Notas iniciais
Olá, queridos e queridas! Bem, este capítulo eu escrevi escutando uma música da Ellie Goulding que super combinou e acho que da uma atmosfera bem legal pra história também. Ta aqui o link se vocês quiserem: https://www.youtube.com/watch?v=lxNORk0vKd0 Boa leitura! :D

A voz de Ellie Goulding ecoava dentro de meu cérebro em um ritmo eletrizante. A morena ainda segurava meu braço e me levou até o centro da pista de dança. Ela me soltou e sorriu sugestivamente, dançando de um jeito um pouco sedutor de mais em minha frente. O que ela estava fazendo? Suas mãos iam e vinham em direção a minha cintura, me conduzindo junto a música, seu copo todo se movimentando lentamente, mas seus olhos não se distanciavam dos meus. Ela me conduziu até eu mesma entrar no ritmo. Nossos movimentos se completavam. Todos os olhos da pista de dança se voltaram para o centro onde estávamos, e pude perceber que aqueles olhos azuis provocantes que eu tanto amava quanto temia também estavam lá. Minha respiração acelerou junto com a da morena, que aproximava seu rosto cada vez mais perto do meu, para que nossos lábios finalmente pudessem se encontrar.

“I feel like I’m breathing again
I feel like I’m seeing again
I feel like I’m breathing again
I got it under control”

Fechei os olhos instintivamente, tentando esquecer tudo, de Alison e apenas sentir aquele momento. Não havia pressa alguma, nem minha e nem da parte da morena. Nossas línguas se moviam lentamente e eu apenas queria que aquele sentimento durasse para sempre. Selei nossos lábios e só então quando abri os olhos novamente, pude ver Alison. Sua expressão era de nojo. Mas poderia jurar que numa fração de segundos havia mágoa ali também. Deveria ser coisa da minha cabeça pois logo em seguida ela olhou para o lado, de onde surgiu um garoto de cabelos escuros jogados para o lado e olhos verdes, lhe oferecendo uma bebida. Ele sussurrou algo em seu ouvido e segurou as mãos da loira, a levando para fora do meu campo de visão. Meu corpo parou brutalmente ao ver aquela cena.

–O que houve- a morena perguntou, parando junto comigo. Não pude me conter e a beijei novamente, mas dessa vez minha língua procurava a dela desesperadamente, e a dela correspondia na mesma intensidade. Eu estava descontando toda minha raiva de Alison naquele beijo.

–UOU!- a morena disse, quando finalmente tomamos fôlego.

–Vamos, eu preciso de uma bebida!- segurei sua mão e puxei em direção a cozinha.

Ao som de risadas abrimos mais duas cervejas. Escorada no balcão da cozinha, enquanto tomava um gole de sua garrafa, ela olhava pra mim desconfiada.

–O que?- perguntei, dando um sorriso sem graça. Ela riu, como se a resposta fosse óbvia.

–Eu ainda não sei seu nome. — Arregalei os olhos. É verdade! Eu havia conversado, dançado e beijado uma garota que eu ao menos sei o nome!

–M-me desculpe! Me chamo Emily.- ela ria enquanto me via corar.

–É um prazer, Emily- a morena esticou a mão em minha frente, num comprimento. — Eu sou Maya. Antes mesmo que eu pudesse dizer o quão lindo era seu nome, assim como ela, escutei alguém chamar por mim. Era Hanna.

–Droga, Emily! Onde você estava? Te procurei por toda a parte!- falava desesperada. -Preciso que você venha comigo, agora!- ela segurou meu pulso e me puxou em sua direção, numa tentativa falha de me fazer ir junto com ela.

–Não da pra ser outra hora? Estou meio ocupada agora.

–Não, não da. Alison está te chamando, ela precisa de ajuda para ir pra casa.
Alison. Quando Hanna citou seu nome, meu corpo se arrepiou e por um momento quase cedi à tentação de que ela precisava de mim, mas resisti.

–Chame outra pessoa, agora não da!- disse, brava, ignorando Hanna e voltando minha atenção a Maya, que apenas observava toda a cena quieta. Mas não foi o suficiente para que a garota me deixasse em paz.

–Alison não está bem. Aquele garoto... eu acho...eu acho que ele forçou ela a beber.- Hanna sussurrava em meu ouvido.- Ela não está bem, Em. Já tentamos leva-la para o carro, mas ela disse que quer você.

Eu gelei. Aquilo não era exatamente o que eu estava pensando. Por mais que eu estivesse com raiva de Alison, eu não podia deixa-la numa situação como essa. Eu não conseguiria, nunca me perdoaria.

–Maya...-Respirei fundo, tentando não parecer uma completa idiota por ter que deixar a morena ali sozinha. Eu realmente havia gostado dela. Ela tinha feito com que essa noite se tornasse um pouco melhor.- Me desculpe. Eu preciso ir, minha amiga...

–Tudo bem.- ela me interrompeu, sem que me deixasse explicar.

–Obrigada.- me despedi, seguindo atrás de Hanna.

***

Quando passamos do limite na bebida, mudamos completamente. Algumas pessoas ficam tristes, chorosas; outras ficam mais agressivas. Tem gente que diz que quando bebemos, nos mostramos como realmente nós somos. Bem, eu achava que iriam me enterrar antes que eu pudesse ver uma Alison Dilaurentis totalmente sorridente e brincalhona. Quando a vi sentada no chão, de braços cruzados, com Aria e Spencer tentando levanta-la, como se fosse uma criança, não me contive e cai na risada.

–Eu achei...que ela estaria um pouquinho diferente.

–Pois é, nós também. – resmungou Spencer, que ainda tentava levantar Alison pelos braços, sem sucesso.

–Ela parece ser tão inocente. Quem sabe não podemos deixa-la assim pra sempre?!- disse Hanna, me fazendo rir novamente.

–EEEMMM!- Alison levantou num salto, correndo em minha direção e me abraçando. — Você cheira bem...

Era como se Alison tivesse se transformado em outra pessoa. Aquilo realmente era muito estranho, mas eu não estava reclamando.

–Ok, Ali. Hora de ir para a casa.

Despedi-me das outras garotas, que continuaram na festa, e apoiei um braço de Alison em meu pescoço, arrastando-a até o carro.

Se foi fácil levar Alison até o carro, o difícil foi tentar coloca-la dentro dele. Abri a porta do veículo, tentando fazer com que Ali soltasse seus braços que estavam agora literalmente enroscados em volta do meu pescoço.

–Você cheira bem...- ela continuava sussurrando, me fazendo rir daquela cena toda. Se aquilo não estivesse acontecendo comigo, eu duvidaria se alguém me contasse.

–Ok, Ali... Eu só preciso que você entre nesse carro e...- num movimento rápido, Alison se jogou para trás, na direção do carro, fazendo com que ela caísse em cima do que estávamos perto de mais. Eu podia sentir seu coração acelerar contra banco e eu em cima dela. Nós duas rimos e só quando meus olhos encontraram os dela, num tom perfeito de azul, percebi que estávamos perto de mais. Eu podia sentir coração acelerar contra o meu peito. Ela abriu os lábios lentamente, esperando minha resposta e segundos depois, nossas línguas se encontraram. Aquele choque percorreu pelo meu corpo, como da primeira vez que nos beijamos. Alison iniciava todos os movimentos e eu apenas a seguia, seu gosto de vodca misturado ao meu. As coisas então começaram a esquentar, nossos beijos ficavam mais intensos a cada segundo e pude sentir a mão da loira descer de minha nuca para minha cintura, parando à barra de minha blusa e depois a levantando até a minha barriga. Tudo o que eu mais desejava estava acontecendo naquele exato momento. Mas eu não podia continuar, não com Alison daquele jeito. Eu queria, mas eu não podia. Selei nossos lábios lentamente, saindo de cima da loira enquanto ouvia a mesma protestar.

–Eu quero que seja especial. — disse, me dirigindo ao banco da frente e acelerando o carro.

Chegamos a casa dos Dilaurentis, aparentemente vazia. Os pais de Alison provavelmente estavam em New York trabalhando e Jason... Bem, sabe-se lá o que aquele garoto estava fazendo. Mas eu estava grata por não ter ninguém ali, assim, não teria que passar o constrangimento de ter que explicar o que havia acontecido e tenho certeza que a família de Ali também não gostaria de vê-la daquele jeito. Subimos as escadas até o quarto da loira, que agora parecia estar cooperando comigo. Troquei sua roupa por uma camisola e deitei-a gentilmente na cama. Sua feição era tranquila e vendo ela assim, quem não a conhecesse, duvidaria de todas as mentiras que ela já contara, e de tudo o que já tinha aprontado com os outros, comigo...

–Você não vai deitar?- ela sussurrou, sem abrir os olhos, me pegando de surpresa ao perceber que ela ainda estava acordada. — Por favor...?

Observei-a por mais alguns segundos, tentando guardar aquele momento na memória, porque eu sabia que no dia seguinte, não iria passar disso. Apenas uma lembrança. Enfiei-me debaixo das cobertas junto com Alison, ficando de frente para ela, para apenas vê-la cair num sono profundo aos poucos, sendo seguida por mim logo depois.

Notas finais
Eu disse que ia compensar vocês do capítulo anterior haha. Acho que deu certo?