Medo de Amar
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Capítulo 9 – Crise de Pânico.
***
Abri os olhos de forma rápida enquanto me afastava dele. Minha mão soltou a gola da camisa de Phobos, e no mesmo segundo, ele abriu os olhos, franzindo o cenho para mim.
“Mas que droga que eu fiz?” Pensei.
Phobos estava congelado, no qual seus únicos movimentos eram o piscar de seus olhos e o movimento rápido de seu tórax, demonstrando sua respiração pouco ofegante. Bem que eu não poderia reclamar, já que a minha não estava tão diferente.
Ele olhou para mim, sorrindo de leve. O deus do medo passou a mão pela minha bochecha e pude ter certeza que a mesma estava corada. Desviei o olhar de seu rosto por alguns segundos, mas ao notar que Deimos nos olhava pelo canto do olho – revezando a atenção para mim e para o jogo pausado na tela – voltei ao normal, afastando a mão de Phobos discretamente.
– Talvez eu possa estar enganada sobre eu te odiar. – comentei, olhando em seus olhos. – Mas se você não quer me ouvir, eu não o culpo. Eu também não me ouviria se estivesse em seu lugar. – Phobos iria me interromper, mas eu fiz um gesto com a mão, sinalizando um “Pare” silencioso. – Mas, talvez eu esteja certa no ódio. Talvez eu apenas tenha dado liberdade a ele para a pessoa errada. Devo odiar outra pessoa e não você.
Ele abria a boca e fechava a boca, mas nada saía de lá. Assenti com a cabeça em um suspiro.
– Quer que eu vá embora, não é? – perguntei. Ele não fez ou disse nada, apenas me encarava sem expressão alguma. – Quem cala, consente.
E dei meia-volta, passando diretamente por ele, esperando ir à direção da saída daquele lugar maluco. Mas, para minha falta de sorte, eu tinha conseguido me perder novamente.
Antes que eu pudesse reclamar com minha incompetência, senti – mais uma vez naquele dia infernal – uma mão em meu ombro. Imaginei ser Apolo, então me virei resmungando, mas resmunguei mais ainda ao notar quem era.
Seus cabelos eram pouco volumosos, e escuros. Seus olhos também eram, de forma que me encaravam com certa raiva e ódio. Sua pele era extremamente pálida. O analisei de cima a baixo e notei que seu corpo era robusto. Usava uma camisa vermelho-sangue, com uma jaqueta de couro e a calça jeans escura. Um par de All Star clássico estava em seus pés.
– Deimos. – resmunguei, cruzando os braços. Percebi que um sorriso malicioso havia brotado em seu rosto, enquanto olhava para meu pescoço. Demorei alguns segundos para perceber que ele não olhava para meu pescoço, e sim um pouco mais abaixo. Descruzei os braços, dando um tapa em sua bochecha esquerda. – Tarado!
– Você não devia me provocar mais raiva do que já estou de você. – disse Deimos, apertando ainda mais sua mão em meu ombro. Soltei um gemido baixo. Aquilo vai ficar roxo.
– Você é um imbecil! – falei, tentando tirar sua mão do meu ombro, mas isso só causou uma gargalhada nele.
Deimos me prensou contra a parede, fuzilando-me com o olhar, e seu rosto a centímetros do meu. – Escuta aqui, Roxanne, a minha vida estava um inferno quando Phobos estava com você. Então você some, e tudo volta ao normal. Mas depois você volta e estraga tudo, pensando que eu vou deixar isso passar?
– Me solta, Deimos. – murmurei.
– Quando eu acabar com você, eu te deixo ir. – Sorriu malicioso.
– Me larga! – Chutei em sua área sensível, o que fez ele recuar um pouco.
Me soltei dele, e saí correndo o mais rápido que pude, o que foi um pouco fácil pelo fato de ser descendente de Hermes. Mas, eu acabei dando de cara com a parede e caindo ao chão.
Não. Não era uma parede. Era Deimos.
– O que você ganha com isso, hein? – perguntei.
– Diversão e paz ao mesmo tempo. – respondeu.
Tentei dar um soco nele, o que não funcionou, porque ele segurou meu punho no ar.
Chutei sua canela, e ele riu, me prensando contra a parede de novo.
– Ah, que gracinha. – provocou ele, passando a mão nos meus cabelos. – Pensando que pode me machucar.
Tirei a mão dele da minha cabeça com um tapa e o fuzilei com os olhos.
– Idiota! – berrei.
– Que isso, amor? – continuou a me irritar. – Assim você ofende meus sentimentos.
– Como se você tivesse noção do que são sentimentos, amor. – retruquei.
O deus fez uma careta de poucos amigos para mim, e eu arqueei uma sobrancelha e com um sorriso sarcástico.
– Sem palavras? – provoquei-o
Foi à vez dele em sorrir sarcasticamente.
– Prefiro agir em vez de ficar batendo papo, gracinha.
Ele se aproximou de mim, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
– Você vai pagar muito caro por ser uma menina má. – sussurrou no meu ouvido.
Ele me agarrou minha cintura, me colocando sobre seu ombro. Comecei a chutar suas costelas, mas isso parecia pouco importante para ele. Deimos segurou em minha cintura mais forte, e jogou-me contra o chão, longe dele. Deslizei pelo chão liso, batendo a cabeça em uma coluna. Levantei-me ainda meio tonta, e andei até ele, mas ele me jogou no chão mais uma vez, rindo de mim.
– Seu idiota! – gritei.
Deimos colocou o pé sobre minha barriga, fazendo força, e me deixando sem ar. Ele se ajoelhou perto de mim e disse.
– Mande um alô aos mortos por mim. – E então deu uma piscadinha pra mim, se levantando.
Deimos ia me dar um chute, se não fosse por alguém me puxando para trás, fazendo Deimos chutar o chão. Só que isso não adiantou, pois no mesmo segundo, o deus do pânico cerrou os punhos e trincou os dentes, me agarrando e jogando-me na parede com força.
Depois de sentir uma enorme dor de cabeça, minha visão falhou, mas mesmo assim, consegui ver um vulto dando um forte soco em Deimos, que acabou atravessando várias paredes ao meu lado. A pessoa quem me salvou se aproximou de mim, dizendo que tudo ficaria bem. Assenti com a cabeça e finalmente cai em sono profundo.
Fale com o autor