Era uma noite quieta em Londres, no dia 31 de outubro de 1981; todas as pessoas estavam dentro de suas casas, dormindo tranquilas.

Quer dizer, os trouxas estavam assim.

A notícia de que Lord Voldemort fora derrotado por Harry Potter (um simples bebê!) se espalhou pelo mundo bruxo rapidamente; logo os Aurores viriam buscar Astrid Jacob, uma das comensais da morte que participaram da tortura dos Longbotton.

Neste momento, Astrid estava de pé na calçada da Rua Street Back junto com sua filha, um bebê miúdo com três meses de idade. Astrid era uma mulher muito bonita; olhos castanhos amendoados, pele pálida como neve, cabelos castanhos escuros encaracolados e um olhar severo e penetrante que seria capaz de assustar até um trasgo.

Então, um homem saiu das sombras; ele era muito pálido, olhos e cabelos negros e usava um terno preto com uma gravata prateada.

Astrid Jacob o olhou com repulsa.

- Hades – disse com amargura.

- Olá Astrid – cumprimentou o deus da morte – Como vai nessa bela noite?

- Não há nada de belo nesta noite, Hades – disse Astrid – O Lorde das Trevas acabou de cair, preciso me esconder.

- E...? – pressionou Hades.

- E quero que você de um jeito nessa aberração – disse a mulher apontando para a filha – Fique com ela, deixe em um orfanato... Não me importa.

Hades estava perplexo.

- Astrid – disse – Ela... Ela é nossa filha! Como pode dizer que ela...

- Sim, essa coisa é uma aberração – cuspiu Astrid – Ela é uma bruxa ao mesmo tempo que é uma semideusa de Hades! Imagine oque ela será capaz de fazer! É uma perigosa experiência de circo.

Hades encarou Astrid com total raiva.

- Ela não é uma aberração, Astrid. – falou controlando-se – Ela é uma menina especial.

Astrid riu com desprezo.

- Menina especial? – perguntou – Para mim, isso é só uma forma bonita de dizer que ela é uma anomalia.

- Então você está abandonando sua filha, sangue do seu sangue, só porque ela é uma semideusa? – perguntou Hades chocado.

- Exatamente – disse Astrid sorrindo enquanto colocava sua mala de viajem no ombro – Até nunca mais, Hades.

E aparatou para algum lugar. Hades olhou para o cesto em que sua filha se encontrava; a menina tinha a pele clara de Astrid.

Hades respirou fundo, tomou a filha nos braços e foi para o Olimpo. Mesmo sem permissão de estar ali, ele não se importava; entrou no Salão do Conselho Olimpiano, onde os deuses se encontravam.

- Hades? – perguntou Zeus – Oque isso... – então percebeu a menina nos braços do deus – NÃO ACREDITO QUE...

- Cale-se Zeus – mandou Hades – Não venha se fazer de santo, pois todos nós lembramos de Thalia, sua filha.

Zeus estreitou os olhos.

- Isso ainda não resolve a questão do porque está aqui. – disse – Você não tem permissão para vir ao Olimpo.

- Sei que não tenho – respondeu calmamente – Mas essa criança, minha filha, precisa ficar no Olimpo.

- Por quê? – intrometeu-se Atena – Nunca criamos nenhum semideus no Olimpo, porque sua filha merece esse tratamento diferenciado?

- Porque ela não é só uma semideusa – explicou – Sua mãe é uma bruxa. Essa menina é uma semideusa bruxa, a mãe abandonou-a quando soube quem eu era. Chamou-a de aberração.

Afrodite pôs as mãos no coração.

- Ela fez isso? – perguntou – Essa menininha parece tão frágil e doce...

- Mas é uma filha de Hades – disse Zeus – De frágil e doce não tem nada.

- Com licença – falou Poseidon – Mas não acho que devemos julgar a menina. Vamos lá! Ela ainda nem aprendeu á falar! Voto em criarmos a criança aqui, sob os cuidados e olhos do Olimpo.

- Eu também – disse Héstia sorrindo – Eu vou gostar de, daqui á alguns anos, ter alguém para conversar.

- É – disse Ares – Acho que essa guria poderia dar uma boa guerreira.

- Pois bem – disse Zeus com raiva – Quem vota para a menina crescer no Olimpo?

Todos levantaram as mãos, menos Zeus.

Hades sorriu.

- Voto da maioria, irmão – disse conjurando um berço de mármore negro para a filha e colocando-a ali.

- Posso abençoá-la? – perguntou Hermes sorrindo maroto.

Hades confirmou com a cabeça.

A imagem de uma caveira com dois ossos cruzados apareceu sobre a cabeça da pequena menina, acompanhada de um pequeno caduceu e duas lanças cruzadas.

- E qual é o nome dela, Hades? – perguntou Afrodite, que realmente se afeiçoou á menininha.

- Coraline – respondeu Hades sorrindo – Coraline Jacob, a semideusa bruxa.