Medo de Amar - Brutinha - Segunda temporada.
12 Finalmente!
Notas iniciais
Narrando: Bruno
Meus olhos de repente começaram a se abrir, depois de tanto tempo, eles resolveram me obedecer e finalmente se abriram, as luzes no ambiente fizeram eles arderem, depois de sei lá quanto tempo fechados, natural, havia uma pessoa a minha frente, sua imagem estava borrada, por causa das luzes, pisco o olho devagar, varias vezes, até ele se acostumar com a claridade, então finalmente consigo ver o rosto, uma menininha, muito linda, seu rosto esta tomado pelas lagrimas, movo minha mão, segurando a sua, uma energia desconhecida toma conta do meu corpo, me sinto fraco, e ao mesmo tempo forte, seus olhos estão grudados nos meus, surpresos, perplexos, assustados.
– Mamãe... – Ela diz hesitante, sem desviar o olhar de mim. – Ele ta acordado. – Ela fala como se eu ter aberto os olhos fosse um milagre.
Desvio meu olhar dela e logo a minha frente vejo um casal, uma mulher loira, abraçada num cara, me vem uma imagem embaralhada na mente, só consigo reconhecer o rosto da moça em meio aos borrões.
A mulher não diz nada, apenas se solta do cara e corre pra fora do quarto, o cara se aproxima da cama e abraça a menina pro trás, a acolhendo em seus braços, mais ela não tira os olhos de mim.
– Papai? – Ela fala. – Você ta acordado, ta me ouvindo? – Ela trás sua mão pequena até o meu rosto, o acariciando.
A porta do quarto se abre novamente, outras pessoas desconhecidas entram e tiram a menina e o rapaz do quarto.
– Oi Bruno. – Um homem de jaleco branco falou. – Você ta me ouvindo? – Ele perguntou.
– To. – Tentei falar, porém minha voz saiu fraca e rouca.
– Você sabe onde esta? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça. – Você ta num hospital, á 7 anos e 11 meses atrás você sofreu um acidente de carro e ficou todo esse tempo em coma, você se lembra de alguma coisa? – Ele falou com calma, e eu neguei mais uma vez com a cabeça.
Narrando: Fatinha.
Vitor e Mel saíram do quarto logo após o médico e os enfermeiros entrarem, liguei para Marta e Olavo para contar o que havia acabado de acontecer, e eles disseram que estavam a caminho do hospital.
Mel saiu do quarto com o rostinho lavado pelas lagrimas e correu para os meus braços.
– Ele acordou mamãe. – Ela disse entre soluços, com a voz embaçada.
– Graças ao seu pedido meu amor, eu tenho certeza que ele juntou forças para acordar graças ao seu pedido. – A abracei forte.
– Eu to muito feliz, muito mesmo. – Ela se aconchegou nos meus braços e relaxou a cabeça no meu ombro, me sentei, a colocando deitada no meu colo.
– Eu também meu amor.
– Agora vocês precisam ter paciência. – Vitor falou se agachando a nossa frente. – Ele pode ter acordado, mais pode ser que não esteja consciente.
– Ele ta anjo, ele moveu os olhos, ele olhou pra mim, pra você e para ela.
Ele não disse nada, apenas me abraçou, deixando a Mel entre nossos braços.
Marta, Olavo e Ju chegaram, aflitos, queriam noticias do Bruno, mas os médicos estavam no quarto fazendo avaliação dele e não vieram dar nenhuma noticia, nada, estávamos no escuro, sem saber nada sobre o que tava acontecendo com o Bruno.
O tempo que custava a passar, todos na sala de espera não agüentávamos mais pra receber noticias, até que finalmente o médico apareceu.
– Tenho boas e ruins noticias.
– Pode falar. – Marta falou.
– Vou começar pela boa. – Ele disse sorridente. – Ele acordou, ta tudo bem com ele, ele ta tendo um pouco de complicação pra se movimentar e com a fala já esta tudo normal. – Ele disse sorrindo. – E a noticia “ruim” – falou entre aspas. – É que ele vai ter que ficar aqui mais alguns dias fazendo acompanhamento e fisioterapia.
– Ele perdeu a memória? – Ju perguntou. – Ele se lembra de nós?
– Claro que lembra, perguntou de vocês enquanto fazíamos uns exames nele, venham vê-lo comigo. – Ele falou virando-se e indo em direção ao quarto. Mel pulou do meu colo e correu pra dar a mão aos avos, e fui abraçada com o Vitor.
Narrando: Bruno.
A porta do quarto moveu-se devagar, meus olhos encontraram os da minha mãe, como a dona Marta mudou, meu pai veio logo atrás, segurando a menina que estava aqui quando eu acordei no colo, atrás do meu pai a Juliana, nossa como minha maninha cresceu, ta um mulherão.
– Filho! – Minha mãe veio em direção a cama e começou a me encher de beijos. – Aí meu filho, como é bom ver seus olhos abertos. – Sorri fraco. – E esse teu sorriso, achei que nunca mais fosse vê-lo. – Ela acariciava meu rosto.
– Como você mudou mãe. – Falei meio rouco. – Deixou cabelo crescer, ta mais bonita. – Movimentei meus braços com dificuldade até o seu rosto.
– Ah meu filho, tua voz! – Ela me abraçou forte.
– Maninha. – Olhei para Juliana, em pé, ao lado do meu pai. – Pai.
– Maninho! – Ju pulou na cama, do meu lado e me abraçou forte. – Eu te amo viu seu chato, te amo muito. – Ela falou segurando meu rosto agora, deixando lagrimas escorrerem.
– Eu te amo também. – Sorri pra ela. – Você ta um mulherão!
– Aí, para. – Ela riu sem graça.
– Deve ta chovendo de gavião em cima de você.
– Eu to namorando o Gil ainda, já vai fazer 9 anos.
– Caramba! Sério? – Falei surpreso. – Que bom maninha, o Gil é um cara bacana.
– Filho. – Meu pai se aproximou da cama e Ju levantou dando espaço pra ele se sentar, ele colocou a menininha sentada e sentou logo ao lado dela. – Essa daqui é a Mel. – Ele falou segurando nos ombros da garotinha. – Ela é sua filha.
– Minha... – Olhei pra ela surpreso. – Filha?
– É meu rapaz, antes do acidente você namorava a Maria de Fátima. – Ele falou olhando pra mim. – Lembra?
– Não lembro bem. – Não lembrava desse meu namoro, nem sabia que era Maria de Fátima.
– Fatinha, vem aqui querida. – Ele se virou para trás e a mulher loira saiu dos braços do rapaz ,que estava no quarto quando acordei, e caminhou até a cama. – Essa é a Fatinha.
– Não consigo lembrar muito bem, me veio um borrão na mente, não sei dizer o que foi mais reconheci seu rosto, só não consigo me lembrar. – Falei olhando pra ela, que me olhava com os olhos marejados.
– Ela era sua namorada. – Meu pai falou. – Vocês eram muito apaixonados, e aí quando você sofreu o acidente ela descobriu que estava grávida.
– Caramba. – Falei olhando pra menininha agora. – Quantos anos você tem? – Pergunte para ela.
– 7 anos, 3 semanas pra fazer 8. – Ela falou, sua voz era tão doce, me deu uma paz. – Meu pedido de aniversario, quer dizer o que eu mais queria nesse meu aniversario era você presente, eu acho que meu desejo foi realizado. – Ela sorriu, seu sorriso era extremamente lindo e encantador.
– Você é tão linda. – Levei a mão com dificuldade até seu rosto. – Muito fofa e encantadora. – Ela sorriu pressionando sua mão contra a minha. – Eu espero poder estar presente na sua festa de aniversario. – Disse sorrindo pra ela.
– Se você num puder ir até a festa, nós trazemos a festa até você. – Ela falou dando de ombros.
O olhar dela é um olhar tão fofo, tão inocente, tão amável, a sua voz meiga capaz de me acalmar, e sua pele macia, como é linda minha filha, caramba!
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