Me Traga à Vida
4 Assombrada
Notas iniciais

"Longas palavras perdidas Sussurradas lentamente para mim
Ainda não consigo encontrar o que me mantém aqui
Quando todo este tempo
Tenho sido tão oco por dentro
Eu sei que você ainda está lá
Olhando-me, querendo-me
Eu posso sentir você me puxar para baixo
Temendo você, amando você
Eu não vou deixar você me puxar para baixo
Caçando você
Eu posso te sentir vivo
Seu coração batendo em minha cabeça
Olhando-me, querendo-me
Eu posso sentir você me puxar para baixo"
Capítulo 4 Assombrada
A Sentinela
Pela primeira vez, ela havia falhado em sua missão, deixou que os malditos vampiros fugissem. Quando retornou para Mystic Falls, os primeiros raios de sol já estavam começando a surgir. A Sentinela precisava se esconder durante o dia, porém não teve forças e acabou caindo ali nos pés de Matt Donovan, o novo Xerife da cidade que estava à caminho do trabalho.
— Ah meu Deus! — Ele se aproxima dela meio assustado e curioso, afinal, ninguém realmente ousava chegar perto da nova guardiã da cidade. Ninguém sabia quem era aquela figura misteriosa, vestida de preto que vagava pela noite, caçando vampiros.
Até aquele momento, o jovem Xerife pensava que ela era um ser inumano. Isso vai mudar, quando ele resolve se ajoelhar ao lado dela e virar o seu corpo; que estava caído de bruços na rua; próximo da Pensão Salvatore. O capuz é movido da sua cabeça, deixando exposto o seu rosto. É, então, que o homem fica em choque, como se tivesse visto um fantasma.
— Bon... Bonnie?! — Matt gagueja enquanto ela só o encara em silêncio, refletindo sobre aquele nome.
"BONNIE!" Por que de repente aquele NOME, causou um aperto angustiante em seu coração? Já era a segunda vez que alguém a chamou assim. A primeira vez, foi quando ficou cara-a-cara com aquele vampiro de olhos azuis arrogantes:
"Ei, qual é o seu problema, Bonnie Bennett?" Aquela voz arrogante, aquele sorriso meio louco, provocativo, aquela presença invasiva e imprudente... Eles lutaram e ela conseguiu domina-lo, estava prestes a fincar a espada no peito dele, mas por algum motivo, ela hesitou. Porque aquele maldito vampiro agiu o tempo como se eles fossem íntimos, como se ele a conhecesse. E o pior é que isso continuou perturbando a sua mente. Isso, inexplicavelmente, a deixou vulnerável, mexeu com o seu coração e fez ela falhar em sua missão.
— Ei, o que houve? O que aconteceu com ela? — Ela ainda estava olhando para os olhos azuis gentis de Matt, quando reconhece a voz de Rayna Cruz, a líder do Arsenal. Ela nunca está sozinha, sempre anda acompanhada de outros membros do grupo e um deles é Tyler Lockwood.
— Eu não sei. Acabei de encontra-lá assim, e... — Matt tenta se explicar, ainda preocupado e querendo ajuda-la.
— Ai, caramba! Ela se parece com a... a Bonnie? — Tyler troca um olhar chocado com Matt.
— Ah, então, eu não estou louco?! Você também percebeu? — Matt a princípio se sente aliviado. — Acho que precisamos levá-la para o hospital...
— Não, ela ficará bem. — Rayna, imediatamente, discorda. — Você já pode seguir o seu rumo, Xerife. Nós assumimos daqui. — A líder do Arsenal não quer que ninguém se aproxime de sua Sentinela. — Vamos, levem ela para a Pensão dos Salvatores!
— Tyler, o que tá acontecendo? — Matt ainda estava confuso enquanto assiste Rayna e seus comparsas, levarem o corpo quase inconsciente da Sentinela para a Pensão dos Salvatore.
— Eu ainda não sei, cara. Mas, eu vou descobrir.
***/ /***
Ela se senta no chão (onde antes estava dormindo) e percebe que retornou para o porão frio e escuro que ficava na Pensão Salvatore. Por algum motivo inexplicável, toda vez que pensa no sobrenome Salvatore seu coração fica inquieto. O pior é que ela está presa ali sem conseguir se distrair desses pensamentos. Presa no porão como se fosse um bicho enjaulado. Na verdade a Sentinela era exatamente isso, como um cão de guarda da Rayna e do Arsenal.
— Vocês ainda não me explicaram, o porquê da Sentinela se parecer tanto com a Bonnie Bennett.
— Isso deve ser mera coincidência. — Rayna dá de ombros. — Que eu saiba, a Bruxa Bennett está morta e elas não tem nada a ver uma com a outra.
— Tem algo errado nessa história. Eu posso sentir o cheiro no ar. E meus instintos nunca falham. Eu sei que você está mentindo. — O lobisomem grita impaciente por respostas. — Me diga a verdade! — Sua voz firme ecoava pela Mansão Salvatore, até chegar aos ouvidos aguçados da Sentinela que ainda está presa no porão. — Quem é a aquela mulher?
— Está bem. — Rayna sorve um pouco de seu café, antes de, calmamente, responder a pergunta de Tyler. — O que você e o Xerife viu... é realmente o corpo de Bonnie Bennett.
— Então, ela não morreu?
— Morreu sim. Bonnie morreu no dia em que tentou destruir a Pedra da Fênix e, acidentalmente, acabou libertando as almas condenadas, que estavam presas dentro da Pedra. — Lá embaixo no porão, a Sentinela continuava bisbilhotando, furtivamente, a conversa alheia. Até que abruptamente, visões sinistras invadem a sua mente:
A jovem estava sozinha em seu quarto, chorando apavorada e presa entre as chamas que queimavam incessantes lhe asfixiando, sabendo que não importava o quanto lutasse, não havia escapatória. E, no meio daquele terror, ela vislumbrou a Pedra da Fênix impecável, flutuar no centro da sala, pairando em cima de si.
A jóia, então, brilhou uma última vez, lhe atraindo com uma força sobrenatural e, quando a tocou; sentiu como se o fogo que estava ao seu redor; consumisse totalmente o seu corpo, enquanto seu coração batia, freneticamente, e seus olhos lacrimejados se fechavam, ao mesmo tempo em que algo sombrio e destrutível se enraizava em sua alma, extinguindo, lentamente, a sua vida.
"Seu destino já foi traçado. A Pedra mística deve se conectar a Bruxa... E a Bruxa se tornará um novo ser: Forte, poderoso e implacável! Assim como uma Fênix ela irá renascer..." Sussurros sinistros começavam a ecoar por todo quarto.
"É hora de despertar." E, assim, a Sentinela abre os olhos assustada e, completamente, perturbada com aquela visão. Era como despertar de um pesadelo. Entretanto, uma vozinha interna dizia que, aquela cena que viu em sua mente, não eram visões, poderiam ser lembranças. Logo, as suas suspeitas se concretizam quando escuta, novamente, as vozes de Tyler e Rayna no andar de cima.
— Naquela noite, Bonnie, não só libertou os vampiros que estavam presos na Pedra da Fênix, como também libertou uma Entidade que era a guardiã dessa prisão. — Rayna continuou explicando.
— Essa Entidade é a própria Sentinela?
— Sim. Assim que a Sentinela saiu da Pedra da Fênix, ela possuiu o primeiro corpo que ela encontrou. Um corpo que estava carregado de magia.
— O corpo da Bonnie. — Tyler concluiu em choque e em dúvida do que fazer com aquela informação.
— Você deve estar pensando em contar isso ao Xerife Donovan, ou aos outros traidores. — Rayna sugeriu como se tivesse lido a sua mente. — Vá em frente, se quiser. Mas... — A Líder do Arsenal, mantém uma postura indiferente, porém deixa-o em sobreaviso. — Isso não vai mudar nada.
— Talvez, pra você não faça diferença. Mas para mim e para os outros, isso muda tudo.
— Bem, faça o que quiser. Só não se esqueça que a Sentinela não é a Bonnie Bennett que vocês conheceram. Para a Sentinela, você e seus amigos fugitivos, não significam nada. — A Sentinela ficou lá, presa naquele porão frio e solitário, remoendo aquelas palavras, se sentindo totalmente mortificada. Até que a noite caiu e ela foi forçada a sair e, outra vez, cumprir a sua missão.
Damon
A gangue havia decidido que era hora de partir, pois ficar mais um dia em Grove Hill seria arriscado. Estávamos fora dos limites de Mystic Falls, mas não longe e seguros suficientemente. Eu não concordava com aquela decisão e, para a minha sorte, não era o único, Ric e Elena também discordavam.
Elena queria arranjar um plano para derrubar o Arsenal e derrotar a Sentinela. Ela tentou fazer o grupo se lembrar que no passado já tivemos que enfrentar outros vilões e, que de alguma forma, sempre conseguimos derrota-los.
— Eu sei que se a Bonnie estivesse aqui, era o que ela faria. — Quando ela falou na bruxinha, tanto meu irmão quanto Caroline ficaram mexidos. — Ela iria querer ficar e lutar pela nossa cidade. — Aquilo, imediatamente, me trouxe uma lembrança agridoce:
"Damon, você hesitou em salvar a minha vida?"
"Ei, relaxa, foram só três segundos."
"Você sabe o que são três segundos em uma situação de vida, ou morte?"
Nós estávamos no dormitório das meninas em Whitmore, brigando porque eu havia hesitado em salvar a vida de Bonnie.
"No primeiro segundo achei que seria maravilhoso ter Elena em meus braços de novo. No segundo de número 2 eu a beijei... E no terceiro eu me lembrei que você é minha melhor amiga e que se algo acontecesse com você, eu ficaria completamente louco."
Naquela época ainda estávamos lidando com a minha mãe recém-chegada em Mystic Falls, junto com o seu grupo de Hereges, que estavam tocando o terror na cidade. Então, eu e Bonnie resolvemos fazer justiça com as próprias mãos.
"Eu quero lutar. Quero a nossa cidade de volta." Eu poderia imaginar ela agora, aqui nessa sala, com a sua esperança inabalável, dizendo estas mesmas palavras.
— Que tal uma votação? — Indagou Enzo me tirando dos meus devaneios. — Quem quer voltar para Mystic Falls? — Elena, Ric e eu erguemos as mãos decididos. — Quem prefere continuar vivo e ir embora, sem olhar para trás? —Surpreendendo zero pessoas, Enzo, os hereges e até mesmo Stefan resolveram continuar fugindo. Mas, então, faltava Caroline.
— Caroline, você não tem vontade de... voltar para a casa? — Elena questiona a amiga, desejando que a loira fique do nosso lado.
— Eu não sei... Uma parte minha acha que Enzo tem razão... Isso seria uma missão suicida. Mas, uma parte minha sente falta de Mystic Falls.
— Então, loira, você não sente saudades da sua casa? — A provoco.
— Sinto muito, mas... — Ela hesita e me encara, desafiadoramente. — Mystic Falls tá cheia de memórias dolorosas. Por isso acho que não vale a pena se arriscar.
— Mas, e se eu disser que, existe um motivo pelo qual ainda vale a pena voltar? — Eu estava determinado a convencê-los.
Eu tentei convencê-los que ainda valia a pena voltar para Mystic Falls, porque a nossa arma-secreta ainda estava lá. Ela ainda estava lá, viva. Eu sei o que vi, o que senti quando ouvi aquela voz meio rouca e imponente, quando olhei naqueles olhos verdes escuros cheios de raiva.
Todavia, era óbvio que ninguém quis acreditar em mim. Me acharam louco quando disse que a Sentinela era a própria Bennett. Então, percebi que para fazer eles acreditaram em mim, eu precisava provar que a minha bruxinha estava viva. E a única forma de fazer isso, era retornando para Mystic Falls e descobrir a verdade, nem que isso custasse a minha vida.
***/ /***
Assim que consegui me livrar da gangue, corri direto para o meu Camaro Azul, pronto para fugir, sorrateiramente. Contudo, Stefan decidiu aparecer de supetão, se jogando no banco ao meu lado.
— Então, você vai mesmo nessa missão suicida?!
— Sim. E você precisa decidir se vai, ou se fica? — Indaguei virando a chave na ignição.
— Alguém precisa ficar de olho na sua bunda egoísta.
— Isso significa que você acredita em mim, irmãozinho?
— Não. Só fiquei com pena de você morrer sozinho. — Ele provou que o sarcasmo é mesmo de família.
— Eu e meu irmão caçula juntos... Será como nos velhos tempos.
A Sentinela
Dessa vez, ela vagou pela noite e a princípio não encontrou nenhum sanguessuga, nem mesmo os foragidos. Ela precisava se preparar para sair da cidade se quisesse encontrar os últimos fugitivos da Pedra da Fênix. E um pensamento pertinente, começou a pairar em sua mente:
"O que aconteceria consigo quando concluísse a sua última missão?"
A Sentinela continua correndo pela floresta, veloz como o raio que está riscando o céu, prenunciando a chegada de uma tempestade. Enquanto corre, as árvores passam como um borrão na sua frente, até que repentinamente, a sua mente começa a ser dominada por visões do vampiro arrogante de olhos azuis e da bruxa Bennett:
"Isso é uma mentira. Ninguém pode viver muito tempo, preso numa mentira. Isso vai acabar com você."
"Vá embora. Eu já disse que estou onde pertenço."
"Damon, eu voltei por você. E eu sempre vou voltar. E você sabe disso."
A bruxa tenta se aproximar do vampiro, mas de repente sente seu corpo sendo jogado, brutalmente, contra uma superfície dura e fria. Só, então, ela percebe que eles estão no cemitério.
"Olha só pra você, tentando fugir daquilo que é inevitável..." As palavras do vampiro são cruéis. "Para Elena viver você terá que morrer. Não importa o quanto você fuja, seu destino já foi traçado." E aquelas palavras vão penetrando, pouco a pouco, no coração da Bruxa.
"Damon, para com isso!" Mas, o vampiro não parou de atormenta-la.
"Você se lembra como sua mãe virou uma vampira?" A próxima visão é do vampiro dando o seu sangue para Abby Bennett, antes de quebrar o pescoço dela. É tudo tão visceral.
"Essa é a verdade, Bonnie. Eu sou assim, um monstro sem Elena."
Todavia, as visões, fugazmente, terminam. E, curiosamente, sem perceber, a Sentinela acaba indo parar naquele mesmo cemitério:
[Aqui jaz Bonnie Bennett, jovem amada, amiga leal e altruísta, com um coração indomável forjado no amor e na coragem. Descanse em paz.]
Era como se tivesse sido atraída, inexplicavelmente, para aquele lugar. E ela não estava sozinha ali.
— Olha só que surpresa. — Damon resolveu confronta-la, mesmo sabendo que esse encontro era, extremamente, perigoso. — Você também resolveu visitar o túmulo de Bonnie Bennett?
— Olha só que surpresa... — Ela se virou para encará-lo, com a espada já empunhada na mão. — O monstro retornou para morrer. E, dessa vez, eu não vou deixar você fugir.
"Só não se esqueça que a Sentinela não é a Bonnie Bennett que vocês conheceram. Para a Sentinela, você e seus amigos fugitivos, não significam nada." Será que isso era realmente uma verdade absoluta? Será que aquele vampiro de olhos azuis insanos, não significava nada para ela?!
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