Melancholy
6 Capítulo VI: Shadow
Notas iniciais
– Daiki... _começou a mulher, seu semblante antes fechado, agora estava mais leve e podia-se até notar um sorriso nos lábios. Ela se sentou no banco à sua frente e recomeçou _Daiki como você está?
– Vai mesmo me perguntar isso? Sério?
– ...nós... _abaixou o olhar perdendo totalmente sua postura rígida, os ombros se caíram e a coluna se curvou para frente _me desculpe. Eu só tinha 18 anos, fiquei com medo.
– Do que está falando? Já disse milhares de vezes que sempre entendi o que estava sentindo. Mas Carry, eu tinha 22 e estava trabalhando para isso dar certo.
– Eu sei! Eu sei Daiki, me escuta... tinha meu sonho de entrar para o mundo dos negócios e ser bem sucedida. Esse, por mais idiota que pareça, era a droga do meu sonho. Quando engravidei fiquei pensando: e agora? E outra, estava longe da minha mãe, numa terra que eu mal conhecia, com alguém que ainda não confiava... sou dependente e frágil, não consegui mudar até hoje imagina naquela época.
– ... _trincou os dentes desviando o olhar para a fonte ao lado, a chuva havia cessado e as pequenas gotas escorriam pela pedra azulada _e daí? Você voltou para cá não voltou? Deixei que voltasse sem questionar, por que está me dizendo isso agora?
– Só queria que entendesse o motivo.
– Eu entendi seus motivos há 10 anos. Sabe que o problema não foi esse _estalou a língua _você fez pouco caso, me humilhou quando tudo aconteceu.
– Como eu ia cuidar de você, de um bebê e da minha carreira?! Não é justo que exija iss-
– CALE A BOCA! Não precisei de ninguém cuidando de mim, foda-se se eu fiquei preso nessa droga de vida, me arrastei no chão inúmeras vezes, mas nunca pedi a ajuda de ninguém. Você me subestimou, ou melhor, está usando isso como desculpa. Por que veio com esse assunto agora? Com medo que leve Theo para o Japão?! Relaxa, pois não sou tão burro quanto você.
– Daiki não! Me ouça pelo amor de Deus, não sabíamos como ia ser!! Nem você sabia se ia conseguir se quer levantar daquela maldita cama. Minha mãe... _cerrou os punhos _a senhora Manson só disse que ajudaria caso eu recusasse sua presença. Ela me chantageou. Minha faculdade e chances de entrar na empresa seriam esmagadas por ela, entende? Fui fraca de não lutar contra, mas era meu único apoio. Não tenho pai, eu não tinha ninguém.
– Você tinha a mim! _disse incrédulo erguendo os braços no ar _eu, Aomine Daiki jamais te deixaria desamparada... droga, Carry, por que não me contou isso antes afinal?
– Fiquei com medo de não conseguir cuidar de vocês dois, por mais que o amasse, me desculpe, Daiki.
A essa altura o coque feito com tanto zelo já estava solto e as lágrimas agora riscavam a pele branca da mulher que naquele momento, aparentava ser apenas uma adolescente indefesa e perdida.
– Me desculpe... me desculpe...
– Dez anos para nós parece besteira, há 15 eu não falava com aquele idiota lá dentro. Mas 10 anos para uma criança é uma vida toda, Carry, infelizmente tem coisas que você não pode resgatar nunca mais. Você fez o Theo sofrer e tenho certeza que ainda faz, não sei a real intenção de ter vindo me confessar isso... mas a partir de agora vou criá-lo queira você ou não.
– O... você _sua respiração de tornou pesada _vai reabrir o processo? Minha mãe dorme com o juiz, pronto falei.
– Imaginei algo do tipo, não, não vou reabrir mesmo porque sabemos que eu ganharia dessa vez. O nome do Kagami estaria envolvido, trapaça isso se chama.
– E por que...?
– Diferente de você e sua mãe, eu penso no Theo. Quero só levá-lo comigo nas férias e vir mais vezes para cá, Carry de boa, você já... _deu os ombros _já é madura e independente. Você sempre foi, honey.
O apelido antigo fez a mesma sorrir encabulada, ela se levantou e ajoelhou ao seu lado.
– Doeu? Deve ter... doído muito seu acidente.
A pergunta fez Daiki rir, não era possível que estava ouvindo aquilo era? Qual a chance de duas pessoas naquele maldito planeta Terra terem a mesma reação?! Taiga também tinha perguntado a mesma coisa quando se encontraram, semana passada. Apesar de ter sido algo divertido e inesperado a loira interpretou como ironia e voltou a abaixar o rosto murmurando um pedido de desculpas.
– Doeu pra caralho _respondeu agora de total bom humor _e não, eu não te perdoo.
– ...sai da empresa faz dois meses, estou trabalhando num escritório sem minha própria cadeira e só vou na casa da mamãe para ela ver o Theo. Hoje ela não queria que eu viesse e ah, ontem quando vocês dobraram a esquina eu corri até lá e quebrei a droga do meu salto no meio do caminho. Paguei para o Theo continuar jogando basquete por chantagem dela, o Taiga deve me odiar profundamente, mas não me arrependo!
– O que é tudo isso? _e voltou a rir _parece uma criança contando coisas que aprontou.
– E eu não tenho droga de preconceito nenhum contra você! E mesmo que não me perdoe eu ainda continuo te amando ok?! Ok _sua voz aumentou estupidamente.
– Louca _cantarolou _louquinha desde adolescente. Meu caralho.
– E eu quero que a minha mãe vá para o inf-
– Opa!! Isso não _tapou sua boca _mesmo que eu queira também, não diga. Carry, na moral você já disse tudo o que tinha para falar?
O clima era de descontração, sim era... mas o coração quebrado do moreno não cederia a um simples pedido de desculpas. Eles nunca conversaram daquela maneira depois da gravidez, sempre estavam na companhia de muitas pessoas, ainda assim Daiki não era capaz de perdoá-la e ambos sabiam.
A loira se levantou e secou o rosto, empurrou a cadeira de Daiki pelo jardim refazendo o caminho de volta e pensando em tudo o que acontecera. O silencio entre eles durou até a porta de entrada, nos fundos, e antes de avistar Taiga e Theo ela se abaixou para dizer uma ultima coisa.
– Se estiver cansado de sua vida, venha morar comigo. O recomeço pode vir e não precisamos nos importar com a opinião de ninguém, sabe disso.
Daiki não respondeu.
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Theo se despediu do pai com um abraço apertado, o garotinho já tinha se demorado mais do que o suficiente no carro e agora era a hora de entrar em casa. Olhando uma ultima vez para trás, Taiga deu a partida e se afastou da casa de Carry com uma sensação nostálgica de desconforto. E o desconforto agora veio em dose dupla ao perceber que Daiki tinha algo que lembrava felicidade em seu rosto.
– Aconteceu alguma coisa? _perguntou por fim.
– Uhum, acho que agora as coisas serão diferentes sabe... vou poder ficar mais com o Theo _fez um V com os dedos.
– Sério?! O que ela disse?
Daiki repetiu toda a conversa tentando não distorcer nada, vez ou outra Taiga o interrompeu para fazer algum comentário, mas nada relevante. Ao final ambos agora refletiam juntos sobre as ações da mulher.
– Ainda não gosto dela.
– Nunca vou perdoá-la, Taiga. Não me entenda errado _cruzou os braços _ainda assim foi bom poder ouvir a verdade e saber que ela está se esforçando para mudar.
– Hn... _dobrou a esquerda dando uma atenção exagerada ao ato.
– Ela também ousou a me convidar para que moremos juntos.
Daiki disse como se estivesse dizendo que iria tomar café na padaria. Taiga quase soltou o volante no susto, como assim morar juntos?! O ciúme lhe invadiu os sentidos por alguns segundos, certo, ele estava sendo um idiota, Daiki tinha 32 anos e um filho com aquela mulher. Tinha a total liberdade de querer e não querer.
– E...?
– Claro que não vou do nada, Taiga. Deixa de ser burro _riu da expressão exagerada do ruivo _porém também tenho tanta culpa quanto ela nessa história toda e vou fazer o melhor para o Theo... se o melhor for tentar por esse caminho, então quem sabe... pra mim tanto faz.
– C-como assim tanto faz?
– ...tanto faz ué, se for preciso moro com ela.
– E você?! E os seus sonhos?
– Taiga, está se comportando como um adolescente. Meu sonho é criar o Theo, vou fazer nem que eu tenha que recomeçar dessa maneira.
Me conformar é o que faço de melhor na droga dessa vida.
A segunda-feira chegou tristemente, antes do amanhecer Daiki já tinha embarcado no jatinho de Taiga para voltar ao Japão. O ruivo estava se sentindo péssimo em não poder ir junto, mas Daiki se sentia pior ainda ao deixá-lo; enfim sua vida voltaria a ser chata e quase desumana. Ele olhou para trás sentindo o corpo todo tremer, não queria ir embora, não podia! O frio chegou a congelar seus ossos mesmo sob o cobertor e as lágrimas pareciam queimar a pele morena, mais uma vez Daiki estava se distanciando, a dor nostálgica que acreditou que nunca mais sentiria estava ainda mais forte.
– Eu te amo _murmurou contra a janelinha agora embaçada devida a diferença de temperatura _adeus, Taiga.
Do lado de fora o comandante recebia a ultima palavra de Taiga, fizera questão de passar todos os detalhes e ainda pediu para que seus seguranças de confiança o acompanhassem. Ele estava enrolando o máximo que podia para se afastar, perguntava se o tempo estava bom e se não era melhor adiar o voo. “Só mais cinco minutinhos” Pensava olhando para o relógio na esperança que algo acontecesse.
– Certo então... entendeu tudo? Quando chegar me avise.
– Kagami-san _o senhor deu um sorriso gentil _não quer mesmo que ele vá?
– Sabe que não _tremeu com a rajada de vento _você é meu piloto há cinco anos, já me viu deixar alguém ir embora?
– Só aquele homem de olhos bicolores _riram, de fato o ruivo não era muito fã de Akashi e sempre tentava despistá-lo o mais rápido possível _faremos uma boa viajem.
Taiga se afastou.
A viajem transcorreu tranquila, depois de muitas horas de sono – e como Daiki estava cansado afinal! – o moreno acordou a apenas meia hora de seu destino final, a temperatura estava muito mais alta e a claridade se fazia presente deixando o ambiente confortável. Até mesmo a tristeza pareceu diminuir.
Foi recebido no aeroporto pela afobada Satsuki e seus afilhados, os gêmeos fizeram um enorme estardalhaço quando viram o padrinho e insistiram para que o moreno lhes contasse tudo. Por incrível que pareça foi muito difícil pensar na tristeza de se afastar do ruivo depois de uma semana inteira em seus braços, passou a tarde toda com os gêmeos no fliperama, depois cinema, restaurante e por fim no parque onde encontrariam Kuroko assim que o mesmo acabasse seu expediente no trabalho. Takeru e Kaoru se entretinham com o vídeo game portátil jogando um contra o outro enquanto a amiga de infância reservava finalmente um tempinho para conversarem.
– Dai-chan, você está bem?
– Estou Satsuki! Pare de me fazer a mesma pergunta o dia todo.
– Mas o Tai-chan... ah por que não pensou em você e disse tudo?!
– Dizer o que? Não tenho nada a dizer _afagou os cabelos da amiga _ele está vivendo a vida dele e eu a minha.
– Vai voltar a morar com aquela mulher só por causa do Theo _suas bochechas ficaram vermelhas_ sabe que não precisa ser assim.
– Nunca disse que será assim, ainda vou conversar com ela direito. Quero ficar perto do meu filho... e o Taiga também precisa acertar a vida dele, vai encontrar um alguém.
– Está jogando sua felicidade pela janela.
– Ele não me quer! Está satisfeita agora? _bufou pegando seu próprio PSvita e o ligando _garotos, me deixe entrar na próxima batalha.
– Você ao menos chegou a falar com ele sobre isso?
– Eu me declarei, ele sabe que posso voltar a morar com a Carry, o que mais espera disso?!
A pequena mordeu os lábios, ela entendia a situação, só não queria entender. Era diferente.
– Diga que quer morar com ele em Los Angeles.
– Satsuki, minha adolescência acabou... _olhou para o vídeo game em mãos e o escondeu _acabou, deixei de ser inconsequente a muito tempo.
– E ir morar com ela não é?!
– ...sabe que não, é o melhor para o Theo _olhou para os gêmeos que ainda estavam entretidos _depois que eu encontrei o Taiga... algo acendeu dentro de mim, não tenho mais vontade de continuar a viver... _engoliu em falso _essa vida chata, sob esse céu cinza. Quero me dar o direito de sorrir também e fazer as coisas que gosto com prazer.
– Ah Dai-chan, você ainda é meu amigo de 17 anos _afagou seus cabelos _sua felicidade é estar ao lado do Tai-chan. Pense nisso.
– ...queria saber qual a parte do ele não quer isso você não entendeu _resmungou saindo de perto da amiga e se aproximando dos afilhados.
Kuroko se juntou a eles algum tempo depois, foram jantar no restaurante preferido de Satsuki e por fim Daiki fora deixado em seu apartamento. Ele se despediu com um leve pesar nos olhos, uma vez sem os amigos agora teria muito tempo para pensar na semana mágica que tivera com o ruivo. Depois de tantos anos eles finalmente... sentiu o corpo esquentar e tentou espantar o arrepio com um gesto negativo de mãos, Taiga fora apenas o gatilho para as mudanças de sua vida então o mais correto agora era parar de sonhar e seguir em frente. Certo?
Foda-se...
O moreno suspirou, não queria mesmo deixar de pensar nele, ainda podia sentir o aroma cítrico de seu shampoo e o perfume amadeirado nas roupas.
– Ah Taiga _se lamentou sentindo-se ridículo por ficar com uma notável ereção entre as pernas.
Não era só de seu corpo que sentia saudades, ainda tinha o sorriso maravilhoso, as palavras divertidas e principalmente a segurança que sentia estando ao seu lado. Como se nada fosse impossível. Bom, nada era realmente impossível, os seres humanos que se prendiam com grades invisíveis dizendo para si mesmos que havia coisas inalcançáveis. Ele olhou para o Iphone em mãos, o ultimo whatsapp recebido fora há muitas horas atrás do ruivo dizendo que estava levando Theo para tomar sorvete.
Morar com Carry poderia significar ficar perto do filho e perto do seu único e grande amor. Perfeito não era? Mesmo que nunca mais se tocassem pelo menos poderia se embriagar em seu sorriso todos os dias. Era sua luz no fim do túnel.
Mesmo que isso significasse sacrificar um dois... ou todos os seus desejos.
– Tá certo, vamos ao que interessa. Home office _fez careta, ainda precisava trabalhar.
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– Darling por que está fazendo essa carinha? _Ruth se aproximou do filho que jazia inerte no sofá com o Iphone em mãos _e por que está na casa da sua mãe?
A ruiva pequena colocou as mãos na cintura tentando um clima de descontração, desde a partida de Daiki, no começo da manhã, ele tinha se comportado de maneira infantil como se estivesse emburrado com alguma coisa.
– Eu não sei _resmungou _só estou com preguiça de ir pra casa.
– ...bom, seja como for seu pai volta de viajem hoje.
– O q-que?!
Taiga engasgou e deixou cair o celular fazendo o mesmo quicar para debaixo do móvel, seu pai – o senhor Kagami Haruzo – passou praticamente a vida toda viajando pelo país a serviço, deixou sua esposa grávida na América participando pouco de tal processo e isso se perpetuou até Taiga ter por volta de seus 25 anos, quando voltou para casa tentando promover o slogan de família feliz e estruturada. As brigas, por serem constantes, fez o homem aceitar novamente a vida de executivo atarefado; foi melhor, Taiga agora estava crescido e não fazia questão de sua presença, cuidava da mãe muito melhor do que o patriarca. Sua volta significava nada mais do que longas horas de histórias chatas e sermões, sempre inventava que tinha treino ou festas de caridade para ir, infelizmente sua mãe o pegara de surpresa.
– Fique para o jantar _ela pediu mansa _por favor.
– Não, definitivamente não estou a fim de passar a noite toda ouvindo sobre a bolsa de valores e de como ele é feliz longe de nós _se agachou à procura de seu celular.
– Taiga, ele é seu pai.
– Ele só voltou quando sai na capa da NBA stars. Isso já é mais do que o suficiente pra mim _estendeu o braço o máximo que pode e alcançou o aparelho, se levantou quase ofegante pelo esforço desmedido _ estou indo pra casa.
Ruth segurou seu braço apertando o enlaço, sua mão pequenina tinha mais força do que aparentava.
– Espere, ainda não terminei. Tem outra coisa que está me incomodando.
– Mum... _disse cansado desejando ter ido direto para casa depois do trabalho.
– O que fará em relação ao Daiki?
– ...nada _voltou a se sentar agora trazendo Ruth para o seu lado _ele tem a vida dele.
– Entendo, mas prometa a si mesmo que não vai perder o contato dessa vez, viu como ele ficou feliz de vir para cá?
Seu sorriso foi satisfatório para Ruth deixa-lo ir. Taiga atravessou o hall de entrada pensando em sua própria vida, aquela semana com Daiki foi no mínimo maravilhosa, ainda assim algo o deixava inquieto: aquela ansiedade era coisa de momento? Será que seus sentimentos não estavam apenas mascarados, pois era algo novo? Desde que se separaram Taiga ainda não tinha pensado naquele assunto delicado, não esperava ouvir de forma tão clara um “eu te amo” depois de quinze anos! Sua reação fora ridícula, ficou envergonhado e acabou fugindo do assunto.
Por que se sentia tão sozinho?
Levou o celular na altura dos olhos e mandou uma mensagem de voz, ficou meio sem o que dizer e por fim acabou contando que o pai estava voltando de viajem e ele estava fugindo para casa. Se sentiu um pouco bobo por isso, ligou o som do carro colocando Avicci para tocar.
Estes são os dias
Que estávamos esperando
Em dias como estes
Quem poderia querer mais?
Deixe-os vir
Porque ainda não terminamos
Estes são os dias
Que não vamos nos arrepender
Estes são os dias
E se aquele sentimento não for amor? E se acabar se enganando? Esses dias foram felizes, sim, seu sorriso contagiante esquentou o coração frio do ruivo. Ele poderia chamá-lo para morar consigo em Los Angeles. Ele poderia também protegê-lo do assédio da mídia, dos planos ardilosos da senhora Manson, protegeria seu sorriso, seu coração.
Só não podia protegê-lo de si mesmo.
– E se eu quebrar seu coração novamente?
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– Hum, acho que Avengers e você?
– Iron man claro! Ninguém mais foda do que o Tony Stark. Pena que a mulher dele é sem sal, poderiam ter convidado uma atriz mais gostosa, sabe, peitos maiores _fez um gesto obsceno.
– Você continua com essa de peitos grandes?! Não acredito. Espero que o Theo não... _ele parou de falar por instante _não vou deixá-lo perto da Alex mais.
Eles riram e então o silencio voltou a se instalar, Aomine conversava com Kagami pelo skype e no momento ambos de pijama e com uma boa dose de frio amaldiçoavam a distancia entre eles.
– Quer chocolate quente, Taiga? _ergueu a caneca azul marinho com detalhes em branco.
– Quero, trás aqui pra mim! _estendeu a mão num gesto infantil, em seguida seu semblante animado deu lugar ao desanimo _essa distancia chata.
– Sim... s-se... morássemos perto novamente eu poderia fazer isso todos os dias.
Mordeu os lábios, ele queria tocar no assunto, mas estava sem coragem... não tinha nem mesmo ligado para Carry ainda, tudo girava dentro de sua mente abrindo mil portas aleatórias para seu futuro. E atrás de todas elas estava Kagami Taiga é claro. Ele sabia que o ruivo nada falaria.
– Não vejo a hora de ir para o Japão com Theo, as férias dele estão chegando _desconversou desaparecendo do monitor por alguns segundos _olha! Comprei algumas coisas que você gostou de comer aqui. Vou mandar pela transportadora assim que der.
– Ah cereal, assim vai me deixar mal acostumado _disse irônico _me mande esse ai também.
– Esse o que?
– Esse ruivo delícia.
– Vou mandar embalar para você _mostrou o dedo do meio ganhando outro _preciso ir, não me deixe sem notícias.
– Taiga, a gente se fala o dia todo, todos os dias. Mais do que isso só morando juntos.
A frase escapou de seus lábios de forma quase inocente, o ruivo reagiu naturalmente, rindo e concordando. Ele se despediu com um beijinho e desligou o skype, do outro lado Daiki continuava a sonhar abobado para o nada; depois de vários dias pensando sobre o assunto chegou a uma única conclusão: não importa o que fizesse, sem a presença de Taiga em sua vida de forma concreta, nenhuma das portas o levariam para um futuro feliz.
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