- Mas me explica isso aí direto – pediu Coraline, enquanto Hades á levava para um passeio nos jardins do Olimpo para dizer-lhe tudo – Sou uma bruxa? Uma semideusa? Ou os dois?

- Os dois – respondeu Hades sorrindo de canto; ele sempre achou que, apesar de Coral não ser filha de Perséfone, ela era uma mistura perfeita da deusa das flores e do deus dos mortos.

- Minha mãe era uma bruxa? – perguntou Coral ansiosa para arrancar qualquer informação de Hades.

- Era – respondeu Hades com um suspiro – Coral, não quero que fale dela na sua nova escola.

- Por quê?

- Sua mãe... – começou Hades triste – Certo, existia um bruxo das trevas chamado Lord Voldemort. Ele tinha seguidores que matavam e torturavam pessoas ás suas ordens, sua mãe era um desses seguidores; ela era uma Comensal da Morte.

- Come sal da Morte? – perguntou Coraline franzindo a testa – Tipo, sal da morte? Que diabos é um sal da morte?

Hades revirou os olhos. A benção de Hermes realmente afetava o cérebro dessa menina.

- Me recuso á responder essa pergunta – disse o deus – Mas o principal é, sua mãe era do mal.

Coraline aceitou isso estranhamente bem, mas também, nunca conheceu a mãe e tinha a impressão que estava melhor assim.

- E a escola? – perguntou mudando de assunto – É alguma coisa com Hog...

- Hogwarts – disse Hades – É a melhor escola de magia do mundo.

- Legal – disse Coral – Vou aprender á tirar coelhos de cartolas?

Hades sorriu, não da forma medonha de sempre, mas de uma forma agradavelmente feliz.

- Magia é bem mais que isso, minha menina – respondeu.

Depois que Hades voltou para o Mundo Inferior, Atena insistira para ir pessoalmente acompanhar Coral na compra dos materiais escolares.

- São os materiais do primeiro ano! Vai ser uma ótima experiência!

De fato, Atena estava mais ansiosa que Coraline. Zeus concordou, então Atena voltou-se para Coral.

- Vamos? – perguntou oferecendo a mão esquerda.

Coral olhou sem querer para as roupas que estava vestindo: Uma regata branca um pouco grande demais, um jeans preto e um tênis Converse All Star. A menina deu de ombros e segurou na mão de Atena.

A deusa a levou para algum lugar de Londres, a temperatura abaixou consideravelmente; enquanto esfregava os braços, Coral levantou a cabeça e viu que estavam na frente de um bar muito velho e sujo.

O Caldeirão Furado – dizia a placa.

- Que droga de lugar é esse, Atena? – perguntou Coraline – Um bar? Ah! Eu sabia que você estava bêbada!

Atena revirou os olhos.

- Essa é a entrada do Beco Diagonal – explicou e acrescentou diante as sobrancelhas erguidas de Coral – É tipo a 25 de Março bruxa..

Atena e Coral entraram no bar. Coral gostou do lugar por dentro; certo, haviam pessoas estranhas, mas ali era escuro e quieto, o tipo de local favorito de Coral.

- Tom – cumprimentou Atena um homem no balcão.

Tom quase deixou o copo que estava secando cair.

- Sra. Atena – cumprimentou Tom fazendo uma leve reverencia – Que honra vê-la novamente! Não achei que viveria para isso.

- Agradeço que tenha pensado em mim, Tom – respondeu Atena sorrindo – Agora, se me der licença...

- Oh! Claro, claro!

Atena e Coral caminharam juntas até um muro de pedra.

- Como é que ele te conhece? – perguntou Coral.

- Você não é a primeira semideusa que trago aqui – disse Atena – Á muito tempo atrás, teve a minha filha Rowena Ravenclaw e á alguns anos atrás, minha abençoada Lily Evans.

- Como é que elas estão hoje? – perguntou Coral.

- Mortas – respondeu Atena, que acrescentou após ver o olhar assustado de Carol – Mas isso não vai acontecer com você, querida!

- Espero que não mesmo – respondeu – Se eu fosse um fantasma, teria que aguentar Deméter em suas visitas ao Mundo Inferior.

Elas pararam diante um muro de tijolos.

- Uau – disse Coral – Aprecie, o fantástico muro de tijolos bruxo.

Atena colocou a mão suavemente em apenas um dos tijolos, que foi empurrado para trás. Logo todos os tijolos estavam fazendo isso, revelando uma longa rua cheia de pessoas e lojas.

A deusa da sabedoria sorriu diante a expressão embasbacada de Coral, que não era nada comum naquele rosto sombrio.

- Santo Olimpo! – exclamou a menina – Que coisa mais fantástica! Será que meu quarto pode ter um sistema parecido com esse?

- Vamos logo – disse Atena.

Elas passaram diante várias lojas. Atena, que já tinha dinheiro bruxo, decidiu que elas deveriam ir primeiramente á loja de vestes da madame Malkin.

Madame Malkin era uma bruxa baixinha e fofinha vestida de lilás.

- Olá querida – disse assim que viu Coral e Atena entrando na loja – A senhora é...

Madame Malkin ficou confusa ao ver aquela mulher loira, com a pele levemente bronzeada e de olhos cinza acompanhada por uma menina doentiamente pálida com cabelos e olhos negros com a noite.

- Sou mãe dela – disse Atena.

- Oh, claro – disse Madame Malkin – Me acompanhe, por favor. A senhora pode ficar aqui esperando.

A vendedora guiou Coral até um lugar rodeado de espelhos e araras de roupas. Ali já havia uma menina; ela tinha cabelos castanhos revoltos, olhos também castanhos e dentes da frente um pouco grande demais.

Não que Coral se importasse, afinal, algumas semideusas do Acampamento Meio-Sangue sempre a xingavam e humilhavam sempre que ia visitar o lugar, por isso nunca ficara muito tempo lá.

E também, talvez, fosse por isso que não tivesse muitos amigos. Porque sempre que mexiam com ela, a pessoa podia acordar com um fantasma puxando seu pé durante a noite.

- Olá – disse a garota quando Madame Malkin foi buscar vestes para Coral provar – Sou Hermione Granger.

Coral olhou de esguelha para ela, parecia verdadeiramente interessada em conversar.

- Oi – respondeu – Sou Coraline Jacob.

- Vai para Hogwarts também? – perguntou Hermione.

- Vou – respondeu.

Hermione ergueu uma sobrancelha.

- Você é muito lacônica – disse.

Coral foi obrigada á dar uma curta risada.

- Oque foi que eu disse de engraçado? – perguntou Hermione.

- Essa expressão, lacônica, nasceu em Esparta, na Grécia Antiga – respondeu Coral – Os soldados espartanos eram treinados para falarem pouco, de modo que não revelavam os segredos militares aos inimigos.

- E daí?

- E daí que Ares me deu esse mesmo treinamento – disse Coral com um sorriso de canto – Não que eu o siga, claro.

- Ares? – perguntou Hermione arregalando os olhos – Tipo, o deus da guerra?

Coral deu um sorriso debochado.

- Eu sou lacônica, lembra? – perguntou – Não devemos contar segredos militares.

Antes que Hermione pudesse imaginar qualquer resposta, Madame Malkin voltou com as suas vestes de Hogwarts.

- Até Hogwarts, Hermione Granger – disse Coral e saiu andando para o provador.

Depois que saíram dali, compraram os livros, as penas, os potes de tinta e a varinha de Coral; uma varinha de 28 centímetros, feita de carvalho negro, pena de fênix e tinha pequenas decorações em forma de caveiras.

- Coral, que tal agora comprarmos uma animal de estimação? – perguntou Atena.

— Não – respondeu Coral – Eu vou levar o...

- Você não vai levar um cão infernal para Hogwarts!

Coral fez um biquinho.

- Porque eu não posso levar Cérbero?

- Deixe-me ver... – Atena fingiu pensar – Será que é porque ele é um cachorro imenso de três cabeças com mais de dois metros de altura?

- Não, não deve ser por isso – disse Coral.

Por fim, Coraline acabou por comprar um símbolo de azar: um gato preto com olhos num tom vivo de amarelo.

- Qual o nome? – perguntou Atena enquanto saiam da loja.

Coraline sorriu de forma sarcástica.

- Ah, ela vai adorar – murmurou, depois respondeu com os olhos brilhando com a provocação – Dei-lhe o nome de Hera.

Um trovão sacudiu o Beco Diagonal, mas Coral não ficou com medo nem nada do gênero, ela apenas riu.

Com toda a certeza, ela iria se divertir em Hogwarts.