Medo de Amar

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Enfim, não estou atrasada, pelo menos... Espero que gostem do capítulo, e deixem um review.

Capítulo 10 – Cuidados médicos.

***

Senti minha cabeça latejar como uma bomba relógio. Meus olhos ardiam, o que não facilitava em abri-los. Meu corpo estava dolorido demais para que eu movesse algum músculo sequer. Mas mesmo com essa dificuldade física, alguns de meus sentidos funcionavam perfeitamente. Como a audição.

Senti uma coisa macia, meio molhada e gélida passar em minha testa. E então foi descendo... Minhas bochechas, meu pescoço... E parou no meio do meu decote. Antes que eu pudesse protestar, alguém disse algo.

– O que está fazendo? – berrou alguém um pouco distante de mim, mas percebi que se aproximava. – Tire a mão daí, seu idiota!

– Eu só estou cuidando dos ferimentos dela! – protestou outra voz, ao meu lado. Abri os olhos em um mínimo e curto movimento, o bastante para reconhecer a cena.

Phobos segurava a gola da camisa de Apolo, de forma ameaçadora, enquanto o deus do Sol afastava o algodão do meu decote lentamente. Meus olhos se fecharam mais uma vez.

– Acho bom ser só isso mesmo. – rugiu a voz de Phobos. – E quando ela vai acordar, hein?

– Bem, eu não sei. – disse Apolo; sua voz declarava que ele estava meio incerto, mas logo esse tom foi substituído por um tom malicioso. – Mas eu poderia acorda-la fazendo um boca a boca...

– Nem pense nisso! – berrou Phobos mais uma vez. – Quer dizer... Como você vai fazer isso se ela não afagou nem nada? – perguntou inocente.

Abri os olhos o suficiente para ver eles dois. Apolo se levantou da beirada da cama, caminhando até o banheiro. Phobos olhou para ele, dividindo sua expressão em raiva e confusão.

– O que você vai fazer? – disse ele, incerto.

– Vou encher a banheira. – respondeu simplesmente. O deus do medo franziu o cenho, mais confuso ainda.

– O que?! – reclamou o outro. – Por quê?!

– Para colocar Roxanne lá. – Deu de ombros, como se fosse obvio. Nem eu mesma estava entendo aquele plano maluco. – Assim ela se afoga, e eu posso...

– Apolo, seu desgraçado! – grunhiu Phobos, correndo atrás dele. Apolo começou a correr pela casa, fugindo dele. Assim que os dois saíram da minha vista, eu me sentei na cama, relutando contra as dores que sentia.

Ouvi alguns gritos e coisas quebrando em algum lugar dali. Notei que era o templo de Phobos; eu estava no templo do deus do medo.

A cama na qual eu estava deitada era uma enorme cama de casal, com lençóis negros e transparentes de seda, e cheio de travesseiros atrás de minhas costas. Fora a cama... O quarto era resumido em típicos móveis adolescentes. E não era tão organizado. Não que eu realmente esperasse que fosse, mas...

– Eu vou te estrangular, Apolo! – falou Phobos, aparecendo em minha frente.

Ele parou de correr e olhou para mim. Apolo, que passara correndo por Phobos, fora segurado pela gola da camisa, de modo que fora sufocado pela força que a mão direita do deus do medo segurava-a. Poucos segundos depois, o deus do Sol também me notou e sorriu. Phobos colocou a mão esquerda na nuca, evidentemente envergonhado de ser pego por uma garota vendo aquela cena de pega-pega entre dois deuses gregos.

– Oi. – murmurei simplesmente, com um leve sorriso.

– Oi. – disse Phobos, sorrindo sem graça.

Olá. – disse Apolo, com uma piscadela e uma voz charmosa.

Phobos olhou para ele e o sacudiu pela gola, jogando ele no chão. Arregalei os olhos, e no mesmo momento em que inclinava a cabeça para frente, tentando ver Apolo, o mesmo levantou-se num salto com um sorriso triunfante, me fazendo soltar um grito de susto e Phobos revirar os olhos, bufando.

Apolo sentou-se ao meu lado, abraçando-me pelos ombros com um sorriso amigável. Phobos não gostara nada disso, denunciava sua expressão. O deus do medo empurrou Apolo, abraçando-me sem jeito e – acidentalmente – me arrancando risos. Apolo fez o mesmo com o outro deus. E em questão de segundos, um empurrava um ao outro, discutindo. Eu estava sem voz demais para protestar. Graças aos deuses, alguém fez isso por mim. Alguém abriu a porta do templo em um chute, gritando “mãos ao alto!”.

Apolo fez o tal gesto, dando um chute no estômago de Phobos. Ele se levantou do chão, xingando seu tio de todos os palavrões possíveis e impossíveis no planeta Terra.

– Quem é você? – perguntei ao homem parado de braços cruzados na porta. Sua expressão serena me lembrava de alguém.

– Ora, pensei que conhecesse seu vovô. – disse, parecendo ofendido.

– Oh! – Sorri, lembrando-me de quem ele me lembrava. – Hermes!

Ele sorriu me dando uma piscadela, mas tão rápido quanto seu piscar de olhos, ele voltou a sua postura correta e expressão de fúria, encarando os dois deuses presentes no lugar.

– Me deem um ótimo motivo para não quebrar os ossos dos dois, agora! – exigiu Hermes

A culpa é dele! – culparam-se um ao outro, apontando com o dedo indicador. Crianças...

– Eu explico Hermes. – disse. – Aconteceu que eles estavam disputando... Quem iria me ajudar a ir comer alguma coisa. – menti.

– Então eles queriam lhe ajudar? – perguntou com um ar desconfiado.

– É... – Engoli em seco. – Por quê?

– Porque Deimos disse que eles estavam abusando de você!

– Foi Deimos quem me machucou. – constatei, encolhendo os ombros.

Hermes bufou. – Obrigado por esclarecer a história toda, Mason.

– Ahn... De nada.

– Mande um “alô” para seu pai por mim. – E saiu batendo o pé e a porta ao mesmo tempo.

Suspirei aliviada. Os dois deuses que estavam atrás de mim, em pé, observando a cena, pairaram seu olhar justamente sobre mim.

– O que?! – perguntei.

– Nada. – responderam ao tempo, desviando o olhar.

– Espero que vocês não tenham abusado de mim, realmente. – brinquei, encarando os dois.

Phobos cruzou os braços. – Não vamos repetir essa história de novo...

– Que hist... – Eu mesma me interrompi ao lembrar-me do que ele estava falando. Corei levemente, tentando pedir desculpas, mas acho que não preciso dizer que não deu certo.

– Vamos. Você precisa ir para casa. – disse Phobos depois de alguns segundos de silêncio, pegando em minha mão. Acenei para Apolo e ele fez o mesmo para mim, e logo em seguida fechei os olhos com força, esperando que chegasse em casa logo e acabasse com esse pesadelo de “vida anormal” e continuasse a viver como sempre adorei. Caminhadas, discussões, risadas... Tudo isto sem incluir esse malditos deuses. Somente eu e meu pai.

Mas eu sabia que assim que abrisse os meus olhos, o choque da realidade me despertaria, avisando que isso era impossível e sempre seria de agora em diante. Ou seja, a minha vida seria resumida em uma frase: Apenas o começo do fim.

Notas finais
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