As N.O.M.s só aconteceriam depois das férias de inverno, mas Hermione e Lily já estavam em um estado desesperado; estudavam em todo o tempo o livre e cogitavam em não ir á Hogsmeade no fim de semana.

– Isso é loucura – disse Rony enquanto ele, Coral e Harry conversavam á caminho do Salão Principal – Perder a visita á Hogsmeade só para estudar? Hermione está insana.

– Nem Remo está tão louco com as N.O.M.s – disse Harry – E olha que ele nos força á repetir a matéria com ele.

– Por quê? – perguntou Coral – Ele é mais inteligente que todo o dormitório masculino da Sonserina.

– Nossa – disse Draco surgindo ás suas costas – Seus elogios ainda vão me fazer corar.

– De onde você veio?! – exclamou Coral.

– Você pode aparecer do nada e eu não? Isso é muito injusto, sabia? – perguntou Draco erguendo as sobrancelhas.

Coral deu-lhe uma careta enquanto eles se direcionavam para a mesa da Sonserina, enquanto Harry e Rony iam para a mesa da Grifinória.

– Coral! – chamou Astrid assim que a garota sentou-se a mesa.

Astrid andou até Coral, empurrou Severo (que estava sentado do lado de Coral) para o chão e sentou-se em seu lugar.

– Você não vai acreditar no que nós descobrimos – disse Astrid baixando a voz.

– Nós? – repetiu a filha de Hades.

– É – disse Narcisa – Não achava que Astrid descobria tudo sozinha, não é mesmo?

– Somos informantes – riu Bella.

Coral olhou para Draco, pedindo que ele a tirasse daquela situação. O loiro simplesmente deu de ombros e voltou a sua atenção para seu prato de comida.

– Então, qual é a informação super importante? – perguntou Coraline sarcástica.

– Ouvi dizer que algum garoto vai te convidar para sair – disse Astrid.

Coral ergueu a sobrancelha escura como a noite.

– Uau – disse ela – Que informação precisa. Também é surpreendente o fato de que existam cegos em Hogwarts.

– Nós vamos te ajudar com o encontro! – exclamou Bella.

– Ah, não – disse Coral – Muito obrigada, mas não vão não.

Após alguma insistência, as três concordaram relutantes. Ao fim do almoço, Harry e Rony vieram até a mesa da Sonserina, recebendo vários olhares venenosos.

– Coral, venha comigo – disse Harry – É importante.

– Eu estou comendo – disse a garota apontando com o garfo para o pedaço de torta em seu prato.

– Coral! – exclamou Harry – Oque vou falar é muito mais importante do que torta!

– Tudo bem, talvez não seja tão importante quanto torta – disse Rony – Mas é importante do mesmo jeito.

Coral levantou-se e seguiu os dois grifinórios, deixando os outros sonserinos fazendo comentários maldosos atrás deles.

– Oque foi? – perguntou Coral.

– Hermione estava pensando e disse que devemos ajeitar as coisas no futuro, mas sem que prejudiquemos as coisas — disse Rony abaixando a voz.

– Tipo... Matar o basilisco? – perguntou Coral enquanto Hermione se juntava á eles.

– Não – disse Hermione imediatamente – Se matarmos o basilisco agora, não teremos como pegar o diário de Tom Riddle. O basilisco vai ficar como está.

– Que tal matarmos Pettigrew? – perguntou Harry esperançoso olhando para Hermione.

– Hum... – disse ela pensando – Acho... Sim, acho que podemos conseguir a transferência dele para outra escola de magia, não sei.

– Perfeito! – disse Rony.

– Não podemos fazer isso – disse Coral imediatamente.

Os três encaram-na. Hermione com curiosidade, como se fosse uma aluna contestando a professora; mas os dois garotos olharam-na com irritação.

– Porque não? – perguntou Harry bruscamente.

– Porque se Pettigrew não entregar seus pais para Voldemort, você nunca causará a queda do Lord – disse Coral firme – Você nunca ganhará a cicatriz.

– Mas eles vão morrer! – disse Harry irritando-se.

– Eu sei, Harry – disse Coral – Mas é necessário. Se sua mãe não tiver te defendido e Voldemort não tiver caído, ele continuaria forte até nós nascermos!

– Ele retorna de qualquer jeito! – exclamou Harry.

– Fale baixo – advertiu Hermione. Eles estavam em um corredor paralelo ao Salão Principal, sua conversa poderia muito bem ser escutada por alguém.

– Harry! – exclamou Coral irritada – Eles precisam morrer para que as pessoas tenham paz por 13 anos! Eu sei que ele vai voltar! Mas do mesmo modo, não podemos mudar isso! Seus pais tem que morrer!

– A CULPA DISSO TUDO É SUA! NÃO DEVERIA TER QUEBRADO AQUELE VIRA-TEMPO! – gritou Harry furioso – E AGORA SÓ ESTÁ NEGANDO-ME AJUDA PORQUE FOI ABANDONADA PELA SUA MÃE E SEU PAI NÃO PODE MORRER!

Coral parecia ter levado um tapa na cara. Rony ficou com as orelhas vermelhas e olhou para o chão; Hermione parecia não saber oque fazer naquela situação. Harry se arrependeu imediatamente do que disse.

– Coral...

– Calado, Potter – disse Coral com a fúria borbulhando dentro dela – Volte para a mesa da Grifinória e aproveite o tempo com seus pais mortos.

E voltou pisando duro para a mesa da Sonserina, onde Severo e Andrômeda esperavam Coral.

– Coral, oque aconteceu? – perguntou Andrômeda – Vocês estavam discutindo?

– É, Andrômeda – disse Coral pegando sua mochila – É assim que chamamos quando duas pessoas se agridem verbalmente.

Coral olhou para Andrômeda, que encarava-a.

– Certo – suspirou – Não devo descontar em você.

– Ele foi... cruel – disse Severo repentinamente – Ele falou sobre sua mãe. Não é legal fazer isso.

– Tanto faz – disse Coral alisando a camiseta – Eu já me acostumei. Vou á biblioteca terminar a tarefa de Transfiguração, acompanha-me?

– Vou ficar por aqui, me desculpe – disse Dromeda.

– Então, até – disse Coral, saindo sem esperar resposta.

Durante o caminho para a biblioteca, Coral passou por um lindo canteiro de flores amarelas como o sol que transmitiam alegria e vitalidade. Coraline olhou com irritação para o canteiro; as flores murcharam e passaram para um tom doentio de marrom.

E assim foi por todo o caminho até a biblioteca. As sombras movimentavam-se sozinhas e assustavam pessoas; plantas murchavam; corvos apareciam; animais guinchavam e corriam de Coraline.

– Nossa – disse Régulos, após ver um corvo entrar pela janela da biblioteca e pousar no ombro de Coraline – Humor maravilhoso, hein?

– Filhos de Hades tem uma aura muito forte – disse Coral escrevendo e ignorando as bicadas de corvo em sua orelha – Provavelmente devo ter feito os espíritos do Tártaro se remexerem.

– Hãn ham... – disse Régulos sem entender nada. Ele pigarreou – Eu estava pensando... Esse final de semana é a visita á Hogsmeade, então, hã... Quer ir ao Três Vassouras comigo?

Coral começou á gargalhar histericamente, mas parou quando viu que Régulos não a acompanhava.

– Ah, espera – disse Coral descrente – Você falou sério?

– Falei – disse Régulos – Mas se você não quiser ir comigo...

– Não! – exclamou Coral – Quer dizer, tudo bem. Eu vou com você sim.

Régulos sorriu.

– Ótimo – disse levantando-se – Então, até o Três Vassouras.

* * *

Dali á duas horas seria a visita á Hogsmeade dos alunos do quinto ano. O corredor que dava acesso á Sala Comunal sonserina estava vazia, até...

– Não me empurra, Molly! – exclamou Marlene enquanto ela, Molly e Lily esgueiravam-se até a parede de pedra.

– Por Merlin, oque vamos fazer é tão errado – disse Lily apreensiva.

– Relaxa – aconselhou Molly – Ninguém vai nos ver.

– Será? – perguntou Lily fixando os olhos verdes em Molly – Podemos ser pegas pelo Filch, ou pela Madame Norra, ou por algum sonserino, ou por...

– Deixa de ser tão neurótica, Lily! – exclamou Marlene quando elas pararam na frente da parede.

– Qual a senha? – perguntou Molly – Alguém sabe? Acho melhor alguém saber!

– Vamos pensar... – murmurou Lily para si mesma – Esse é o Salão Comunal da Sonserina... Pense, Lily, pense... Já sei! – exclamou. A ruiva virou-se para a parede de pedra – Sangue Puro!

A parede de pedra deslizou para o lado e revelou o luxuoso salão sonserino.

– Vamos – sussurrou Marlene já andando até as escadas do dormitório feminino.

As três subiram as escadas com extremo cuidado e olharam as várias portas.

– Agora fudeu de vez – disse Marlene.

– Olha a boca, Lene! – repreendeu Lily.

– O dormitório da Coral deve ser o mais sombrio – disse Molly – Sigam-me.

As três grifinórios andaram na ponta dos pés até o último quarto, que possuía uma porta de carvalho negro e polido.

– A cara dela – disse Marlene já abrindo a porta.

Coral ergueu os olhos do livro que lia e encarou descrente as três visitantes.

– Ótimo – disse ela – Agora grifinórios estão invadindo meu dormitório. Dá para eu descer ainda mais em direção ao fundo do poço?

– Viemos te ajudar! – disse Molly animada, então viu oque Coral vestia: calças e um casaco de moletom – É assim que vai para o seu encontro?!

– Não é um encontro! – protestou Coral – E como souberam?

– Andrômeda é nossa informante – disse Lily sorrindo amarelo.

– E é sim um encontro – disse Marlene.

– Não é!

– Vocês vão ao Três Vassouras...

– E daí?

– Vão sozinhos...

– E daí?

– Ninguém sabe oque vão fazer depois que saírem de lá...

– MARLENE!

– Não está mais aqui quem falou...

– Vamos ver oque você tem de aceitável aqui – disse Molly olhando dentro do armário de Coral.

Quinze irritantes para Coral minutos, a filha de Hades estava pronta.

– Eu ainda não sei quem são esse aí – disse Marlene apontando para o moletom dos The Beatles.

– São uma banda – disse Coral – A melhor que existe!

– Eu não os conheço – disse Lily.

Então, Coral tocou-se que provavelmente os integrantes do Beatles deveriam ter dez anos agora.

– São dos Estados Unidos – mentiu – Agora, saiam daqui sem serem vistas.

– Bom encontro – riu Molly saindo do dormitório.

Coral olhou-se no espelho. Ela tinha que admitir, estava bonita. A sonserina entrou nas sombras perto de sua cama e saiu em um beco em Hogsmeade.

Coraline caminhou tranquilamente até os Três Vassouras.

– Coral! – acenou Régulos de uma mesa sorrindo.

Coral sentou-se com Régulos. Eles pediram duas cervejas amanteigadas; a tarde passou rapidamente, os dois se divertira muito juntos. Eles caminharam juntos de volta para o castelo.

– Foi uma ótima tarde – disse Coral enquanto caminhavam – Eu não lembro–me de rir tanto assim em um único dia.

– Você é legal, Coral – disse Régulos.

Eles se desviaram do caminho e sentaram juntos em uma pedra alta na margem do terreno da Casa dos Gritos. Ali havia uma linda grama e dava-lhes uma vista completa de Hogsmeade. Eles viram ao longe Sirius passar rindo junto com James, Remo e Peter.

Régulos suspirou.

– Maldito – resmungou – Tinha que fugir e me deixar sozinho...

– Sozinho? – perguntou Coral erguendo uma sobrancelha.

– Eu não suporto a minha mãe – disse Régulos mexendo na grama – Ás vezes penso que seria ótimo fugir de tudo isso como Sirius fugiu, mas nessa guerra não á como fugir. Aqui só existem dois lados; concordar ou morrer. Eu não ia morrer, ou ser explodido para fora da árvore da família como Sirius. Aposto que sou a pessoa mais nova que aderiu á “causa”.

– Causa?

– Você sabe, a causa dele – disse Régulos – Sinto pena de Sirius. Ele acabou no lado errado da guerra. O lado perdedor.

Os olhos negros de Coral encontraram os igualmente escuros de Régulos. Sinceramente, Coral não entendia oque ele estava passando, mas (pela primeira vez que conseguia se lembrar) ela realmente queria ajudar Régulos.

Então, num gesto inesperado, Régulos inclinou o corpo levemente e seus lábios encontraram os de Coral; os pensamentos da filha de Hades perderam coerência e pareceram virar gelatina. O beijo era tão inocente, tão gentil, tão doce, Coral não se lembrava de sentir-se assim antes.

Mas, de repente, imagens invadiram sua mente. Ela viu Régulos mais velho; ele estava numa caverna, se afogando num lago escuro, sendo puxado para baixo por vários Inferis...

Coral afastou-se rapidamente de Régulos.

– Ah, Merlin – disse Régulos corado – Me desculpe, Coral. Por favor, eu...

– Não é você – disse Coral suavemente levantando-se – Eu... Hãn... Desculpe-me, tenho que... Tenho que ir.

Coral entrou na sombra mais próxima e saiu em seu dormitório. Ela abriu a janela e posicionou o espelho de modo que ele refletisse os raios de sol ainda presentes, formando um singelo arco-íris.

Ela revirou os bolsos rapidamente á procura de um dracma e jogou-o no arco-íris.

– Íris, deusa do arco-íris – disse Coral, surpresa por a sua voz estar trêmula – Por favor, aceite minha oferenda. Mostre-me Hades, no Mundo Inferior.

A imagem sorridente de seu pai apareceu no arco-íris.

– Coral, minha filha! – seu sorriso desapareceu – Querida, oque aconteceu? Porque está chorando?

Coral ainda não tinha percebido, mas, sim, grossas lágrimas brotavam de seus olhos e desciam por suas bochechas. A semideusa logo tratou de limpá-las na manga da blusa.

– Pai – disse fungando e sentindo raiva por parecer uma menininha chorona – Eu... Desde quando eu posso ver como as pessoas vão morrer?

– Por quê? – ele perguntou.

– Eu acabei de ver a morte de um amigo meu – disse ela, sentindo novas lágrimas caindo dos olhos – Ele vai ter uma morte horrível.

A expressão de Hades suavizou, quase com tristeza.

– Ah, querida – ele disse – Você é filha do deus dos mortos, tem essa habilidade. Ela acontece de vez em quando e só com pessoas que foram ligadas de algum modo com você – ele estreitou os olhos com suspeita – Você disse que viu a morte de um garoto, não foi?

Coral sentiu as bochechas queimarem.

– É – disse – Mas não mude de assunto, Hades. Você não pode... Sei lá... Bloquear esse dom?

– Não – respondeu – Desculpe, Coral.

Coral assentiu triste, secou as últimas lágrimas e disse:

– Certo. Até mais, papai.

– Até, filha – disse Hades.

O arco-íris se dissolveu, levando a imagem de seu pai preocupado junto.