Meant to be.

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Pra felicidade (ou tristeza) de vocês, hoje acordei inspirada a escrever mais um pouquinho sobre slexie!!! Espero que gostem. Boa leitura :) ♥

(POV LEXIE)

Despertei naquela manhã sob os olhares de Meredith e April. Ambas sorriam fraco para mim. Eu sabia porque elas estavam ali; apesar de querer ficar sozinha, a presença delas me confortava.

Eu sabia que dia era hoje. Eu tinha essa consciência. Semanas frequentando grupos de apoio, conversando com Meredith e Derek e eu finalmente havia cedido. Hoje era o dia.

As últimas semanas haviam sido um borrão para mim; devido à quimioterapia e todos os demais medicamentos, eu me sentia exausta o tempo inteiro. Meus dias resumiam-se em sair do meu quarto do hospital e ir até a ala quimioterápica; depois eu me dirigia até o quarto de Mark no horário em que ele estava dormindo e o via dormir por alguns minutos. Em seguida eu voltava para o meu quarto. Por mais que meus amigos tentassem me levar para fora, eu não me sentia à vontade em qualquer outro âmbito que não fosse aquele.

Meredith, que por sinal, havia passado a noite ali comigo, saiu do quarto perto do meio dia, deixando-me sozinha com April. Ela, por sua vez, sentou-se do meu lado, pegou meu prato de sopa e começou a botar o líquido em minha boca, fazendo questão de me limpar quando eu me sujava. Eu me sentia constrangida em passar por essa situação, me sentia impotente; no entanto, eu não tinha forças para segurar a colher e me alimentar. Eu precisava de ajuda, por mais que eu tentasse negar.

Quando eu terminei de comer, ela começou a enrolar meus cabelos com a ponta de seus dedos. April estava visivelmente desconfortável, visto que aquela posição não era muito aconchegante para sua barriga de quase cinco meses de gravidez. Eu a chamei para deitar-se do meu lado e ela pareceu aliviada.

“Mark está recebendo terapia cognitiva com o melhor terapeuta que existe...” – ela precisou tomar um fôlego antes de continuar” – “eu nem deveria te contar isso mas hoje, Jackson e eu estávamos verificando como ele estava e tudo mais... e ele começou a conversar conosco. Mark nos disse que suas lembranças estão começando a voltar de forma limitada. São pequenos fragmentos que ele consegue conectar à fatos. Ele disse que tem lembranças sobre Jackson...” – April sorriu esperançosa e eu sorri junto. Aquilo era bom, não era?

“Lexie, em semanas, ele vai lembrar de tudo. Eu tenho certeza.”

Eu concordei mesmo não tendo certeza sobre isso.

Ela continuou brincando com meus cabelos. Permanecemos em silêncio até seu pager ser bipado. April despediu-se de mim com um sorriso gentil e um “vai dar tudo certo”.

É claro que daria tudo certo, porque não daria?

Meredith estava de volta, olhando pela janela, admirando o céu. Minha irmã estava terminando o primeiro trimestre da gravidez e eu tenho certeza que qualquer um que olhasse para ela, sequer notaria que ela estava grávida. Contudo, meu sobrinho ou sobrinha, estava lá. A hipótese de que em breve teríamos um bebê na família me alegrava significavelmente nesse momento de aflição.

Eu a chamei para perto de mim e pousei minha mão sobre sua barriga; Meredith sorriu para mim e beijou o topo de minha cabeça. Em seguida, Callie e Arizona adentraram meu quarto. Arizona apresentava um semblante esperançoso enquanto Callie se esforçava o máximo para não chorar.

“Little Grey, estamos todos com você.”

“Eu sei que sim.”

As três permaneceram ali, conversando sobre assuntos diversos que não me distraíam. Elas estavam nitidamente inquietas. Eram pontualmente quatro da tarde quando Derek apareceu na porta. Ele sorria, e não sorria.

“Lexie, você está pronta?”

Eu assenti.

“Tem certeza que quer fazer isso?”

“Eu tenho.”

“Então, vamos lá. Lloyd está te aguardando.”

(N/A: Coloque para tocar)

As pessoas no quarto me ajudaram a sair da cama e a sentar na cadeira de rodas. Derek é quem foi me empurrando. Aquele seria o percurso mais longo que eu enfrentaria em minha vida. Durante o trajeto, nos deparamos com várias pessoas no caminho, elas me lançavam um olhar piedoso; aquele olhar acabava comigo. Eu não queria que as pessoas sentissem pena de mim, eu queria que elas me vissem como uma batalhadora.

Ao entrar na sala, dei de cara com um espelho enorme preso na parede em minha frente. Owen devia ter arranjado aquilo para mim. Tudo já estava preparado. Eu podia ver todos os utensílios em cima de uma mesinha. Mais no canto, me deparei com um homem de meia-idade que deduzi ser Lloyd; ele continha um olhar amável e sorriu educadamente ao me ver. Estávamos apenas eu, ele e Derek lá dentro.

Derek me posicionou em frente ao espelho.

“Lexie?” – ele me olhou preocupado.

Eu retribui seu olhar.

“Você tem certeza que não quer que eu fique com você? Ou Meredith?”

“Eu tenho, Derek.”

“Ok.”

“Qualquer coisa, é só dar um grito. Estaremos ali fora.”

Eu assenti e dei um sorriso. Derek pegou minha mão e deu um beijo; em seguida, se foi.

Passei a olhar-me atentamente no espelho. Cada feição, cada detalhe... tudo estava prestes a mudar, de certa forma.

“Senhorita Grey? Podemos começar?”

Eu respirei fundo e concordei.

Lloyd pegou a tesoura e aproximou-se de mim. Com delicadeza, ele pegou uma mecha do meu cabelo e preparou-se para cortá-la...

Foi quando ouvimos o ranger da porta e através do reflexo no espelho, me deparei com a última pessoa que eu esperava ver hoje: Mark Sloan.

Meu semblante mudou completamente. Em um minuto eu estava amedrontada pelo fato de perder todo o meu cabelo e no minuto seguinte... bem, no minuto seguinte eu estava simplesmente pasma. Virei lentamente a cabeça e o encarei. Mark estava em uma cadeira de rodas e se aproximou aos poucos.

“Eu não lembro de você...” – ele começou – “mas eu sei que você vem me ver todos os dias. E que você chora. Você acha que eu estou dormindo, mas eu não estou dormindo. Sempre que você vem, eu sinto que você tem algo a me falar, mas tem medo. É normal ter medo, eu tenho medo.”

“Eu estou fazendo terapias com os melhores terapeutas do país. As minhas lembranças, elas estão perdidas em algum lugar e eu estou me esforçando para encontra-las, mas para isso é preciso muito esforço; é como se eu fosse um bebê, eu estou aprendendo aos poucos. Agora, estou engatinhando. Logo mais, eu vou estar apto a dar passos cada vez mais largos e maiores... Hoje eu reconheci Jackson Avery e lembrei que nós dois fazemos cirurgias juntos; semana passada, eu lembrei de como comemoramos o aniversário de um ano de Sofia. Como eu disse, por ora, eu só estou engatinhando.” – ele engoliu em seco.

“Callie vem me visitar todo dia também e ela traz fotos; fotos dela comigo, fotos minhas com Sofia e, ultimamente, ela tem trazido fotos que achou em meu apartamento. Fotos minhas com você. Eu olho essas fotos e tento me lembrar, tento achar algum resquício ou algum fragmento, mas eu não consigo... Ontem, ela me contou sobre... sobre isso. Eu soube na hora o que eu tinha que fazer. Eu tenho certeza que te amei muito, Lexie; e eu prometo à você que eu vou lembrar de nós, eu vou lembrar de tudo!”

Ele fez uma pausa e eu senti uma lágrima se formando no canto de meu olho.

“O que você está prestes a fazer é uma coisa muito corajosa, mas você não deve fazer isso sozinha; por isso eu estou aqui. Do mesmo jeito que você tem estado comigo durante todo esse tempo, eu vou estar com você hoje, se você permitir. Você não deve passar por isso sozinha; você não está sozinha, Lexie Grey. Eu estou aqui.”

Mark deslizou a cadeira até ficar do meu lado. Ficamos lado-a-lado em frente ao espelho. Eu nos encarei diante do espelho e quase pude ver a minha vida antes do acidente.

“Podemos começar, senhorita Grey?”

“Uhum.” – eu murmurei enquanto Mark pegava minha mão apertando-a com força.

Fechei os olhos apenas sentindo o toque de sua mão.

Lloyd pegou uma mecha de meu cabelo e o cortou. Em seguida, pegou outra mecha, e outra e continuou cortando. Eu via meu cabelo caindo sobre meu colo, sobre meus ombros, no chão...

Fixei meu olhar no espelho enquanto meu cabelo caía continuamente. Mark também mantinha seu olhar fixo em mim no espelho. Ele não soltou minha mão por um minuto sequer. Conforme Lloyd cortava meu cabelo, um frescor percorria minha nuca. Quando a tesoura não dava mais conta do cabelo que restava, Lloyd ligou a máquina. Delicadamente, ele passou a máquina sobre minha cabeça. Fazia cócegas. Uma boa parte do cabelo já se fora nessa primeira passada; em poucos minutos, não havia mais nada. Eu estava careca.

Quando Lloyd saiu da sala, eu continuei olhando fixamente para mim mesma no espelho. Com relutância, passei a mão sob minha cabeça tentando entender o que acabara de acontecer; tentando absorver o que estava acontecendo comigo.

“Lex?” – Mark falou – “você continua linda.”

Eu virei minha cabeça para o lado encarando-o; e, pela primeira vez em dias, me permiti chorar sentindo seus braços envoltos ao meu redor.

Notas finais
E aí gente, que cês acharam? Será que Slexie will rise? Até breve ♥