Me, You and Sweet Paris.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Já estávamos todas prontas para a grande festa do ano. Aria, Hanna e Spencer trouxeram pilhas e pilhas das suas melhores roupas e nos trocamos em meio a risadas e brincadeiras. Bem, pelo menos eu conseguia disfarçar, enquanto elas se divertiam. Elas, incluindo Alison. Minha cabeça estava a mil, mas para Ali era como se nada tivesse acontecido. Enquanto as meninas se trocavam, eu a puxei pelo braço para em um canto fora do quarto, no corredor.
–O que é agora, Emily?
–A-acho que precisamos conversar...
–Acho que não temos nada para conversar. –ela ia me dando as costas, mas puxei-a novamente para prestar atenção em mim.
–Alison, não se finja de desentendida. Você...você me beijou.- eu disse a ultima parte tão baixo que fiquei em duvida se ela realmente tinha escutado.
–E não era isso que você queria, Emily?- ela respondeu com a maior calma do mundo, me olhando com desprezo.
–O que eu queria?! O que você quer dizer com isso?
–Eu quero dizer- ela fez uma pausa, chegando mais perto de mim. –que você deveria ter me agradecido por eu ter te beijado. Alison disse cada palavra lentamente, como se ela quisesse me fazer ter certeza do que acabara de dizer. Aquelas palavras me atingiram como pedras. Como ela ousa?! O que ela queria afinal?! Ela só me beijou porque eu quis?! Aquilo era ridículo. As perguntas não paravam de girar em minha cabeça. Alison se virou novamente e dessa vez eu a deixei ir. Não precisava de mais explicação nenhuma. Eu já sabia, eu sempre soube que Alison era assim, e eu me permiti sofrer todo esse tempo.
Eu devo ter passado um bom tempo pensando nisso e só me toquei quando Hanna estalou os dedos em minha frente, tentando me acordar do aparente transe em que me encontrava.
–Ei, Em, acorda!
–Hã, o que...?
–Vamos, já estamos atrasadas pra festa. As meninas estão esperando no carro- ela disse pegando sua bolsa Gucci em cima da cama e se dirigindo a porta.
–Ah, é claro, a festa- falei em um tom irônico, enquanto seguia Hanna até a garagem.
***
A música que vinha da casa dos Kahn estava tão alta que era possível ouvir a duas quadras de distância dali. Haviam carros parados em volta de toda vizinhança e demorou um pouco até que Aria encontrasse uma vaga para estacionar, um pouco longe da festa. Saímos do carro animadas e Alison realmente parecia não se importar com minha indiferença com ela durante todo o percurso.
Logo que chegamos, como era de costume, Ali arrancava suspiros e olhadelas de todos os garotos e ela correspondia todos com um sorriso de superioridade no rosto, o que só me deixava mais enojada. Até que um garoto parou na frente da loira. Ele tinha cabelos escuros jogados para o lado, estilo “Justin Bieber” e um tanto quanto sorriso malicioso nos lábios.
–Aceita um drink?- ele perguntou, esticando o copo de bebida na frente da garota, me fazendo revirar os olhos. Ali o olhou de cima a baixo, como se analisasse se ele realmente valia a pena. Ela deu um leve sorriso falso para o garoto e passou direito por ele, ignorando-o totalmente. Confesso que a cena me fez abrir um pequeno sorriso. Contudo, isso não o impediu de ficar secando a loira o restante da festa.
Deixei as meninas irem atrás de Alison, enquanto eu seguia meu caminho procurando aonde haviam guardado as bebidas alcóolicas, que me atraiam pelo fato cientificamente já provado por mim que depois de várias já ingeridas você teria uma leve perda de memória no dia seguinte. Exatamente o que eu precisava. Durante todo o percurso, que era da entrada da casa até a cozinha, só se via adolescentes bêbados, pessoas dançando e se pegando loucamente. Quando finalmente consegui avistar a tigela de ponche, enchi um copo até a boca e fui desviando das pessoas até encontrar um banco no quintal dos Kahn, seguro e distante o suficiente de toda aquela bagunça, para deixar meus pensamentos rolarem soltos durante a noite.
–Acho que este já está ocupado?- ouvi alguém dizer atrás de mim. Uma voz doce que eu nunca havia escutado antes. Olhei para atrás e meus olhos repousaram em uma figura alta e morena, de cabelos pretos alisados.
–A-ah não. Pode sentar. – de um leve sorriso, me afastando um pouco mais para o lado do banco. Ela se sentou ao meu lado e deu um gole na garrafa de cerveja que segurava.
–Não está gostando da festa?- ela me perguntou, quebrando aqueles segundos de silêncio constrangedores que haviam se passado.
–Eu...só tirei um tempo pra pra pensar.- dei um sorriso meio torto, tentando convencê-la. Passar a noite sendo interrogada não estava nos meus planos para aquela noite.
–Problemas com garotos?- ela me encarou, levantando uma das sobrancelhas, curiosa, esperando minha resposta.
–Não exatamente... -respondi, dando um longo gole no meu ponche, enquanto flashes de todas as vezes que Alison havia me feito de idiota passavam em minha cabeça. Mas o que mais me irritava nisso tudo era que, mesmo depois de tudo, ela ainda tinha efeito sobre mim. Talvez a culpa final seja inteiramente minha.
–Eu sou tão idiota... -sussurrei para mim mesmo, perdida nos meus pensamentos, esquecendo por um momento que a garota ainda estava ali.
–Todos viram idiotas quando se trata de amor.- a morena disse, me fazendo voltar a atenção a ela. E só então pude perceber o quanto ela era realmente bonita. Ela deu mais um breve gole em sua garrafa e fixou seus olhos nos meus, abrindo um sorriso confortador- Você só não precisa ser idiota sozinha.
Acho que corar não é a palavra certa para ser usada. Eu definitivamente havia me tornado uma pimenta. A tonalidade morena claro do meu rosto tinha simplesmente sumido e dado lugar a um vermelho rosado que cobria toda minha bochecha. Fixei meu olhar no chão, tentando disfarçar o constrangimento, mas acho que ela percebeu, pela risada gostosa que eu escutava sair de sua boca.
–Vamos!- em um salto, a garota levantou do banco e segurou meu braço direito, me arrastando para dentro da casa dos Kahn, sem tempo para que eu protestasse, enquanto ela gritava:
–A noite está só começando, bebê!
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