Medo de Amar
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Capítulo 6 – Um maldito deus vem me visitar.
***
– Você não respondeu minha pergunta, Ares. – Eu, praticamente, cuspi seu nome.
O deus da guerra me fuzilou com os olhos em chamas, como se segurasse ao máximo para não me matar agora. Mas, pelo contrário, ele sorriu. Um sorriso assustador, mas, ainda assim um sorriso.
– Aproveite enquanto pode brincar, Purpurina. – zombou Ares, com seu sorriso ainda estampado nos lábios.
– Como assim? – perguntei confusa. Apesar de eu não ter dislexia, eu conseguia ser um pouquinho lerda.
– Nada, criatura. – Seu sorriso sumiu; ele colocou a mão na testa, murmurando um “Dai-me divina paciência...”.
– Já que não é nada, pode indo embora! – disse eu, fechando a porta.
Assim que virei às costas para voltar ao quarto, senti algo bem duro bater nas minhas costas, me fazendo cair no chão.
Percebi que era a porta que estava em cima de mim. Meus cabelos viraram o tom vermelho; raiva.
Soltei um gemido de dor. Minha coluna latejava, e um filete de sangue escorria da minha testa; e também havia um gosto metálico por toda minha boca. Mesmo assim, fiquei com uma enorme vontade de socar a cara daquele desgraçado.
– Paciência esgotada! – rugiu Ares.
Ele pegou a porta como uma folha de papel e jogou-a contra a parede, onde se despedaçou.
O deus me pegou pela garganta, me sufocando rapidamente. Tentei feri-lo diversas vezes com meus socos e chutes, mas, quem se feria era eu mesma. Esse cara é pior do que eu pensava.
– Me mate de uma vez, seu covarde! – grunhi, com a voz que ainda me restava.
Ele bateu meu corpo contra a parede — fazendo com que as dores que eu sentia aumentassem -, e apertou seus dedos mais ainda em meu pescoço.
– Não sou covarde. – berrou. – Estou fazendo um favor para si mesma, Unicórnio.
– Se você acha que me matar fará com que eu esqueça meus sentimentos por Phobos sejam esquecidos, está completamente enganado. – murmurei, sentindo as pálpebras pesadas.
– Esquecer... – sussurrou pensativo. – Boa ideia, Palhacinha.
– O que vai fazer?
Ele me atirou na mesa de vidro que havia na sala de jantar. O vidro se despedaçou, se encontrando com minha pele, e perfurando-a. Gritei quando senti vários cacos em minha perna.
– Se você não irá esquecê-lo por bem, irá esquecê-lo por mal. – ameaçou Ares e estralou os dedos. Depois disso, eu desmaiei, graças aos deuses, e não senti mais nada.
***
Acordei com alguma coisa estranha se enrolando em minhas coxas. Abri meus olhos de forma rápida, mas demorei a focar a visão.
Era Joey, enfaixando uma das minhas pernas e a minha coxa da outra. Percebi que havia um pano ensanguentado próximo de uma caixinha de primeiros socorros. O armário que havia no banheiro estava aberto, com as coisas bagunçadas e uma porção de outras coisas espalhadas pelo chão.
– Espero que diminua a sua dor. – disse Joey, terminando de enfaixar a minha perna.
– Estou melhor. – respondi fraca.
– Você me deu um grande susto. – falou um pouco rouco. – Cheguei aqui e a mesa estava toda quebrada, com você ferida pra caramba.
– Eu... – Eu não lembrava o que aconteceu. – Acho que cai e desmaiei.
– Mais cuidado, por favor. – aconselhou. – Já cuidei da sua ferida na testa, na boca e nas suas pernas. Mas, eu ainda não pude ver suas costas. Permite-me...?
– Ah, claro. – disse simplesmente.
Ele se levantou de onde estava (de joelhos) e andou até atrás de mim, onde parou e soltou um pequeno murmúrio de pavor.
– Está pior do que eu pensava. – exclamou o garoto. – Caramba, como você conseguiu se machucar tanto assim, Roxanne?
– Não sei! – bufei.
Ele começou a tirar a minha regata. – Prometo ser profissional.
Assenti com a cabeça.
A mãe de Joey, Hailee Wormann, é médica de um dos melhores hospitais da cidade. Tudo que ele sabe, aprendeu com ela desde pequeno. Ele disse á mim, uma vez, que queria ser tão bom quanto sua mãe. Eu confiava nele.
Ele pegou uma pinça e uma pequena tigela de metal e pude ouvir os cacos caindo na tigela.
– Está muito feio? – perguntei receosa.
– Para sua sorte, não. – respondeu.
Ele pegou alguns curativos e colocou em minhas costas.
– Tem algumas marcas roxas e também tinha alguns cacos perfurados, mas, nada grave. – continuou. – Mas, uma coisa é estranha...
– O quê?
– Reparei que seu pescoço tem algumas marcas bem vermelhas. Você sabe por quê?
– Não me lembro...
– Tudo bem, não vou forçar você.
– Obrigada. – agradeci, e como um raio, lembrei-me de algo. – E Lucca? Onde está? Ele está aqui?
– Calma, calma, calma. – Riu Joey. – Sim, ele está aqui e está bem. Eu pedi para que ele ficasse na sala, assistindo alguns desenhos enquanto eu cuidava de você.
– Ah, obrigada, Joey. – falei, sentindo minhas bochechas ruborizarem.
– De nada, Anne.
Em vez de me chamar de Rox, como todos me chamavam, Joey preferia me chamar pelo apelido “Anne”. Ele dizia achar fofo, assim como a dona – eu – era.
***
Assim que Joey terminou de arrumar a bagunça que ele fez no banheiro – me impedindo de ajudá-lo -, ele me pegou no colo e me levou ao meu quarto, tirando minha roupa.
– O que está fazendo?
– Não vou abusar de você. – Riu. Isso me pareceu familiar. – Eu só vou te ajudar a tomar banho.
– O que? – perguntei envergonhada. – LÓGICO QUE NÃO!
– Anne, você quase não consegue andar e sua coluna não te deixa se mover direito por conta da dor. – concluiu. – Você precisa da minha ajuda.
– Você vai me ver nua. – resmunguei completamente envergonhada.
– Certo. – disse pensativo. – Eu te ajudo a tomar banho com você de roupas intimas, e depois deixo você tomar o resto sozinha, ok?
– Ok. – suspirei, vencida.
***
Depois de Joey me ajudar, ele me levou até a sala e me sentou ao lado de Lucca, enquanto pedia alguma pizza.
– Oi, Lucca. – Dei um sorriso.
– Oi, Rox! – Ele me abraçou. – Você está bem?
– Sim, seu irmão cuidou de mim.
– Ele vai ser um ótimo médico... — afirmou Lucca, confiante de suas sábias palavras.
– Eu acho que ele gosta dessa sua ideia, Lucca.
– É... E ele também gosta de você, mui-tão.
Meus cabelos ficaram do tom rosa. Vergonha. — O que?
– Ele gosta de você como melhor amiga. – explicou Lucca. – Esqueceu que ele tem namorada, sua bobona?
– Ah, é, claro. Que descuido da minha memória.
Lucca revirou os olhos e voltou a assistir o desenho que passava. Estava começando a passar Bob Esponja.
– Eu adoro esse desenho.
Se você pensa que isso saiu da boca de Lucca, se enganou. Saiu da boca de Joey. Soltei um riso e disse que também adorava aquele desenho por conta do Bob ser tão inocente e sempre me roubar risadas. Joey disse que era pelo mesmo motivo.
A pizza chegou assim que o desenho acabou e começamos a comer.
Quando Joey foi ao banheiro, pegar um remédio para minha dor de cabeça, Lucca o seguiu, e logo em seguida, a campainha tocou.
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