Medo Oculto
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Estou aqui no quarto do Justin, de shorts jeans e uma blusinha regata branca. Estou aqui fazendo força, muita força, aliás, eu tenho que conseguir empurrar essa cômoda, para poder pegar o pano que o Justin deixou cair atrás dela. Eu estou agora com vontade de matar o Justin, porque desde que Pattie acordou a gente cedo para podermos fazer uma limpeza na casa, Justin tem ficado só fazendo as coisas leves e eu as pesadas. Isso não pode acontecer, aliás, ele é um homem, menino, sei la o que. Ele tem que ajudar as mulheres como eu.
- Justin, por favor. Da para você parar de arrumar esse maldito lençol da cama? Você só está ai enrolando porque não quer me ajudar, né? — Falei parando de empurrar a cômoda e olhando para a sua cara. Ele estava rindo. Rindo de mim! Como pode fazer isso comigo? — JUSTIN, caramba. Para de rir, não tem graça! — Falei um pouco alto do que o normal.
- Calma ai gatinha, que eu já vou te ajudar. — Ele disse dando mais risadas e deitando na cama. Af, ninguém merece um amigo desses né? Maior cagão e ainda por cima fica rindo dos outros, de mim. Mas eu não viveria um dia sem o Justin. Se um dia o perdesse, minha vida não teria mais sentido. Eu prefiro esse Justin tonto, a não ter ele por perto.
- Eu to calma. Mas eu quero que você me ajude aqui. Você que derrubou o pano atrás da cômoda. — Falei calma, ainda olhando fixamente para ele.
Pattie hoje de manhã, nos acordou e falou que Justin e eu iríamos fazer uma faxina na parte de cima da casa. Ainda bem, porque ninguém merece ficar com a parte de baixo. Tenho o maior medo de lá, ainda mais do porão. Credo. Então agora já são umas 16h15min e Justin e eu estamos terminando de arrumar a parte de cima da casa, aliás, já terminamos. Só falta o Justin me ajudar a empurrar a cômoda, para pegar o pano. Não estou muito cansada porque Justin me ajudou, embora fosse em coisas pequenas, são elas que mais cansam. Meninos não conseguem fazer faxina, não sei como Justin aguentou. É, ele é o meu melhor amigo mesmo.
- Af né Marie, para com isso. Você que é vesga e não pegou o pano quando eu joguei ele para você. E, aliás, a gente já terminou de arrumar aqui, me deixa deitar um pouco, estou cansado. — Ele falou sentando na cama e depois se deitando. Fui andando até a sua direção e dei um tapinha em sua cabeça.
- Da para você parar com isso? Justin, você não fez nada, nem deve estar cansado. Por favor, né, me ajuda a empurrar a cômoda. Só isso que eu te peço. — Falei dando um sorriso irônico no final da frase. Voltei até a cômoda e o olhei.
- Eu vou então, mandona. Mas então, depois daqui, você vai jogar comigo ‘’Boomerang'’ certo? — Ele falou se levantando e vindo até a mim.
- Certo. — Falei revirando os olhos e fazendo força.
A cômoda era bem pesada mesmo, mas não havia nada lá dentro. Acho que era feito de madeira nobre, por isso o seu exagerado peso. Justin se encontrava agora atrás de mim fazendo força também. Acho que pude sentir minha bunda se encontrar com a sua intimidade. Mas acho que foi só impressão. Parei com os meus pensamentos quando conseguimos empurrar a cômoda.
- Sou foda. — Justin disse olhando para mim.
- Para né. — Falei me agachando no chão e pegando o pano que estava caído. Olhei ao lado do pano e reparei que um taco de madeira estava fora de seu lugar. Coloquei o pano de lado e levantei um pouco o taco. — Justin, me ajuda aqui. — Falei tentando tirar o taco dali. Deveria ter algo ali embaixo.
- De novo? Falou...
- Me ajuda aqui. É sério agora. — Interrompi Justin falando alto e claro. Justin se abaixou bufando e ficou ao meu lado, vendo o que eu fazia. — Tenta levantar esse taco. — Disse me afastando e dando ao Justin a liberdade de tentar terminar de tirar o taco do lugar.
Justin ficou tentando por um tempo. Ao mesmo tempo que o taco de madeira do chão estava solto, ele também estava difícil de sair.
- Consegui. Sou foda de novo, fala ai minha Marie. Mas porque... — Justin deu um sorriso e um beijo em minha bochecha. Olhei para o taco na mão de Justin e olhei para um buraco grande no chão. Não havia nada ali, o jeito mesmo era colocar a mão lá dentro.
- Ta bom Justin, agora pode ir lá deitar. — Eu disse o interrompendo, comecei a chegar mais perto do buraco no chão e olhando Justin bufar e ir para o banheiro. Acho que ele irá se arrumar para jogar ''Boomerang'' que ele tanto ama.
Respirei fundo e coloquei a minha mão lá dentro e me assustei quando encostei em algo. Peguei e o trouxe para perto de mim, tirando-o daquele grande buraco. Era uma caixinha de madeira. Uma linda caixinha de madeira. Estava desenhada com florzinhas e coraçãozinhos. Não havia nenhum nome nela. Quem será que escondeu essa caixinha ali? Coloquei o taco de volta no seu devido lugar e fui com a caixinha na mão, para a cama. Sentei-me na cama com os pés na mesma e tentei abrir a caixinha. Não consegui claro, havia um cadeado minúsculo e ainda com uma senha. Diferente de todos os cadeados, a sua senha não era de números e sim de letras. Quatro letras é o que preciso. Comecei a pensar e a colocar as palavras que vinham em minha mente, mas nenhuma delas fez com que eu consegui abrir a caixinha.
— Marie, sabe o que eu estava pensando? Porque você... O que é isso? – Justin saiu do banheiro e veio em minha direção. Ele estava normal, do mesmo jeito que se encontrava antes de ir ao banheiro.
- Não é nada não, Justin. Então, vamos colocar essa cômoda no lugar e ir ver quem vai ganhar a competição do ‘’Boomerang’’?
(...)
- Justin, de novo? Ah, eu vou perder assim. Fica só roubando. — Falei jogando o ''Boomerang'' o mais alto que pude. Justin conseguiu pegar ele no ar. Nossa, esse menino joga muito mesmo. Não é atoa que ele é o melhor jogador de futebol americano da escola e o melhor jogador de ‘’Boomerang’’ comigo. As meninas sempre ficam atrás dele. Aquelas tontas. Ainda bem que o meu melhor, não liga muito para elas. Porque se ligasse, elas estariam mortas e ele também.
- Eu sempre ganho minha bebê. — Ele falou sorrindo vitorioso. Ah, mais eu não vou deixar mesmo ele ganhar esse jogo. Mesmo que eu trapaceie. Justin estava com quatro pontos e eu estava só com dois. Eu vou ganhar dele sim, não falta muito para isso.
- Joga aqui então, para você ver quem vai ganhar agora. — Falei mostrando a língua. É, eu amo provocar as pessoas. Justin mandou um beijo e jogou o ''Boomerang'', comecei a correr atrás dele pelo quintal da casa. Nunca tinha reparado, mas o quintal da casa que eu estou morando é grande demais e medonho também. Correndo, percebi que Justin também corria atrás de mim. Por quê? Ele estava tentando me pegar. Esqueci o ''Boomerang'' e comecei a correr de Justin. Corri com todas as minhas forças, até que eu senti algo cair sobre mim.
- Eu sempre ganho, ta vendo? — Justin disse em cima de mim e rindo. Eu estava rindo muito também, mal conseguia responder Justin. — Nem tem palavras para a minha vitória, não é? — Justin segurou os meus braços e parou de rir. Eu ainda continuava a rir, mas estava perdida em seus olhos castanhos claros. Justin foi se aproximando de mim, meu coração começou a acelerar, comecei a ficar gelada, foi quando tudo parou.
- Com licença. Vocês que moram nessa casa? — Parei com os meus pensamentos quando ouvi uma voz de uma senhora. Justin saiu de cima de mim meio atordoado. Acho que ele está pensando a mesma coisa que eu. O QUE? O QUE A GENTE IA FAZER? PORQUE ESSA VOZ DE SENHORA FOI NOS INTERROMPER BEM AGORA? PORQUE EU IA FAZER ISSO? SERÁ QUE ELE TAMBÉM QUERIA? Esse é o meu pensamento agora. Sentei na grama e olhei para trás. Uma senhorinha estava com uma roupa clara, seus cabelos brancos em um coque, sua pele flácida, fazia dela uma senhorinha de livros de contos. — Me desculpem se eu interrompi algo. Eu não queria...
- Não, está tudo bem. — Eu a interrompi, levantando da grama e limpando a minha roupa. Olhei para Justin que estava vermelho. Será que eu estava igual? — O que a senhora faz aqui? — Reparei que estávamos na frente da casa, eu e Justin tínhamos corrido tanto, que estávamos a poucos metros da porta da frente.
- Eu vim me despedir dessa casa. Morei aqui há muitos anos. Vocês têm passado muito medo por ai? — Ela disse olhando para a casa e depois sorrindo para mim. O que será que ela queria dizer com isso?
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