Medo de Amar

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Poxa! Que desligada eu sou!! Pudia jurar que tinha postado esse capítulo já! Desculpem pela demora >

Capítulo 7 – A deusa Afrodite tem uma exceção.

***

Levantei-me com as forças que me restavam e fui até a porta. Era Rebecca Parker, namorada de Joey. Eu nunca gostei daquela garota.

Não é ciúme. Pois eu não tenho ciúme de ninguém, é só que ela não me trazia confiança. Era como se a qualquer momento, ela poderia tirar uma arma do bolso e atirar em qualquer pessoa que estivesse a sua frente. Não é ciúme. É desconfiança. Podem parecer à mesma coisa, mas, eu tenho um jeito estranho de saber quem é do bem e quem é do mal. E, em minha opinião, aquela ruivinha não é do bem. Mas, isso também só pode ser uma pequena má impressão. Eu sempre posso me enganar, afinal, errar é humano.

– Rox, querida! – disse a voz docemente enjoada de Rebecca. – Joey está aí?

– Ahn... Oi, Rebecca. – falei sem jeito. – Sim, ele está...

– Ótimo. – resmungou rude, entrando na casa com tudo, e batendo seu corpo em mim, fazendo com que eu perdesse o equilíbrio e caísse com o traseiro no chão. – Oh, desculpe.

– Pode entrar. – murmurei irritada, e fazendo força para não gritar com a dor que ganhei ao bater as coxas no chão frio. – Não. Foi. Nada.

Tentei me levantar, mas, assim que fiquei de pé, cai novamente; só que agora, de joelhos, o que doeu mais ainda, e não aguentei. Gritei tão alto que minha garganta pareceu ser arranhada. Lógico que isto foi na minha imaginação, porque, na realidade, eu nem conseguia gritar pelas lágrimas e a dor me impedindo.

Joey apareceu na sala, preocupado. – Rebecca? O que está fazendo aqui... Roxanne!

– Eu estou bem. – menti.

Ele foi até onde eu estava e me levantou pelos ombros. Parece que ele percebeu que eu estava sofrendo de mais para andar e me pegou no colo, levando-me até o sofá. Rebecca fez uma careta, fuzilando á mim e a Joey com os olhos castanhos.

– Lucca, traz o remédio, por favor. – disse o garoto agachado á minha frente.

– Está bem. – resmungou o mais novo.

Lucca trouxe um copo d’ água com um comprimido. Bebi o mais rápido possível, para ao menos, amenizar a dor de cabeça.

– Obrigada. – Sorri.

– De nada. – disseram Joey e Lucca ao mesmo tempo.

– Hey! – Rebecca acenou com a mão. – Agora que ela já está melhor, vamos sair Joey!

Rebecca era do tipo de garota com personalidade patricinha e estilo despojado. Agora, ela estava com um coque frouxo de seus cabelos ruivos, uma blusa cinzenta com a foto de um cachorrinho, calça jeans negras e coladas, botas negras e com alguns detalhes dourados, jaqueta de couro e óculos escuros, mesmo que esteja noite. Ela havia um belo corpo para sua idade, apenas 15 anos. Mas, para não ser tão humilhada por sua beleza, eu tinha mais corpo que ela.

– Rebecca, dá um tempo. – murmurou Joey.

– O quê? Como assim? – disse incrédula com as palavras de seu namorado.

– Você só pensa em si mesma, percebeu?

Olhei para Lucca, e ele olhou para mim. Balançamos a cabeça em um estilo de código secreto. Ele me ajudou a levantar e fomos para meu estúdio de artes.

Meu pequeno colega abriu a boca em um perfeito ‘O’ ao ver as paredes ao redor cobertas por vários quadros coloridos e chamativos enquanto eu fechava a porta para abafar os gritos que viriam com a discussão do casal na sala.

– Você desenhou a mim! – disse sorridente, então fez uma careta. – Você gosta de detalhar, hein? Fez até a minha pintinha que eu tenho aqui na bochecha esquerda. – Ele apontou para a bochecha esquerda no quadro.

– É... – Ri.

– Espera. – hesitou. – Quem é aquele cara?

Ele apontava para um homem jovem, com uma aparência sedutora, acompanhado por um sorriso e iluminado á um poste de luz fraca. Ele me era familiar...

Quando fui responder á Lucca, tudo ao meu redor ficou com um cheiro de rosas e uma fumaça rosa apareceu em minha frente. Afrodite.

– Olá, meu bem. – disse Afrodite com um sorriso.

– Afrodite?- perguntei. Ela assentiu com a cabeça.

– Que gata... – A boca de Lucca estava no chão.

– Mais respeito, mocinho! – disse ela, divertida. – Mas, obrigada. – Ela mexeu nos cachos do cabelo.

– Quem é ela, Rox?

– Ela é... – Ela balançou a cabeça, como se incentivasse a minha apresentação. – Afrodite, deusa do amor e da beleza.

– Como ele consegue me ver? – disse ela.

– Lucca, você conheceu seu pai?

– Conheci sim. Ele conheceu a mãe de Joey depois que o pai dele morreu.

Balancei a cabeça, processando a informação.

– Você é um saco, Joey! – gritara Rebecca da sala.

– E você? Uma pena, né? — revidou Joey.

Suspirei nervosa e Lucca fez o mesmo. Afrodite soltou um “Nossa!”.

– Nossa! – repetiu. – A situação está feia no amor dos dois pombinhos ali, hein?

– Ela é chata assim, mesmo. – Ele abanou com a mão. – Daqui a pouco vão estar se beijando como se fossem se devorar de novo! Experiência, desagradavelmente, própria.

Arregalei os olhos, rindo. – Você já viu isso?

– Você não entendeu a “experiência própria”, Roxanne?

Mostrei a língua para ele.

Afrodite riu. – Crianças.

– Não sou criança! – resmunguei, com a voz duplicada por Lucca.

– Certo. – disse irônica. – Senhorita Maison, eu só vim aqui por causa de você. Fiquei sabendo que Ares veio aqui, te agrediu e ainda apagou sua memória que envolvia meu filho. É verdade?

– Acho que sim. – Por conta da minha confusão, abaixei a cabeça.

– Ótimo. – Ela fez um carinho na minha cabeça, e em seguida, estralou os dedos. – Você pode sentir uma tontura passageira.

Senti a tontura, mas na mesma velocidade em que ela apareceu, ela sumiu. E no seu lugar, todas as memórias que Phobos e eu tivemos. Seus sorrisos sarcásticos, sedutores e animados. Seu jeito de me provocar para chamar minha atenção. Seus olhos, literalmente, chamativos. Com brilhos diferentes em cada cena. Felizes, irônicos, tristes... Tristes.

– Phobos está com saudades, querida. – sussurrou Afrodite. – Ele te ama muito. E ele vai te perdoar. Eu sei que ele vai.

– Eu também estou. E o amo incondicionalmente. – falei, fazendo uma careta por dizer uma frase meio que clichê. – Espero que ele me perdoe, mesmo, Afrodite.

– Não estou entendendo nada, e olha que eu não sou nada burro. – murmurou Lucca, me roubando uma gargalhada.

Afrodite ignorou minha gargalhada e a frase de Lucca. Ela sorriu e disse uma coisa... Especial. Uma pequena frase que mexeu comigo por dentro. Que eu esperava ser verdade. Que eu sempre quis ouvir, depois de tanto tempo.

– Ele está te esperando no templo dele. Venha comigo.

Olhei para Lucca e ele incentivou-me com a cabeça; dei um sorriso para ele e peguei a mão de Afrodite, fechando os olhos com força, começando a me perder em minhas memórias restauradas.

Mas, será que ele me perdoaria? E se ele não quiser falar comigo? E se ele me mandar embora assim que me avistar? E se ele me odiar para todo o sempre? E se, e se, e se. São tantos. Mas sei que não existe. “E se eu nunca mais amá-lo?”, este eu tenho a maior certeza do universo, que não restou dúvidas sobre este “e se”. Pois, eu o amo, por toda a minha vida. Vida após a morte. Morte após a vida. Sempre.

Eu estava ansiosa para vê-lo novamente.

Notas finais
E então? Ficou legal? Bastante gente que tá lendo esperava ver esse reencontro, né? Infelizmente, não vai ser as mil maravilhas esses dois juntos... Huehuehue' E eu sei que ficou meio chatinho, mas o próximo será legal, juro. ;) Beijinhos pra vocês!