Me deixe amar você
7 Confrontando
Notas iniciais
Capítulo 7
Uma batida firme na porta é o suficiente para chamar a atenção do morador, que a abre quase imediatamente:
— Não me lembro de ter pedido nada do restaurante. – Diz me dando caminho para entrar, o faço.
O observo cautelosamente e tudo o que consigo sentir é raiva, nojo. Preciso me controlar, não posso sair gritando com esse cara por mais que eu queira furar seus olhos com minhas unhas. Eu vim aqui resolver esse problema o mais diplomaticamente possível, a palavra-chave é autocontrole. Autocontrole, Jessica.
— Ainda está aí, garçonete? – Interrompe meus pensamentos abanando uma das mãos que carrega o controle da TV em frente ao meu rosto.
— Meu nome é Jessica. – Desponto um pouco mais altiva do que eu gostaria de parecer.
— Certo, Jessica, posso ver que não veio entregar nada, então a que devo esta honra?
— Quanto Vivian deve a você? – Desabafo louca para acabar com isso logo. Minha expressão se mantém séria, fria.
Me dá as costas sentando num banquinho disposto em frente a ilha da cozinha, com o queixo apoiado em seu cotovelo posso ver um sorriso malicioso, quase prazeroso, me arrisco a dizer, formar-se em seus lábios:
— A garota não se aguentou mesmo, não é? – Adivinha em meio a uma risadinha cínica. – Tem certeza de que quer se meter nisso, Parker? Pode acabar como ela se não tomar cuidado.
Não.
Caminho vagarosamente em sua direção, olhos fixos nele, punhos cerrados, posso sentir meu rosto fervendo.
Paro a alguns centímetros de seu rosto sem nem mesmo piscar:
— Está me ameaçando? – Questiono-o – Porque se estiver, prefiro que faça diretamente. – Sussurro entre um cerrar de dentes.
— O que vem agora? Vai me algemar? – Pergunta se aproximando mais ainda do meu rosto, sou capaz de sentir seu hálito batendo contra o meu numa rixa pela gravidade.
Com um sorrisinho convencido desponta:
— Estou brincando com você, Parker. – Levanta-se do banco e pega uma caixa de madeira em cima de um armário, puxa um papel que foi grampeado algumas boas vezes de lá. – Aqui está. – Estende na mesa, posso ler o nome de Vivian e bem embaixo um valor circulado por caneta vermelha.
Passo o olhar do papel para ele e em seguida puxo minha carteira de dentro da minha bolsa.
***
Já me encaminhando para a saída, paro um instante, eu preciso saber:
— Posso perguntar uma coisa? – Indago de canto de olho.
— Já perguntou. – Responde contando as notas sem desviar o olhar.
Olho para o chão e ponho a mão na maçaneta afim de sair dali, chega de tanto drama. A sensação de uma gélida mão em meu pulso é captada pelo cérebro que me pede ruidosamente para dar o fora o mais rápido possível.
— Pode perguntar.
Me desvencilho de sua mão. Será que não é melhor só ir embora?
— Por que você faz isso? Não tem pena de bater numa garota a ponto de traumatizá-la? – Somente a ideia de imaginá-lo ferindo Vivian me enoja.
— Eu não bati nela, apenas dei a ordem.
— E isso faz alguma diferença para você?
— Sim, não sujo minhas mãos e nem perco meu tempo. – Com isso abre a porta, percebo minha deixa para sair por ela.
Passo pelo marco e dou alguns passos, paro e viro. Ele ainda está lá me encarando.
— Prometa que vai deixá-la em paz e que não vai mais se aproximar de ninguém que seja próximo a mim. — Peço demonstrando preocupação, mas esperança também.
— Prometo. – Declara com a porta batendo para pontuar.
Vou embora.
***
Nesse meio tempo retornei à casa de Vivian para lhe dar a notícia e pedi para que ficasse longe daqueles marginais, como era de se esperar ela agradeceu inúmeras vezes e disse que me pagaria tudo de volta, deixei claro que só queria o dinheiro de volta se ela realmente tivesse como pagar, não era nenhuma emergência eu receber logo (isso não era a maior das verdades..., Mas também, nem das mentiras), disse ainda que se ela precisasse de dinheiro para sua avó que falasse comigo, daríamos um jeito.
Já era noite quando cheguei em casa, meu pai estava sentado à mesa com o olhar perdido:
— Pai? Está tudo bem? – Pergunto desvencilhando a mochila do ombro para a mesa que fica no hall.
— Estou preocupado com seu irmão, ele ainda não chegou, e quando está parece distraído, sem foco... – Esconde o rosto entre as mãos. Ele trabalha tanto, se cobra muito desde a morte da nossa mãe, para substituir ambos os tutores.
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