Melancholy

4 Capítulo IV: Clarity


Notas iniciais
Olá amores, obrigada pelos comentários lindos ;* e mesmo para quem não comenta, obrigada por acompanhar essa fic o/ Para quem não... leu ou não se deu conta, até mesmo pq não era essa a minha inteira intensão, Melancholy é uma possível continuação de Making Love Out Of Nothing At All... (disponível no meu perfil) Ty!

Ele não queria adormecer, mas seu corpo estava cansado pelas longas horas de viajem e a agitação fora do normal deu a ele motivos imensos para não perceber que Daiki deitara ao seu lado após o banho. O moreno jogou a toalha molhada para longe primeiro, depois se aconchegou ao seu lado cobrindo ambos com o edredom disponível, ficou a admirar o rosto bem conservado daquele que foi, é e sempre será seu eterno amor.

Ainda era tão cedo para dizer eu te amo! Ele nem sabia qual seria o momento certo pra isso (ou se ia ter algum) ainda assim se declarou inúmeras vezes em seus pensamentos. Ah se tudo tivesse sido diferente... poderia ter ido para Los Angeles também ou então ter entrado para a seleção japonesa e ser igualmente famoso. Tantas possibilidades de um futuro promissor. Aomine estava deprimido, muito mais do que antes de sequer sonhar que Taiga estava na casa de Midorima, o pensamento era simples: você não deseja tanto algo quando essa coisa é impossível, mas assim que a colocam em sua frente, sente a necessidade de estender os braços o máximo possível para alcançá-lo.

Taiga estava ali do seu lado, respirando calmamente e tendo sonhos maravilhosos, sabia entretanto que daqui a cinco dias ele iria embora e tudo voltaria a ser como antes: cinza. “Ah meu Taiga, meu Bakagami”. Não teve coragem o suficiente para abraçá-lo, tinha medo que ele acordasse e sei lá! Seus pensamentos estavam confusos.

Bom, ele não precisou pensar mais nada.

Taiga se virou e passou o braço sobre seu peito, Daiki teve tempo de ver seus caninos branquinhos antes de ganhar um beijo na bochecha.

– Dormi, desculpas. Está com um cheiro gosto de shampoo _disse sonolento agora aspirando o aroma de seus cabelos úmidos.

– Pode dormir, Bakagami.

– Não quero, quero ficar com você _disse manhoso _hum que delícia, está quentinho.

Daiki declarou derrota e o abraçou também.

– Sobre o que quer conversar agora? _sussurrou afundando de leve o rosto em seu cabelo ruivo.

– Qualquer coisa, só quero ouvir sua voz.

– ...ah Taiga _respondeu totalmente sem jeito.

– Se não, quero sentir sua boca...

Se inclinou minimamente e alcançou os lábios macios, o beijo Frances veio cálido, saudoso e infinitamente bem vindo. Taiga se ajeitou melhor colando seu corpo ao dele, já se sentia bem mais desperto do que antes e agora chupava e mordiscava não só a boca, mas também seu pescoço. Entre um beijo e outro, sorriu de forma maliciosa subindo sobre Daiki e postando uma mão de cada lado de seu rosto.

– Podemos? _fez a pergunta retórica.

Voltou a devorar seus lábios explorando cada cantinho da boca, com uma das mãos tirou a faixa do roupão e o abriu expondo o corpo ainda bem definido. Não demorou a avançar nos mamilos salientes arrancando gemidos de satisfação. Daiki abriu os olhos minimamente, segurou com força sua cintura e o trouxe para baixo roçando os dentes nos botões rosados escondidos pela camisa de malha fina.

Tarde demais para voltar atrás, Taiga teve o cinto desafivelado e a camiseta arrancada, literalmente, por mãos ansiosas, elas também libertaram sua ereção que doía dentro do jeans apertado trazendo arrepio por todo o corpo. Com a ponta dos dedos Daiki limpou o pré-gozo lambendo-as em seguida.

– Meu caralho, Daiki, assim eu gozo antes da hora.

– Então goza pra mim, Taiga.

A frase nostálgica fez seus olhos brilharem, era o que mais ouvia quando adolescente. Eles transavam quase todo final de tarde, na sala, na cozinha, no banheiro, tanto faz! Aqueles momentos foram os únicos que nunca saíram de seus sonhos pervertidos; nenhuma mulher foi capaz de chegar tão longe.

Com uma das mãos Aomine preparava Kagami, como nos velhos tempos, com a outra masturbava ambos entrando numa competição boba de quem aguentaria até o final.

Mas era tão difícil resistir! – para ambos!

Kagami não sabia onde colocar as mãos, hora nos cabelos, hora no rosto, mas sempre em alguma parte do corpo abaixo de si. Quando seu quadril começou a mexer involuntariamente para cima e para baixo procurando maior contato, sentiu os dedos serem retirados e protestou num gemido baixo.

– Senta aqui, vem... dá pra mim, Taiga.

Ouvir seu nome sendo chamado de forma tão sensual com certeza tirava alguns minutos de sexo, ainda assim se esforçou para segurar por mais e mais tempo. Deslizou com facilidade apertando com força o lençol. Os corpos tremeram pelo contato em poucos segundos o ambiente era preenchido apenas pelos sons dos corpos se chocando e gemidos roucos.

– Você sempre é tão gostoso _Daiki disse entre dentes, seus movimentos eram limitados, mas ainda conseguia fazer um excelente trabalho. Nem pensou em seus medos quando começaram as caricias, ficou aliviado.

– Estou quase gozando, droga...

Taiga estava alheio as palavras do outro, resmungava sozinho coisas que lembravam elogios – era muito sensual – ficou a cavalgar por algum tempo até que de repente sua voz se elevou; alguém tinha acertado o ponto certo.

O sexo infelizmente não duraria para sempre, pelo menos não naquela primeira rodada, com ambos necessitados por aquilo, Daiki gozou primeiro se perdendo em seu próprio mundo, nem percebeu quando o ruivo enfim sujou seu abdômen. Não teve forças para abrir os olhos então apenas os tapou com o braço até se recuperar do orgasmo.

Os minutos vieram e foram até Taiga se levantar e correr para o banheiro – fresco! – voltou minutos depois com uma toalha úmida nas mãos.

– Sujeira _cantarolou limpando o melhor que podia _sujeira deliciosa.

– Lembrei da porta do seu armário.

– Vi ela hoje! Meu Senhor... ainda está lá aquela mancha _jogou o tecido longe e pulou debaixo da coberta _puta frio.

– Vem que eu te esquento!

Pronto! Voltara a ser o Aomine de 17 anos com aquele sorriso enorme e o tom de voz malicioso em cada frase. Eles riram e se beijaram sentindo algo parecido com um alivio imenso por não terem mudado tanto quanto pensavam.

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– O Maji ainda existe?

– Tá brincando né? Os lanches de lá eram horríveis... ok, existe _balançou a cabeça num gesto negativo _não Taiga! Vire a direita na próxima rua.

– Ah é. Burro _se repreendeu ligando a seta com um toque rápido.

Dobrou na rua certa avistando a fachada amarela e vermelha do estabelecimento, passariam no drive-thru para comerem os lanches nostálgicos. Passaram ao lado da quadra de basquete também, Daiki fez o possível para não prestar atenção no local, iria detestar jogar ali estando preso naquela maldita condição física – apesar de conseguir jogar relativamente bem. Mais sensível do que quando adolescente, Taiga comprou os lanches rapidamente e os tirou dali, comeriam dentro do carro mesmo enquanto vagavam perdidos até Tóquio. Encontrariam Kuroko mais tarde, bem mais tarde.

Kagami tinha se tornado um bom motorista, tirou habilitação de fora tardia ainda assim conduzia o veiculo pela pista de forma tranquila; Aomine não quis adaptar sua vida nesse quesito e agora olhava entediado pela janela, queria ser de alguma forma um pouco mais útil para o homem ao seu lado – que no momento bocejava a cada 10 minutos pela noite mal dormida.

– O que foi? _não ousou tirar os olhos da estrada então estendeu a mão a esmo acertando sua barriga.

– Nada, só entediado... quer dizer, não entediado de ficar com você _se corrigiu a tempo _mas da vida.

– Como assim?

– Da vida oras, trampo, casa, rotina. Essas coisas... “Saber que você não estará mais aqui” _completou em pensamentos.

– Não se preocupe, vai encontrar algo novo para fazer. Sabe, ainda somos jovens e tudo mais.

– ...é, eu sei.

– Daiki... cadê? Me dê sua mão _se virou rapidamente para alcançar a mesma e entrelaçou seus dedos _sabe que sempre te admirei não é? Não quero te ver desanimado assim. Hn... sei que ainda temos a imagem um do outro com 17 anos, mas já passamos da casa dos 30 agora, então consigo te dizer isso com mais confiança. Não fica assim pelas coisas que aconteceram.

– ...obrigado _mordeu os lábios constrangido com as palavras de apoio.

Aomine nunca aceitou qualquer coisa do gênero, detestava ouvir frases de auto ajuda e fugia como diabo foge da cruz quando seus familiares e amigos vinham perguntar se precisava de ajuda psicológica. Não querer se levantar era muito diferente de não conseguir se levantar. Ficou sim um bom tempo apenas deixando que o tempo passasse, só olhando para a janela... tão pouco se arrependia de tal coisa. Até aquele exato momento não tinha pensado que Taiga seria o único que ele não tentasse afastar de si quando dando palavras de apoio.

Muito pelo contrario.

Se sentiu acolhido, o sentimento de vergonha não estava ali e ele sabia o motivo: Kagami Taiga não sentia pena de si, apenas estava mostrando que não importa o que acontecesse, Aomine Daiki ainda seria foda pra caralho, convencido pra caralho e... bom, o ruivo podia dizer o que fosse, ainda seria apaixonado pra caralho por ele.

O apartamento de Daiki, em Tóquio, podia ser pequeno e quase escondido por prédios maiores, ainda assim era totalmente aconchegante. Logo na entrada um aparador adornado por molduras, fotos de seu filho e amigos – Daiki se esquecera que mantinha uma foto de Taiga em seu jogo de estreia na NBA que retirou da revista, quase morreu de vergonha – a decoração simples combinava com o morador num todo, apenas móveis escuros contrastando com as cortinas claras; bem masculino. O local estava todo adaptado, os objetos postos numa altura onde Aomine não precisasse fazer grande esforço para alcança-los, corredores sem barreiras e móveis afastados. Ele era totalmente livre e independente ali dentro.

– Não repare nas coisas jogadas por ai, sente-se! Vou pegar chá.

– Eu ajudo.

– Fica sentado, é a primeira vez que vem aqui então me deixa tratá-lo como visita mesmo, Taiga! _se afastou sorrindo.

O moreno estava com o semblante leve, feliz por poder mostrar ao ruivo seu cantinho no qual tinha conquistado com esforço próprio e que podia fazer tudo sozinho. Taiga percebeu que até então Daiki estava sempre ansioso e arisco, tentando ao máximo não precisar de ninguém e com receio que algo saísse de seu controle; ele definitivamente não era assim, porém já estava mais do que provado que a vida muda as pessoas.

O próprio Taiga já tinha mudado tanto! Estava muito mais maduro, bem menos inocente, tinha aprendido a lidar com pessoas interesseiras, com loucuras e dinheiro. Se tornou um homem, não frio, mas bem mais cauteloso. Ficar aquelas horas ao lado do amigo lhe trouxe um Taiga que a muito estava trancado. Suas defesas com ele não existiam, difícil explicar, se sentia seguro para dizer qualquer coisa que quisesse, seus maiores segredos e angústias, assim como o que lhe fazia feliz. Intimidade era a palavra? Talvez, mas isso só acontecia pois a confiança entre eles vinha desde muito antes das mudanças.

– Aqui está _colocou uma pequena bandeja sobre a mesinha de centro _o que achou do meu cafofo?

– Que eu poderia ficar aqui para sempre, é incrivelmente aconchegante!

– Meu refugio, tinha que ser mesmo. Vou pedir transferência para cá no mês que vem, estava só terminando de arrumar as coisas, a sala ficou pronta semana passada.

– Agora pode substituir a foto por uma de verdade.

– Ah para de me zuar seu babaca!

Seu rosto esquentou, tinha pego o recorte e achou Taiga tão foda que colocou na moldura. Como era infantil! Assim que o ruivo viu começou a rir até perder o fôlego, tiveram uma rápida briga de cócegas até Daiki conseguir por um fim no ataque de riso.

– Parei, parei. Na verdade eu... ah fiquei sem jeito _coçou a nuca _...entendo o motivo de você ter se afastado _olhou de canto para a cadeira de rodas, na qual ainda não tinha se acostumado totalmente diga-se de passagem _mas eu nunca tive nenhum.

– Não começa, você estava realizando a porra do seu sonho. A gente tá junto agora então não importa.

– ...não importou?

Daiki largou o copo de chá gelado sobre a mesa, se ele não tivesse o feito escorregaria de seus dedos com certeza. Taiga estava triste? Seus olhos de repente perderam o brilho, como uma criança se sente ao ser desprezado por alguém importante.

– Cl-claro que importou, idiota! Senti sua falta, não entenda errado. Só não quero que se sinta culpado... certo?

– Machuquei você, não é? Quando fui embora.

E finalmente tinham chego ao tal assunto. Daiki não queria voltar a falar do passado, não sobre aquele passado. No terceiro ano tinha se confessado ao amigo e fora rejeitado, dois ou três meses depois o ruivo partiu. Resumindo assim não pareceu ser nada importante mesmo, entretanto isso acabou lhe tirando o sono por semanas e o coração ficava aos pedaços toda vez que se lembrava de seu amor; queria ter algum motivo para odiá-lo e ficar de boa, mas não teve. Demorou bastante para começar a sair outra vez, nunca se empolgou realmente e Carry foi um acidente, um erro que trouxe felicidade e tristeza ao mesmo tempo. Agora o que dizer depois de 15 anos? Que ainda o amava? Parecia ser tão bobo. De qualquer forma aquilo acabaria em poucos dias. Seu conto de fadas.

– Bom... não me confessei para ficar de mãos abanando, realmente queria ter algo sério... fiquei chateado por um tempo. Isso faz um tempão, relaxa.

– Me desculpe.

– Por que está se desculpando? Tem culpa por não gostar de mim da mesma forma? _recebeu um gesto de negação _então pronto.

– Só tínhamos 17 anos e eu estava muito mais focado em basquete do que em mim mesmo. Só parei para pensar na vida depois que me aposentei.

– E foi ruim?

– Não _respondeu apesar de ambos já saberem.

– Só tínhamos 17 anos... _riu _adolescentes.

Ele quase completou em voz alta “adolescentes, mas eu sabia o que eu sentia e ainda sinto o mesmo”, seus olhos porém não conseguiram esconder tão bem e Taiga entendeu que ali dentro de seu coração, a chama ainda estava acesa. Taiga também sabia que o moreno não diria tal coisa, talvez por medo, talvez por achar que não valia apena se machucar sabendo que em breve tudo voltaria a ser como antes.

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Aposentar com 32 anos não é algo que possa ser concretizado com tanta facilidade, o ruivo tinha se dado imensamente bem na vida e agora aproveitava ao máximo, descobriu porém um lado tedioso nisso... era o mesmo sentimento daquele que ser forma na faculdade antes dos outros, parecia um pouco deslocado do grupo. Domingo ele e Daiki se encontraram com os outros mais uma vez, na Segunda fora obrigado a largar o amigo para que o mesmo fosse trabalhar – até pensaram em contar alguma mentirinha e matar o trampo, mas a ideia fora descartada – sendo assim, agora vagava por ai sem nada para fazer. Quer dizer, Kagami Taiga tinha a droga de um trabalho também! Felizmente o dinheiro proporcionava aqueles tipos de milagres, quase como um milagre de Natal. E por tocar nesse assunto, prometeu reabrir o processo de guarda do pequeno Theo, tiraria a limpo essa história absurda arranjada pela arrogante senhora Manson – e pensar que virou assunto relacionado a ela nos tabloides americanos! – o moreno tinha total condições de cuidar de seu filho, mesmo que numa guarda compartilhada.

Aproveitou o dia para fazer ligações, compras, ligações, comer muito e mais ligações. Infernizou a vida de seu assessor para que ele caçasse o juiz corrupto que deu a sentença daquele caso e ainda iria dar uns bons tapas na loira aguada (não, isso não!). No momento levava o smartphone ao ouvido mais uma vez.

– Mum!

– Filho bastardo, esqueceu da sua mãe?

– Sorry mum _fez uma leve careta_ mas você saberia logo se algo tivesse acontecido comigo, o mundo me vigia _ele pode ouvir um suspiro pesado do outro lado _tenho mil novidades.

– Imagino que sim e qual delas vai me contar?

– Essa nem é novidade... encontrei o Daiki e passamos o final de semana juntos.

– Oh dear, como ele está?

– ...senta ai que vou contar uma longa história dona Ruth.

O final do relato, a senhorinha de cabelos ruivos como o fogo já estava com o ouvido doendo – e o coração também – quantas notícias ruins! O acidente, o processo na justiça, sua autoestima prejudicada... mesmo ela sem conhecer tão bem o moreno, tomou as dores de uma mãe e desejou melhoras em sua vida. Ela precisou de alguns segundos para digerir tudo aquilo e pensar numa resposta realmente eficaz.

– Dear, por que não o trás para Los Angeles? Talvez férias fará bem.

– Acha mesmo?

– Claro! Poderá ficar aqui conosco e ainda rever Theo, que aliás está com saudades de você.

– ...vou pensar na possibilidade! Quando você ver o rosto dele vai entender o motivo de eu estar tão preocupado. Tsc _estalou a língua no céu da boca _o Daiki não era assim, não consigo encontrar meu amigo convencido e narcisista mais em lugar algum. Vejo que ele se esforça para isso... ainda assim.

– Sua mãe entende melhor do que ninguém. Mas traga-o até aqui, vamos dar um jeitinho nesse rapaz.

– Obrigado pequena!

Desligou dando um soquinho no ar, queria esperar até a noite para contar seus planos, mas os dedos foram mais rápidos e digitaram a mensagem para Aomine.

*I’m waking up
I feel it in my bones
Enough to make my system blow

*radiocative — imagine dragons.

O que fazer com uma semana livre no Japão? Parece até piada dizendo assim, mas o ruivo estava começando a ficar entediado... visitou todos os lugares disponíveis incluindo até templos e o monte Fuji, sabia que se fosse embora demoraria séculos para voltar então aproveitou. Mas andar sozinho por ai era tão chato! Vez ou outra deixava ser reconhecido para se distrair – metido! Mandou Aomine em seu whatsapp ao saber – ele conseguira férias rápidas para o moreno, iriam na sexta para Los Angeles e só o devolveria na Segunda de manhã isso se sua mãe não resolvesse raptá-lo por mais tempo. Jamais imaginou que sua ida ao país lhe traria tantas coisas boas, no começo ficara com medo de ser deixado de lado ou mal recebido, felizmente o sorriso só aumentou a cada minuto.

Naquele meio tempo também tinha evitado atrapalhar Daiki, ele estava em Tóquio resolvendo assuntos sérios e então combinaram de se encontrarem apenas na Sexta, o ruivo deixou sua ansiedade de lado e partiu em busca dos antigos amigos de time. Hyuuga levou um susto tremendo ao ver um cara de 1,90, ruivo e estupidamente famoso na porta de sua casa; infelizmente não pode fazer outras surpresas pois a noticia correu entre eles e logo a casa do seu ex capitão ficou abarrotada de saudosas lembranças e muitos risos.

Outra pessoa também tentava se distrair enquanto aguardava a viajem, Daiki tinha tirado as camisas do armário e no momento tentava selecionar algumas. Disse um audível “porra” quando descobriu não ter nada realmente descente, certamente seria difícil acompanhar o ruivo com paparazzi andando livremente pelas ruas de Los Angeles e outra, iria conhecer a tão falada senhora Ruth que em sua adolescência vivia ligando e dando broncas no ruivo esquecido.

– Bons tempos... _sorriu meio sem jeito, depois de tantos anos e ainda não tinha a menor ideia de como se comportar diante a mulher.

Ele ficou parado olhando para as peças de roupas até acabar se perdendo em pensamentos longínquos. Queria estar namorando, não, queria estar casado com Kagami. Sim! Se o ruivo tivesse aceito seus sentimentos na época então estariam juntos hoje numa casa, seja ela grande ou pequena, com ou sem dinheiro, mas morando juntos e tendo uma vida totalmente diferente. Ele não estaria agora parado diante sua cama sem saber o que fazer, esses dilemas jamais existiriam em sua mente. Seu corpo tremeu, o sexo fora muito bom e agora sentia pequenos arrepios, desejava sentir novamente seu cheiro, a textura de seus lábios e principalmente as mãos quentes acariciando seu rosto.

Precisava ser ele!

Seu Bakagami, sempre ele, a pessoa que dominava sua mente e coração. O único que falava mais alto sobre seu orgulho ou vergonha.

– Taiga _o chamou num suplicio, queria tanto ser suficientemente bom para ficar ao seu lado para sempre! Mas a resposta daquilo Aomine nunca teve e agora ele a tinha menos ainda.

Num súbito desejo, deixou a mala de lado e foi até o quarto em frente, apesar da bagunça conseguiu chegar até o aparelho que desejava. Daiki se levantou e segurou com força nas barras de ferro postas uma de cada lado de seu corpo se equilibrando conforme dava.

– Muito bem, Daiki! _disse para si mesmo.

O aparelho de fisioterapia havia sido instalado a muito tempo no quarto de visitas – quarto esse que se transformou em deposito – e que nunca fora usado. Sua lesão tinha sido profunda e jamais voltaria a andar normalmente, dava apenas pequenos passos desajeitados e por falta de incentivo acabou largando o tratamento. Felizmente depois daquela noite com Taiga, onde ele fez de tudo para que caminhasse ao seu lado, sua vontade de melhorar voltou a crescer. Ou seria desespero? Ele queria tanto ficar um pouquinho melhor! Mostrar com orgulho que poderia evoluir e segui-lo sem depender de paciência e boa vontade alheia...

Ainda fazendo força nos braços, tentou andar com passos largos e velocidade constante. Se concentrou o máximo que pode, mas suas pernas perderam a força na metade do exercício e não pode evitar a queda. No chão, com o braço agora quase dormente, deixou a frustração falar mais alto e seus olhos marejaram.

Pela primeira vez amaldiçoou seu destino ingrato.

Pista de pouso particular – Sexta-Feira. 14:30.

– Não estamos extremamente atrasados? _comentou Aomine despreocupadamente ao aceitar uma xícara de chocolate gelado oferecida pelo ruivo. Ambos tinham acabado de embarcar no jatinho e o comandante fazia os últimos ajustes para decolar.

– Como diz Tony Stark, do que adianta ter um jato particular se não posso sair quando quero?... tá certo que ele com certeza é muito mais rico do que eu _ponderou por alguns segundos arrancando um risinho do moreno.

– Ele está no top 5 dos caras mais ricos do mundo imaginário.

Aomine não queria fazer o papel de bobo, mas na moral, era impossível ficar imparcial diante aquilo tudo! A começar pelo jatinho incrível no qual nunca nem sonhara em entrar, depois o figurino estonteante de Taiga – por que o desgraçado estava de roupa social? Só para a viajem ficar mais difícil?! – e por último todo aquele almoço maravilhoso sendo servido quase na hora do café da tarde. Depois de forrar o estomago seu desejo seguinte era arrancar-lhe aquela camisa de corte inglês e bagunçar o cabelo que fora penteado de forma metódica para trás; tortura.

– Tortura _cantarolou baixinho aproveitando o momento de distração do amigo.

– O que disse?

– Não é nada.

– ...está nervoso _afirmou com um sorriso presunçoso nos lábios _hey, o que foi?

Os papeis estavam claramente invertidos, se antigamente, quem estaria praticamente tremendo no estofado daquele jato seria Taiga, o sorriso presunçoso não combinava com seu semblante quase angelical. Bom, pelo menos essa era a imagem que Daiki mantinha em suas memórias.

– Não estou acostumado a essas surpresas na minha vida, até semana passada eu ia e vinha do trabalho. Só isso.

– Sou eu Daiki! É o Taiga, o mesmo Taiga de quinze anos atrás _abriu um sorriso gigante antes de depositar um beijinho em sua testa _estou sentindo a mesmíssima ansiedade que você.

– ...idiota.

Ele sorriu também, totalmente constrangido.

– Então Bakagami, será que está sentindo a mesma vontade que eu também? _estavam sentados lado a lado e isso facilitou que a mão travessa escorregasse até o meio de suas pernas sem o menor pudor.

Daiki não precisou ouvir qualquer resposta.

A viajem foi divertida – e maliciosa – o jatinho pousou no começo da noite numa pista particular e vazia, foram recebidos por algumas pessoas de confiança de Taiga, mas esperariam por outra em particular; o ruivo não quis contar quem era. Ficaram por conversar até o Audi apontar no final da pista e uma pessoa muito, muito pequena acenar para eles com rápidos toques na buzina.

– Meu caralho _balbuciou ao perceber quem provavelmente seria _você não fez!

– Mum! _esperou que ela estacionasse.

– Dear, welcome Daiki-kun.

Ruth saltou do carro e correu para perto dos meninos, parecia uma adolescente que a muito não encontrava seus amigos. Aomine ficou estático por alguns segundos observando-a de boca aberta: a começar pelos seus cabelos, tão vermelhos quanto os de Taiga e curtos ao ponto de serem espetados facilmente com a ajuda de gel, suas roupas eram indianas – uma saia longa cobrindo os sapatos e blusinha com várias contas bordadas – e por último e não menos importante olhos com a cor do céu. Tão azuis e emblemáticos que tragavam tudo ao seu redor.

– Taiga me falou tanto de você! _ela se aproximou estendendo os braços e foi prontamente atendida.

– Mum, não faça isso _se estapeou mentalmente ao se lembrar que o costume nipônico era extremamente contido naquele tipo de encontro.

– N-não tem problema, como a senhorita está? Me desculpe pela falta de jeito... Taiga não me avisou que viria nos encontrar aqui.

– Ele também não sabia _piscou _está frio, vamos entrar no carro. Fizeram boa viajem? Parece que sim, Daiki querido me conte tudo sobre você. Faz anos que ouço seu nome! Estou curiosa.

– Mum!

– Oi amor _deu um beijo estalado em sua bochecha _a mamãe também te ama.

– Oe! Como assim também?! Mum, mum!

Tarde demais, lá foi ela empurrando a cadeira sem a menor noção de velocidade e fazendo Daiki, felizmente, rir feito uma criança. Parece que teriam longos dias de felicidade.

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