Melancolia

4 Capítulo 4 - Érico


Quando fiquei sabendo do show da Verônica no Cantaí, minha primeira reação foi ignorar, pois era isso que eu vinha fazendo com qualquer coisa relacionada a ela. Estava cansado de me torturar com a lembrança da nossa história e de como eu arruinara tudo. Vê-la seria angustiante demais, ainda mais no lugar onde tudo começou.

No entanto, minha relutância durou apenas até o momento em que o relógio marcou a hora em que ela havia informado que chegaria ao Cantaí, sem me importar com os alertas que minha mente ia lançando sobre mim no caminho, cheguei ao local no momento em que ela subia no palco.

Troquei meia dúzia de palavras com a Rosemere e quando me virei ela estava lá. Ainda mais linda do que antes. Seus olhos logo encontraram os meus e senti o chão abrir sobre meus pés. Eu queria correr até ela, gritando o quanto eu lamentava por tudo e a amava. Queria contar o quanto minha vida estava uma droga e que nada fazia sentido desde que me dera conta de que a tinha perdido.

Senti meus olhos arderem e temi que lágrimas denunciassem toda a tempestade que acontecia dentro de mim, mas antes que isso acontecesse, o Nelson se aproximou dela e ela abandonou meus olhos para olhar para ele. E enquanto conversavam, toda minha angustia fora substituída por uma revolta crescente, uma necessidade quase incontrolável de manda-lo se afastar dela agora e para sempre. Era o ciúme me tirando a razão, mas não me importava, qualquer sentimento adverso era melhor do que me ver refém do meu remorso.

Logo ela começou a cantar e se mostrou decidida a não olhar para mim mais, mas não consegui ser tão forte quanto ela e meus olhos não a abandonaram um minuto sequer.

Havia alguma maneira dela ser ainda mais encantadora?

Ao fim da música, ela me procurou e me encontrou no mesmo lugar. Quando seus olhos fitaram os meus mais uma vez, me dei conta de que não aguentaria aquilo nem mais um minuto e, assim que ela distraiu-se saindo do palco, deixei o Cantaí.

Já do lado de fora, não sabia o que fazer. Não queria ir para casa, aquelas paredes estavam cansadas das minhas lamentações, mas também não podia ficar ali a vista de qualquer um.

Estava entrando no carro, quando uma voz me deteve.

A voz que não era direcionada a mim já há algum tempo.

A voz dela.

– Érico, espera.