Meia Alma

19 Capítulo 18 - Pausa para descanso. Mais ou menos.


Notas iniciais
Olá pessoas! Atualização dupla =D
Espero que gostem do capítulo... Hihi

As coisas pareciam estar ainda confusas na minha mente. Não dava para acreditar. Nunca ouvira falar de híbridos tendo filhos, mas não dava para ter dúvidas. A proximidade de Raban e Sophia não era coisa de “amigo” como Alec e Nina. — Quer dizer, ao menos pela parte de Nina, porque sei muito bem que Alec tem segundas intenções. — e tinha a óbvia semelhança entre Raquel e Sophia. Vendo melhor o olho remanescente de Raban, dava para ver exatamente que tinham o mesmo formato, assim como o nariz dele.

Esfreguei meu rosto com as duas mãos até a pele arder. Por que eu estava vendo isso? O que Raban queria me mostrando provavelmente as nuances mais íntimas de seu passado? Aliás, onde ele estava, para entrar em minha mente?!

- Quero sair daqui. – murmurei quando saí da memória. Acho que não estava preparado para ver o resto.

- Você tem tudo.

A voz disse isso, e então senti como se fosse sugado por um buraco negro. Tudo girou, então, quando percebi, estava deitado de costas em algo gelado, encarando o teto. Mas minha visão não parecia divergir em realidade e lembrança, deixando-as separadas pelo mais tênue véu da realidade. O teto se alternava entre pedra, como o teto de uma caverna, a copa de árvores e o teto da casa de Ebenézer. As coisas começaram a se tornar mais lentas, até que minha visão parou apenas no teto da caverna, cinzento e frio.

Senti uma dor lancinante em meu ombro esquerdo, então algo raspou ao meu lado, fazendo com que sentasse num salto.

Parece que minha mente só se deu conta do que estava acontecendo meio segundo depois, quando senti a respiração ser presa contra minha pele. Especificando, contra a pele de meu rosto, e que estava tocando em algo. Melhor dizendo, meus lábios estavam tocando em algo.

Levei mais meio segundo antes de perceber que estava beijando Raquel. E fiquei sem reação, tanto quanto ela. Nenhum de nós fez nada, nem se afastar, nem... Se aproximar. E havia a dor atravessando meu ombro, então algo o puxou.

- Ai. AI! – exclamei quando Raquel se afastou e arrancou uma lasca de madeira de trinta centímetros dele. Franzi o cenho, vendo a que a marca de sangue chegava a até a metade. Comecei a ir atrás de minha Aura e ela praticamente pulou encima de mim.

- Não usa sua Aura! – avisou e olhou nervosamente para a entrada da caverna, como se um monstro pudesse entrar por ali e matar a ambos. Mas era pequeno demais para Marcus entrar. Ela pegou sua sacola e a virou, jogando tudo no chão e começou a mexer nervosamente nas coisas. – Eu sei que tem um kit de primeiros socorros por aqui em algum lugar...

- Por que não posso usar minha Aura? – perguntei, levando minha mão até meu ombro machucado, sentindo o sangue fluir. Com um estalo, percebi que estava sem camisa. Quer dizer, o macacão estava abaixado até quase a altura do meu quadril.

- Apareceu uma coisa. – explicou, ainda focada nas coisas jogadas no chão. – São só tentáculos negros, mas você de repente caiu e... Foi se batendo em tudo quanto é coisa. – virou-se para mim, os olhos grandes e preocupados. – Você estava com os olhos abertos e vazios. Se eles não estivessem vermelhos, eu acharia... – respirou fundo. – Mas bem, eu tentei fazer você se curar, e no instante que sua Aura apareceu, os tentáculos vieram para cima, então saí correndo com você.

Quase bati em minha própria testa.

- Desculpe por isso. Virei um peso morto.

- Você não é pesado. Achei. – disse, pegando uma caixa e a alongando. – O maior problema foi a nossa diferença de altura. – percebi que ela estava evitando olhar para mim. – Acho que não é bom você usar sua Aura até estarmos longe dessa coisa.

Quase gritei quando ela encostou a gaze no meu ferimento. Estava úmido com algo que ardia pra caramba, mas Raquel estava só limpando o sangue e o machucado, não jogando sal encima, mas depois a dor pareceu se esvair quase magicamente, arrancando-me um suspiro de prazer.

- T-tem nas suas costas também, porque atravessou.

Com alguma dificuldade virei de costas, sentindo-a limpar a parte da ferida que atravessara até lá. Meu peito doía, estava com uma sensação de vazio, mas eu fiquei feliz, de certa forma. Raquel estava lá. As coisas não haviam passado de um sonho. A visão de Yudai fora um sonho. Mas o resto não.

Lembrei que escutara coisas que ela falara para mim durante a luta imaginária entre Yudai e Raban, e também que lembrara características dela. Como o cheiro de sua Aura e de...

Abaixei a cabeça sentindo meu rosto esquentar e meu coração bater de modo audível. Ah droga.

- Hideo, o que foi? – perguntou e quase bati com minha própria cabeça na pedra. – Sua pulsação acelerou e tem sangue escorrendo.

- Nada. – falai rapidamente, batendo em minha própria testa e esperando que ela não visse a vermelhidão se espalhando por meu rosto. Ela me estendeu uma gaze.

- Tem mais machucados er... Na sua barriga.

Abaixei o olhar e vi que era verdade, então peguei a gaze e comecei a limpar só o sangue, e Raquel pressionou a gaze nas minhas costas, deixando-a no lugar com um esparadrapo, então voltou para minha frente e pôs outra gaze no ferimento frontal. Eu realmente tinha dado um jeito de me ferir bastante. Raquel pegou um rolo de bandagens.

- Só eu pra conseguir me machucar assim. – murmurei enquanto ela enfaixava meu tronco sem dizer uma palavra.

- Você fala como se batesse porque quer. – murmurou de volta, dando um nó nas bandagens e a cortando. O curativo atravessava por meu ombro e dava a volta em meu tronco, abarcando todos os machucados e hematomas que conseguira. Depois, Raquel me ajudou a vestir novamente meu macacão. Agradeci estar com o sem mangas, tornava o processo mais rápido. Meu corpo inteiro doía, era difícil se mexer.

- Não é por querer, mas você sabe minha facilidade pra conseguir eles. – indiquei o lugar dos machucados. Percebi que meu braço também estava quando ela começou a enfaixá-lo. – E alguém tem que pagar o papel de enfermeira no final.

- Ao menos agora você me deixa te ajudar. Algumas semanas atrás você só se importava com o ferimento se ele começasse a necrosar. – Olhou para o braço que estava enfaixando e franziu o cenho. – Como quando você machucou esse braço.

- Você disse que eu iria reclamar se ele ficasse podre e caísse. – lembrei e ela acabou sorrindo.

- E você só ficava me encarando com uma cara de morto. – acusou, terminando e então se ajoelhou a minha frente. – Fico feliz que tenha mudado apenas um pouco quanto a isso.

Assenti e olhei para seu rosto. Seu cabelo estava solto, e eu o achava bonito. Estava chegando aos seus quadris em ondas e cachos, parecendo quase que modelados. A franja era lisa, já que os fios só pareciam se ondular na altura de seus olhos. Ela não era pálida como eu. Sua pele era clara, mas com um tom rosado e bonito. Outra coisa que me chamava à atenção eram seus olhos grandes com cílios longos e grossos, sinceros e como um espelho de suas emoções. E também...

- H-Hideo? – chamou quando toquei em seus lábios rosados com meu polegar, desenhando seu contorno. Seu rosto estava adquirindo um tom adorável de rosa. – O que você...

- Estou pensando em beijar você de novo. – respondi e colei meus lábios contra os dela.

Eram macios. Muito macios. Escutava seu coração acelerado com clareza, mas Raquel pressionou seus lábios contra os meus, retribuindo o beijo. Suas mãos foram hesitantes até meus ombros e as minhas foram até sua cintura, trazendo-a mais para perto enquanto aprofundava o beijo. Seus lábios se entreabriram e minha língua adentrou-os, roçando contra a dela, que hesitantemente se moveu contra a minha. Senti um arrepio passar por meu corpo diante aquela sensação prazerosa e acabei sorrindo quando Raquel finalmente abraçou meu pescoço, seus dedos enroscando-se lentamente em meu cabelo. Uma de minhas mãos subiu até suas costas, então até o pescoço, sentindo a pele arrepiada, quente e macia.

Parei por um momento, afastando-me ligeiramente e fitando seu rosto próximo. Seus dedos desceram até meu rosto, acariciando-o ligeiramente. Peguei sua mão e pressionei-a mais contra meu rosto, sentindo só então que também estava enfaixada. Beijei-a e Raquel suspirou, antes que eu selasse mais uma vez nossos lábios.

Não sabia muito bem o que dizer, apenas... Apenas a queria perto de mim. Se alguém esperava que eu daria uma de cara de livros românticos e saísse recitando poemas de amor estava redondamente enganado.

Não sei quanto tempo ficamos nos beijando, mas meu ombro resolveu estragar o clima. Ele deu uma pontada especialmente dolorosa fazendo primeiro soltar um gemido de dor, então me separar ligeiramente. Grunhi de dor e uma de suas mãos foi em direção ao meu ombro machucado, preocupada, e amaldiçoei internamente a árvore que deixara aquela lasca em mim. Nem reparara quando trouxera Raquel para meu colo, mas não me importei, mas acabei me surpreendendo quando Raquel começou a me bater. Não foi doloroso, na verdade, indicava mais que ela estava envergonhada, o que acabou fazendo que eu risse dela, mas meu ombro me trouxe de novo pra realidade.

- Está doendo muito? – perguntou e pus minha cabeça em seu ombro.

- Claro, você me bateu. – respondi e olhei para ela quando seus dedos voltaram para o meu cabelo, percebendo que ela me fitava, então ergui minha cabeça novamente. – O que foi?

Seu rosto estava corado e baixou o olhar, mas não com uma expressão culpada, e sim de quem não parecia saber o que dizer por estar envergonhada.

- Eu... Eu só não esperava. – falou timidamente e escondeu seu rosto vermelho em meu ombro direito. Acabei rindo e a abracei forte, ignorando a dor de meu ombro e meu tronco, sentindo-a passar seus braços ao redor de meu corpo, também forte. Pousei minha cabeça sobre a sua e aspirei o cheiro de seus cabelos. Definitivamente ela cheirava a baunilha, e, sério, eu estava passando a amar baunilha.

Ficamos algum tempo daquele jeito até que escutei o som de árvores caindo e sendo esmagadas. Raquel levantou a cabeça, mas não nos soltamos de maneira alguma. Lembrei que ela falara algo sobre tentáculos negros. Seriam eles? Comecei a levantar, mas Raquel segurou meu braço com força. Olhei-a e ela estava com medo, e pelo som de algo pesado se arrastando pelo chão, tinha motivos de sobra.

- Só vou dar uma olhada rápida e já volto. – tranquilizei-a e beijei o topo de sua cabeça antes de ousar ir até a entrada da caverna.

Realmente: Era tenebroso. Eram coisas longuíssimas, negras e lustrosas com talvez um metro de espessura, até mais talvez, arrastando-se pelo chão, por cima de árvores, por cima de plantas, por cima de animais, por cima delas mesmas. Seguiam apenas em frente e sem rumo, passando pela encosta da montanha em que a caverna estava alojada sem fazer qualquer movimento em direção a ela. Recuei, ainda olhando aquilo com estranheza, então voltei pra dentro.

- Então? – perguntou.

- Quer uma boa ou uma má notícia? – perguntei.

- Hm... Boa.

- Aqueles tentáculos, pelo visto, não vem pra cá.

Escutei-a suspirar de alívio e sentei ao seu lado novamente.

- E a má?

- Elas estão passando por aqui. – apontei para a entrada da caverna. – Não vão entrar, mas estão passando por baixo.

- Estamos presos aqui? – perguntou enquanto eu a puxava para mim novamente.

- Acho que não. Vamos esperar até amanhã, então veremos se elas pararão ou coisa parecida. – Olhei para suas coisas ainda jogadas no chão. – Estou com fome.

Raquel pegou um pacote de biscoitos e me entregou. Enquanto o abria, vi a sacola púrpura que Jahun a entregara, ainda fechada e intacta, como a minha.

- Nenhum de nós abriu essas sacolas, não é? – perguntei e ela olhou para a sacola roxa. Estendi a mão para pegá-la e a entreguei.

- O que acha que tem aqui dentro? – perguntou e dei de ombros.

- Não faço a mínima ideia. Por que não vê?

Raquel assentiu e abriu os cordões no saco, pondo a mão dentro. Mas aí é que está. Era um saco minúsculo, mas seu braço afundou até o cotovelo. Encarei o saco e ela tirou seu braço de dentro, claramente assustada.

- Por que... Não pega o colchão e vira o saco encima? – sugeri, franzindo o cenho. Procurei o colchão entre suas coisas e o desdobrei ao nosso lado. Em seguida, Raquel girou seu saco sobre ele.

Sobre o colchão, caíram vários objetos. Outro saco como aquele, um baú não tão pequeno entalhado com madeira, ouro e prata, outro com várias gavetas, um pergaminho e... O ovo branco que Raquel pegara quando caíra. Ela me olhou e retribuí o olhar, então ela pegou o baú com gavetas.

- Ele deu presentes? – questionei e ela puxou a primeira.

- Sim. – respondeu e me estendeu um enfeite de cabelo. Pelo visto, ficava como uma espécie de faixa na parte posterior da cabeça, totalmente bordado com pedrarias vermelhas, azuis, amarelas e verdes, formando um mosaico de círculos em sua superfície. Era bastante bonito. – Como será que se choca isso?

Percebi que ela deixara o baú de lado e pegara o ovo branco. Peguei-o de entre suas mãos e o pus contra luz, mas ao contrário do outro, ele era completamente opaco, de modo que não conseguia ver através dele.

- Não faço a mínima ideia. – respondi, devolvendo-lhe o ovo. – Nem como se choca, nem o que tem dentro.

- E dentro da sua? – questionou, pegando a outra sacola que viera junto, abrindo-a e tentando ver o que havia dentro.

Em silêncio olhei envolta, achando a minha rapidamente, pegando a sacola verde de dentro. Soltei os cordões e olhei para o pergaminho que estava dentro da preta. Suspirei, ignorando-o ao menos por hora, então virei o que estava no meu também. Caiu outro saco, o ovo de lobo do fogo, dois baús. Senti o corpo de Raquel enrijecer quando estendi minha mão.

- O que foi? – perguntei e ela fechou um pequeno pedaço de papel que parecia ter décadas.

- Er...

- Raquel.

- Nada não. – disse rapidamente e escondeu o papel antes que eu o pegasse quando estendi minha mão.

Rolei os olhos.

- O que estava escrito aí?

- Só uma besteira, nada mais.

- Percebe-se claramente que você não sabe mentir. – acusei.

- O que você recebeu? – desviou o assunto, virando-se em direção ao que eu ganhara.

Estendi a mão em direção ao ovo dei-lhe uma olhadela rápida. Raquel claramente entendeu o recado, mas fingiu que não viu.

- Esse era o ovo de lobo do fogo, não era? – perguntou. – Ele choca com fogo.

- Sério?

- Sim, nunca escutou? As lobas quando estão tendo o parto se deitam em tapetes de chamas, e é só assim que os filhotes conseguem sair. Então, acho que teríamos de por o ovo numa fogueira até chocar.

- Sem chance fazermos isso agora. – respondi e maneei a cabeça e direção ao som dos tentáculos se arrastando. Não estava com vontade alguma de sair daquela caverna e ela assentiu.

Voltamos a arrumar as coisas e pensei em talvez procurar o papel quando Raquel estivesse dormindo, mas ela perguntou:

- E o pergaminho que Jahun deu? Você já o viu?

- Não. – respondi distraidamente. – Sei lá, acho melhor ver isso em Sacraelum.

Não demorou muito tempo para Raquel dormir... Mas ela dormiu abraçada a sua sacola. Ela lê mentes, por acaso?! Resmunguei, e a pus deitada sobre o colchão, sentando ao seu lado. Sua respiração estava baixa e o coração desacelerara. Era óbvio que adormecera. Seus braços estavam fechados envoltos da sacola, então nem cogitei na possibilidade de tirá-la de lá e ela acordar.

O som de coisas se arrastando era alarmante. As árvores se quebrando haviam deixado de soar, o que em minha opinião significava que elas não existiam mais. Esperava que aquelas coisas não fossem agressivas. Mas elas estavam se estendendo. Para onde? Iriam parar? De onde vinham? Não dava para saber.

Deitei-me ligeiramente ao seu lado, pegando no sono rapidamente.

Tive mais um pesadelo, só para variar. Acordei antes de amanhecer com uma dor de cabeça dos infernos e meu pescoço e meus ombros doíam tanto que me sentia um condenado, porque dormi meio deitado, meio sentado entre a pedra e o colchão. Raquel ainda dormia ao meu lado, despreocupadamente. Sentei e meus ossos estalaram. Meu ombro doía um pouco e minha garganta estava seca. Mexi nas minhas coisas até encontrar a garrafa, bebendo apenas o suficiente, considerando que talvez aquelas coisas poderiam acabar com os recursos de água que poderia haver por perto, antes de pegar novamente o pacote de biscoito para comer, deixando ainda para Raquel.

Fechei os olhos e voltei a pensar no que acontecera no dia anterior. Olhei novamente para Raquel, mastigando o interior de minha bochecha. O que faria? Não acho que o certo seja despejar tudo para ela, como: “Ei Raquel, sabe o Raban? Pois é, ele é seu pai de verdade”. Se duvidar, ela sequer conhecia Sophia...

Respirei fundo. Talvez seria melhor voltar minha atenção a como sairíamos daqui com todos esses tentáculos no chão. Esperava que eles não nos atacassem. Não demorou muito para que ela despertasse lentamente. Depois de algum tempo, quando ela já havia se sentado e eu lhe estendera os biscoitos.

- Você acha que dá para sairmos daqui?

- Espero que sim. – respondi. – Acho que só dá para vermos na prática.

Como já havíamos empacotado tudo na noite anterior, não levamos muito tempo para sair de lá. Cheguei à borda da caverna, olhei para baixo, então saltei em direção aos tentáculos. Escorreguei e caí sentado, mas, além disso, nada aconteceu. Eles estavam recobertos por uma espécie de gosma transparente e lisa. Eles eram lisos também, e ligeiramente macios, mas rígidos o suficiente para que não afundassem. Vi Raquel olhando para mim de sobre a caverna, como se para ter certeza, e assenti para indicar que tudo estava bem.

Ela saltou, escorregou e segurou em meus ombros para não cair. Acabei tendo que apoiá-la para não cair. Ela me olhou constrangida e depois de alguns escorregões, conseguimos andar num ritmo constante sobre aquela massa entremeada de tentáculos pretos e lustrosos.

Depois de alguns minutos, senti uma Aura. Aura de híbrido, reprimida. Uma mistura de maçã e pêssego.

E estava vindo em nossa direção.

- Raquel, tem alguém vindo. É um híbrido. – avisei, franzindo o cenho e olhando por sobre meu ombro.

- Quem? – questionou, olhando por sobre seu ombro também.

- Não faço a mínima ideia. – falei e o cara apareceu ao longe.

Eu e ele tínhamos mais ou menos a mesma altura. Ele tinha a pele bem morena, apenas um pouco mais clara que a de Alma e Larry, mas suas feições eram de alguém branco. Tinha o cabelo branco ondulado cortado até pouco a nuca e contrastava imensamente com a pele, era partido ao meio e cortado em camadas, visto que começava abaixo dos olhos e gradualmente, chegava até os a nuca. Usava roupas rústicas de couro negro e era musculoso e esguio.

Não trazia símbolo em lugar nenhum, nem em uma espécie de pulseira feita com tiras de couro enroladas firmemente em seus pulsos, em vez disso, ele trazia uma tira de couro que ia de seu ombro direito, cruzando por seu peito e terminava do lado esquerdo do seu tronco, estando sua claymore presa ali.

É, com certeza nunca vira esse cara na vida. Mas ele trazia um ar quase nostálgico. Era como se eu já houvesse visto ele antes. Falando nisso, ele franziu o cenho ao me ver e olhou para meu símbolo pendurado no meu pescoço.

- Ah tá. Pensei que era outra pessoa.

Outra pessoa? Raquel me olhou em busca de ajuda.

- Ah... Você sabe o que é isso?

Ele simplesmente deu de ombros. Fora isso, ele aparentava ter uns dezoito anos, mas passava a estranha sensação de estar falando com alguém muito velho, como acontecia com Daichi ou Jahun.

- Sei lá. Estragou o meu dia e... – ele parou de repente e olhou para trás ao mesmo tempo que uma Aura aparecia vindo em disparada. Tinha cheiro de eucalipto. Estava vindo em nossa direção.

Preparei-me quando só vi o borrão do cara passando em disparada por nós. Olhei-o com o cenho franzido quando senti dezenas de Auras vindo em nossa direção. Tão quente que pareciam entrar em erupção, o cheiro era estranho. Parecia esterilizado. Artificial. Foi só então que vi dezenas de formas estranhas vindo atrás, negras com linhas coloridas.

- Olha, vai um conselho do primeiro híbrido. – o cara disse, fazendo-me olhá-lo assustado. – Se eu fosse vocês, sairia correndo.

Notas finais
Hideo tem muito mais atitude que o Yudai '-' O cara tá morto né, não faz mais nada...
Espero que tenham gostado.
Pensando em uma saga pós Dimensão de Sangue (essa), mas com BASTANTE relação. O que acham?