Meio Bruxa, Meio Deusa
3 Capítulo 2
- Mas me explica isso aí direto – pediu Coraline, enquanto Hades á levava para um passeio nos jardins do Olimpo para dizer-lhe tudo – Sou uma bruxa? Uma semideusa? Ou os dois?
- Os dois – respondeu Hades sorrindo de canto; ele sempre achou que, apesar de Coral não ser filha de Perséfone, ela era uma mistura perfeita da deusa das flores e do deus dos mortos.
- Minha mãe era uma bruxa? – perguntou Coral ansiosa para arrancar qualquer informação de Hades.
- Era – respondeu Hades com um suspiro – Coral, não quero que fale dela na sua nova escola.
- Por quê?
- Sua mãe... – começou Hades triste – Certo, existia um bruxo das trevas chamado Lord Voldemort. Ele tinha seguidores que matavam e torturavam pessoas ás suas ordens, sua mãe era um desses seguidores; ela era uma Comensal da Morte.
- Come sal da Morte? – perguntou Coraline franzindo a testa – Tipo, sal da morte? Que diabos é um sal da morte?
Hades revirou os olhos. A benção de Hermes realmente afetava o cérebro dessa menina.
- Me recuso á responder essa pergunta – disse o deus – Mas o principal é, sua mãe era do mal.
Coraline aceitou isso estranhamente bem, mas também, nunca conheceu a mãe e tinha a impressão que estava melhor assim.
- E a escola? – perguntou mudando de assunto – É alguma coisa com Hog...
- Hogwarts – disse Hades – É a melhor escola de magia do mundo.
- Legal – disse Coral – Vou aprender á tirar coelhos de cartolas?
Hades sorriu, não da forma medonha de sempre, mas de uma forma agradavelmente feliz.
- Magia é bem mais que isso, minha menina – respondeu.
Depois que Hades voltou para o Mundo Inferior, Atena insistira para ir pessoalmente acompanhar Coral na compra dos materiais escolares.
- São os materiais do primeiro ano! Vai ser uma ótima experiência!
De fato, Atena estava mais ansiosa que Coraline. Zeus concordou, então Atena voltou-se para Coral.
- Vamos? – perguntou oferecendo a mão esquerda.
Coral olhou sem querer para as roupas que estava vestindo: Uma regata branca um pouco grande demais, um jeans preto e um tênis Converse All Star. A menina deu de ombros e segurou na mão de Atena.
A deusa a levou para algum lugar de Londres, a temperatura abaixou consideravelmente; enquanto esfregava os braços, Coral levantou a cabeça e viu que estavam na frente de um bar muito velho e sujo.
O Caldeirão Furado – dizia a placa.
- Que droga de lugar é esse, Atena? – perguntou Coraline – Um bar? Ah! Eu sabia que você estava bêbada!
Atena revirou os olhos.
- Essa é a entrada do Beco Diagonal – explicou e acrescentou diante as sobrancelhas erguidas de Coral – É tipo a 25 de Março bruxa..
Atena e Coral entraram no bar. Coral gostou do lugar por dentro; certo, haviam pessoas estranhas, mas ali era escuro e quieto, o tipo de local favorito de Coral.
- Tom – cumprimentou Atena um homem no balcão.
Tom quase deixou o copo que estava secando cair.
- Sra. Atena – cumprimentou Tom fazendo uma leve reverencia – Que honra vê-la novamente! Não achei que viveria para isso.
- Agradeço que tenha pensado em mim, Tom – respondeu Atena sorrindo – Agora, se me der licença...
- Oh! Claro, claro!
Atena e Coral caminharam juntas até um muro de pedra.
- Como é que ele te conhece? – perguntou Coral.
- Você não é a primeira semideusa que trago aqui – disse Atena – Á muito tempo atrás, teve a minha filha Rowena Ravenclaw e á alguns anos atrás, minha abençoada Lily Evans.
- Como é que elas estão hoje? – perguntou Coral.
- Mortas – respondeu Atena, que acrescentou após ver o olhar assustado de Carol – Mas isso não vai acontecer com você, querida!
- Espero que não mesmo – respondeu – Se eu fosse um fantasma, teria que aguentar Deméter em suas visitas ao Mundo Inferior.
Elas pararam diante um muro de tijolos.
- Uau – disse Coral – Aprecie, o fantástico muro de tijolos bruxo.
Atena colocou a mão suavemente em apenas um dos tijolos, que foi empurrado para trás. Logo todos os tijolos estavam fazendo isso, revelando uma longa rua cheia de pessoas e lojas.
A deusa da sabedoria sorriu diante a expressão embasbacada de Coral, que não era nada comum naquele rosto sombrio.
- Santo Olimpo! – exclamou a menina – Que coisa mais fantástica! Será que meu quarto pode ter um sistema parecido com esse?
- Vamos logo – disse Atena.
Elas passaram diante várias lojas. Atena, que já tinha dinheiro bruxo, decidiu que elas deveriam ir primeiramente á loja de vestes da madame Malkin.
Madame Malkin era uma bruxa baixinha e fofinha vestida de lilás.
- Olá querida – disse assim que viu Coral e Atena entrando na loja – A senhora é...
Madame Malkin ficou confusa ao ver aquela mulher loira, com a pele levemente bronzeada e de olhos cinza acompanhada por uma menina doentiamente pálida com cabelos e olhos negros com a noite.
- Sou mãe dela – disse Atena.
- Oh, claro – disse Madame Malkin – Me acompanhe, por favor. A senhora pode ficar aqui esperando.
A vendedora guiou Coral até um lugar rodeado de espelhos e araras de roupas. Ali já havia uma menina; ela tinha cabelos castanhos revoltos, olhos também castanhos e dentes da frente um pouco grande demais.
Não que Coral se importasse, afinal, algumas semideusas do Acampamento Meio-Sangue sempre a xingavam e humilhavam sempre que ia visitar o lugar, por isso nunca ficara muito tempo lá.
E também, talvez, fosse por isso que não tivesse muitos amigos. Porque sempre que mexiam com ela, a pessoa podia acordar com um fantasma puxando seu pé durante a noite.
- Olá – disse a garota quando Madame Malkin foi buscar vestes para Coral provar – Sou Hermione Granger.
Coral olhou de esguelha para ela, parecia verdadeiramente interessada em conversar.
- Oi – respondeu – Sou Coraline Jacob.
- Vai para Hogwarts também? – perguntou Hermione.
- Vou – respondeu.
Hermione ergueu uma sobrancelha.
- Você é muito lacônica – disse.
Coral foi obrigada á dar uma curta risada.
- Oque foi que eu disse de engraçado? – perguntou Hermione.
- Essa expressão, lacônica, nasceu em Esparta, na Grécia Antiga – respondeu Coral – Os soldados espartanos eram treinados para falarem pouco, de modo que não revelavam os segredos militares aos inimigos.
- E daí?
- E daí que Ares me deu esse mesmo treinamento – disse Coral com um sorriso de canto – Não que eu o siga, claro.
- Ares? – perguntou Hermione arregalando os olhos – Tipo, o deus da guerra?
Coral deu um sorriso debochado.
- Eu sou lacônica, lembra? – perguntou – Não devemos contar segredos militares.
Antes que Hermione pudesse imaginar qualquer resposta, Madame Malkin voltou com as suas vestes de Hogwarts.
- Até Hogwarts, Hermione Granger – disse Coral e saiu andando para o provador.
Depois que saíram dali, compraram os livros, as penas, os potes de tinta e a varinha de Coral; uma varinha de 28 centímetros, feita de carvalho negro, pena de fênix e tinha pequenas decorações em forma de caveiras.
- Coral, que tal agora comprarmos uma animal de estimação? – perguntou Atena.
— Não – respondeu Coral – Eu vou levar o...
- Você não vai levar um cão infernal para Hogwarts!
Coral fez um biquinho.
- Porque eu não posso levar Cérbero?
- Deixe-me ver... – Atena fingiu pensar – Será que é porque ele é um cachorro imenso de três cabeças com mais de dois metros de altura?
- Não, não deve ser por isso – disse Coral.
Por fim, Coraline acabou por comprar um símbolo de azar: um gato preto com olhos num tom vivo de amarelo.
- Qual o nome? – perguntou Atena enquanto saiam da loja.
Coraline sorriu de forma sarcástica.
- Ah, ela vai adorar – murmurou, depois respondeu com os olhos brilhando com a provocação – Dei-lhe o nome de Hera.
Um trovão sacudiu o Beco Diagonal, mas Coral não ficou com medo nem nada do gênero, ela apenas riu.
Com toda a certeza, ela iria se divertir em Hogwarts.
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