Meio Bruxa, Meio Deusa
12 Capítulo 11
- E então? – perguntou Marlene pela manhã – Vocês se beijaram?
Coral ergueu os olhos do Guia Definitivo Para Poções e encarou Marlene. Aparentemente, para Marlene, o melhor jeito de começar uma conversa é perguntando isso.
- Não – mentiu Coral, ela não precisava relembrar a morte de Régulos de novo.
- Que droga de encontro – resmungou Marlene.
- Não diga isso, Lene – falou Andrômeda gentilmente – Mas, Coral, como foi?
Coraline queria que as amigas parassem de lhe importunar com perguntas sobre o encontro; toda vez que o encontro era mencionado, a lembrança voltava á cabeça de Coral: Régulos se afogando em um lago escuro, sendo puxado para baixo por centenas de Inferis...
Coral sacudiu a cabeça para esquecer-se da lembrança.
- Legal – disse simplesmente – Régulos foi legal comigo.
Marlene abriu a boca para perguntar mais alguma coisa, mas Coral colocou-se de pé.
- Tenho que ir – mentiu olhando para o relógio – Minha aula de Estudo dos Trouxas começa daqui á dez minutos.
Marlene ergueu as sobrancelhas.
- Sonserinos não fazem Estudo dos Trouxas – disse.
Coral olhou para Marlene com o olhar que dizia A vida é minha, e se eu quiser fizer Estudo dos Trouxas, eu vou fazer.
A filha de Hades saiu andando para a aula de Transfiguração sozinha, pois Andrômeda teria algumas coisas para fazer antes de ir para a aula. Ela considerava seriamente em pedir para morar com seu pai, o Mundo Inferior sempre lhe parecera menos caótico e problemático do que o mundo dos mortais.
- Coral! Coral! – chamou Arthur Weasley aproximando-se com um bilhete na mão – Olá! Hermione pediu-me para lhe entregar isso.
Ela pegou o bilhete das mãos de Arthur e leu.
Coral,
Eu admito que, sobre aquela discussão com Harry, você está certa. Os pais de Harry terão que morrer no futuro.
Mas existem outras coisas que pudemos mudar, por isso, eu gostaria que você viesse no Salão Comunal da Grifinória hoje á noite, após o toque de recolher, para uma pequena reunião. Ah, infelizmente você terá que trazer Malfoy.
Abraços,
Hermione.
Coraline guardou o bilhete na mochila.
- Obrigada... Arthur – disse Coral, ela ainda não tinha se acostumado á chamá-lo pelo primeiro nome, ela sempre o chamaria de Sr. Weasley.
- Por nada – sorriu – Você é legal, não é como os outros sonserinos irritantes.
- Tem razão – disse Coral sorrindo – Sonserinos são irritantes, e eu não me excluo desse grupo. Bem, tenho que ir; até.
Coral correu até a sala de Transfiguração e sentou-se ao lado de Severo, que era uns dos únicos estudantes na sala junto com a professora McGonagall (Coraline estava surpresa como ela sempre fora velha).
- Bom dia – disse Severo sem tirar os olhos de um livro, no qual escrevia intensamente.
— Olá – disse Coral distraída brincando com uma sombra como se fosse um pedaço de massa de modelar – Oque está fazendo?
Severo fechou o livro e Coral pode ver a capa; era um livro de Poções.
- Porque está rabiscando seu livro de Poções? – perguntou a filha de Hades.
- Eu... Hãn... – começou Severo – Eu estava... Fazendo algumas anotações.
- Hum... – Coral viu Draco entrando na sala de aula junto com Régulos – Eu já volto.
Ela levantou-se e se aproximou dos dois. Régulos olhou para o chão, tímido. Draco encarou Coral, que provavelmente também deve ter corado quando viu Régulos.
- Oque foi? – perguntou Draco sem rodeios.
- Hãn... – Coral pigarreou – Draco, preciso falar com você. Á sós.
Régulos assentiu e foi-se sentar perto de Severo. Antes que Coral falasse qualquer coisa, Draco perguntou:
- Oque está rolando entre você e o Régulos?
Nesse momento, Coral definitivamente queria entrar em alguma sombra e se esconder.
- Nada – disse Coral com um sorriso de canto.
- Nada?
- Nada, Malfo... Malik! – exclamou Coral – Que coisa! E se estivesse, é da sua conta?
Draco franziu as sobrancelhas.
- Não, claro que não... – murmurou.
- Então – disse Coral – Você precisa ir comigo até o Salão Comunal da Grifinória hoje á noite.
- Oque? – perguntou o loiro – Por quê? Não importa, a resposta é não!
- Draco – Coral baixou a voz – Você precisa ir. É importante para o futuro.
- O seu futuro.
- Draco! – exclamou Coral – Você também faz parte desse problema! Você vai nos ajudar, querendo ou não.
Ele revirou os olhos cinzas.
- Certo – resmungou – Veja aonde eu cheguei: Ajudando o Potter.
- É só até voltarmos – disse Coral enquanto eles se sentavam – Então, você está livre dos grifinórios.
Á noite, exatamente ás oito horas, Draco e Coral desceram as escadas dos dormitórios da Sonserina e foram até o Salão Comunal.
- Hum... – disse Coral em voz baixa olhando para o relógio – Hermione me garantiu que o Salão Comunal da Grifinória vai estar vazio também.
- E como nós vamos para o Salão Comunal da Grifinória, que é do outro lado do castelo? – perguntou Draco.
Coral sorriu.
- Essa é uma das vantagens de ser filha de Hades – disse Coral – Você pode ir para qualquer lugar. Nós vamos viajar nas sombras, me dê sua mão.
Com um pouco de relutância, Draco deu sua mão para Coral e, quando eles iam entrar em uma sombra que os levaria diretamente para o Salão Comunal Grifinório, uma voz disse:
- Indo á algum lugar?
Régulos estava nas escadas do dormitório masculino; ele usava um pijama prateado caro de seda pura.
Coral tratou imediatamente de soltar a mão de Draco.
- Não, claro que não – respondeu um pouco rápido demais.
- E porque estavam de mãos dadas? – perguntou.
Draco abriu a boca para responder, provavelmente falaria alguma besteira. Mas Coral bolou uma mentira rapidamente.
- Porque eu sou cartomante – disse segurando novamente a mão de Draco com a palma virada para cima – Sabe, como filha de Hades, eu posso ler as mãos das pessoas.
Coral começou á olhar a mão de Draco.
- Hum... – disse ela – Vejo que seu futuro será repleto de dor e mortes.
Se os dois garotos pudessem ficar mais pálidos do que já eram, eles ficariam. A verdade é que só os filhos de Hécate poderiam ser cartomantes; e cartomantes leem cartas, não mãos. Mas como os dois garotos eram puros sangues, sua mentira foi bem sucedida.
- E porque tem que fazer isso tarde da noite? – perguntou Régulos ainda desconfiado.
- Porque, Reggie – disse Coral; Régulos ficou um pouco sem graça diante o apelido – As forças cósmicas do universo atuam melhores durante a noite, que é quando as trevas se alinham á magia e os filhos do submundo podem usufruir melhor de suas habilidades raras.
Régulos, um dos alunos mais inteligentes da escola, não entendeu metade das coisas que Coral disse. Ele assentiu e lançou um último olhar venenoso á Draco.
- Então, continuem com a sua leitura de mãos – disse – Boa noite, Coral.
- Boa noite, Reggie – falou Coral.
Ele subiu as escadas e Draco sorriu sarcástico.
- Acho que seu namorado está com ciúmes de mim – riu.
- Cala a boca, seu idiota – sibilou Coral segurando a mão de Draco – Vamos logo, quero voltar para nossa época.
- Eu também – disse Draco – Lá pelo menos eu não tenho que conversar com o meu pai sobre o quanto ele acha a minha mãe bonita.
- Vocês conversam sobre isso? – perguntou.
- Infelizmente...
Os dois entraram na sombra que cobria a parede e foram para o Salão Comunal da Grifinória. Oque eles não viram é que Régulos não tinha subido as escadas para o seu quarto; ele tinha apenas se escondido atrás da porta e, infelizmente, escutado a conversa sobre eles terem vindo do futuro.
* * *
Coral e Draco saíram no Salão Comunal da Grifinória; Hermione, Rony e Harry estavam os esperando sentados na mesa.
- Sentem-se – pediu Hermione. Eles se sentaram; Coral sentou-se de frente para Harry, que olhou-a triste.
- Coral – Potter pigarreou – Eu... Me desculpe sobre oque eu falei ontem. Hermione me explicou e você realmente está certa.
Coral sorriu simpaticamente.
- Oh, claro – disse – Esqueça isso, Harry. Eu já esqueci.
Coraline havia perdoado Harry, mas não esquecido. Sonserinos nunca esquecem.
- Então – disse Rony – Hermione, os planos, por favor.
- Claro – concordou a grifinória – Então, hoje á tarde Dumbledore nos disse que o vira-tempo já está em Hogwarts e nós podemos usá-lo para voltar á qualquer hora.
- Ótimo! – exclamou Draco – Então oque estamos esperando?
- Malfoy, nós temos coisas para mudar – disse Harry sério.
- Primeiro – disse Rony – Nós vamos salvar os McKinnon.
O coração de Coraline afundou no peito.
- McKinnon? A família da Marlene? – perguntou – Eles... Morrem?
- Sim, assassinados pelo próprio Voldemort – disse Harry triste – Mas eles podem ficar vivos se nós avisarmos Dumbledore; tenho certeza que ele vai ajudá-los.
- Próximo problema – disse Draco.
- Régulos – disse Coral sem pensar – Podemos salvar o Régulos!
Draco ergueu a sobrancelha pálida.
- Ele morre? – perguntou. Não havia tristeza em sua voz.
- Morre – confirmou Coral – Mas podemos salvá-lo! É só o escondermos do Voldemort!
- Hum... – disse Hermione anotando tudo num papel – Sim, acho que podemos encaixar Régulos aqui...
- Podemos matar a Bellatrix – sugeriu Harry.
- Melhor, podemos mandá-la para o Tártaro – disse Coral – Eu abro a passagem, você empurra.
Harry e Coral bateram suas mãos uma contra a outra.
- Não, isso ia afetar o futuro de forma imensa – disse Rony.
- Mas... E os pais do Neville? – perguntou Harry.
- Podemos escondê-los junto com os McKinnon e Régulos – disse Hermione.
- Não gosto da ideia de escondermos tanta gente – disse Draco – Talvez pudéssemos cortar Régulos fora da lista...
- Não – cortou Coral.
- Foi só uma sugestão...
Durante a pequena reunião, eles salvaram provavelmente poucas vidas, mas eram vidas que fariam a diferença. Hermione guardou os pergaminhos e eles se levantaram.
- Estejam no Salão Principal ás sete horas da manhã, antes dos alunos – disse Hermione.
- Mas as pessoas vão se lembrar de nós – disse Draco.
- Já ouviu falar no feitiço Obliviate? – perguntou Hermione – É um feitiço que tira a memória das pessoas. Tirem a memória das pessoas que mais conviveram com vocês, porque não podemos tirar a memória de todo mundo.
- Então... Tudo isso acaba amanhã? – perguntou Rony.
- É – suspirou Coral – Acaba amanhã.
Draco e Coral voltaram para o Salão Comunal da Sonserina. A filha de Hades foi para o seu quarto e sentou-se na cama. Ela olhou com raiva para a mãe e para Bellatrix; depois seu olhar para Andrômeda, que dormia como um anjo. Coraline podia dizer que nunca tivera um amiga tão verdadeira quanto ela, a traidora de sangue Black, queimada da árvore da família por casar-se com um sangue ruim.
Sem fazer barulho, Coral recolheu todas as suas coisas e dormiu com a roupa do corpo mesmo.
Amanhã tudo isso iria acabar; amanhã ela voltaria para casa.
Notas finais
A Pri (conhecida como Preguiça) não me deixou escrever e o Chris (conhecido como Criatividade) também foi embora. Mas o Teddy (apelido carinhoso para o Tédio) forçou-os a me ajudar á escrever...
Espero que tenham gostado!
Fale com o autor