu colo.

— Na cozinha, preparando comidas que a Emma e eu não podemos ficar perto. – Explica Alex, apontando para a cozinha da casa.

— Sua mãe e Hailey estão cozinhando? – Questiono surpreso e Alex assente, concordando. – E não tem cheiro de queimado pela casa? O que está acontecendo por aqui?

Alex levanta os ombros, mostrando que não sabia muitos detalhes. Sorrio e bagunço seus cabelos. Aproximo-me do tapete felpudo e coloco Liz sentada no chão, assim como ela estava antes.

— Fique aqui, cuidando da sua irmã. Eu vou conferir o que é que sua mãe e Hailey estão fazendo na cozinha. – Oriento e Alex assente, concordando.

— Está bem, papai. – Fala o garoto, sentando-se ao lado de Liz.

Deixo as crianças na sala e sigo para a cozinha, desabotoando alguns botões da blusa que vestia, sentindo o calor do aquecedor da casa começar a me fazer suar com as roupas que eu tinha vestido para enfrentar o inverno rigoroso. Sinto meu estômago roncar ao sentir o cheiro delicioso que vinha da cozinha, assim que começo a me aproximar.

— E o que ele pede para fazer em seguida? – Ouço Peggy perguntar, enquanto parecia bater alguma coisa.

— Misturar a farinha peneirada aos poucos até que a massa fique no ponto de mexer com a mão. – Responde Kayla e eu a vejo lendo algo em seu celular. – Depois é só sovar a massa, cortar em pequenos pedaços, modelar na mão, colocar o recheio, fechar a massa e colocar para assar.

— O que é isso que está acontecendo diante de mim? Por acaso eu estou tendo uma miragem de Ashley e Hailey O’Brien na cozinha, preparando vários pratos sem queimar ou quebrar nada? Nenhum sinal de que tenha passado um furacão de comida por aqui. – Provoco e Kayla dá uma risada anasalada, enquanto Peggy revira os olhos e me lança língua. – Você é sempre tão madura, meu amor.

— Ainda bem que você sabe. – Retruca Peggy, encarando-me com ironia, enquanto observa eu me aproximar. Deixo um beijo rápido em seus lábios e depois beijo a testa de Kayla. – Você chegou cedo do trabalho.

— Não. Já são sete e meia da noite. – Respondo e ela arregala os olhos, surpresa.

— Então quer dizer que Hailey e eu estamos cozinhando sem parar há três horas? – Pergunta Peggy e eu assinto, ainda que não tivesse certeza de qual tinha sido o horário em que elas começaram a cozinhar.

— Caramba! O tempo passou voando. – Comenta Kayla, também surpresa pelo horário.

— Mas o que vocês realmente estão planejando fazer com esse tanto de comida que estão preparando? Doação? – Questiono, pegando um pedaço de tomate que Peggy havia cortado em um tamanho exagerado.

— Não é uma ideia ruim. Podemos mesmo doar essas refeições para os moradores de rua. – Afirma Peggy e Kayla assente, concordando. – Mas não começamos a fazer isso para doação. A verdade é que a gente está testando os pratos típicos para o jantar do Dia de Ação de Graças.

— Jantar de Dia de Ação de Graças? Parece ótimo. Não estava nem mesmo me lembrando da data. Não que isso seja uma novidade. Eu não lembro de nada mesmo. – Brinco, ainda que no fundo, pensar sobre isso me destruía.

— Por enquanto. Eu tenho certeza de que você vai se lembrar. É só uma questão de tempo. – Garante Peggy com sinceridade. – E sobre o jantar, nós iremos comer na casa de Debbie. Eu tinha a convidado para comer aqui com a gente, tia May, Peter e tio Jarvis. Mas ela falou que Violet, Morgan, Amy, Elliot e David virão para casa no dia de Ação de Graças com seus maridos, esposas e filhos. Eu tentei recusar, porque não queria atrapalhar o momento família, mas não consegui.

— Debbie insistiu tanto em fazer a gente participar da ceia deles, que não tivemos escolha além de aceitar. Ela disse que Peter, tia May e tio Jarvis também vão para lá e não havia motivos para recusar. – Conta Kayla, surpreendendo-me.

— Eu acabei aceitando, mas com a condição que pudesse ajudar a preparar a ceia. Ela concordou, então Hailey e eu estamos treinando para não passar vergonha na hora. – Completa a mais velha, rindo.

— Eu também quero ajudar, então estou participando do treinamento básico, além de ser a responsável por pesquisar na internet as receitas mais fáceis e tradicionais no jantar de Ação de Graças. Estamos nos saindo relativamente bem, então acho que se continuarmos treinando, vamos nos sair melhor ainda no dia. – Afirma Hailey, sorrindo animada ao imaginar o jantar de Ação de Graças que será realizado na casa de Debbie.

Sorrio com a animação de minha filha mais velha, mas então as palavras de Jarvis retornam à minha mente. Suspiro, sem saber como contaria para Peggy e Kayla que nós provavelmente teríamos que nos mudar mais uma vez para fugir de Schimdt. As crianças ficariam arrasadas com essa novidade. Elas parecem amar a escola e as pessoas que cuidam de nós desde que chegamos e nunca nos deixaram passar fome. Mas eu sabia que quanto mais adiasse o momento, menos coragem eu teria para contar.

— Bom, nós provavelmente nem mesmo estaremos cidade para o jantar de Ação de Graças. – Revelo de uma vez e elas me encaram surpresas.

— O que quer dizer com isso? – Pergunta Peggy com cautela. Ela coloca a vasilha que segurava sobre a mesa e me observa com atenção. – O que aconteceu?

— Essa manhã, a caminho do trabalho, Jarvis me contou que algumas testemunhas afirmaram ter visto Schimdt em Port Royal, uma cidade que fica a um pouco mais de dez quilômetros daqui de Beaufort. Eu perguntei se ele e May não seriam o bastante para cuidar deles. Ele me disse que em situações normais onde eles enfrentariam bandidos comuns ou traficantes, ele disse que dariam conta, mas como o criminoso é Johann Schimdt, um dos maiores e mais habilidosos assassinos da HYDRA, então o mais seguro é nos enviar para uma nova cidade, assumirmos uma nova identidade e laços familiares para que as pessoas não desconfiem de nossas verdadeiras identidades. Eu não quero me mudar pelo programa de proteção a testemunhas, mas pensando na segurança das crianças, principalmente, na de Kayla, eu acho que a atitude mais racional que nós devemos a tomar é acatar essa decisão. Não temos força, poder e dinheiro, então creio que a melhor decisão é nos mudarmos para uma nova cidade.

— O quê? Não! Eu não quero me mudar! Eu já estou farta de fugir. Não quero sair da escola que tanto amo e nem me separar dos amigos que fiz. Eu amo o nome que recebi e o fato de vocês serem meus pais e eu poder falar isso em voz alta. Amo a família que nós construímos juntos e todos da comunidade que nos receberam de braços abertos. Eu não quero ir embora, mas se tiver que fazer isso, quero fazer somente quando retornarmos para Hawkins, onde vocês darão a entrada no processo de adoção a mim e aos irmãos. – Kayla parecia desesperada e eu a entendia perfeitamente. Eu amo a vida que estamos levando em Beaufort. Amo nossa família e as amizades que fizemos com os moradores da região, mesmo que a gente esteja há pouco tempo por aqui.

— Eu sei, meu amor, mas não podemos nos arriscar. A sua segurança e a de seus irmãos é a nossa prioridade. – Afirmo e ela bufa, frustrada e decepcionada. Eu me sentia péssimo por isso. Não queria magoar os sentimentos de Kayla. – Com a minha falta de memória, não posso garantir que conseguirei lutar novamente contra Schimdt se ele voltar a aparecer. Jarvis e May são os nossos únicos reforços no momento e eles afirmam não serem capazes de garantir a nossa segurança.

— Então vamos chamar mais pessoas da CIA e lutar, pai. Tony Stark mesmo disse que você fazia parte de uma unidade especial da CIA que era muito forte. Se chamarmos seus amigos, como Tony, Natasha e Hillary, podemos vencer eles, certo? – Sugere Kayla, mas eu não sabia como responder a essa pergunta.

De fato, se tivéssemos mais apoio da CIA, talvez pudéssemos enfrentar Schimdt e o prender de uma vez por todas. E é claro que a agência já devia ter pensado nisso. No entanto, algo deve estar os impedindo de mandar mais pessoas para cuidar de uma missão como essa. Sem minhas memórias, tudo ficava muito mais complicado, afinal, eu nem mesmo sei aquém recorrer em uma situação como essa.

— Ela tem razão. – Responde Peggy, surpreendendo-me com sua expressão séria e pensativa. – O nosso maior problema no momento é a falta de reforços. Eu posso muito bem lutar contra Schimdt, mas como poderíamos garantir que as crianças ficariam bem enquanto isso? A HYDRA possui uma força absurda. Não dá para confiar em nossa força estando em um número tão pequeno assim.

— O que você tem em mente? – Questiono, preocupado com as loucuras que se passavam na cabeça de Peggy.

— Eu preciso fazer uma chamada de vídeo com uma pessoa importante. É um plano arriscado e talvez eu possa estar me precipitando em confiar tanto assim em meus instintos. Mas se o plano der certo, podemos ganhar desse maldito do Schimdt e retornar para Hawkins em segurança. – Responde Peggy e eu a encaro com desconfiança, sem saber se poderia acreditar nas loucuras que provavelmente se passavam em sua cabeça.

— Vamos tentar, mãe! – Kayla se anima e posso ver a esperança presente em seus olhos brilharem com intensidade.

— Certo. Vá pegar o notebook no quarto, enquanto eu confiro o bolo que está no forno. – Orienta Peggy e Kayla assente, correndo para o andar superior da casa.

— O que você está planejando? – Pergunto, enquanto observo a mulher tirar uma forma do forno.

— Você vai ver. – Responde Peggy, dando de ombros, enquanto seus lábios exibem um grande sorriso. – Mas se está preocupado com o fato de que eles podem encontrar a nossa localização. Não se preocupe. Eles já a possuem, então vamos apenas torcer para que o nosso plano dê certo.

Kayla não demora a aparecer. Todos nós vamos para a sala de estar e Peggy coloca o notebook sobre o colo. Ela passa a mexer, enquanto Kayla, Alex e eu ficávamos observando-a acessar alguns sites para fazer a vídeo chamada na internet. Liz vai para o colo de Kayla e Alex se senta no meu, ao lado de Peggy, que continuava a digitar freneticamente.

Peggy se arruma e sorri quando a chamada de vídeo começa. A pessoa do outro lado parece demorar alguns instantes para acreditar no que via, mas não demora muito para eu sorrir e ele aumenta ainda mais quando ouve o grito feminino de uma de suas amigas.

Peggy? Ai meu Deus! Você tem noção do quão preocupada eu estive durante esses dias em que você simplesmente desapareceu? Onde você está? O que aconteceu? Naty disse que algo de muito ruim aconteceu e você precisou ir para outra cidade, mas não me deu nenhum detalhe. Apenas disse que eu não poderia tentar entrar em contato com você, porque você não atenderia. – Uma mulher de cabelos loiros, olhos verdes escondidos por óculos de grau passa a encher a mulher de perguntas, mas para ao notar a minha presença. – Espere um pouco. Esse ao seu lado é o Steve? Você viajou com o Steve? Por que você não me contou, sua traidora?

— Felicity Smoak Queen, será que dá para você parar de tagarelar e me escutar? Eu não tenho todo o tempo do mundo e preciso de um favor imenso seu. – Peggy repreende a loira e eu me surpreendo ao reconhecer essa mulher sendo a nossa amiga de infância que ela havia comentado em nossa reunião no dia anterior.

Certo. Então me explica o que está acontecendo. E eu espero que você tenha um bom motivo para ter desaparecido sem...

— Felicity! – Novamente a mulher é repreendida. Felicity ergue os braços em sinal de redenção, enquanto Peggy suspira cansada. – Steve e eu estamos em...

— Não, mamãe! – Alex interfere, colocando a mão sobre a boca de Peggy. – Não podemos contar para ninguém.

— Filho, está tudo bem. Ela é amiga e alguém de confiança da mamãe. Espere um pouquinho, sim? Fique com o seu pai e suas irmãs. A mamãe precisa conversar com a amiga dela. – Pede Peggy, afastando as mãos delicadas e infantis de Alex de sua boca.

— Vem cá, filho. Deixa a mamãe conversar. – Digo, puxando o menino para se sentar em meu colo. Kayla lança um olhar repreendedor para o irmão, que se encolhe contra mim, enquanto balança Liz para que a garota não acabasse se revelando antes da hora certa.

Mamãe? Filho? Irmãs? Steve é o pai do menino? Margaret Elizabeth Carter, será que dá para me explicar o que aconteceu nesses dias em que você esteve em viagem? Como assim mamãe? Quem é esse garoto? Como foi que você acabou se tornando mãe com Steve? – Pergunta Felicity, encarando a melhor amiga com seriedade.

Peggy se tornou mãe? – Um homem de olhos azuis, barba e cabelos quase loiros aparece ao lado de Felicity com um garotinho loiro de olhos azuis tão intensos quanto do homem que o segurava. Imaginei que aqueles fossem o marido e o filho de Felicity. – Oi, Peggy!

— Tia Peggy! – Cumprimenta o garotinho, olhando para a câmera com um largo sorriso no rosto. – Eu estou com saudades de você, tia Peggy.

— Oi, Oliver! Olá, meu pequeno príncipe. A tia Peggy também está morrendo de saudades de você. Mas não se preocupe. Eu logo devo retornar para Hawkins com a minha mais nova família. – Garante Peggy, encarando-os com emoção. Ao ver a criança, os olhos da mulher se encheram de lágrimas. Ela então suspira, parecendo sentir seu coração se quebrar com as falas do menino do outro lado da linha. – Eu sei que vocês têm muitas perguntas para fazer, mas eu não tenho muito tempo, Felicity. Eu preciso da sua ajuda e a de Oliver também.

Da minha ajuda também? — Oliver parecia surpreso com o pedido de Peggy. Ela assente, concordando. – Agora eu fiquei curioso. O que podemos fazer para te ajudar ao ponto de ter envolvido até mesmo a CIA nisso?

O sorriso de Peggy se amplia e ela leva a mão a minha. Nossos olhos se encontram e posso ver a confiança que eu não tinha nos olhos da mulher. Ela respira fundo e volta encarar seus amigos. Estava na hora de revelar o seu plano.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara