Meine Shuld

3 Capítulo 3 - Pesadelo 3 - Observação.


As vezes o passado é melhor quando não é encontrado no presente.

(...)

Silêncio, as vezes uma coisa tão boa, mas pode ser tão desconfortável, Asuka entendia isso agora, silêncio podia ser doloroso também. Especialmente em uma situação como essa, ela tomou uma cadeira e ficou ao lado da cama de Shinji. O mesmo a observava com seu único olho a mostra, quase se lembrando do tempo em que ela usava o tapa olho. Ele com certeza não podia falar, e para respirar ele chegava até mesmo a quase arquear suas costas, lutando por ar.

Ela não sabia o que falar, ela só sabia que Shinji queria vê-las, antes da cirurgia, provavelmente ele já sabia os procedimentos, e ele queria vê-las, caso algo desse errado, e não conseguissem se ver novamente, ele só estava se prevenindo.

Ela queria se chutar por pensar que algo de ruim iria acontecer com ele, não, tudo acabaria bem, seria um sucesso, Akagi estaria supervisionando tudo, e no final eles seriam chamados e tudo acabaria bem, Shinji conseguiria passar por isso, então ela o levaria para casa deles e o faria se sentir melhor. Quando ele estivesse em casa, ela garantia que nada acontecesse a ele.

Mas agora, ela tinha outras coisas para pensar, como por exemplo: O que ela poderia dizer? Como ela poderia interagir? A vergonha dentro do seu ser era tão grande que quando ela pensava ter coragem para dizer alguma coisa, engasgava com sigo mesma, não sabia o que dizer, mas ela não podia Shinji dizer alguma coisa, ela tinha esmagado sua garganta a pouco tempo.

— Ah... Como você está? — pergunta idiota, ainda por cima saiu pouco maior que um sussurro covarde, Shinji não podia responder esse tipo de pergunta, ela viu em sua pouca expressão que ele estava confuso. — Desculpa, vou... Reformular a pergunta. — ela suspirou, honestamente não sabendo o que fazer.

— Você... Está com raiva de mim? — ela queria saber disso, foi uma surpresa ele não ter a visto com ódio, pelo contrário, ele a encarava como mais um dia normal, no máximo que ela viu foi um pavor inicial quando ela estendeu a mão para bagunçar seus cabelos quando ela chegou e os médicos saíram, deixando ambos sozinhos, mas ela sabia que Misato e Akagi estavam na porta, caso ela fizesse alguma coisa com Shinji

— '' Nunca mais, eu jurei que nunca mais iria machucá-lo, e não vou! — ela pensou convicta, ela olhou para Shinji, o mesmo havia virado seu rosto e começado a olhar para o teto, ele estava pensando, Asuka podia imagina que ele estava se perguntando o que ele podia sentir por ela agora, tendo em vista tudo o que ela fez.

Ele piscou duas vezes, ela escondeu o suspiro resignado e a frustração foi engolida goela baixo. — Eu entendo... É o natural, eu não podia esperar que você me perdoa-se Shinji. — o mesmo voltou seus olhos para ela, seu rosto mostrando uma leve surpresa pela falta de explosão da ruiva. — Eu sei Shinji. — ela o olhou nos olhos, se aproximando com a cadeira, se sentando um pouco mais próxima, ela sentiu o corpo tenso de Shinji querer ir para mais longe dela, vendo isso ela parou de tentar se aproximar dele. — Eu... Bom... Eu quero dizer algumas coisas pra você. Então, eu quero que você... Se mantenha apenas ouvindo... Tudo bem?

O rapaz piscou duas vezes, voltando sua atenção para ela, Asuka tomou uma lufada de ar para falar, de alguma forma ou de outra, ela iria fazer isso.

— Eu sei que... Em algum lugar no seu coração bom e puro, você está guardando ressentimentos de mim, e está guardando com razão Shinji, eu fiz coisas horríveis pra você. — ela começou, ela já podia os olhos marejados. — Eu fiz coisas que nem mesmo eu sabia que eu era capaz de fazer, o que eu fiz não tem perdão, não tem justificativa que faça o inferno que eu te fiz passar explicável ou justificável. — ela sentiu suas pernas tremerem ao lembrar de tudo. — Eu não fui mais do que um monstro pra você, eu fui pior do que qualquer anjo que tenha vindo para nós destruir antes. Eu torturei você, machuquei você, magoei você, zombei do seu esforço de me fazer bem, não me importei com o seu próprio sofrimento, nunca lhe disse nenhum obrigado por nenhum almoço maravilhoso, nunca me dispôs a te ajudar quando você realmente precisava de ajuda... Eu não fui nada além do seu pior inimigo, todo esse tempo Shinji... Desde que voltamos do terceiro impacto, eu não fui nada além de um demônio, um demônio que você ainda sim, mantinha por perto.

Ela não estava olhando para Shinji agora, não tinha coragem. Mas ela continuou, tentando falar da maneira mais clara possível o que sentia.

— Eu... Em toda minha vida, nunca tive alguém que estivesse disposto a me ajudar, ou estivesse disposto a compartilhar a vida comigo, nem mesmo meus pais, ou minha madrasta, me deram tanto conforto e carinho quanto você me ofereceu Shinji, não existe uma alma viva nessa terra que tenha me ajudado mais do que você... Simplesmente... Não existe.

Ela podia sentir os olhos de Shinji sobre ela, e a respiração dele parecia estar oscilando. Ela começou a observar suas expressões faciais.. Ela podia dizer que ele... Estava honestamente surpreso, e prestando atenção em tudo o que ela falava, bom... Isso era muito bom.

— Mas, mesmo que eu soubesse que você foi a melhor pessoa pra mim, sempre atencioso com meus desejos estúpidos, eu nunca tive a decência ou capacidade de te agradecer. Sempre fui estúpida com você.. Sempre negligenciei os seus sentimentos e sempre te mandei para longe... Quando eu sempre quis.. Me aproximar de você Shinji. — ela fez menção de tocar em sua mão, mas Shinji a afastou o mais lentamente que podia, foi como um balde de água fria para ela, mas isso era pra lembrar que ela tinha um longo caminho, Shinji estava no mesmo estado que um cachorro de rua, sendo oferecido comida por um homem que o tivesse machucado antes. — Shinji. — ela o chamou, fazendo ele lhe olhar de canto, ainda prestando atenção em suas palavras. — Eu não sei o que eu terei que fazer, para você me perdoar, honestamente, não sei. — ela continuou. — Mas eu não me importo se eu terei que fazer sacrifícios, pra você ser o que sempre foi comigo. Eu farei de tudo, pra voltar a ter aqueles dias... Os dias que eu arrancei de mim mesma quando bati em você, quando tentei te matar... Eu não sei o que eu terei que fazer por você Shinji... Mas.. — ela se colocou de pé, as lágrimas caíram, Shinji havia arregalado o único olho a mostra, ele nunca havia visto Asuka chorar, e muito menos por ele. — Eu farei de tudo Shinji... Pra ter você em casa, comigo, com Misato! Eu juro! Irei implorar por perdão, irei me ajoelhar, irei fazer o que for preciso, pra você voltar pra casa comigo, para que eu... Possa te ajudar desta vez.

Ela conseguiu tomar sua mão enfaixada, onde estava ferida também. Shinji podia sentir um aperto suave, diferente de todos os toques que Asuka havia lhe dado antes, esse não era... Para machucá-lo, parecia que ela estava fazendo carinho em sua palma, ele não entendia nada disso, e a agônia de não poder falar, era muito alta... Ele só queria perguntar... Perguntar porque... Só agora, ela estava se comportando assim? Por que só agora? Tudo seria tão mais fácil se ambos... Ambos tivessem sido mais honestos antes... Era uma frustração tão grande. Ele não sabia o que sentir mais em relação a garota, uma parte inteligente de seu ser queria sair correndo dali, esquecer as feridas e ficar longe dela, mas outra...

Outra queria ficar e pelo menos terminar de ouvir o que Asuka tinha pra dizer.

— Eu já não sei mais... Os meus motivos, de nunca ter tido essa conversa com você. — começou ela. — Desde que saímos daquele lugar infeliz, desde quando você começou a cuidar de mim, eu sempre... Do fundo do meu coração, quis ter essa conversa com você, colocar meu rancor de lado. Mas meu orgulho inútil, sempre me pegava, e eu sempre o ouvia, sempre fingi não ouvir os seus gritos em seus pesadelos Shinji, eu sempre podia acordá-lo... Mas eu sempre fingi estar tendo um sono pesado, quando você acordava e saia pra vomitar... Eu estava sempre acordada... Nunca tive coragem pra perguntar se você estava bem... Tudo o que importava pra mim, era apenas eu mesma... Eu peço desculpas Shinji... Por não ter sido uma pessoa melhor pra você... Mesmo que você tenha sido o melhor ser humano pra mim... Desde o principio. Eu não posso voltar no tempo... Eu queria poder concertar todos os meus erros, queria poder ter feito tantas coisas diferentes, mas eu não posso.

Ela segurou sua mão carinhosamente, lentamente, para não assustar o garoto, ela começou a mover sua outra mão em direção ao seu rosto. — Você me permite... Tocar em você? — Shinji ficou parado, os olhos ineptos, Asuka lentamente fez o caminho dos seus dedos até o rosto do mais novo, embora ela fosse apenas alguns meses mais velha. Ela finalmente chegou com os dedos em seu rosto, lentamente, mostrando a ele que ela não o machucaria, ela começou a alisar seu rosto, da mesma maneira que Misato havia feito antes, talvez até mais lentamente, Asuka queria sorrir, mas ela não o fez. Ela estava finalmente demonstrando alguma coisa pra ele, além de ódio. Ela se sentia realizada por um momento, tomando coragem novamente, ela pegou a mão de Shinji, com o maior cuidado possível.

Tudo o que ela queria, era concertar as coisas. Lentamente, ela ergueu o braço dele, fazendo com que sua mão fosse ao seu rosto. — Você sente isso Shinji? — ela perguntou lenta. — Eu... Nunca mais vou te bater... Por me tocar... Ou por qualquer coisa Shinji. — ela não conseguiu se aguentar. — Eu nunca mais... Vou te machucar... — ela queria abraçá-lo, pedir seu conforto, mas Shinji estava machucado demais pra isso, ela não podia fazer isso ainda, e nem sabia se ela teria mais esse direito. — Eu só... Quero concertar as coisas...

Não se sabe quantas horas Asuka ficou naquele quarto. Misato e Akagi ficaram esperando de qualquer jeito. Asuka ficou conversando com Shinji, ou melhor, ela ficou falando o tempo todo, sentia sua garganta seca, Shinji começou a rogar de sono. Os sedativos começaram a trabalhar mais cedo do que imaginava, foi lhe dito que Shinji tinha uma dificuldade muito grande pra dormir, os pesadelos dele estavam ficando muito difíceis a cada noite.

Asuka se despediu de Shinji fazendo um leve carinho em seu rosto adormecido, com uma energia renovada e um objetivo: Redenção. Tentou sair da sala o mais positiva possível. Assim que saiu, se viu observada pelas duas mulheres mais velhas.

— Não precisamos dizer que ouvimos tudo. — disse Misato com um meio sorriso, Akagi estava séria como sempre. — Bom, como você disse, precisamos concertar as coisas. — ela puxou Asuka para um abraço. — Mas agora, Akagi precisa fazer sua parte, e nós iremos pra casa... E torceremos para o melhor, não concorda?

Asuka apenas assentiu, não confiando em sua voz. Misato fez uma troca de olhares com Akagi. Pensando se era melhor apenas ir embora, não sabia quanto tempo iria demorar pra cirurgia de Shinji ser realizada, nem Akagi sabia, achou melhor ir para casa, qualquer coisa que dessa errado ela estaria lá. E Asuka também.

— Vamos pra casa... E qualquer coisa que acontecer com ele, por menor que seja. — Misato olhou para a loira uma última vez, a mesma apenas acenou. — Faça todo o possível Akagi, conto com você.

A mais velha pegou a mão da ruiva e começou a guiá-la para o elevador. Asuka se mantinha em silêncio, tentando se reconfortar com pensamentos bons, pensamentos em que Shinji iria ficar melhor. Ao menos, ela conseguiu ter um pequeno tempo privado com ele, ela conseguiu ser civilizada, conseguiu se controlar, para ela isso era um passo a mais, ainda tinha muito o que fazer, muito para o que se desculpar, mas ela faria tudo isso.

Ela ficou pensando em como as coisas seriam agora que Shinji havia a escutado, ele tinha o direito de odiá-la, ela não sabia como seria a relação deles. Mas ela teria tempo, muito tempo pra arrumar tudo.

Misato parecia ver que os olhos de Asuka ainda carregavam uma culpa indescritível no horizonte, mas... Pelo menos ela conseguiu ver uma determinação renovada neles também, talvez eles tivessem acertado alguma coisa. Ela pensou sobre isso, não se segurando, ela resolveu puxar o assunto com a mais nova, no caminho do apartamento.

— E então? Como foi a conversa com ele? — perguntou Misato, tentando parecer o mais desinteressada possível, Asuka a encarou com as sobrancelhas erguidas, não havia funcionado muito bem a tentativa de esconder a curiosidade. — Não deu muito certo, né? — ela deu um sorriso.

Asuka voltou a olhar para o vidro do carro enquanto Misato dirigia. — Não foi nada demais. — claramente não queria falar no assunto, Misato parecia não se importar com o claro desconforto dela e continuou empurrando até que ela falasse. — Certo, certo. — ela resmungou olhando pra ela. — Eu fui honesta em relação aos meus sentimentos com ele... E alisei o rosto dele um pouco, e de novo quando eu sai do quarto, viu? Nada demais.

Misato olhou para a ruiva com os olhos pouco cerrados. — Honesta com meus sentimentos? Conte-me mais... — ela sorriu levemente maliciosa, tentando arrancar alguma expressão da ruiva que não fosse triste ou séria. — Você se confessou pra ele?

Asuka a encarou e murmurou baixa. — Mais ou menos... Não sei dizer, acho que a minha ideia de declaração foi diferente da sua Misato. — ela continuou. — Eu só fui honesta com tudo o que eu senti, e admiti meus erros. Algo do tipo... Não cheguei a dizer que eu o amava, nem nada perto disso... Eu acho?

— Por que está me perguntando? É você quem tem que me dizer se você o ama. — disse Misato um pouco mais séria. — É claro que eu possuo minhas dúvidas quanto a você ainda, mesmo que agora você me aparenta realmente estar arrependida e preocupada com o estado dele, nada me garante que você não tenha uma recaída, e inicie tudo de novo. — Asuka estremeceu consigo mesma, não, ela nunca mais faria nada disso, meros dois meses atrás ela sentiria prazer em machucá-lo e fazê-lo sofrer o máximo que podia. Duas semanas atrás o pensamento de que ela o colocou em uma capa de hospital tinha dado enjoos e uma forte culpa no coração, agora o pensamento dela erguer sua mão para machucá-lo fisicamente ou falar algo ruim para magoar o coração do rapaz a fazia se sentir doente consigo mesma. — Você não tem direito de reclamar se eu tomar algumas precauções ... Assim que ele voltar pra nós. Você entende, certo?

Asuka apenas assentiu. — Eu sei, faça o que for melhor pra ele Misato. — ela respondeu, surpreendendo a mais velha, ela esperava alguma resistência dela. — O que eu fiz foi um erro, brutal, qualquer coisa que você disser para mim não fazer ou deixar de fazer com ele, para mim está ótimo... Eu só peço... Que eu possa me sentar com ele... No café, ou no sofá... Não me coloque em uma restrição de metros com ele...

Misato apenas ouviu o pedido de Asuka, não escondendo a surpresa nos olhos. — Vamos discutir isso futuramente. Agora vamos pra casa, eu me esqueci de te avisar, mas tem algumas pessoas se mudando para o prédio.

Asuka apenas ouviu, dando um foda-se mental para isso. Mais vizinhos que ela apenas ergueria sua mão para um comprimento formal e nem ao menos usaria a voz e nem olharia direito. Quando chegaram perto do prédio podiam ver o caminhão de mudanças, ou o que era para ser ao menos um caminhão de mudanças, carregando caixas e mais caixas. Misato deixou seu carro um pouco mais longe do caminhão, saíram do carro e ficaram olhando para a mudança, seria bem ruim de passar agora, e usar o elevador cheio de homens suados não era o que nenhuma delas queria, não fazia mal esperar, não haviam tantas caixas.

Elas ficaram em silêncio enquanto viam uma dúzia de homens indo e subindo as escadas e usando os elevadores, amarrotados de caixas, caixas demais.

— Se parece com você quando veio morar conosco Asuka. — disse Misato. — Tinha tantas caixas com você, e eu nunca vi você abrir mais do que dez, o que você tinha para usar tantas caixas? — perguntou curiosa.

Asuka a encarou levemente. — Você está curiosa sobre muitas coisas ultimamente. — disse a ruiva. — Pra falar a verdade, nem eu sei, eram caixas que foram ditas que eram minhas, teve algumas que eu nem mesmo abri, mas as que eu resolvi ver eram apenas roupas, e mais roupas. Algumas roupas militares antigas, que eu usava no meu treinamento. Um pouco depois que eu fui aceita como pilota. — respondeu calma, se lembrando dos velhos tempos, onde Kaji a havia encontrado. — Foi mais ou menos nessa época que Kaji me encontrou e me propôs ir com ele ao invés de ficar aprisionada em uma escola militar.

— Você nunca me contou que tinha recebido treinamento militar. — disse Misato, verdadeiramente surpresa. — Foi logo quando a sua mãe...

— Sim, logo depois que ela morreu, e logo quando eu descobri o caso do meu pai com a maldita enfermeira, hoje minha madrasta. — respondeu Asuka, encarando o chão. — Não posso dizer que eu gostei, mas foi útil para muitas coisas.

— Foi muito útil pra esmurrar aquele lixo de garoto. — a maldita voz apitou em sua mente novamente. Asuka preferiu ignorar dessa vez. Não faria bem para ela prestar atenção em seu lado podre novamente.

— E você sente falta disso? — perguntou Misato, tentando manter um assunto com ela. — Você tinha aulas com garotos também? — ela questionou. Asuka apenas deu de ombros com as perguntas.

— Éramos um pequeno grupo de feminino Misato, garotos estudavam em outra escola. — explicou Asuka. — Na minha turma eram apenas garotas, de 6 até 13 anos. — ela começou a caminhar em direção ao prédio, tendo em vista que o caminhão agora estava saindo e as caixas já haviam terminado.

Misato a acompanhou. — Entendo... — ela começou. — Você tinha alguma amiga naquele lugar?

Asuka a encarou como se fosse louca. — Amigas? O máximo de amizade feminina que eu tenho é com Hikari, uma garota que eu não vejo faz quase três meses, é um milagre ela e aqueles dois imbecis não virem procurar por Shinji ainda. — ela agradeceu mentalmente por isso, ela não sabia o que diria quando chega-se a hora. — Mas eu tenho certeza que logos eles vão começar a vir pra cá quase todo dia.

Misato suspirou também, não era um problema Asuka e Shinji terem amigos, o problema é que ela não queria eles a todo momento no apartamento. O clima não era mais tão acolhedor como antigamente, e ela não queria colocar estresse no corpo de Shinji... Quando ele volta-se.

Ambas pegaram o elevador, indo para o quinto andar. Misato já estava tirando as chaves para abrir a porta, mas não escondeu a surpresa quando notou uma garota, em pé em frente ao elevador e em frente a porta do seu apartamento. Ela olhou para Asuka, que tinha os olhos arregalados com a figura da garota.

Misato notou isso, era uma raridade ver Asuka fazendo uma expressão dessas. — Conhecida sua? — ela perguntou indo em direção a garota loira, ela vestia uma roupa preta com calças pretas e botina. Quase padronizada. Olhando mais de perto, a garota era mais velha. Talvez de maior idade já? A garota estava com uma foto em mãos, uma foto pequena, e dando um sorriso de canto, quem era na foto? Ela não conseguiu ver, quando as duas saíram do elevador ela colocou a foto no bolso, não passou desapercebido pelas duas.

Misato não podia negar que a menina era bonita, os traços gringos a destacavam também, os olhos verdes com certeza não eram do povo dela, uma estrangeira, em um prédio como esse? Não que o prédio tivesse problema, mas não eram tantas pessoas interessadas em morar ali, eram mais os antigos moradores, por isso haviam muitos apartamentos para lugar e comprar, provavelmente essa era a nova vizinha. Asuka começou a andar em sua frente, até chegar frente a frente com a menina loira.

Misato não disse uma palavra. Apenas observou as duas mais novas se olharem, tão fixamente quanto a outra, sem nem ao menos respirar, até que fizeram uma movimentação de seus braços, colocando uma mão fechada no coração e uma mão nas costas, afastando os pés.

— Já faz um tempo, Asuka. — Misato ouviu a garota falar em um alemão forte, demonstrando seu sotaque, ela não parecia alemã pela aparência ao menos, ela olhava como uma americana. — Presumo que esta seja sua guardiã. — Ela fez uma leve mesura para Misato. — Estarei sobre seus cuidados, Comandante Misato...

Misato suspirou quando Asuka a encarou procurando respostas. — Eu fui avisada que receberia algumas pessoas para NERV, para o teste em Evangelions que nunca foram postos em campo... — ela começou se explicando, claramente a ideia de ouvir sobre Evas não soava bem para Asuka. — Desculpe por não ter te avisado. — respondeu Misato.

Asuka apertou os punhos. — Eu... Terei que pilotar novamente? — perguntou Asuka, não escondendo o desgosto, era até irônico, antigamente ela pularia de alegria apenas pela ideia de pilotar, agora ela mais preocupações.

— Não... — respondeu Misato. — Você vai ficar com Shinji em casa, até ele se recuperar, depois decidimos o que fazer. — ela andou até a garota, que ainda prestava sua mesura, Misato colocou a mãos nos ombros da garota, oferecendo um sorriso leve. — Não sei se você entende o que eu estou dizendo, mas não precisa se curvar, apenas mantenha os honorários e estaremos bem, certo?

A garota piscou um pouco aturdida. — Como quiser, Misato-san. — disse agora em um japonês um pouco arranhado, mas perfeitamente entendível. — É um prazer conhecer você, comandante, sempre ouvi histórias sobre você, e quando soube que eu iria mora com você. Não me retive e precisei esperar aqui, peço desculpas caso tenha causado algum embaraço. E não se preocupe Asuka. Você e Shinji-san não terão que pilotar novamente, deixe isso comigo, certo?

Asuka não se deu ao trabalho de responder, apenas franziu a testa com a menção do nome do rapaz, Misato o mesmo.

— Você é muito educada, sabia? — disse Misato a olhando. — Bom, prazer em te conhecer também.. Hãã...

A garota piscou confusa. Até que Asuka a chamou. — Ela quer saber seu nome, Blondie. — a mais velha fez um '' O '' perfeito em compreensão.

— Meu nome é Evaline Svenskeren Bjerg. — novamente outra mesura. — Amanhã começarei meus testes. — ela disse calmamente, a garota parecia ter a estranha mania de olhar nos olhos das pessoas quando se portava a elas. — Espero que meus resultados sejam tão bons quanto os três prodígios.

A garota se curvou novamente, e passou pelas duas, não deixando espaços para nenhuma delas falarem nada. Misato e Asuka se olharam.

— Ela era uma conhecida sua? — perguntou Misato, abrindo a porta e tendo um pinguim em seu calcanhar. — Ela é bem bonita.

Asuka pensou no que deveria responder. — Acho que podemos dizer que éramos colegas de quarto, e estudávamos juntas no treinamento. — ela jogou sua grava ao sofá e foi para o banheiro. — Podemos ficar acordadas até tarde? Não sinto que eu vou conseguir dormir bem... Até que Shinji tenha passado por tudo.

Misato apenas assentiu, ela sentia a mesma coisa que a mais nova. — Provavelmente eles começaram a fazer os procedimentos iniciais... — ela se sentou no sofá depois de pegar uma cerveja da geladeira. — Estamos preocupadas, não é?

Ela pôde ouvir Asuka gritar no chuveiro. — Muito. — disse a ruiva. — Mas o que mais me surpreende é ver uma antiga colega nesse fim de mundo.

— Bom, eu já sabia que alguém viria. — disse a mais velha. — Mas não imaginava que seria uma amiga sua de antigamente. — disse Misato. — Ou pelo menos pareceu que vocês eram amigos, dado ao comprimento estranho.

— Não era um comprimento estranho, era o comprimento alemão de esquadrão. — disse Asuka passando pelo corredor, não se importando mais de estar nua. — A mão no coração significa que você oferece sua vida ao povo. — ela explicou. — E a mão nas costas significa que seu corpo está pronto para qualquer sacrifício, em nome da nação.

— Vocês parecem bem nacionalistas. — observou a mais velha. — Bom, se vista e vamos olhar um pouco de TV, não adianta dormir, não vamos conseguir de tanta preocupação.

Asuka surgiu na sala com apenas uma camiseta solta branca e um short rosa. — Eu queria poder ter ficado por lá mesmo, não queria sair.

Misato queria poder ter ficado também. — Akagi achou melhor nós sairmos, ela disse que nós não aguentaríamos ficar ali, e provavelmente faríamos um escanda-lo por causa dele. — ela explicou, colocando em uma novela qualquer. — O que eu estou mais interessada é na sua antiga colega.

Asuka a observou. — Ela sabia sobre Shinji. — disse Asuka. — E parecia realmente saber quem ele era, e isso me incomoda. — ela se deitou nos ombros da mais velha. — Bom, acredito que qualquer um saiba quem ele é, tendo em vista que ele salvou todos nós de certa forma. — ela deu de ombros. — Vamos pro hospital? Eu realmente quero ver ele novamente.

Misato ergueu os olhos pra cima, os revirando. — Acabamos de sair de lá, dê-nos um tempo para Shinji. — disse Misato. — Akagi prometeu que nada de ruim aconteceria, e ela nunca prometeu nada para ninguém antes.

Asuka a encarou. — Talvez você esteja certa. — ela tomou o controle, colocando em um filme antigo. — O que acha de darmos uma pequena festa de boas vindas pra Shinji quando ele voltar?

Misato gostou da ideia. — Conte-me mais sobre isso...

— Uma coisa pequena, podemos fazer um bolo... Acho que ele gostaria... — disse Asuka.

— Nunca imaginei que você iria propor alguma coisa pra ele Asuka. — disse ela honestamente. — A conversa foi tão boa assim?

O sorriso nos lábios da garota foi uma resposta positiva. — Foi um começo...