Medo do escuro
3 O homem de capa preta
Notas iniciais
Quando todos estavam reunidos tomamos coragem e decidimos entrar, Rosana foi na frente para deixar claro que era corajosa, mais eu sabia que todos estavam amedrontados, de entrar naquele lugar sombrio, era possível ver a nevoa sobre o local. Subimos a escadaria até a porta da escola, até mesmo o barulho das escadas de deixar calafrios em nosso interior, lá tinha um homem fantasiado de zumbi, estava muito realista sua roupa. Ele nos abordou dizendo com uma voz rouca e amedrontadora:
— Não passem por essa porta, pois vocês não conseguirão sair dessa escola.
— Eu aceito o risco- disse Douglas com toda confiança que ainda o restava.
— Então se é assim que desejam, pode entrar.
Assim que ele terminou essa frase, a porta abriu sozinha fazendo com que Douglas e Miguel dessem um passo para trás, todos nós ficamos com muito medo de entrar, meu coração palpitava sem cessar cada sentimetro do meu corpo estava imovél, mas não desistimos e entramos.
Quando todos estavam dentro do lugar, que parecia perfeitamente com uma escola abandonada, a porta atrás de nós bateu com tanta força que foi possível sentir o vento em nossas costas, nesse momento Rosana não conseguiu segurar o grito:
— Ahhhhhhhhhh – gritou ela com uma voz tão fina que doeu nos ouvidos.
— Hahahahaha – sorriu Rodrick dizendo – Sua medrosa.
Rosana o olhou com uma cara de ódio mortal, que pensei que ela o mataria naquele momento.
— Acalmem-se os dois, todos aqui estão com medo então não devemos julgar ninguém – falei para reduzir a discursão.
— Temos que arranjar um jeito de sair daqui! – disse Miguel. Todos nós concordamos.
O lugar era sombrio e escuro com apenas algumas velas iluminando, estávamos em um corredor com várias portas alinhadas uma em frente a outra, o lugar estava acabado, com teias, buracos, infiltrações e ruídos. Seguimos em frente, cupins caminhavam pelas portas juntamente com aranhas e ratos, Miguel tentou abrir a porta novamente, mas a mesma estava trancada por fora.
— Tá trancada!- disse Miguel com um certo tom de medo misturado com agônia .
No fim do corredor tinha uma escada que levava direto ao segundo andar, decidimos subir, mais antes de chegarmos a escada apareceram vários bonecos fazendo barulhos, ratos correndo, e sussurros que diziam:
—Não vá..............
Logo após ouvimos muitos gritos medonhos e dolorosos, como se alguem estivesse sendo torturado naquele exato momente, os gritos eram tão reais que minha cabeça insistia em pensar que eram apenas bons atores.
Quando estávamos na metade do caminho ouvimos um barulho de uivo de um lobo, paramos, e ficamos atordoados pois o uivo foi tão real que não tínhamos expressão, Rosana se agarrou em mim, mal ela sabia que eu estava com muito medo talvez mais do que ela.
Alguns segundos depois desceu um homem com uma espécie de capa preta e um cajado com um lobo gigante ao seu lado, não foi difícil percebe que o lobo era real, mais o que mais me aterrorizou foi quando percebi que o lobo não possuía nem um tipo de amarra ou coleira estava totalmente solto e rosnando para nós, seus dentes estavam ensanguentados e pingando no chão, seus olhos estavam tão fixos em mim que eu nao consegui encarar por muito tempo. Então eu com muito medo olhei para o chão e falei:
— Esse animal está solto senhor, isso pode ser perigoso, ele pode machucar alguém. – o homem sorriu com uma gargalhada medonha.
— HAHAHAHAHAHAHA! – e começou a se aproximar juntamente com o lobo.
Eu peguei Rosana pelo braço e a puxei em direção a porta por onde entramos, todos os outros fizeram o mesmo, mas a porta estava trancada e o homem de capa preta, parado gritou:
— VAI!
O lobo sem pensar duas vezes começou a correr em direção a nós com um olhar de vontade de carnificina. Olhei para o lado e abri a porta que estava do meu lado direito, todos entraram, era uma sala de aula com carteiras, quadro, e armários. Eu e meus amigos empurramos um armário para trancar a porta. Dava para ouvir o barulho do lobo arranhando a porta, era ensurdecedor, todos nos encostamos perto da parede mais longe da porta, e de repente, todo aquele barulho por alguns segundos cessou.
— Ele desistiu? – disse Antônio.
— Não sei! – eu respondi sem folego e ofegante.
E de repente o barulho voltou mais em forma de ponta pé e gargalhadas, como se mais de uma pessoa estivesse tentando arrombar a porta. Miguel começou a chorar, e Rosana a gritar alto, Antônio estava paralisado de tanto medo e Douglas procurando uma saída. Todas as janelas estavam fechadas com pregos e madeira, comecei a ficar desesperado, e num segundo de clareza Douglas avistou o duto de ventilação que ficava no alto da parede, todos nós entramos, primeiro Rosana, depois Miguel, Douglas e eu, más Antônio estava com dificuldade, pois era um lugar alto e ele não conseguia ter forças suficientes para subir. Ele voltou para pegar uma cadeira, mais foi tarde.
Um homem sem camisa e com o short rasgado e coberto de sague arrombou a porta e aos poucos foi se aproximando seus olhos tinham cor de ouro, mas possuiam a mesma vontade de carnificina do lobo.
Então seu corpo começou a crescer, seus musculos dilataram, e seus ossos estralavam, sua pele então cedeu e rasgou aos poucos, enquanto o homem gritava de agônia e ao mesmo tempo sorrindo, seus caninos e unhas cairam de sua boca e mãos, mas em troca outros afiados e gigantes cresceram, suas maos se deslocavam e se recolocavam ficando cada vez mais diferentes, seu corpo se curvou e então após muita dor e agônia a tranformação se completou, o homem aos poucos se tornou o lobo gigante de antes e pulou na jugular de Antônio que estava paralizado, estraçalhou suas vísceras na minha frente enquanto ele gritava:
— NÃÃÃÃOOOOO! – mais não iria adiantar em nada.
A parti daí percebi que tudo aquilo era real e que o acampamento não passava de fachada para praticar uma chacina. Fechei os olhos e pedi para que todos os outros continussem, e que o Antônio não iria vir com agente.
Por sorte o duto de ventilação dava em uma parte de fora da casa, mas havia um problema era um lugar alto, mesmo assim decidimos pular, Rosana foi a primeira, ela pulou não se machucou muito, Miguel pulou logo em seguida, mais teve uma grave lesão no seu tornozelo, depois eu e Douglas pulamos para ajudar. Ainda era cedo, três horas da tarde mais ou menos, não ficamos na escola por muito tempo, e nem queríamos voltar tão cedo.
Nós combinamos de não comentar isso para ninguém apenas para nossos pais, e em silêncio, pois, eles poderiam matar a todos, isto é se eles não já estiverem mortos. Nós se separamos e saímos correndo em direção aos nossos pais, quando eu consegui avistar meu pai e minha mãe me senti aliviado de meus pais estarem vivos.
Chamei meus pais para um lugar reservado e contei a história eles riram mais não acreditaram em mim, e agiram de maneira estranha, quase que me obrigando a entra de novo na escola:
— E verdade não estou mentindo pai!- eu disse para ele quase chorando.
— Você só está com medo quando voltar para escola você vai ver.
— Eu não vou voltar para aquele lugar! – eu gritei.
— VOCÊ VAI VOLTAR SIM, NEM QUE EU TENHA QUE TE JOGAR LA DENTRO! — ele gritou, e eu sai correndo chorando para encontrar meus amigos enquanto ele me ordenava que voltasse.
Foi nesse momento que eu percebi que meus pais não estavam normais, na hora eu pensei que alguém tinha feito uma lavagem cerebral neles, ou algo do tipo pois não era o jeito atual do meu pai.
Peguei meu celular para mandar mensagem aos meus amigos, mas estava sem sinal, tive que procurar um por um, mas o mais difícil foi tirar da minha cabeça a risada do homem de capa preta.

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