Memórias De Uma Alma Condenada

2 Contos da Vila da lua parte 2


Olhos cansados e frios olharam o início da alvorada púrpura como um vergão, além do horizonte na janela rachada. Era mais um dia em Vila da lua, assim como todos os outros foram e seriam, trabalhar incessavelmente até o fim de sua vida vazia.

A Vila da lua podia ter suas mansões luxuosas e imponentes, porem a maior parte era pobre, precária e submissa aos mais poderosos. Arthur Deepheart morava no último casebre da baixada das lágrimas, assim como um garoto comum de sua determinada casta, a qual seria fadado até o fim de sua vida, que tinha de trabalhar excessivamente, assim como os irmãos mais velhos. A mãe morrera durante seu parto e isso desestruturou toda sua família. Apesar de tudo Arthur era grato por tudo que tinha e pelo que não lhe faltava, o pai era pescador e a mãe trabalhava nas plantações de algodão dos Bloodcotton.

Arthur ajudava o pai e os irmãos e sempre que podia caçava na floresta lunar, estava cada vez mais difícil de conseguir alimento ao ponto que horas exaustivas de trabalho de sua família, mal davam para comprar legumes podres no mercado de rua. O garoto possuía traços do pai e os olhos azuis escuros da mãe, embora nunca a tenha conhecido, em tempos difíceis sentia a presença dela ao seu lado. Arthur trabalhava desde os 7 anos junto do pai, agora estava com 12 e conforme os anos passavam ele perdia o encanto pela vida.

Sua vida tinha mudado quando ainda era um garoto de 4 anos e perdeu o irmão mais velho John que a princípio tinha desaparecido no mar e nunca mais voltaria. Ainda assim Arthur sofreu um choque terrível ao descobrir o desaparecimento de seu irmão, mais tarde no mesmo dia foi ao porto com intuito de encontrar John. Encontrou por fim o barco de John flutuando perto da costa, ao se aproximar sentiu como se a brisa marítima tivesse levado parte de sua alma junto ao vento. Não encontrou o irmão no barco, até virar e se deparar com John, que estava frio, com os lábios azuis e a pele estava enrugada de passar muito tempo submerso. Arthur e John foram até em casa conversando sobre pesca de como o pai ficaria contente com a sua volta do mar. Ao chegar na porta do casebre na baixada das lágrimas o garoto foi dormir e estava exausto assim como todos que já haviam se retirado para se afogarem no mar dos sonhos vazios. John colocou Arthur na cama com uma história sobre um pescador que foi levado pelo mar e nunca mais voltou, os sonhos vieram rápido e levaram o garoto para um mundo utópico onde os acontecimentos lá feitos, nunca seriam realidade. ''Algum dia irei para o mar com John, navegar em um mundo distante e nunca mais voltar''

John Deepheart nunca foi encontrado, a não ser pelo seu barco com a vela quebrada, foi dado como morto no dia em que Arthur foi a sua procura no porto, porem a unica coisa que encontrou foi a alma perdida de John, mas o irmão que tinha tanto procurado nunca mais voltaria.