Medo de Amar - Brutinha - Segunda temporada.
33 Mel doente.
Notas iniciais
Acordei com mais sono do que eu estava quando fui dormir, como isso é possível eu não sei, mas eu sei que foi assim que eu acordei. Levanto da cama com bastante cuidado para não acordar os anjinhos que estão dormindo ao meu lado. O Bruno dormia com um pequeno sorriso nos lábios, e a Mel estava com o rostinho enterrado no corpo do pai, coisa mais linda do mundo.
Fiz tudo que eu fazia todos os dias quanto acordava, tomei banho, vesti o uniforme do trabalho, me maquiei, e fui ajudar a Marta no café da manhã, algum tempo depois o Bruno saiu do banheiro já arrumado também, logo estavam todos na sala, vendo jornal, e conversando, menos a Mel, que ainda dormia.
– Eu vou lá acordar a Mel pra tomar café se não ela se atrasa. – Falei me levantando da mesa e indo pro quarto, ela dormia toda encolhidinha. – Filha, acorda meu amor. – Sentei na cama, ao seu lado. – Meu amor, ta na hora. – A chamei mais uma vez, agora tirando algumas mechas de cabelo que estava sobre o seu rosto. – Caramba. – Falei ao perceber que ela estava muito quente. – Filhota. – A chamei de novo.
– Hum? – Ela disse ainda dormindo.
– Acorda meu amor. – Falei afagando seus cabelos, e ela por fim abriu os olhos. – O que você ta sentindo meu amor?
– Eu to me sentindo muito mal. – Ela disse com a voz embaçada.
– Muito? – Passei a mão mais uma vez sobre sua testa. – Você ta com febre.
– Eu posso faltar aula hoje? – Ela disse, deixando uma lagrima rolar pelo seu rosto.
– Claro meu amor. – Me levantei. – Espera aqui. – Marta! – A chamei da porta do quarto.
– O que foi? – Ela logo apareceu.
– A Mel acordou com febre, e disse que ta se sentindo muito mal. – Falei voltando pra cama.
– O que você tem Melzinha? – Ela se sentou ao meu lado, checando a temperatura da Mel.
– Dor vovó. – Ela disse se encolhendo mais ainda na cama.
– Aonde?
– Tudo.
– Aí Marta, to preocupada, e se for alguma coisa seria?
– Calma querida, ficar assim não adianta nada. Faz o seguinte, você vai trabalhar, eu vou ligar pra editora e vou dizer que vou ficar em casa hoje, e eu fico cuidando dela, se a febre aumentar, ou ela piorar eu te ligo e corro pro hospital, ta bom? – Marta disse segurando minhas mãos.
– O que seria de mim sem você? – A abracei, mas aliviada. – Meu amor, hoje você falta aula viu? Se você sentir muito, muito mal você fala pra vovó, ta bom? – A Mel apenas assentiu com a cabeça.
– O que houve? – O Bruno apareceu na porta do quarto.
– A Mel ta doente. – Respondi me levantando da cama e indo até ele.
– O que ela tem? – Ele me abraçou.
– Num sei, ta febril, disse que o corpo todo ta doendo. É tão ruim ver minha princesinha mal assim e não poder fazer nada. – Eu disse encostando a cabeça no seu peitoral.
– Calma, minha mãe vai cuidar dela direitinho, ela vai ficar bem. – Ele afagou meus cabelos.
– Vocês não estão atrasados não? – Marta falou. – Fica tranqüila, eu vou cuidar dela. – Ela disse pra mim.
– Meu amor, mamãe vai trabalhar, mas qual quer coisa a sua vovó ta aqui, ta bom?
– Ta mamãe. – Ela disse, então lhe dei um beijo na testa e sai do quarto, o Bruno veio logo atrás de mim.
– Fica calma amor, ela vai ficar bem, deve ser uma virose, ou coisa assim.
– Tomara que seja só isso. – Disse.
– Vamos? Eu te deixo no trabalho. – Bruno falou me abraçando por trás.
– Vamos. – Peguei minha bolsa, ele pegou a pasta dele e saímos.
Fomos o caminho todo calados, eu não parava de pensar na Mel, eu nunca tinha a visto tão mal quanto hoje, sempre que ela pegava uma virose, ou gripe, nunca parecia tão serio quanto agora, ela nunca ficou assim, toda molinha, mal conseguindo falar.
– Amor? – Bruno me tirou dos meus pensamentos. – Você ta muito preocupada com a Mel né?
– Eu to Brunito, ela nunca ficou assim, nesse estado. – Falei lhe olhando.
– Não deve ser nada serio, não se preocupa, minha mãe da cuidado dela, e qualquer coisa ela disse que nos avisa né?
– Uhum. – Tentei sorrir. – Cê fica um lindo tentando me acalmar.
– É? – Ele disse sorrindo. – Eu to muito preocupado também, mas eu acho que não é nada serio.
– Assim eu espero. – Dei de ombros, relaxando o corpo.
Narrando: Bruno.
Após deixar a minha loira na faculdade, eu segui em direção a minha. A manhã custou a passar, fiquei ligado no meu celular o tempo todo, esperando noticias da Mel, liguei pra minha mãe algumas vezes e ela disse que a Mel continuava dormindo desde cedo. No horário do almoço passei na faculdade da Fatinha pra pegar ela.
– Vamos almoçar em casa hoje amor? Quero ver a Mel. – Ela disse assim que entramos no carro.
– Claro, vamos almoçar em casa sim. – Sorri, lhe selei.
Após alguns minutos dirigindo chegamos em casa, e encontramos minha mãe na sala andando de um lado pro outro.
– Marta, o que foi? – Fatinha perguntou ao perceber a inquietação da minha mãe.
– A febre da Mel aumentou muito, e ela agora esta com diarréia.
– Por que você não me ligou? – Fatinha perguntou indo em direção ao quarto, e minha mãe foi atrás.
– Eu tinha certeza que você iria vir em casa, então resolvi esperar. – Elas entraram no quarto e eu fui atrás.
– Filhota? – Fatinha chamou a Mel, que estava toda encolhida na cama.
– Mamãe, eu to com dor aqui. – Mel falou segurando a barriga, sua voz estava embaçada.
– Sua febre ta tão alta filha. – Ela se levantou. – Vamos levar ela na emergência?
– Vamos sim. – A Mel parecia bastante mal, então concordei com a Fatinha. – Deixa eu pegar ela. – Caminhei até a cama pegando a Mel nos meus braços.
– Vai descendo que eu vou pegar os documentos dela e um capote. – Fatinha disse abrindo o guarda-roupas. Eu a obedeci, e sai do apartamento com a Mel nos meus braços, minha mãe veio logo atrás.
Acomodei a Mel no carro e esperei pela Fatinha, que logo apareceu.
Seguimos para o hospital, em menos de 15 minutos chegamos lá.
Dermos entrada na emergência e quem nos atendeu foi a pediatra Mariana, que segundo a Fatinha já era medica da Mel.
– O que você ta sentindo meu bem? – Ela perguntou toda atenciosa enquanto examinava a Mel.
– Eu to com dor de cabeça, e dor na barriga. – Minha filha disse com a mão sobre a barriga.
– Dor de barriga, ou uma dor desagradável diferente?
– Uma dor diferente.
– Abre a boca pra mim meu bem? – Ela pediu e a Mel abriu a boca, ela colocou uma paleta na língua da Mel para examinar sua boca. – Ta desidratada. – Falou nos olhando.
– Então ela ta assim por conta de uma desidratação? – Fatinha perguntou.
– Não, eu vou fazer uns exames mais concretos pra ter certeza do que ela tem. – A medica falou e saiu do quarto, nos deixando sozinhos. Alguns minutos depois ela voltou com uma enfermeira, que trazia um kit para tirar sangue. – Meu bem, eu sei o quanto você odeia tirar sangue, mas eu preciso de um pouquinho do seu sangue pra saber o que você tem.
– Eu vou ficar boa? – A Mel perguntou e a Dra° sorriu.
– Claro que vai, você deixa a gente tirar um pouquinho do seu sangue? – A Mel assentiu com a cabeça, Fatinha saiu dos meus braços e caminhou até a cama onde a Mel estava, e sentou ao seu lado, segurando sua mão.
– Obrigada mamãe. – Mel disse fechando os olhos.
A enfermeira então retirou uma seringa de sangue dela e deixou o quarto para fazer a analise.
Após a enfermeira sair, a médica pediu que Fatinha ajudasse a Mel para recolher outros matérias para exames de fezes e urina. Assim Fatinha fez, saindo do quarto com a Mel, algum tempo depois elas voltaram e a Fatinha havia colhido o material para o exame.
A Dra° resolveu deixar a Mel sobre observação enquanto o resultado dos exames não saiam, e como ela estava muito fraca teve que tomar soro.
Narrando: Fatinha.
– Fatinha, eu sei que você e o Bruno tem que ir trabalhar... – A dra° Mariana começou a falar. – Podem ir tranqüilos, eu, a Marta e as enfermeiras não vamos tirar os olhos dela nem por um segundo.
– Eu não vou deixar minha princesa sozinha. – Eu afagava os cabelos da Mel, que dormia quietinha.
– Ela não ta sozinha querida, eu to aqui. – Marta disse sentando ao meu lado. – Eu e a Mariana.
– Eu vou ligar pra uma colega de trabalho, vou pedir pra ela me render por hoje e quando a Mel melhorar eu recompenso.
– Nada disso, você e o Bruno vão trabalhar. Fica tranqüila, aqui a Mel esta em boas mãos. – A dra° Mariana disse. – Eu os proíbo de ficarem aqui.
– Marta, você promete que qual quer coisa, qual quer coisa mesmo vai me ligar? E quando ela acordar me liga também? Pra eu poder falar com ela.
– Eu ligo sim Fatinha, vai tranqüila.
– Olha lá em, eu não vou desgrudar do celular.
– O pior é que eu sei que não vai desgrudar mesmo. – Ela disse me dando um beijo na testa. – Eu sei como é isso, eu já passei por isso varias vezes, ser mãe num é fácil, quando a Ju tinha idade da Mel vivia ficando doente.
– Aquela ali sempre foi fresca, ficava resfriada por tudo, era um dengo que só. – Bruno disse fazendo todos nós rir.
– Você também num fica atrás né Bruno? Quase sempre caia doente, e fazia maior drama do mundo. – Marta disse e o Bruno fingiu-se estar magoado.
– Poxa mãe, assim você me quebra. – Ele disse, e eu ri.
– Só vocês pra me fazerem rir viu. – Disse dando um beijo na testa da minha pequena, que dormia quieta, apesar de todas aquelas vozes a sua volta.
– Ei filhota, nós vamos indo, mais tarde nós vamos vir de buscar viu. – Bruno sussurrou segurando a mão da Mel, e ali depositando um beijo. – Te amo princesa. – A Mel então abriu um pouco os olhos e soltou um sorriso sonolento, logo fechando os olhos de volta.
– Tchau moleca. – Falei acariciando seu rosto e por fim saindo do quarto acompanhada por todos, menos pela Marta, que ficaria lá com ela.
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