Me Traga à Vida
11 Antes do Amanhecer
“Se apenas a noite pudesse te manter
Onde eu consiga ver você, meu amor
E então nunca mais me deixar acordar de novo
E talvez esta noite, nós voaremos para tão longe
Estaremos perdidos antes do amanhecer”
(Evanescence Before The Dawn)
Damon
— Stefan, você precisa parar o carro… Eu não tô… me sentindo bem. — Assim que Elena murmura, Stefan para o carro. Imediatamente, ela sai desesperada e vai vomitar na beira da estrada.
— Elena já tinha passado mal ontem. O que será que ela tem? — Stefan fica todo preocupado.
— Quem tá fazendo faculdade de Medicina, não era Elena? — Retruco, pegando uma garrafa de água para entregar a ela. — Então, Doutora Gilbert, qual é o seu diagnóstico? Uma virose, intoxicação alimentar, ou grávidez? — Era para ser apenas uma piada infame, mas minha ex-namorada cospe a água em cima de mim, depois me olha com uma expressão pálida, parecendo doente e tudo só desanda entre nós.
— Caramba, será que… Não, não pode ser! — Ela arregala seus olhos castanhos e segura a minha camisa com força. — As minhas roupas estão mais apertadas, eu tenho enjoado com frequência e… a minha menstruação está atrasada. Será que a… a Bonnie tinha razão e eu estou…
— Tudo indica que você vai ser mamãe. — Fui curto e direto. — Então, parabéns, Elena! — Eu solto as mãos dela da minha camisa e ela continua com a cara pálida e o olhar perplexo com aquela nova informação.
— Elena, se acalma. — Stefan se aproxima e ajuda ela a retornar para o carro. — Se você quiser, podemos fazer uma parada no primeiro hospital que encontrarmos.
— Stefan, nós estamos lutando contra o tempo. — Eu reclamo não querendo ser insensível. — Desculpa, Elena, mas…
— Damon tem razão. — Ela troca um olhar de compreensão comigo. — O mais importante é chegar em Mystic Falls.
Depois da pequena confusão, nós retornamos para a estrada. E, como a viagem era longa, eu não consegui manter a minha boca fechada, pois fiquei curioso em saber quem seria o possível pai do suposto bebê de Elena. Isso também me distrairia dos meus próprios dilemas sombrios.
—Então, se você estiver grávida… — Nós havíamos trocado de lugar, eu fui para o banco da frente ao lado de Stefan; que continuava a dirigir o seu carro; ao passo que Elena foi para o banco de trás, com o objetivo de tentar tirar um cochilo. Mas, enquanto ela não dormia… — Quem será o futuro papai? — A encaro pelo espelho retrovisor interno.
— E isso realmente importa para você? — Ela me olhava parecendo ofendida pela minha pergunta.
— Eu só estou curioso em saber com quem a minha Ex andou transando, enquanto eu estive dessecando naquele caixão.
— Damon, pega leve! Você não tem moral para criticar ninguém. — Stefan me repreendeu.
— Não é uma crítica. — Tento explicar, embora Stefan tivesse um pouco de razão. — É só a curiosidade óbvia. E eu acho que mereço saber.
— Tudo bem, Damon. Você quer saber a verdade? — Havia raiva no tom de voz de Elena. — Quando acordei em uma Mystic Falls, onde o Arsenal e a Rayna controlavam tudo e uma das minhas melhores amigas estava, supostamente, morta e havia me deixado um diário contando como havia me traído e se apaixonado pelo MEU NAMORADO... — Ignorei a ênfase dela e foquei em outra parte que me deixou abalado.
“Bonnie havia deixado um diário dizendo que havia se apaixonado por mim?” Aquilo tocou o meu coração morto, me aqueceu por dentro e me deixou, totalmente, estarrecido.
— Eu estava assustada, magoada, me sentindo traída pelas duas pessoas que eu mais amava. — Elena desabafava com a voz ficando embargada e conseguindo me fazer se sentir culpado. — Não podia nem chorar no ombro da Caroline porque ela estava fugindo com Stefan. Enfim, eu me sentia completamente sozinha.
— Mas você ainda tinha Ric e o seu irmão. — Eu estava tentando amenizar a culpa que sentia.
— Meu irmão foi embora e não quis mais voltar. Ele até queria que eu saísse de Mystic Falls também, mas eu não quis ir.
— Por quê?! Você ficou por minha causa?! Não acho que eu valesse a pena. — E, constatar isso, me encheu de amargura.
— No começo eu acho que fiquei por você, mas depois… — A princípio seu rosto possuía uma expressão angustiada. — Quem estava lá no momento que eu mais precisava… foi Matt… — Foi só falar no nome daquele humano, que sua face foi se suavizando e até um sorrisinho tímido surgiu. — Ele sempre foi um bom amigo.
— Ah, que fofo! — Eu não consegui segurar o meu sarcasmo. — Deixa eu adivinhar, você se apaixonou pelo seu primeiro namoradinho do colegial?
— Enquanto você dessecava naquele caixão, eu me apaixonei pelo Matt, da mesma forma que… enquanto eu estava em coma… a Bonnie cometeu a burrice de se apaixonar por você, Damon. — Elena teve a audácia de me provocar. Eu nem quis retrucar, porque novamente fiquei preso na parte em que “BONNIE SE APAIXONOU POR MIM.”
— Parece uma história de romance clichê. — Stefan também resolve provocar a nós dois, ao mesmo tempo em que tenta aliviar o clima.
— Ou só uma ironia do destino. — Elena sorri, eu me viro na direção dela e a observo colocar as mãos na sua barriga, provavelmente, pensando na possibilidade de estar realmente grávida.
Elena nunca quis ser uma vampira, ela só queria ser uma humana normal, com um trabalho normal, casar, ter filhos. Houve um momento no passado que pensei em ceder e me transformar em humano, só para realizar os sonhos dela. Porém, hoje quanto mais penso nisso, mais vejo que Damon Salvatore não se encaixa no futuro de Elena Gilbert.
— Então, o futuro papai será Matt Donovan. — Afirmo roubando um olhar dela. — Ele não é tão inútil assim. — Não consegui segurar o meu sarcasmo outra vez.
— Não seja um babaca! — Elena fecha a cara e me fuzila com os olhos. — Matt sempre foi um bom amigo, honesto, a pessoa mais gentil e incrível que já conheci.
— E é o novo Xerife de Mystic Falls. — Stefan continuou ajudando Elena a pontuar as qualidades do Donovan.
— Ah, que legal! Eu sempre me dei bem com os Xerifes da cidade. — Eu brinco.
Logo, o silêncio recai sobre nós e isso me faz refletir sobre os meus próprios erros. Eu não deveria ter traído Elena. Eu não deveria ter abandonado Stefan e a Bonnie. Eu não deveria ter ido embora sem me despedir da minha bruxinha. No final, acabei magoando todo mundo mais uma vez.
— Elena… — Murmuro ouvindo o coração dela batendo num ritmo tranquilo. — Eu espero que um dia você me perdoe por ter te magoado. — Admito, sem ousar olhar na direção dela. — E sobre o que aconteceu entre mim e… a Bonnie… — De repente me senti vacilar, olho para meu irmão que me incentiva a continuar. — Se você quiser odiar alguém, que seja eu. Eu sou o único culpado disso tudo.
— Infelizmente, Damon, Elena já dormiu. — Stefan debocha da minha cara.
A Sentinela
Uma parte dela queria ter visto a cara de Damon, quando constatasse que seu precioso carro foi roubado, junto com a jaqueta de couro preta que estava usando por cima do vestido verde musgo. Estranhamente, o perfume dele se impregnou nela e, de alguma forma, o cheiro dele era reconfortante para a Bonnie.
E, enquanto continuava dirigindo, desenfreadamente, rumo à Mystic Falls, novamente, a Sentinela teve um ataque psíquico com visões vindas da Pedra da Fênix, como se o Objeto Místico estivesse a chamando. Sem a corrente de prata com o pingente de esmeralda para controla-la, sua conexão com a Joia voltou a ficar mais forte e agora ela podia retornar aos seus instintos de caça. Nesta hora, o celular que também havia roubado de Damon, tocou. Na tela estava o nome de Enzo.
A Bonnie Malvada parou o carro e atendeu, porém não disse nada, só ouviu.
— Damon, me escuta… Eu fiz uma loucura. — O vampiro de sotaque britânico achou que estava falando com Damon. — Eu roubei a Pedra da Fênix da irmã do Klaus, sem que ela notasse. E eu sei que quando a Caroline e o Stefan souberem, vão ficar putos comigo… Mas, eu sei que você vai me entender, Damon.
Então, a Bonnie Malvada permaneceu em silêncio, ouvindo atentamente toda a história de Enzo sobre o ritual para mandar a Sentinela de volta para a Pedra da Fênix e que esse ritual também afetaria os vampiros que escaparam da Joia mística.
— Você sabe que com esse ritual, você, Stefan e Beau vão acabar sendo enviados de volta para dentro daquela Pedra. E eu tenho certeza que você não quer isso, certo? Você não vai querer voltar para aquela prisão terrível, assim como o Beau. Ele e Val se tornaram a minha família. E eu quero proteger a minha família… Assim como você quer proteger a sua.
— Eu sinto muito pela Bonnie, mas eu decidi pegar a Pedra da Fênix e leva-la para um lugar, onde ninguém possa encontra-la nunca mais. É a única forma de todos nós ficarmos seguros. Então, companheiro, adeus! — O vampiro foi muito ingênuo em acreditar que poderiam continuar fugindo, sem sofrer consequências.
A Sentinela tinha uma conexão forte com Pedra e, logo, teve visões de Beau que por ser um fugitivo facilmente entrou no seu radar. As visões mostravam o Herege passando mal, sangue saia de sua boca e nariz e seu corpo tremia.
“O que está acontecendo com ele?” Na visão ela ainda podia ver os rostos de Enzo e Valerie entrando em completo desespero. Consequentemente, o herege agonizou, até morrer nos braços de sua irmã adotiva.
“Ele está morto. E a culpa é nossa.” Valerie se lamentava enquanto Enzo tentava consola-la.
“Não, a culpa não é nossa, Val.”
“É sim. Eu não sei como, mas a Sentinela nos achou. E ela vai continuar nos caçando. Ela não vai parar até conseguir nos matar.”
A visão terminou com a Sentinela também se sentindo mortificada e pensando que Valerie estava errado sobre uma coisa… Ela também estava cansada de viver, eternamente, caçando esses Imortais e cansada de ser punida pela Pedra da Fênix. Por isso ela correu os olhos sobre a tela do celular, encontrando nos contatos de Damon o nome de seu irmão caçula.
Damon
— Damon, o que você sente de verdade pela Bonnie? Seja sincero. — Stefan aproveitou para me perguntar quando paramos para abastecer o Porsche, enquanto Elena foi ao banheiro.
— No começo ela era apenas a amiga da Elena que eu não me importava… — Parei para beber um pouco de Bourbon do meu cantil, enquanto pensava sobre isso. — A bruxa irritante, arrogante, orgulhosa que se achava a dona da verdade, mas que salvou algumas vezes as nossas vidas.
— Tá, mas e depois… — Stefan continuou testando a minha paciência ao roubar o meu cantil. — Quando foi que a Bonnie passou a ser importante pra você?
— Você sabe, Stefan! — Reclamo pegando o meu cantil de volta. — Tudo mudou, depois que ficamos presos no Mundo Prisão. Quer dizer, ela continuava sendo chata e irritante, mas…
Memórias daquele tempo me vem a mente e me enche de uma boa nostalgia. Lembranças da gente brigando, das minhas panquecas, de nós dois fazendo compras, de nós jogando Tetris, ou qualquer outro jogo bobo que eu sempre ganhava e ela ficava braba. Lembranças da gente assistindo O Guarda-Costas repetidas vezes na sala da vovó Sheila, até que Bonnie caísse no sono e adormecesse com a cabeça no meu ombro.
— Ela me deu esperança e se tornou a minha melhor amiga, a minha bússola moral. E a minha pessoa favorita. — Admiti encarando os olhos verdes compreensíveis de Stefan. — Eu sei que essa conexão estranha e forte que eu tinha com a Bonnie, era algo especial. Ela se tornou a minha melhor parte. — Não fui sarcástico, nem fiz piada. Eu só fui direto e sincero. — E essa parte eu não queria dividir com mais ninguém, nem com você, Stefan.
— Era por isso que você agiu como um marido traído? — Ele continuou a me provocar. Nesta hora me lembrei do motivo que me fez brigar com Stefan.
— Eu respondi a sua pergunta com sinceridade. Então, acho justo que você responda a minha… — Eu chamei a sua atenção, mesmo assim ele tentou desviar o olhar. — Por que a Bonnie Malvada insinuou que vocês dois me traíram?
— Olha, a história é complicada. E não é o melhor momento pra gente falar sobre isso.
— E quando vai ser? — A minha pergunta não pôde ser respondida, porque fomos interrompidos pelo celular de Stefan…
Ironicamente, quem estava ligando era a própria Bonnie Malvada, usando o meu próprio celular. Era hora de retornar para Mystic Falls e se preparar para o nosso último confronto.
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