Me Traga à Vida
3 Sentindo Falta
Notas iniciais
Trailer:
https://youtu.be/a3Hdy0nNHF4?si=zq_U-jaC7b46_gI4

"Mesmo se eu fosse o sacrifício
Você não iria tentar por mim, não agora
Mesmo se eu morresse para saber que você me amou, estou totalmente só
Não tem algo faltando?
Ninguém está sentindo a minha falta?"

Capítulo 3 – Sentindo Falta
Damon
A tal Sentinela não era uma humana comum e nem uma caçadora qualquer. Ela é uma inimiga mais astuta, forte, feroz e poderosa do que um vampiro. Além disso, ela nunca esteve com o corpo desidratando num Caixão (sem um pingo de sangue para se alimentar), o que tornava a nossa luta injusta. Eu estava irritado, cansado e faminto, mas tive que continuar enfrentando aquela criatura que parecia invencível, desejando que Stefan tivesse um plano B.
"Se vou morrer aqui... ao menos eu gostaria de ver os olhos da minha assassina..." Falei cansado encarando a vadia psicopata, que agora empunhava nas mãos o que reconheci ser a espada com a Pedra da Fênix. E aquilo me fez lembrar da sensação da lâmina em meu peito e das experiências terríveis que vivi, preso naquele inferno.
"Tudo o que você precisa saber é que sua alma pertence a mim." E de repente, eu ouço aquela voz que achei que nunca mais ouviria e senti uma emoção tão forte quando descobri que, a minha caçadora misteriosa era na verdade, a própria Bonnie Bennett, minha bruxinha irritantemente teimosa. Ela ainda estava ali viva, bem na minha frente, com aqueles olhos verdes irradiando um ódio.
"Ei, qual é o seu problema, Bonnie Bennett?" Eu estava confuso tentando entender o porquê ela parecia tão furiosa, tão vingativa, tão empenhada em me matar. Não que ela já não tivesse tentado me matar antes e vise-versa, mas isso foi quando éramos inimigos. Quer dizer, nossa relação sempre foi cheia de tensão, uma linha tênue entre amor e ódio, mas passamos por tantas coisas juntos, nos tornamos aliados e, por fim, amigos. Uma amizade que criou raízes profundas em minha alma.
Entretanto, havia algo estranho e sombrio pesando entre nós agora. Algo que eu não sabia nomear, enquanto encarava aqueles olhos verdes furiosos e imprevisíveis.
"Essa não era bem a festa de boas-vindas que eu estava esperando. Especialmente, da minha melhor amiga..." Mesmo que tudo parecesse estranhamente diferente, meu coração morto se encheu de alegria por reencontra-la. Eu só queria correr até ela e abraça-la.
"Cala a sua boca, seu sanguessuga maldito!" Entretanto, Bonnie furiosamente ergueu aquela espada na direção do meu peito, assustadoramente, pronta para me mandar de volta para o inferno. Então, aquele cenário de tensão e horror, tem um desfecho ainda mais inesperado.
"Fique longe dele!" Inesperamamente, Bonnie é atingida e ela cai inconsciente nos meus braços. Então, desvio os meus olhos e dou de cara com quem eu jamais esperava encontrar ali, naquela situação terrível:
Elena minha namorada, surgiu segurando uma espingarda nas mãos e sorrindo para mim, porém não consigo retribuir o seu sorriso, ao invés disso, eu abraço mais apertado a bruxinha com medo de perdê-la, porém seu pequeno corpo parece frio, inerte em meus braços, seus olhos estão sem vida me fazendo entrar em pânico.
"Bruxinha, por favor, reage!" Mas ela não reage, continua como se fosse um cadáver. "Bonnie!" Consequentemente, meu medo se concretiza, quando sinto meu irmão e a Barbie vampira me puxaram, perversamente, para longe de Bonnie enquanto eu continuo gritando, inconsolavelmente, o seu nome.
— Bonnie! Bonnie! Bonnie! — Subitamente, acordo ainda gritando o nome dela.
— Damon, se acalma! Foi só um pesadelo. — Meus olhos, rapidamente, vasculham a sala, percebendo que estou em um lugar desconhecido. Agora estou sentado num sofá antigo enquanto Elena me abraça, tentando me acalmar. Quando nos separamos me deparo com seus cabelos curtos, ela tem um semblante cansado e usava a mesma roupa do meu sonho. Isso fez meu estômago embrulhar.
— Você está seguro agora. — Porém, eu não me sinto seguro, pelo contrário, estou em choque por vê-la ali, viva, sorrindo feliz por me ver, tocando em minha mão para demonstrar que ela era real.
— Onde eu estou? — Eu não consigo encarar os olhos de corça dela.
— Esse é um hotel abandonado em Grove Hill, nosso esconderijo provisório, já que não podemos voltar para Mystic Falls.
— Por que não podemos voltar para Mystic Falls? — Eu estava desesperado por entender o que estava acontecendo, pois nada fazia sentido.
— Porque há uma assassina sobrenatural, tentando nos matar. — Quem respondeu foi meu irmão entrando pela sala, trazendo consigo Ric e Enzo, eles traziam umas caixas.
— Então, a bela adormecida, enfim, acordou. — Enzo diz sarcástico com seu sotaque britânico. — Cara, você está com uma expressão terrível. Aqui. — Ele me dá uma bolsa de sangue que, rapidamente, eu devoro. — A noite passada foi animada, hein. Confesso que apostei com Valerie e Beau que vocês não iriam voltar.
— E parece que você foi quem perdeu. — Ric o provoca enquanto arrumava umas caixas que parecia estar cheia de comida, bebidas e outros produtos. — Mas, falando sério, ainda bem que Elena pareceu e nos salvou.
— Então, Elena foi a heroína da noite? — Enzo sorriu e piscou para Elena que revirou os olhos. — Cansou de bancar sempre a donzela em perigo.
— Haha, muito engraçado! — Elena forçou um sorriso irônico. — Eu fiz o que tinha que fazer, para salvar os meus amigos. — Ela me encarou com seus olhos de corça, esperando com expectativa, porém eu resolvi me levantar e esticar as minhas pernas, comecei a vaguear pela sala.
— Aqui, Damon. — Stefan retira uma garrafa de Bourbon e joga para mim. — Você está bem?
— Eu não sei. Estou confuso... — Murmuro antes de me distrair olhando pela única janela acessível da sala, enquanto bebo um pouco do bourbon. Percebo que sentia muita falta do gosto daquela bebida. Enquanto bebo fico observando que lá fora estava escuro e chovia, as ruas pareciam vazias, acho que era madrugada. Percebi que escolheram um lugar que ficava na região mais afastada da cidade e que ficava próximo da floresta. Se eu quisesse fugir, não seria tão difícil.
— Realmente, é confuso e assustador acordar no meio dessa loucura. — Escuto, novamente, a voz gentil de Elena e isso me causa uma pequena irritação. — Eu também me senti assim, quando acordei três anos atrás e, logo, me deparei com essa nova realidade.
— Três anos atrás? — Me viro para encara-la.
— É. Já fazem três anos que você escolheu dessecar à espera de Elena. — Todavia, quem respondeu foi meu irmão com sua língua afiada, demonstrando que ele também estava irritado. — Já fazem três anos que a... a Bonnie... — Quando Stefan citou o nome dela, imediatamente, fiquei ansioso.
— Onde ela está? — Furioso corro feito um borrão, jogando Stefan contra a parede. — Cadê a Bonnie? — Rosno mostrando minhas presas.
— Ela está morta! — Stefan grita na minha cara se livrando do meu aperto e me empurrando com raiva. — Ela morreu meses depois que você resolveu nos abandonar. — De repente começamos a brigar enquanto os outros tentavam apaziguar a situação. — Bonnie morreu depois que você abandonou ela.
— Cala a sua boca! — Eu sentia uma dor, um sofrimento que não sabia explicar e eu estava cego de ódio. — Não, esse não era o nosso plano! — Grito a plenos pulmões, ao mesmo tempo em que tento me livrar de Enzo e Ric que me seguram.
— E qual era o seu plano, Damon?! — Stefan vem para cima de mim, mas é impedido por Elena que se coloca na frente dele. — Você achou que poderia controlar o destino dela?
— Parem vocês dois! Stefan, Damon, se acalmem, por favor! — Ela está ofegante e assustada. Aí me lembro que Elena tinha voltado a ser humana e estava ali no meio de uma briga entre dois vampiros furiosos.
— Tudo bem, tudo bem. Me soltem! — Eu cedi cansado pela briga e sentindo meu coração pesado de remorso.
— Você acha que foi o único a perdê-la?! Acha que não sofremos por ela? Que não choramos e sentimos a sua falta? Se passou três anos e eu ainda luto para superar o luto. — Meu irmão estava com a voz embargada e seus olhos esverdeados estavam molhados pelas lágrimas. Ele estava sofrendo tanto quanto eu. — Enquanto você foi se esconder naquele caixão, eu fiquei ao lado delas. Eu tentei ser um bom amigo para Carol e para Bonnie, mas no final, eu falhei. — Eu ouvia o desabafo dele em silêncio, me sentindo cansado, envergonhado e triste. — Eu não consegui salvar ela.
— Stefan, não foi culpa sua. — Elena o abraça tentando conforta-lo, eu genuinamente me senti grato por ela estar ali, fazendo o que eu não conseguiria fazer pelo meu irmão.
— Eu não quero ficar aqui, preso nesse drama familiar. — Enzo disse de mau humor. — Pensa pelo lado positivo... — As suas próximas palavras foram piores que um tapa na cara. — Pelo menos você não precisou esperar sessenta anos, para ter o seu final feliz com a Elena. — Ele deu um tapinha no meu ombro, antes de desaparecer da sala. Eu rosno e depois encaro os três que ainda permaneciam na sala. Há uma troca de olhares pesados entre nós, sobretudo, entre eu e o meu irmão. Parecia que a confiança, a lealdade fraternal havia se quebrado outra vez e sinto que voltamos à estaca zero, restando apenas raiva e mágoa.
— O que eu não entendo é... — Eu dei as costas para eles e fui em busca de mais bourbon. — Por que demoraram três anos para me acordar? — Ninguém responde, por um instante, apenas me ignoram.
— Stefan, talvez, você devesse se juntar a Caroline. Ela foi caçar com Valerie e Beau. — Ric consegue convence-lo, mas antes dele sair, ainda trocamos um olhar hostil.
— Bem, apesar de toda essa confusão, eu estou feliz que você retornou, Damon. — Meu amigo me dá um abraço camarada, dessa vez, retribuo com sinceridade.
— Eu sei. Sou irresistível. — Dou uma piscadela para Elena que abre um sorriso para mim. Por fora coloco uma máscara típica do humor de Damon Salvatore, mas por dentro estou em frangalhos.
***/ /***
Elena passa o resto do dia me atualizando dos acontecimentos dos últimos três anos. Curiosamente, descobri que não podemos mais sair à luz do sol, porque nossos anéis não podem mais nos proteger. Isso explicava o porquê as poucas janelas do lugar estavam lacradas, exceto o da sala principal. Durante esses três anos, a gangue tinha se separado e precisou seguir caminhos diferentes: Enzo e os dois hereges fugiram para a Europa, enquanto Caroline e Stefan se refugiaram em Nova Orleans com Klaus. Nesse período, eles tentaram descobrir uma forma de matar a tal caçadora. Por outro lado, Ric e Elena permaneceram em Mystic Falls, até o dia em que conseguiram fugir do tal Arsenal e me resgatar.
O Arsenal era o grupo que, atualmente, controlava a cidade de Mystic Falls com a ajuda da sobre-humana chamada Sentinela que estava de posse da Espada com a Pedra da Fênix. Nenhum vampiro podia entrar na cidade, ou seria morto, ou aprisionada dentro da Jóia mística de cor vermelho rubi.
— Matt ainda tá lá trabalhando para o Arsenal, mas ainda é um amigo leal. Foi ele quem nos ajudou a tirar o seu caixão da cripta Salvatore. — Ela continuou explicando que a tal Sentinela estava atrás de Beau e de Stefan e, consequentemente, viria atrás de mim, porque nós três éramos sobreviventes da Pedra da Fênix.
— Então, a briga foi real? Aquela assassina é real? — Murmuro apreensivo ao constatar que tudo aquilo não foi um mero sonho.
E, se tudo era real, isso significava que por baixo daquele capuz, aqueles olhos verdes familiares também seriam reais?!
"Tudo o que você precisa saber é que a sua alma pertence a mim." Aquela voz foi real. Com certeza era a voz inconfundível de Bonnie Bennett.
— Como vocês sabem que a... a Bonnie... a Bonnie morreu? — Gaguejei consternado.
— Eu vi o corpo morto dela carbonizado. — Stefan respondeu sem paciência. — Houve um incêndio, que começou no dormitório das meninas. — Ele mudou o tom para triste. — Ela morreu nesse incêndio.
— A Bonnie estava lá, sozinha. Nós não deveríamos ter deixado ela sozinha. Ela sempre cuidou e protegeu a gente, mas nós... Que tipo de amigos somos nós?! — Caroline desabafou me encarando com um olhar magoado enquanto era consolada pelo abraço de Elena.
— Parem com a autoflagelação! — Valerie se intromeu. — A culpa não foi de vocês. Ela não estava bem desde que tentou salvar o Damon da Pedra da Fênix. Aquilo mexeu com a mente dela. — Essa afirmação me deixou perturbado.
— Isso não muda o fato de que tudo piorou, quando Damon resolveu abandoná-la, no momento em que ela mais precisava. — Caroline me jogou na cara. Eu queria retrucar, porém fiquei em silêncio.
— Se você soubesse o quanto ela se importava com você. O quanto ela te... — Eu queria que a loira continuasse, porém...
— Caroline, agora não! — Porém, Elena chamou a sua atenção.
— O que foi Elena?! Para de passar pano pra esse, babaca!
— Eu não estou... Eu só acho que brigar não vai ajudar em nada. — As duas começaram uma discussão.
— Tá, eu sou um babaca, egoísta e sem coração. Eu admito... Tudo foi culpa minha. — Me intrometi encarando meu irmão que estava do outro lado da sala, em silêncio, o mais distante de mim. — Eu sinto muito... por tudo. — Nos encaramos, demoradamente.
— Ele precisa saber que Bonnie morreu de coração partido. — A loira estava conseguindo me usar como um saco de pancadas, sem nem precisar me tocar. — Mas acho que... ele nem se importa. — Ela passa por mim me empurrando e, feito um borrão sobe as escadas, indo se esconder em seu quarto.
— Eu achei que vocês acordaram Damon para nos ajudar. — Enzo estava entediado, brincando com uma mexa do cabelo de Valerie e ela parecia não se importar. Se a situação não fosse tão tensa, eu estaria provocando o novo casal.
— E ele vai nos ajudar. — Elena me olhou como se tivesse suplicando a minha ajuda. — Nós temos um inimigo em comum, mas só podemos vencê-lo, se a gangue permanecer unida.
— Como nos velhos tempos. — Ric gritou bêbado me fazendo rir.
— Isso não vai funcionar. — Stefan parecia bem pessimista, isso era tão atípico dele. Ser pessimista era mais o meu perfil.
— Por que não, Stefan? — Elena está frustrada e confusa.
— Porque não temos mais... a nossa arma secreta. — Stefan responde olhando para mim, sabendo que eu era o único que entenderia as suas palavras.
A arma secreta se chama Bonnie Bennett, mas segundo a gangue, ela estava morta. Eu por outro lado, estava em negação. Eu não queria acreditar que a minha bruxinha estava, legitimamente, morta.
A Sentinela
Pela primeira vez, ela havia falhado em sua missão, deixou que os malditos vampiros fugissem. Quando retornou para Mystic Falls os primeiros raios de sol já estavam começando a surgir. A Sentinela precisava se esconder durante o dia, porém não teve forças e acabou caindo ali nos pés de Matt Donovan, o novo xerife da cidade que estava à caminho do trabalho.
— Ah meu Deus! — Ele se aproxima dela meio assustado e curioso, afinal, ninguém realmente ousava chegar perto da guardiã da cidade. Ninguém sabia quem era aquela figura misteriosa, vestida de preto que vagava pela noite, caçando vampiros.
Até aquele momento, o jovem Xerife pensava que ela era um ser inumano. Isso vai mudar, quando ele resolve se ajoelhar ao lado dela e virar o seu corpo, que estava caído no chão de bruços. O capuz é movido da sua cabeça, deixando exposto o seu rosto. É, então, que o homem fica em choque, como se tivesse visto um fantasma.
— Bon... Bonnie?!
{CONTINUA...}
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