Meia Alma
20 Capítulo 19 - Zumbificando
Notas iniciais
Morrendo de sono, nada a declarar...
As coisas que vinham em nossa direção eram bizarras. Eram escuras. Algumas corriam, outras se arrastavam como lagartixas; corriam de quatro. Parecia que alguns voavam com asas retorcidas e metálicas. O cheiro de algo esterilizado e metálico era perturbador. Não era natural. Mas rapidamente deixei esse pensamento de lado quando percebi que a manada vinha justamente em nossa direção.
O cara disparou a nossa frente, e não demorou nada para que fossemos atrás. A meleca que cobria aquelas coisas prejudicava bastante a fuga, já que tínhamos de correr, mas não escorregar, senão seria o fim.
As coisas soltavam grunhidos e gemidos animalescos. Pareciam sons de zumbis.
Muitos quilômetros depois os tentáculos estavam secos o suficiente para corrermos um pouco mais rápido. O baque seco me indicou uma coisa saltara sobre Raquel. Virei-me imediatamente, preocupado, mas ela chutou sua cabeça, que se soltou com o som de tecido ou papel rasgando. A coisa corpulenta de linhas cinzas parou por um instante, o suficiente para Raquel sair debaixo dele com um salto, trazendo uma expressão assustada e chocada em seu rosto.
- O que foi?! – comecei.
Um saltou sobre mim, e imediatamente entendi por que do choque de Raquel.
Era Hilda. E ela morrera no Norte!
Suas mãos tentaram me atacar como um animal enfurecido, das dei-lhe um chute na altura do peito e ela saiu voando, seus membros se desmantelando pelos ares com aqueles sons sinistros de papel rasgando. Senti uma náusea com aquilo. Levantei num salto e vi o ser sem cabeça perseguindo Raquel que já estava uns cem quilômetros à frente. Corri rapidamente até lá, dei-lhe um escorão, fazendo-o voar do mesmo modo que Hilda.
- Quem era aquele?!
- Dante! – exclamou.
As Auras aproximavam-se cada vez mais. Cerrei os dentes. Deveríamos estar a uns 350 a 400 quilômetros por hora. Era extremamente rápido, mas não eu conseguia ir ainda mais rápido.
- Confia em mim? – perguntei, tirando minha saca das costas.
- Sim, por quê?
- Segura. – Passei minha sacola para ela, então agarrei seu braço e a puxei para minhas costas. – Nos dois sentidos.
Falei só isso e disparei o mais rápido que pude, tudo girando vertiginosamente e virando um borrão indistinto negro e azul. Grunhi e elevei minha Aura em dez por cento, a primeira vez em sete anos, para falar a verdade. Minha visão melhorou bastante e mal sentia o chão aos meus pés. Cerrei os olhos para impedir que a poeira entrasse em meus olhos. Raquel apertou meu pescoço com os braços, mas não era o suficiente para que atrapalhasse minha respiração.
- A quanto você pode correr?!
- Quinhentos e quarenta quilômetros por hora. – respondi mecanicamente. – Quinhentos e sessenta, dependendo da situação. Como agora.
Ela ficou quieta, apenas se segurando firmemente. Escutei um batimento cardíaco acelerado e o vi o cara que aparecera correndo. Estava agachado, claramente tentando respirar. Estendi a mão e o agarrei pela gola da camisa. Seus pés bateram no chão numa tentativa de acompanhar. Largue-o quando tive que saltar e acabei pegando-o pela cintura, o arrastando conosco.
Os passos atrás de mim deixaram-me alarmado, mas percebi que na verdade era um bater de asas. Ela atirou-se em nossa direção e saltei para o lado. Vislumbrei brevemente Miranda, mas a mata abriu-se a nossa frente, então tive de me preocupar em realizar manobras para desviar de tudo que se abria em minha frente.
Pisei num tronco, saltei e toquei o chão novamente, escutando um chocando-se contra ela. Um penhasco abriu-se a minha frente e não hesitei em saltar dele. Quando atingi o chão novamente, senti a pedra afundando e a poeira levantou, mas já corria novamente, pois um saltou sobre mim.
Repentinamente todas as Auras pararam e deram meia volta, então soltei o cara e só parei alguns metros à frente. Raquel saltou de cima de mim alguns metros antes de eu cambalear como um bêbado e cair. Ela veio até mim e segurou meus ombros. Eu ofegava tanto que sequer conseguia puxar o ar, o suor rolava e pingava do meu rosto para o chão. De repente eu sentia uma enorme empatia por Yudai e seus ataques de asma. Meus músculos gritavam, meu peito doía além da dor usual e gélida. Pra falar a verdade, parecia que até meu pâncreas doía.
- Está tudo bem? – Raquel perguntou preocupada.
- Sim, só me dê... Uma hora. Ou mais. Sei lá. – falei como pude entre ofegos e me joguei no chão.
- Ah... Uau. – o cara lá atrás exclamou, e franzi o cenho. Tinha certeza de que já escura aquela voz.
Ergui a cabeça, ignorando a dor nos músculos do meu pescoço, percebendo Sacraelum nem tão distante assim. Só alguns metros e olhe lá. Dava para ver os soldados me encarando boquiabertos. Estava explicado porque estava tão acabado. Cobri uma semana de viagem em alguns minutos, sem contar que me desviei e fui por lugares que provavelmente nem sabia que existiam. Joguei minha cabeça no chão e fiquei lá por alguns minutos apenas para que minha respiração se normalizasse, porque meus músculos me deixariam com certeza cansado durante alguns dias, então levantei e finalmente vi o cara que estava atrás de nós.
- Altri?
Ele me olhou com uma sobrancelha erguida enquanto se levantava. Era alto com a pele levemente morena, com o cabelo curto e ondulado. Não tinha como não ser ele. Mas ele tinha morrido, não tinha? Yudai o matara no teste para se tornar guerreiros. E eu nunca o vira na Ordem.
- Como você me conhece?
É, parece que não estou enganado. Respirei fundo e levantei com esforço. E com alguma ajuda de Raquel.
- Sou Hideo.
Ele franziu o cenho como se não lembrasse.
- Um dos aprendizes do Lúcio.
- Os gêmeos baixinhos e inúteis?
- Acabei de salvar a sua vida. – falei num tom venenoso. – Mas eu sou o mais velho. Ou era, sei lá.
Ele franziu o cenho.
- Por quê?
- Talvez porque ele tenha morrido?
- Se bem que você não deveria estar morto?
- Olha quem fala. – retruquei.
Raquel me olhou, com uma clara pergunta em seu olhar: O que faríamos agora? Ele era da Ordem?
- Como você está vivo?
- Sei lá garota. – Ele deu de ombros. – Mas estou ferrado agora.
- Por quê?
- Você acha que a Ordem vai deixar vivo qualquer um que viu aquelas coisas lá atrás. Eles deveriam guardar aquilo as sete chaves!
- Se bem que eles estavam soltos. – retruquei e Raquel bateu em meu ombro.
Olhei para ela, que apontou para trás de nós e segui seu dedo, vendo o que havia ao longe. Oh droga...
Estávamos há centenas, talvez milhares, de quilômetros de distância de onde havíamos dado com os zumbis ou seja lá o que fossem. Mas havia algo tão enorme, tão gigantesco à distância que parecia próximo. Era tão alta que não dava para ver toda sua extensão, que estava coberta pelas nuvens, e parecia que aquilo era só uma pequena parte, com mais quilômetros de diâmetro. Vislumbrei brevemente o que me pareceu ser dois corpos abraçados, mas não dava para ter certeza.
Engoli o seco. Aquilo não parecia se mover. Seria inofensivo? Esperava que sim.
- O que é aquilo?
- Como se eu soubesse. – virei para Raquel. – O que fazemos com ele?
- Está implicando que não sou confiável?!
- Então, o que fazemos? – continuei, ignorando-o.
- Não sei. Já levamos Raiden lá para dentro. Mas se bem que a situação dele era diferente.
- É sério isso?!
- Ninguém é confiável em nossa situação, Altri. – Falei num tom cético.
- Ah, claro. Renegados. – ironizou.
- Parem, por favor. – Raquel suspirou.
- Onde você se escondeu durante tanto tempo, se tecnicamente você estava morto?
Altri inicialmente pareceu que ia responder, mas parou abruptamente, olhando por cima do ombro, como se para garantir que não estava sendo ouvido, e quase imediatamente senti a Aura do cara de capacete que quase matara Raiden. É, Altri tinha motivos para ter medo.
- Temos que sair daqui. – falei.
- Por quê? – os dois perguntaram.
- Aquele cara de capacete está por perto. – virei para Altri. – Na falta do quê, levamos esse inútil para dentro.
- Inútil?! – exclamou, mas o ignorei.
Ela assentiu e entramos rapidamente na cidade. Tirei minha sacola das costas de Raquel, pondo-a novamente sobre as minhas, escutando Altri resmungando atrás de nós, mas enquanto pegávamos o caminho longe da vista das pessoas, percebi que ele parara. Aquilo me deixou incomodado, então olhei para trás e o vi analisando Raquel de cima a baixo.
Aquilo me deixou irritado. Tive a vontade de chutá-lo até a próxima região, mas fiquei quieto. Chegamos até a casa onde ainda sentia as Auras de Alec, Nina, Anita e Alma. Parei na frente e vi Altri dar uma última olhada em Raquel antes de olhar para casa um pouco a frente de nós.
- Ah, nossa. Vocês conseguiram ficar em uma casa dentro de Sacraelum?!
- Raquel. – chamei bem baixo, e ela se virou para mim. Beijei-a muito rapidamente porque a porta abriu e virei imediatamente para ver quem era.
- Ah, uau. – Alec falou encostado na soleira, e o vi claramente tentando reprimir um sorriso, só então Altri virou. – Vim ver de quem era a Aura e...
- Cala a boca. – falei e Raquel passou direto por ele com seu rosto vermelho.
- Claro, claro. – Ele virou e subiu correndo as escadas, enquanto escutava Raquel bater a porta com força.
- O que eu perdi? – Altri perguntou até que inocentemente.
- Nada. – respondi.
- O que você fez? – Anita apareceu de repente no alto da escada e franzi o cenho, então ela apontou para a porta de Raquel.
- Nada... – Falei e subi as escadas. – Fale com ele. Parece que ele foi escondido pela Ordem.
Ela suspirou e desceu as escadas para ir falar com Altri, então entrei no meu quarto, jogando a saca no chão, pegando roupas limpas e indo tomar um banho no banheiro do andar superior mesmo. Foi rápido e ouvi Alma e Susana gritando com Raquel – do lado de fora do quarto dela – que queriam entrar. Revirei os olhos. Tive vontade de cortar a língua de Alec. Quando saí do banheiro, nenhuma das duas estava mais do lado de fora, mas ouvia claramente as duas falando com Raquel. Revirei os olhos e entrei no quarto, levando o macacão sujo comigo.
Joguei-o perto do armário e peguei o tubo do pergaminho para tentar abri-lo, mas não deu certo. Girei-o em minhas mãos e vi que as pequenas joias incrustadas formando desenhos estranhos. Reparei em algo e me levantei, indo até a saca e pegando o bracelete que Daichi me dera, então o pus no centro do túbulo. E ele encaixou-se nos desenhos perfeitamente.
Escutei um clique e algumas gemas afundaram na madeira, então giraram e o anel que formavam sobre a madeira subiu, dando-me um vislumbre do pergaminho sob a madeira, mas nada mais do que aquilo se abriu. Suspirei e girei-o novamente em minhas mãos. Havia mais quatro desenhos ali. Nas pontas, em que normalmente deveriam se desencaixar para abriu havia dois buracos do tamanho de anéis...
Com um estalo percebi isso e levantei, mas lembrei de Susana e Alma no quarto de Raquel. Soltei um suspiro, indo até lá, batendo na porta.
- Alma e Susana...
- Sou eu. – interrompi e ouvi a chave girando e ela entreabriu a porta, como se certificando que as duas não estavam por perto, antes de me deixar entrar. Seu quarto não era lá tão diferente do meu, só a posição dos móveis mesmo.
- Você finalmente foi ver isso?
- Na verdade, tem uma espécie de mecanismo. – bufei e mostrei o bracelete ali. – Parece que ele só abre com joias que batam com o formato desses desenhos.
- Que caro. – ela observou. – Acho que o meu anel cabe nesse aqui.
- Também acho.
Ela o tirou do dedo, então o pôs no buraco da tampa superior. Ele se fechou e mais uma parte do tubo se abriu.
- Acho que é o máximo que conseguiremos agora. – observei.
- E acho que não é qualquer joia com o formato dos desenhos que vá abrir isso.
Ela tinha razão. Uma fora dada por Daichi que era de sei lá onde e outra era de uma sacerdotisa de Sacraelum. Com certeza não seria qualquer joia. Sentei ao seu lado na cama e pus o tubo de lado, olhando para Raquel, que já havia trocado de roupa e seus cabelos estavam ligeiramente molhados.
- Eu não esperava que o Alec fosse abrir a porta. – falei e ela abaixou o olhar. Seu rosto estava voltando a ficar naquele tom de rosa. – O que foi?
- N-nada.
- Sério? Não me parece. – falei, beijando-a de novo, torcendo que ao menos dessa vez nada atrapalhasse.
Eu gostara da sensação. Parecia que meu peito não doía tanto. Suas mãos foram até meus ombros enquanto retribuía o contato, então abracei sua cintura para trazê-la mais para perto. Seus dedos foram até meu cabelo enquanto o outro braço abraçava meu pescoço. Toquei em seu cabelo ondulado e...
Alguém fez o favor de bater na porta.
- Por que alguma coisa sempre atrapalha? – murmurou quando nos separamos e acabei sorrindo. Parecia que isso a chateava tanto quanto a mim.
- Não se preocupe, ainda te...
- Raquel, ainda queremos falar com você! – ouvi Susana exclamar do outro lado da porta.
- Talvez não.
- O que você ia falar?
- Vamos ter mais tempo.
Escutei Alma perguntar do outro lado da porta se alguém tinha me visto. Revirei os olhos.
- Estou aqui! – exclamei.
- Vamos embora! – Susana exclamou, provavelmente para Alma e suas Auras se afastaram.
- Já vão tarde. – falei e me virei para Raquel. – O que estávamos fazendo mesmo?
Ela riu, aparentemente sem graça enquanto mexia distraidamente no cabelo, seu rosto ainda rosado, então abraçou meu pescoço me beijou. E ninguém nos atrapalhou dessa vez, pelo menos.
XXX
- Ei, você não acha estranho que Sacraelum esteja ajudando a gente? – Alec perguntou de repente, fazendo-me tirar os olhos do controle da televisão que nunca foi ligada até onde eu saiba enquanto a girava.
- Nunca parei para pensar nisso. – respondi, só então percebendo que realmente era estranho. Ele coçou a têmpora esquerda, dando um vislumbro muito rápido do brinco por entre os cabelos repicados. – Normalmente as outras cidades são um “Obrigado por nos salvar, agora mantenha distância”.
- Será que eles têm algum interesse?
- Sei lá. Eu não sou um Pietro da vida ou coisa parecida. – respondi. – Mas se bem que a Ordem dá bastante problemas.
- E aquela história dos mortos, é sério? – perguntou preocupado.
- Aposto minha vida que aquela era Hilda. – respondi, soltando o controle, então fui tomado por um pensamento súbito.
- E Yudai?! – Alec exclamou. Afinal, ele morrera também!
Fora exatamente o que eu pensara. E se eles tivessem encontrado o corpo do Yu e o transformara numa daquelas coisas, zumbis, sabe-se lá o que eram aquelas coisas. Mas talvez fosse um pouco tranquilizante que ele tivesse virado um cristal, afinal, não deveriam conseguir transformar seu corpo em matéria orgânica de novo. Ou será que conseguiriam? E agora ele era só um bicho tentando matar a qualquer um?
- Cara, você está ficando azul. – Altri entrou pela porta da frente e me lembrou de que estava prendendo a respiração que nem percebera que prendera.
- Acho que talvez não. Ele virou um cristal afinal.
- Do que vocês estão falando? – Altri perguntou e me segurei para não dar uma resposta mal educada.
- O irmão dele virou um cristal quando morreu. – Alec respondeu secamente. – Estamos cogitando na possibilidade de ele ter sido transformado numa daquelas coisas que estavam atrás de vocês.
- Acho difícil. Por que... É um cristal.
Assenti, mas fiquei inquieto, a dor se intensificando. Respirei fundo e doeu insuportavelmente, joguei a cabeça para trás e fiquei encarando o teto para tentar ignorá-la, deixando minha mente vagar.
- Ei! – Nina entrou correndo pela porta da frente, fazendo-me erguer a cabeça rapidamente.
- O que foi? – Alec perguntou, virando-se imediatamente.
- Um veículo da Ordem está pedindo autorização para entrar na cidade. – ela disse rapidamente, quase despejando as palavras antes de sair correndo novamente pela porta.
Parei por um instante, antes de eu e Alec nos entreolharmos e nos levantarmos num salto. A Ordem querer entrar aqui? É sério? Seria meio cara de pau, considerando-se que era Sacraelum. Saí correndo atrás de Nina e escutei Alec e Altri indo atrás de mim. Ela dera a volta por vários prédios e vi uma placa na rua indicando que a direção em que íamos era a direção da estação de pouso. Escutei algumas pessoas exclamando pelo fato de o vento ter subido mas ignorei. Vi a nave de transporte pequena vindo por cima dos muros e saltei até a pista de pouso onde Nina, Anita e Susana estavam, logo atrás vindo Raquel e Alma, com Farx, Elysant – bem afastada. — e algumas outras pessoas, e reconheci alguns soldados do templo que nos olharam torto.
- Sério? – questionei a Anita assim que cheguei.
- Sério. – respondeu. – Espero que não seja nada grave.
A nave começou a manobrar cuidadosamente para pousar bem a nossa frente. Sentia o calor do fogo azulado que saía das turbinas, mas chegava até a ser bom. As escadas abriram como um dominó e chegaram até o chão, então escutei passos, até as botas pretas de alguém aparecer.
Imediatamente me surpreendi. Primeiro, porque aquele era o meu antigo curador, Hugo. Ele era estranho, mas de uma maneira bem diferente que a curadora de Yudai era, Undine. Ele era um homem alto e bem branco. Na verdade, ele era doentiamente pálido – olha o sujo falando do mal lavado... -, com um cabelo castanho médio para o escuro se tornando grisalho, com um cavanhaque mal aparado e olhos negros e vazios, seu rosto era magro a ponto de se ver um pouco dos ossos e comprido. Usava sempre o uniforme negro da Ordem. Esse cara sempre me deu medo, mais por seu olhar morto e indiferente. Com um estalo lembrei que eu tinha um olhar parecido, mas... Era assustador.
Segundo: Ele tinha uns cinquenta e sete anos, e estava andando apoiado em... Ninguém menos que Ygor. Ele murmurou algumas coisas enquanto ajudava Hugo a descer, então ele estancou no último degrau e Ygor pareceu deixá-lo lá.
- Ygor? – Alma chamou, duvidosa.
- Está tudo bem. Acho que você o conhece. – disse a mim. – Mas para quem não, esse é o meu pai, Hugo.
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