Melancholy

3 Capítulo III: Destiny


Notas iniciais
Taiga! Lagosta pra nós ;) HUAUHAHUAUHAUHAUH.

– E ai, Bakagami. Tempo ein _quebrou o silencio _...chega ai, me dá um abraço, idiota.

– Porq... como _balbuciou o que conseguiu, Daiki rolou os olhos e se aproximou desviando do sofá.

– Pare de fazer essa cara... eu quero mesmo um abraço, sabe.

Aomine ficou ensaiando na frente do espelho como reagiria ao ver Kagami: um sorriso, algumas palavras, até mesmo uma piada estúpida... mas o que conseguiu fazer mesmo foi deixar que a emoção tomasse conta de si e, em conjunto com o outro, o abraço veio recheado de lágrimas e soluços. Por mais que vivesse bem naquela condição, encontrar o ex-camisa 10 da Seirin trouxe de volta sentimentos que a muito foram negligenciados pelo tempo: revolta, tristeza, medo e desânimo.

– Por que...?

– ...senti sua falta, Taiga _afagou seus cabelos, o ruivo agora escondera o rosto em seu colo e permanecia ajoelhado ao seu lado.

– Por que isso soa tão injusto? Por que demorei tanto para voltar? Por que...?

– Hey olhe pra mim _sussurrou em seu ouvido _...não temos mais 17 anos, Bakagami.

Lentamente ele ergueu o rosto, ainda enroscado em sua cintura.

– Preciso que me conte, por favor.

– ...claro Taiga, sente-se ai _indicou o sofá e se colocou a sua frente. Respirou fundo fazendo uma careta em seguida para espantar o clima ruim _aconteceu faz... _contou nos dedos _ 10 anos _Kagami o interrompeu com um audível “what”, mas ficou em silencio logo em seguida _sim, eu tinha 22. Sabe, depois da formatura do colegial, se lembra? Que dormi na sua casa depois do baile e no dia seguinte você foi para Los Angeles?

– Sim, lembro.

– Então, no começo do ano seguinte entrei para a academia de polícia e sempre recebíamos alguns alunos do exterior. Conheci uma menina _deu os ombros _e... ah... ela acabou engravidando _como Taiga não reagiu mal, continuou _meus pais quase me mataram, o intercambio foi de seis meses, ela só descobriu a gravidez no terceiro mês e não quis abortar. Cara, eu até... queria ficar com ela e tal, mas a Carry deu no pé, assim que acabou o ano ela voltou para a América. Ah sim, ela mora lá no seu país. Estava tudo certo para ela voltar ou pra eu ir pra lá, fiquei animado apesar de ter sido bem inconsequente... eu só precisava arrumar as malas e ver um emprego tranquilo nos Estados Unidos.

– Daiki, calma ai, como você deixou isso acontecer?!

– Só aconteceu, sei lá qual das vezes foi _tapou o rosto com uma das mãos _isso é até normal sabe. Tomamos cuidado! Sério.

– ...enfim, continue _o tom em sua voz era ríspido, descobriu naquele instante que estava tendo um idiota ataque de ciúme.

– Pois é... ai aconteceu o acidente que mudou tudo _bateu em seu próprio joelho _tinha um prédio em chamas e ele veio a baixo, me acertou bem aqui _indicou a coluna _e perdi o movimento das duas pernas... quer dizer _mexeu o pé minimamente _ainda tenho uns 60%, consigo até ficar em pé se eu me segurar em algo, o foda é que não tenho força mais. De qualquer forma isso me prendeu aqui. Na cadeira e na vida. A Carry não quis... ficar com um alguém assim e disse que eu não precisava mais ir morar com ela; na época fiquei bem arrasado, não sei se foi pior perder meu filho ou perder minha liberdade. Ridículo.

– Daiki!

– Ah-AH! Não precisa dizer nada _ergueu as mãos na direção do ruivo _ela foi uma tremenda filha da puta no começo, só que meus pais não deixaram barato e insistiram para que ela deixasse pelo menos eu reconhecer o menino no cartório (eu disse que era um menino?). O nome dele é Theo, mas ela não deixou que eu assinasse papel algum. O processo rolou na justiça por anos _estalou os dedos _mas consegui. Infelizmente perdi bastante tempo e... ele quase não teve contato comigo. Tenho certeza que me odeia...

Sua voz diminuiu, o ruivo queria muito dizer que Theo era um menino maravilhoso que amava seu pai. Não só isso. Eles mal se encontraram e já tivera a notícia que o amigo perdera os movimentos de suas pernas, um choque atrás do outro sem tempo para se lamentar! Em cinco minutos Aomine resumiu sua vida respondendo milhares de suas perguntas. Isso que é ser sucinto. Parecia impossível ter resposta para aquilo, estava de frente para Daiki finalmente depois de 15 anos e algumas horas de pura ansiedade, e agora parecia estar caindo num poço sem fundo, com a garganta seca e o cérebro em branco. Continuava a olhar assustado para frente até Daiki dar um tapinha em sua mão, gaguejando disse qualquer coisa que lhe parecesse sensato.

– ...que loucura.

– Não é? Jamais imaginei que seria assim... sabe, ainda tenho a impressão de... que vamos jogar o mano a mano depois da escola e participar da winter cup. Muito vaga essa ideia de que tenho um filho.

– Não sei o que dizer _foi sincero, desviou o olhar para o chão engolindo o bolo que formara em sua garganta.

– Lamentar não adianta Taiga, e com certeza ainda te venço mesmo sentado aqui. Agora vamos, não é justo eu roubar sua atenção a noite toda, vamos conversar melhor depois.

Daiki bateu de leve no braço do ruivo e passou por ele lentamente, como conhecia bem a casa não encontrou dificuldades para chegar ao quintal; logo de cara foi abordado pelos gêmeos que o olharam preocupados. Eles não entendiam o que estava acontecendo, diferente dos adultos, porém o instinto era de proteger o padrinho tão querido. Daiki os acalmou pedindo para que arrumassem uma bola de basquete, iriam mostrar ao ruivo metido a besta o quanto eram bons.

O jogo inocente se tornou logo uma competição desleal, mesmo com o Meteor Jam arrancando gritos de satisfação, vencer os arremessos de Daiki e a velocidade de duas crianças hiperativas foi complicado. O maldito ex-camisa 05 da Toou jogava bem até naquela maldita cadeira de rodas; não tinha perdido em nada sua boa forma. Mesmo assim Kagami percebeu um ou dois olhares tristes, como se sentisse imensa saudades da época que era realmente o às de sua escola. Taiga mal teve tempo para digerir a notícia, a conversa durou apenas alguns minutos, Daiki insistiu para que ficassem na companhia de todos – provavelmente o moreno estava tão nervoso quanto ele e só o jogo de basquete para acalmá-los. Enquanto driblava e arremessava o ruivo tentou organizar seus sentimentos: o choque de vê-lo preso naquela nova condição, a falta de sorte em sua vida amorosa, ainda assim aquele sorriso doce que não lhe deixou os lábios... de repente a vontade de protegê-lo se tornou infinita. Sentia que se ele estivesse ficado no Japão as coisas teriam sido diferentes! Todo aquele sofrimento exagerado, então era sobre isso que Momoi se referiu quando chegou.

Por que Daiki escondeu algo tão sério?! Bastava um telefonema, um sinal de fumaça, qualquer coisa! E o que ele sentia de verdade com tudo aquilo afinal? Ainda tinham muito a conversar.

– Meninos! Vamos embora _anunciou Kuroko horas mais tarde.

– Papai, só mais um pouquinho _lamentou Takeru inflando as bochechas _quando teremos outra chance dessa?

– Que tal amanhã? _Taiga o pegou no colo fazendo cócegas no mesmo _prometo que volto para jogar com vocês.

A comemoração veio em dose dupla.

– Agora vamos, obrigado por entretê-los, Kagami-kun, mal tivemos tempo para conversar...

– Amanhã, quer saber, ficarei no Japão a semana toda _deu os ombros _aposentei mesmo.

– Ótimo, Aomine-san?

– Eu o levo para casa depois _se dispôs Kagami quase que imediatamente _fala sério, ainda precisamos desempatar esse jogo! Não acredito que depois de 15 anos ainda não passo dele!

A explosão de risos veio naturalmente, o maior jogador de basquete de todos os tempos ainda era um adolescente de 17 anos.

– Takeru, Kaoru venham aqui um instante _chamou Daiki pegando ambos no colo _ew, estão suados. Vocês podem pegar o presente que comprei para o Taiga? Esqueci no carro, mas sejam discretos! _cochichou para ambos e eles logo acenaram.

– O que você comprou? _sussurrou Kaoru de volta.

– Chocolates e se completarem a missão sem serem pegos por ele, conto onde deixei os chocolates que comprei para vocês.

Os gêmeos pularam e saíram correndo, Satsuki olhou irritada para o amigo que no momento se distraia com uma toalha de rosto. Daiki nunca tivera grande contato com o filho, diante disso acabou se apegando imensamente aos afilhados, os deixava fazerem de tudo: desde pular na piscina na parte funda até comer doces antes do almoço. Seus melhores amigos – Kuroko e Momoi – viram nas crianças o único motivo dele não ter perdido sua vida para a tristeza, os pequenos ignoravam o fato de o padrinho ser muito mais velho do que eles contando segredos e pedindo qualquer tipo de conselho, além de chamá-lo para suas brincadeiras mesmo sabendo que fazer coisas como pular e correr eram impossíveis para ele. Graças a hiperatividade dos gêmeos, Aomine dominou a cadeira de rodas rapidamente, em poucos meses voltou a jogar basquete e a trabalhar no escritório da delegacia. Comprou um apartamento pequeno em Tóquio para passar os finais de semana e daquela forma levava sua vida. A melhor amiga sempre o repreendeu por nunca deixar ninguém ajudá-lo, coisas que não mudam na vida de uma pessoa tão facilmente afinal; ela sabia que somente Kagami Taiga poderia ser aquele a conquistar tal cargo em sua vida.

Infelizmente Taiga estava fora do alcance.

Aomine preferiu deixar o assunto de lado, já tinha um filho com um longo processo na justiça, Kagami dava escândalos a todo o momento com novas namoradas. Contar o que acontecera era nada mais do que implorar por migalhas, seu coração eternamente apaixonado não fora páreo para seu orgulho.

– Padrinho, aqui está! _um pacote pequeno foi posto em seu colo e logo escondido atrás de si_ agora nossa recompensa.

– Escondi o chocolate de vocês no porta-luvas, mas só peguem quando a mamãe sair do carro, beleza?

Ele ganhou um beijo em cada bochecha e fez cara de inocente para Kuroko que obviamente percebeu a malandragem do grupo.

– Se despediram de todos? Aomine-san, pode nos ligar... você sabe, não é?

– Uhum _estalou os dedos antes colocar a cadeira em movimento, mas foi surpreendido por Taiga.

– Guarde suas forças para o desempate, vamos até a sala. Oe Kuroko, amanhã eu te ligo.

– Estarei esperando.

As despedidas de estenderam para a família de Murasakibara e depois de ajudar com a louça – estava com saudades disso! – Daiki e Taiga deixaram também o lar de Midorima. O casal se despediu sentindo o ar nostálgico do colégio, estava bem claro para todos que Shintaro e Kazunari formariam um casal tranquilo e assim se concretizou. Não se tinha muito a contar sobre eles, apenas que nasceram um para o outro. Taiga riu sozinho ao ver o rickshaw antigo encostado na garagem, tomando espaço de um carro.

– Eles ainda têm essa coisa velha? _exclamou baixinho.

O ruivo abriu o portão esperando que Daiki passasse primeiro, em seguida abriu a porta do carro e sem esperar por ajuda o moreno se apoiou e sentou no banco do passageiro. Mostrou a língua no processo se mostrando orgulhoso demais para aceitar a mão estendida. “Bastardo” foi a resposta que ganhou em troca. Taiga pegou o pacote azul que ficou na cadeira sem saber o que fazer “São pra você, idiota” Daiki murmurou sem conter um sorriso extremamente tímido.

– E-eu já abro _sentiu as bochechas esquentarem _até amanhã, Midorima, Takao! Obrigado por hoje.

– Volte mais vezes, meu pai vai se arrepender pelo resto da vida por não estar em casa para te receber. Ele acha que pode fazer o Meteor Jam também, se é que me entende.

Eles riram, foi a deixa para irem embora.

– Então, para onde? _girou as chaves, o apito chato indicando a falta de cintos de segurança fez Daiki rolar os olhos.

– Odeio seu carro _afivelou-o _onde você quiser. É a visita aqui.

– Hn eu não... caralho, chocolates! Obrigado am... Aomine _tirou um bombom da fileira de cinco e o enfiou inteiro na boca, era melhor ocupá-la antes que dissesse alguma idiotice _delicioso!

– Não fale de boca cheia e me dê um também.

Taiga passou a caixinha para o amigo, limpou a ponta do dedo na camisa e finalmente manobrou o carro. Eles vagaram pelas ruas em silencio, apesar de não dizerem uma só palavra, trocavam frases inteiras apenas com olhares. Daiki sentia seu coração bater cada vez mais rápido, sua vida monótona parecia que ia virar de pernas para o ar de repente – como num conto de fadas – mesmo que fosse apenas por um final de semana aproveitaria cada segundo e isso se tornaria então sua inspiração para sua rotina sem nenhuma expectativa de algo melhor.

Seus lábios desenharam um sorriso, embriagado pela própria felicidade estendeu a mão e afagou os cabelos macios de Taiga.

– Bem vindo de volta, Bakagami.

O ruivo olhou para o lado por um segundo antes de voltar sua atenção para a estrada, entrelaçou seus dedos com os de Daiki.

– Senti sua falta. Acho que não tem muita explicação do motivo para termos perdido o contato... _suas palavras hesitaram _mas o destino sempre da um jeito, né?

– Relaxa, não estou bravo ou nada do tipo. Perdão por não ter contado a você sobre o meu acidente e tudo mais... na verdade não contei a ninguém, Satsuki e Kuroko foram os responsáveis por isso. Eles... sem eles eu ainda estaria em casa, deitado na cama esperando alguma coisa acontecer. Fui um fraco, imbecil e orgulhoso.

– Doeu?

– ...como?

– Deve ter doído muito levar uma pancada dessas _apertou um pouco mais a mão sentindo o calor da pele de Daiki emanar sobre a sua _aposto que ficou assustado também... sentiu o corpo todo tremer ao saber que não poderia mais se levantar e as lágrimas vieram a abaixo, por pouco tempo, por que o Ahomine é orgulhoso. Se adaptou sozinho e agora está vivo novamente, fazendo tudo e mais um pouco. Fazendo até mais coisas do que eu! Que sou um monte de pessoa. Acertei?

– Mas é um idiota mesmo _sua voz sumiu, ele tapou os olhos com a mão livre e ficou a soluçar por longos segundos, como se nunca tivesse chorado na vida e esperando que aquelas lágrimas fossem lavar sua alma por completo levando embora a sujeira de toda uma vida.

Kagami estacionou num parque, afastado da multidão e luzes, o clima estava agradável para um breve passeio, quando ele percebeu que Aomine enfim se controlara quebrou o silencio.

– Vamos?

– Compre um café pra nós, espero aqui mesmo.

– De jeito algum! Você vai comigo para pagar o seu café _desceu do carro dando a volta no mesmo, abriu a porta do passageiro oferecendo seu braço _vem.

– Vai a merda se pensa que pode me carregar! _e apesar das palavras mal educadas, Taiga percebeu o constrangimento.

– Deixa de ser idiota, eu lá sou homem de carregar outro marmanjo por ai?! Apoia em mim e se vira.

– ...e-eu não consigo.

– Não vou pedir duas vezes.

Aomine se levantou e passou o braço em torno do pescoço de Kagami, para melhor sustentação, o ruivo segurou em sua cintura e aproveitou para roubar um beijo na altura da orelha.

– Viu? Agora vamos procurar uma daquelas máquinas mágicas de café.

Ele não ia a minha frente puxando minha mão, também não ia atrás evitando minha queda, ia ao meu lado acompanhando meus passos lentos e pequenos. Andou ao meu ritmo, rindo e conversando coisas de sua vida, dizendo o quanto o céu, mesmo nublado, ainda era lindo. Ninguém nunca foi capaz de entender como me sentia, queriam o tempo todo me empurrar para frente. Kagami Taiga fora o único a dizer que estava tudo bem seguir no meu próprio ritmo.

Como não se apaixonar pela segunda vez por alguém assim?

– Cansado?

– Um pouco... _olhou para a latinha em mãos, agora sentado na grama e com as costas apoiadas em Taiga.

– Preciso te contar uma coisa, só que está bem difícil começar.

– Não me mate de ansiedade _virou o pescoço a fim de encarar o mesmo _o que é?

– O motivo de eu ter vindo ao Japão é porque conheci uma pessoa _o semblante de Aomine ficou confuso _você acredita no destino?

Ele tirou a carteira do bolso e a abriu, dentro dela uma foto de Theo.

– Meu... me-meu filho?! _avançou sobre a foto retirando-a das mãos de Taiga _Theo, você conhece o Theo?!

– Dou aula de basquete para crianças, lógico que no começo eu nem desconfiei porque ele usa o sobrenome da mãe... faz quase cinco meses que dou aula pra ele, só fui descobrir que é seu filho na semana passada. Ele pediu para eu traduzir um trechinho da carta que estava em kanji e acabei vendo o envelope com seu nome e endereço. “Puta que pariu” pensei na hora, só pode ser um sinal para voltar ao Japão! Nem acredito que... me deixei distanciar de todos vocês.

– Eu... _primeiro ficou estático apenas encarando o rosto sorridente de Taiga, depois de alguns segundos piscou saindo do transe _acredito no destino _acariciou a foto presa entre os dedos _vocês estão lindos, posso ficar com ela?

– Claro, ah meu celular de Los Angeles está no apartamento te mostro mais fotos depois.

– A Carry não me deixa trazê-lo para cá, ela tem a guarda total, não sei o que fez mas manipulou alguém das autoridades para isso. Queria tanto criá-lo.

– Cala boca, por isso eu estou aqui ok? Nós vamos resolver isso ainda, prometo.

– Como ele se comporta? Falei com ele antes de ontem, comenta sempre sobre você, mas nunca disse o sobrenome. Sei lá, nunca liguei uma coisa com a outra também.

– O Theo é muito esperto pra idade dele, gosta de ficar sozinho e tudo mais, está tudo bem Daiki, ele entende as coisas. Vai adorar te ver.

– Me conte mais, como ele está indo no basquete? De verdade.

– ...acho que ele vai ser um executivo de sucesso.

– Oh, que pena. Tudo bem, não ligo, o que ele gosta de fazer? Já foi na sua casa?

– Crianças adoram perguntas _riu sozinho _ele foi em casa uma vez almoçar, minha mãe amou. É muito comportado e educadíssimo na mesa. A mãe é um pouco ausente sabe, então ele tem contato com muitas pessoas diferentes, sou só mais um que vive cuidando dele como um irmão mais velho. Ele conheceu o Akashi!! Me trocou na hora pelo Emperor Eye e ainda ficaram fazendo bullying comigo. Sacanagem. Sempre vamos tomar sorvete de morango depois dos treinos... hum e a cor preferida dele é...

– Azul.

– Sim! Você o conhece na palma da mão, não é mesmo?

– Uhum _olhou para sua própria mão _fico feliz que ele tenha conhecido você, sempre imaginei se... ah... vocês se dariam bem sabe. Mal vejo a hora de encontrá-lo de novo.

– Podemos ir juntos.

– Seria perfeito!

Aomine voltou a ficar de costas para Kagami e admirou as estrelas, tinha a impressão que poderia pegá-las apenas num estender de mãos. “Estamos sob o mesmo céu, Theo” Pensou deixando que os lábios repuxassem para cima. A chegada de Taiga era como luz no fim do túnel, em menos de quatro horas trouxe a ele emoções a muito esquecidas e a visão de um futuro que antes parecia impossível.

– Comprei algo pra você também, espere um pouquinho _mudou de assunto num estalo, se levantou dando uma rápida piscadela, correu até o carro estacionado a alguns metros a frente e fuçou no banco de trás.

Daiki, que permaneceu sentado, ficou o admirando de longe. Queria tanto poder se levantar e correr até ele, o abraçar e dizer que estava morrendo de vontade de um beijo; queria tanto seus 17 anos de volta, ou que pelo menos tudo aquilo não tivesse acontecido. Agora era inválido e fraco, um exemplo de ser humano sem expectativa de sucesso e apaixonado por um homem de 32 anos amado pelo mundo todo. Kagami agarrou a glória com pulso firme enquanto Aomine ficou apenas esperando a vida passar fazendo o mínimo possível.

Novamente o sentimento de derrota lhe batia no fundo da alma tirando toda a alegria momentânea que sentiu ao conversarem sobre Theo.

– Espero que goste! _o ruivo mostrou o embrulho ainda de longe tomando cuidado para não derrubar _acho que não vai ter problemas se a polícia... ah mas que droga, vou perder a carteira se for pego com isso.

O Chateau ano 90 foi entregue ao moreno que supervisionou a garrafa com curiosidade, era só uma das marcas mais caras do mundo – ah dinheiro... – realmente aquele ruivo metido tinha evoluído no requisito bebidas. Se antes beberiam cerveja barata e saque quente.

– Você quer ir para a minha casa? Bom, meus pais moram comigo _resmungou rogando uma praga silenciosa por isso _meu apartamento é em Tóquio, se estiver disposto a dirigir até lá...

– Hotel, vamos pra algum hotel _agachou em frente ao amigo _o que acha?

Sozinho com Kagami Taiga. Vinho. Álcool. Liberdade. Libertinagem. A sirene de alerta soou em sua mente: seu rosto esquentou e ele seria notado se a iluminação do parque não fosse extremamente precária.

– N-não vai dar! Preciso voltar para casa.

– ...

– Pego um taxi ou e-eu... amanhã iremos no ver e você precisa descansar. Tenho trabalho de escritório, faço home office. Foi mal.

Taiga esperou a explicação terminar, quando Daiki pareceu finalmente se calar voltou a segurar em sua cintura e o levantou do chão.

– Mente mal pra caralho.

– ...vai se foder.

– Por que não quer minha companhia? _ a pergunta soou séria, quase num tom de tristeza.

– Sabe que quero, é só... olhe pra mim, não sou um terço daquele Aomine que conheceu. Não vale apena.

O aperto em sua cintura foi tão forte que Daiki fez careta de dor.

– E quem decidiu isso? Minhas mãos estavam suando quando soube que estava me esperando na sala e elas estão tremendo até agora só por estar ao seu lado. Você é incrível, foda pra caralho, não se diminua.

Encerrou o discurso que poderia ter se estendido por uma hora completa, o problema do amigo era só baixa autoestima e falta de confiança, sabia que com um pouco de paciência logo ele recuperaria o semblante arrogante de sempre. Kagami queria protegê-lo e assim faria.

Ao finalmente descansar suas pernas, Daiki respirou fundo, não parecia nada dar uma dúzia de passos, mas para seu corpo aquilo significava um enorme gasto de energia. Esperou no escuro que Taiga desse a volta no carro e entrasse no mesmo – segundos que fizeram sua garganta secar. Estava assustado, com medo do que poderia acontecer.

Totalmente inseguro.

Nunca tinha saído de sua zona de conforto após o acidente, sim ele estava falando de sexo. Não era preciso ser gênio para entender a situação ali, iriam ficar sozinhos na porra de um hotel a noite toda! Se em tempos passados, transariam até dizer chega — ou até Kuroko ligar dizendo o quão atrasados estavam para o encontro – sua adolescência fora marcada por puro vigor. Ok, ele não tinha se tornado impotente nem nada do tipo, só estava com medo de não ser o suficiente para Taiga... afinal comparar seus 17 anos com 32 depois de tudo o que aconteceu em sua vida era no mínimo angustiante.

O carro parou em frente ao maior hotel da cidade, o susto foi inevitável, ficara calado o caminho todo perdido dentro de seus próprios dilemas. Taiga percebeu sua inquietação e pensou em algo para distraí-lo.

– Quer ver algo divertido?

– Tipo?

Divertido não era bem a palavra... estava mais para exagerado ou impressionante.

Kagami Taiga, o maior jogador de basquete de todos os tempos. Bastou o ruivo colocar o pé dentro do hotel e apresentar seu cartão na recepção que aquilo virou um rebuliço a sua volta. Fãs enlouquecidas, o gerente tentando puxar saco, outros famosos que por ali estavam (como a comediante Imoto Ayako) e crianças, ok uma única, ainda assim o suficiente para mostrar até para quem estava na rua que seu ídolo estava no hall de entrada. Se Taiga era um velho conhecido, Daiki tinha se tornado celebridade instantânea: todos queriam saber seu nome e endereço. Bom, um homem de 1,90, gostoso pra caralho, carismático e íntimo de Kagami certamente apareceria nos tabloides do dia seguinte.

Demorou quase 20 minutos para conseguirem subir ao quarto, na cobertura, com direito a champanhe e até fogos de artifício se assim desejassem. “Exagerado” Daiki sussurrou ganhando um beliscão no ombro.

– Gostou?

– Foda pra caralho _estalou os dedos _é assim sempre?

– Nada... só quando nos exibimos mesmo, no dia a dia é até possível fazer as coisas sem ser notado.

– Legal... _o ruivo se sentou na cama macia e o outro permaneceu em sua cadeira, ao lado do mesmo, o silencio veio e se instalou por alguns segundos _então... pega lá o vinho.

– Puta merda esqueci no carro! Vou buscar.

– Não precisa, relaxa, relaxa! Olha, vou tomar um banho tá? Não _ergueu a sobrancelha _não preciso de ajuda, lembra que em pé eu consigo ficar. Sério.

– Ok _se rendeu deixando o corpo cair para trás _não demora.

O moreno deu as costas e entrou no banheiro – gigante – da suíte. Taiga virou o rosto para o lado mirando o céu escuro, sua mente agitada agora estava ficando nublada aos poucos. “Ah, fuso horário...” Se lembrou então do motivo de estar se sentindo tão cansado.

– Que loucura...

Foi o que disse a esmo antes de adormecer.

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