Medley
3 Capítulo 3
Felizmente havia poucas pessoas na fila, não demorou mais de meia hora até eu e Mari estarmos com nossos ingressos em mãos. Eram lindos.
O show seria dia 23 de maio, às 22:00. Ainda era difícil de acreditar que eles estariam ali tão perto, meus olhos se enchiam de lágrimas só em imaginar eles cantando para mim.
- Então é isso. Iremos ter que esperar dois meses por eles. – falou Mari enquanto olhava o ingresso em suas mãos.
- Vai ser os dois meses mais demorados e chatos de nossas vidas. – falei entediada com o pensamento.
Quando chegamos na casa de Mari, a chuva já havia parado. Desci do carro e a levei até a porta.
- Guarde com cuidado a entrada para a melhor noite de nossas vidas. – disse
- Não precisa pedir duas vezes.
- Amo você, Jones. – falei enquanto ganhava um abraço.
- Amo você também, Poynter.
Quando entrei no carro, Rafa estava escutando música. O que era estranho, porque ele só fazia isso quando não estava a fim de conversar. Desliguei o som.
- Poxa! Porque você desligou? Eu gostava daquela música. – disse Rafa parecendo magoado.
- O que aconteceu? — perguntei
- Nada importante.
- Rafa, você nunca escuta músicas. O que aconteceu? Você esteve calado por todo o caminho. – Foi então que eu lembrei. – Para quem era aquele telefonema?
- Ninguém importante, já disse.
- Você sabe que vai me contar uma hora uma dessas.
- Não conto agora porque você vai criar esperanças. E eu não quero isso, porque nada é certo ainda.
Lancei para ele meu melhor olhar de descrença.
- Você sempre vence. Tudo bem vou lhe contar. – falou ele se dando por vencido. – Era o Marcos, lembra dele?
- Sim, lembro. O seu amigo de faculdade. O que tem ele?
- Você sabe que o pai dele é dono da casa de show?
- Sim, sei. Mas... Rafa, aonde você quer chegar?
- Ai meu Deus, como você é lenta! – disse Rafa enquanto estacionava na porta da minha casa. – Eu pedi para o Marcos tentar conseguir um Meet & Greet pra ti. Pra você poder conhecer esses carinhas.
- Rafa, não posso acreditar. Eu conhecendo McFly?! – falei extasiada.
- Tá vendo?! É por isso que eu não queria lhe falar. Agora você está ai toda esperançosa. – disse Rafa parecendo arrependido. – Alice, por favor, entenda que nada é certo. Existem muitos fatores que...
- Ai Rafa, tudo bem, prometo não criar esperanças.
- Espero que esteja sendo sincera. Agora entre, sua mãe deve está preocupada.
Recebir meu habitual beijo na testa e sair do carro. Entrei em casa, falei com minha mãe, comi alguma coisa e fui pro quarto. Mas quando fechei a porta percebi o tamanho o tamanho da mentira que tinha contado pro Rafa, porque naquele momento meu peito se enchia de esperanças.
- Alice, Alice, Alice acorda!
O sol invadiu meus olhos, já era de manhã, parecia que eu tinha acabado de deitar. Levou somente 3 segundos até eu perceber que era 22 de maio. Oh céus, os meninos do McFly chegariam hoje, o pânico me invadiu ao perceber que estava tão perto. Olhei para o lado e ali estava a Mari, ainda de camisola, tentando me acordar. Havia me esquecido que ela estava ali.
- Bom dia. – falei com voz de sono.
- Bom dia?! Bom dia nada. Ótimo dia. Estava mexendo aqui na internet e acabei de descobrir que os nossos McGuys chegam aqui 20:30, no vôo 3891.
- Verdade?! Nossa que bom. – falei depois de levar alguns minutos para digerir a informação.
- Que aconteceu? Não tá animada? Vai desistir deles? – Mari parecia assustada.
- Não, calma, relaxa. Desistir deles, nunca. Só um pouco de dor de cabeça. Mas vai passar, tudo por Dougie Poynter.
Levantei, tomei um banho bastante demorado e então a dor já havia passado. Estava pronta.
- Pronto amiga, estou outra pessoa. Vamos começar os preparativos. – falei me sentindo muito melhor.
Passamos a maior parte do dia terminando nossas blusas para o show, no dia seguinte. Revezamos-nos no computador para ir atrás de informações. Ás 18:30, estava tudo pronto. Tomamos banho e tentamos ficar o mais bonita possível. Ás 19:30, Rafa estava lá em baixo buzinando. Demos um beijo em mamãe e corremos para o carro.
- Estão prontas? – perguntou Rafa quase não conseguindo segurar um riso.
- Acho que sim. – respondeu Mari.
Passamos a viagem calada pelo nervosismo. Quando chegamos ao aeroporto, descobrimos que o vôo estava atrasado e só ia chegar 21:10. Rafa não estava muito contente com isso, mas nós o fizemos esperar. Havia umas 50 pessoas ali. Começaram a sair, pelo desembarque, passageiros do mesmo vôo, que diziam que eles já haviam saído, não adiantava esperar. Esperamos mesmo assim, até aparecer um senhor com fotos deles no Iphone.
- Eles estavam no mesmo vôo que eu, tirei fotos deles para minha filha. Ah, sim, sim, eles já saíram. – repetia o velho.
Perdi as esperanças. Já havia começado a chorar quando escutei uma garota ao meu lado:
- Ouvi uma mulher, que trabalha aqui no aeroporto, dizendo que eles vão ficar hospedados no Marquise.
Olhei pra Mari e sabia que ela estava pensando a mesma coisa que eu. Corremos em direção ao Rafa e lhe explicamos.
- Nem pensem nisso. Não vou levar vocês lá, está tarde. – falou Rafa decidido.
- Tudo bem, a gente pega um taxi. — falei também decidida.
- Vocês não estão loucas. Alice, não sei pra que esse desespero. Você pode ganhar um Meet & Greet, não precisa isso.
- Como você mesmo disse eu ‘posso’ ganhar um Meet & Greet, não há certeza nenhuma. Porque você sabe que existem muitos fatores que... blá blá blá. E outra, o Meet & Greet é pra mim, não inclui a Mari, e eu prometi fazer ela ver o Danny de perto. E então, você vai nos levar ou vai ser preciso o taxi?
- Alice, você me paga. — falou Rafa.
Quando entramos no carro fiz Rafa chega ao limite máximo de velocidade permitido. Quando chegamos ao hotel, não havia quase ninguém. Pouca gente sabia daquela informação. Rafa ficou no carro enquanto eu e Mari corríamos pra a porta de entrada dos veículos. Não demorou muito até reconhecemos a van deles. Todas nós corremos atrás do carro. Quando o carro parou e as portas se abriram tivemos certeza de que era a van certa.
Senti a mão de Mari congelar na minha enquanto víamos eles de longe dá autógrafos para as outras fãs. Puxei a Mari a mais pra perto. Eles estavam a menos de um metro de distancia.
- Dougie. – gritei com o máximo de voz que conseguir reunir.
E então, Dougie estava vindo em nossa direção.
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