Draco Malik e Coraline Horan eram alunos de intercâmbio vindos dos Estados Unidos.

- Então, vocês vieram de que cidade? – perguntou o professor Horácio enquanto iam para as masmorras.

- Nova York – disse Coral sorrindo, afinal, não era mentira no caso dela – Meu pai mora lá, minha mãe era daqui de Londres.

- Que legal – disse Horácio – No que seu pai trabalha?

Ele é o deus grego da morte – pensou Coral – Legal, não é?

- Ele trabalha numa funerária – respondeu Coral e Draco tossiu para esconder uma risada.

Assim que chegaram á parede de pedra, Horácio disse a senha (Puro Sangue) e a passagem abriu-se revelando uma sala comunal com várias pessoas, que se calaram diante a entrada do professor.

- Alunos – disse Horácio com um pequeno sorriso – Esses são os novos alunos de intercâmbio, Coraline Horan e Draco Malik, eles estão cursando o quinto ano. Espero que vocês sejam legais com eles. Então, até as aulas de amanhã!

E retirou-se deixando a sala comunal em silêncio.

- Hãn... Oi? – disse Coral.

- Olá – disse um jovem loiro de olhos cinzentos – Sou o monitor, Lúcio Malfoy.

Draco apertou a mão de seu pai de quinze anos com uma expressão de descrença, logo depois Coral apertou a mão de Lúcio.

- Coraline, acho que você gostará de conversar com minha namorada Narcisa e suas amigas, elas estão ali – disse Lúcio indicando com a cabeça um grupo de garotas – Draco, venha comigo.

Narcisa Black levantou-se e veio em direção á Coral. Ela tinha cabelos lisos e loiros claros, olhos azuis no tom do céu e pele branca.

- Olá Coral – disse Narcisa achando que tinha intimidade o suficiente para chamá-la pelo apelido – Sou Narcisa Black, venha comigo, vou apresentar-lhe minhas amigas.

Coral seguiu Narcisa e sentou-se com ela numa mesa. Coral segurou-se para não gritar ou matar as duas que ali estavam; Bellatrix Black e Astrid Jacob estavam sentadas conversando.

- Olá – disse Bellatrix – Sou Bellatrix Black, pode me chamar só de Bella.

Coral deu seu sorriso falso.

— Prazer em te conhecer, Bella.

- Sou Astrid Jacob – disse a mãe de Coral – De onde você veio, Coraline?

- Estados Unidos, Nova York – respondeu fria, como queria estrangular aquela mulher.

- Hum... – respondeu.

Bellatrix tinha cabelos castanhos escuros e volumosos e olhos negros cruéis. Astrid tinha olhos amendoados e cabelos loiros encaracolados, parecia uma princesa. Coral quase não podia acreditar que tinham o mesmo DNA.

- Então, Coral – disse Bella – Você e aquele loirinho estão namorando?

- Oque? – exclamou – Claro que não!

- Ótimo – disse um sorriso malicioso na direção de Draco – Eu bem que gostaria de tentar ir falar com ele.

Isso não seria incesto? – pensou Coraline, mas nada disse.

- Ele até que bonitinho sim – disse Narcisa – Mas prefiro o Lúcio.

- Os dois praticamente iguais – disse Astrid.

- Pelo menos nós temos bom gosto em relação aos garotos – disse Bella cruelmente – Enquanto á Andrômeda...

- Não acredito que ela escolheu um sangue ruim – disse Astrid – Sra. Black vai pirar quando descobrir, não?

- Mamãe vai ter um ataque – disse Narcisa – Aposto que vai tirar Andrômeda da tapeçaria da família.

- Eu quero mais é que tire mesmo, igual a nossa tia Walburga fez com o traidor de sangue – disse Bella.

- Traidor de sangue? – perguntou Coral erguendo uma sobrancelha.

- É – respondeu – Sirius Black, ele é da Grifinória. Sinceramente, aquele ali não merece carregar o nosso sobrenome.

Coral mordeu a língua para não defender Sirius.

- Mas, diga-nos – falou Astrid – Qual o nome da sua outra escola de magia, Coral?

- Bem – ela pigarreou – Ela se chama Academia de Magia Olympicus, fica em Nova York mesmo.

Coral segurou-se para não rir. Olympicus? Ela tinha uma mente realmente muito criativa.

- Todos eram sangues puros lá?

- Hãn... Eram sim. Tinha um ou outro mestiço...

- Falando nisso, você é sangue puro, não é?

- Sou – Coral respondeu com raiva. Só mesmo na Sonserina para se importarem com o sangue da pessoa.

Após uma longa conversa, o Salão Comunal começou á esvaziar. Coral subiu junto com as outras garotas e pegou o seu inseparável livro de Mitologia em seu malão, que fora posto ali.

- Você vai estudar? – perguntou Astrid descrente.

Coral deu uma risada amarela enquanto escondia a capa do livro.

- Eu só vou dar uma olhada na matéria antes das aulas começarem – disse – Você sabe.

- Ah, com certeza não sei – disse com uma careta – Boa noite então.

- Boa noite – respondeu.

Coraline desceu as escadas do dormitório em silêncio e sentou em uma mesa. Só após alguns minutos, percebeu que não estava sozinha. Havia um garoto sentado junto á janela, observando os animais que nadavam no escuro lago.

O garoto poderia ser tomado como um filho de Hades; olhos e cabelos negros, pele pálida, nariz que lembrava vagamente um gancho e pele oleosa.

Coral levantou-se e sentou-se numa poltrona perto do garoto, assustando-o.

- Olá – disse, porque achou que o garoto parecia ser legal – Sou Coraline Horan.

- Olá – respondeu o garoto – Sou Severo Snape.

Agora foi a vez de Coraline assustar-se; ela estava conversando com o futuro professor de Poções.

- Ah – disse Coral – Então, Severo. Os alunos dessa escola são legais?

O Snape de quinze anos deu de ombros.

- Um pouco, os grifinórios são insuportáveis. Menos a minha amiga, Lily Evans; você poderá conhecê-la amanhã.

- É oque eu espero.

- Desculpe-me se a pergunta lhe ofende, mas você é uma... – ele engoliu em seco – Uma semideusa?

Coral sorriu surpresa.

- Sou sim – disse – Como descobriu?

Severo deu um sorriso humilde.

- Eu leio muito – disse – E eu achei que os semideuses ainda deveriam existem... Mas então, quem é o seu pai olimpiano?

- Hades, deus...

- Dos mortos e do Mundo Inferior – completou Severo entusiasmado. – Os filhos de Hades têm poderes?

- Ah, sim – respondeu Coral – Vários. O mais legal, em minha opinião, é a habilidade de invocar o fogo grego. Veja só.

Coral virou a palma de sua mão para cima e Severo ofegou; na mão da garota brotara uma chama verde limão, fogo grego.

- Fantástico – sussurrou o futuro professor fazendo algumas anotações no caderno que tinha no colo.

Severo e Coraline conversaram bastante até o sono aparecer. Coral subiu de volta ao seu dormitório e se largou na cama.