Meant to be.

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Boa leitura! :) ♥

(POV MARK)

“Estou indo encontrar Julia.” – falei enquanto Torres analisava alguns prontuários. Ela assentia.

“Passei a tarde inteira com Lexie do meu lado enquanto Derek me mandava indiretas. Ele acha que é loucura eu querer ter um filho com minha namorada.”

“É LOUCURA, MARK.” – ela falou sem calma.

“Porque vocês não gostam dela?”

Torres parou.

“Mark. Nós gostamos dela, já te falei. Julia é a pessoa perfeita. Ela é atenciosa, ela te faz feliz, você gosta dela, mas isso é agora. E daqui a vinte anos? E quando o sexo for uma merda?”

“Sexo é sexo, Callie.” – eu sussurrei.

“Mark!!”

“Se você quer ficar com a Julia, fica. É sério. Mas tanto eu quanto você sabemos que isso é um erro terrível. E que daqui a alguns meses você vai estar tão arrependido que vai voltar com o rabinho entre as pernas choramingando ‘porque eu não ouvi a Callie? Ela tinha razão’. Vamos lá Mark, você sabe que é isso que vai acontecer.” – ela deu meia volta e foi embora. Brava.

Fui para fora. Eu precisava de ar puro.

“Julia?” – eu atendi o celular – “te encontrarei na recepção. Vou estar te esperando. Dez minutos? Tá certo, até depois.”

Assim que desliguei o celular, Lexie apareceu. Ela pareceu assustada ao me ver. Eu sorri. Ela estava linda. Como sempre.

“Oi.” – falou tímida.

“Oi.” – respondi sem tirar os olhos do celular. Eu tinha que mantê-la longe. Julia queria filhos e Lexie... Bem... Nós havíamos tentando. Duas vezes. E não havia funcionado em nenhuma. Tínhamos que seguir em frente.

“Obrigada por hoje... Por ter me deixado...”

“Você fez um bom trabalho.” – eu a cortei. E a encarei.

Céus, Lexie Grey era mesmo linda.

“Obrigada.” – falou cabisbaixa.

Lexie tinha uma respiração pesada. Parecia nervosa. E me encarava. Engoli em seco e guardei o celular. Julia havia mandado uma mensagem avisando que chegaria antes.

“Você está bem?”

“Eu amo você.” – foi o que ela falou. Com todas as letras. Todas as palavras. Durante todos os últimos meses, isso foi tudo o que eu desejei ouvir, da boca dela, dela. E agora ela estava bem ali, em minha frente, dizendo que me amava.

Aquilo havia me pego de surpresa.

“Meu Deus! Meu Deus!” – Lexie agora parecia desesperada enquanto eu a olhava sem reação.

“Isso saiu da minha boca como... Amo você. Eu só... Fiz de novo. Eu amo você. Amo. Eu só...” – ela continuava a repetir enquanto tentava se acalmar. Eu precisei piscar algumas vezes para realmente ter certeza de que não era mais um sonho ou uma lembrança, mas não. Isso estava acontecendo. Nós dois estávamos ali enquanto ela dizia que me amava.

“Eu amo você e tenho tentando não dizer. Tenho tentando ocultar e ignorar e não dizer... E Jackson é ótimo.” – porque ela estava mencionando o Avery?

“É mesmo. É lindo, é mais novo que você, não tem netos, nem bebês com suas melhores amigas lésbicas, é um Avery e gostava de mim. Sabe? Ele realmente gostava de mim...” – eu assentia porque era verdade, ela merecia estar com alguém como Jackson Avery; eles eram perfeitos um para o outro.

“Mas não podia dar certo, porque eu amo você. Estou tão apaixonada por você. E você está dentro de mim; é como se você fosse uma doença. Como se eu estivesse infectada por Mark Sloan. Não consigo pensar em mais nada nem ninguém, não consigo dormir, nem respirar, nem comer... Eu amo você. Simplesmente amo. O tempo todo. Todos os minutos de todos os dias. E eu... Eu amo você.”

Eu havia sido acertado em cheio quando menos esperava por quem eu menos esperava. Lexie agora chorava e vê-la chorando era meu ponto fraco; eu não conseguia me mover, não conseguia abrir a boca. Eu esqueci a forma correta de se formular frases ou palavras, a única coisa que eu conseguia fazer era encará-la. Olhá-la atentamente. Cada feição do seu rosto. Cada palavra que ela havia dito ainda parecia tão inacreditável. Eu não estava conseguindo digerir tudo aquilo.

“É muito bom dizer isso. Me sinto muito melhor. Eu amo você.” – as palavras saíam como vento de sua boca. Saíam em perfeita sinfonia. Encaixavam-se umas nas outras. De repente, tudo parecia certo.

Lexie e eu.

Eu e ela.

Nós parecíamos o certo.

Um para o outro.

Ela me olhou. Esperando que eu falasse algo. Esperando uma recíproca. Esperando qualquer palavra que fosse, e eu? Eu não era capaz de falar nada. Eu queria beijá-la e abraça-la e tê-la em meus braços ali, agora e para sempre.

“Oi Lexie.” – Julia apareceu acabando com todas as minhas esperanças de acertar alguma vez na vida – “Achei que fosse me esperar na recepção. Está pronto?”

Lexie me olhou e vi uma última lágrima escorrendo sob seu rosto pálido. Ela engoliu o choro e sorriu para Julia.

“Eu tenho que ir.”

“Lex, espere...” – eu tentei chamá-la, mas ela já estava muito longe. Julia me olhou com uma expressão curiosa e eu apenas dei de ombros. O que mais eu poderia fazer?

Flashback On

“Sim, a sorte está contra nós. Eu sou uma bola de destruição.” – eu ainda me lembro do seu cabeço preso em um rabo de cavalo e da jaqueta verde que Lexie usava naquele dia. – “tudo o que eu faço é quebrar você.” – ela falou sentindo-se culpada.

“Sua mão, seu pênis, seus relacionamentos, sua vida...” – Lexie continuou em um misto de tristeza e aflição – “eu diria que nosso índice de sobrevivência é de uns três por cento. E isso é mau. Mas também não é nada. Por isso não acho que devíamos desistir; ainda não, porque...”

Eu pousei meus dedos sob sua boca fazendo-a se calar e ela ficou quieta prontamente.

“Tudo bem.” – ela suspirou.

“Acha que me quebrou, little Grey?” – ela assentiu.

“Foi você quem me reconstruiu.”

Lexie sorriu. Ela parecia feliz. Ela estava feliz.

Flashback Off

Agora, deitado em minha cama, aquela cena era apenas mais uma das que vivenciamos que constantemente preenchiam minha mente nas horas vagas. Lexie sempre tinha tido esse dom: o de falar tudo o que pensa, desde o nosso começo ela era assim. Porque o que ela havia feito hoje me surpreendeu tanto? Ela disse que me amava.

Ela me amava.

E eu?

Eu a amava?

É óbvio que sim.

Lexie Grey era o amor da minha vida e mesmo assim, nós estávamos separados. Eu a amava. Ela me amava. Porque era tão difícil as coisas darem certo para nós dois?

Eu estava sozinho em minha cama. O jantar com Julia havia terminado mal. Literalmente terminado mal, porque nós terminamos. Não lembro quais foram as palavras que eu usei, teve algo a ver com "eu amo Lexie e não você", enfim, em um momento eu estava usando minha camisa favorita e no outro ela estava manchada com o vinho que Julia jogou em minha cara.

Eu me sentia sufocado; tinha sido eu o motivo dela e Avery terem terminado? Era isso que ele quis dizer quando me chamou de burro? Ela nunca me esqueceu e por isso eles terminaram? Se nunca me esqueceu, porque terminou comigo? Porque nunca me deu outra chance quando implorei? Tudo parecia tão confuso. As palavras dela martelavam em minha cabeça

“Estou tão apaixonada por você. E você está dentro de mim; é como se você fosse uma doença. Como se eu estivesse infectada por Mark Sloan. Não consigo pensar em mais nada nem ninguém, não consigo dormir, nem respirar, nem comer... Eu amo você. Simplesmente amo. O tempo todo. Todos os minutos de todos os dias. E eu... Eu amo você.”

“Você está dentro de mim, como se fosse uma doença...” – eu repetia para mim mesmo.

“O tempo todo. Todos os minutos de todos os dias...” – ela realmente havia falado aquilo.

Olhei para o relógio. Eram duas e quarenta e cinco da manhã.

Eu precisava falar com alguém. Agora.

Peguei o celular e disquei o número de Derek. Chamou uma vez. Chamou duas vezes. Na terceira vez, ele atendeu.

“Alô, Derek?” – falei apressado.

“Não... É a Mer. Mark, é você?” – Meredith falou entre um bocejo e outro.

“Sim. Preciso do Derek.”

Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

“Mark, são quase três da manhã. Tem que ser agora?”

Eu suspirei.

“Se não fosse importante, não teria ligado à essa hora.”

Ela bufou.

“Tudo bem...” – esperei alguns segundos até ouvir a voz de meu amigo do outro lado da linha.

“Mark? O que aconteceu?”

“Eu terminei com Julia.” – falei sério.

“Você a engravidou antes?” – ele falou rindo.

“Eu ia. Mas então a Lexie... Ela disse que me ama.” – suspirei por poder contar isso à alguém.

“E você respondeu o que?” – ele bocejou.

“Não tive tempo de responder. Julia chegou e ela foi embora correndo. Eu não sei Derek... Será que eu deveria agradecer sua sinceridade?”

“Agradecer sua sinceridade? É sério?”

“O que mais eu poderia fazer?” – perguntei bravo.

“Não sei... Talvez beijá-la!” – ele falou como se fosse óbvio; será que era tão óbvio assim?

“Mark?”

“A Julia quer me dar tudo o que eu quero, mas estou apaixonado pela Lexie.”

“Já pensou em falar para ela?”

“Agora?”

“Não Mark, agora são três da manhã!!”

Derek tinha razão. Eu havia terminado com Julia. Nada mais me impedia de ficar com Lexie, eu tinha que falar para ela, dizer o que eu sinto, como me sinto em relação à ela.

“Derek, você é um gênio!”

“Sei que sou.”

“Você tem razão. Eu a amo, não posso esperar mais tempo até contar isso à ela. Eu preciso contar. Agora.” – falei entusiasmado.

“Agora?!”

“Sim. Estou indo até ai. Obrigado amigão.” – desliguei o celular sem dar à Derek uma chance de me impedir de aparecer na sua cada de madrugada, pulei da cama e fui à procura da primeira roupa que via pela frente. Eu ia vê-la. Agora.

Enquanto dirigia até a casa de Derek, as lembranças começaram a fluir em minha memória como se fosse uma enxurrada, guiadas por um turbilhão de sentimentos.

Flashback On

“Lex?”

Ela se virou lentamente como se não quisesse me olhar.

“Ainda estou apaixonado por você. Tentei não estar, mas não deu certo.” – eu respirei fundo – “e Sloan foi embora. E não tem mais bebê. E não quero ficar transando com outras. Quero outra chance; estou apaixonado por você.”

Ela ficou em silêncio tentando achar as palavras corretas.

“O Karev é... Ele é... Mark, tenho um namorado.” – ela foi dura ao dizer aquilo.

“Eu sei. Mas estou dizendo que poderia ter um marido.”

E fui embora.

Flashback Off

Eu poderia tê-la beijado naquele exato momento, talvez isso a teria trazido de volta para mim naquele dia. Mas não. Eu havia indo embora. Desde o começo, era Lexie a pessoa que eu amava e eu tinha sido cego o suficiente para não ver isso. Respirei fundo e estacionei o carro.

Eu estava ali.

E não iria embora dessa vez.

Notas finais
Obrigada por acompanharem! Com amor, Joana. :) ♥