Me Traga à Vida

12 Meu Último Suspiro


“Segure-se em mim, amor

Você sabe que eu não posso ficar muito tempo

Tudo o que eu queria dizer

Era que eu te amo e eu não estou com medo

Você pode me ouvir?

Você pode me sentir em seus braços?

Segurando meu último suspiro”

(Evanescence My Last Breath)




Damon


— Isso é o que sobrou da gangue de Mystic Falls? — Dizia Klaus como se tivesse zombando da nossa desgraça. — Onde está a cópia inútil da Katherine?

— Não fale dela assim! — Rosnei irritado com o tom desdenhoso que o bastardo falava de Elena.

—Então, você continua sendo o cachorrinho dela? — O desgraçado me provocou.

— Parem com isso! — Stefan se colocou na minha frente, assumindo a liderança. — Caroline e outros estão presos em Mystic Falls. Só sobrou nós quatro.

— E dá pra confiar nesses dois, agora?! — De repente surge uma moça magricela, de cabelos loiros compridos que se parecia muito com o próprio Klaus e tinha até a mesma postura elegante e soberba da família Mikaelson.

Nós não éramos na verdade um grupo de amigos confiáveis, houve muita briga e traições. Além disso, já havíamos falhado demais, primeiro quando fui descuidado e burro ao deixar a Bonnie Malvada me enganar e fugir, depois quando Enzo roubou a Espada e a Pedra da Fênix (assim atrasando ainda mais o nosso plano) e resultando na morte de Beau. Agora era, possivelmente, a nossa última chance. Dessa vez, não havia espaço para erros.

— Nós cometemos um erro. E pagamos muito caro por isso. — Valerie respondeu triste, provavelmente, se lembrando que o irmão estava morto e agora ela era a última sobrevivente dos Hereges. — Tudo o que eu mais quero agora, é que aquela vadia desapareça das nossas vidas.

— Ei amor, nós vamos conseguir se vingar dela hoje. Eu prometo. — Enzo tentou animar a sua namorada sendo muito otimista, como se fosse tão simples assim.

— Tá. Como vai funcionar o ritual? — Eu questiono a tal bruxa, depois de lhe entregar a Espada com a Pedra da Fênix e um frasco com o sangue de Elena. — Aliás, por que você precisa desse sangue?

— Porque este sangue contém a cura para o vampirismo e vou tentar usá-lo para enfraquecer o vínculo que prende as suas almas na Pedra da Fênix. Se funcionar, você e seu irmão estarão livres. — Ela fica com a Jóia vermelho rubi, mas me devolve a Espada. — Mas para o ritual funcionar, precisamos começar logo, aproveitando que ainda é lua cheia e antes do amanhecer.

— E como vamos capturar a bruxa Bennett? — Klaus estava curioso olhando entre mim e Stefan.

— Eu cuido dela. — Eu disse convicto brincando com a espada que irei usar para atrair a Sentinela para a nossa armadilha. — Enquanto isso, vocês precisam manter o Arsenal distraídos.

Depois de traçar o plano e antes de nos separarmos, eu ainda tive um momento para me despedir do meu irmão. Porque no pior dos cenários; mesmo que vencêssemos a Sentinela; se o sangue de Elena não funcionar, ainda poderíamos ser arrastados para dentro da Pedra da Fênix com Ela.

— Você está pronto para enfrentar aquele inferno de novo? — Stefan tinha um olhar de medo.

— Não. Mas se esse for o preço para ter a Bonnie de volta, que assim seja. Ela já sacrificou tudo por nós, é hora de nós dois fazermos isso por ela. — Dou um aperto nos ombros de Stefan tentando encaraja-lo, mas por dentro eu também estava desesperado, desejando que esse não fosse a nossa última despedida.

— Vamos torcer para que o ritual dê certo. E assim todos nós estaremos livres. — Stefan me deu um abraço apertado, antes de seguir o seu rumo.


***/ /***


Ouvi os uivos de lobisomens ecoarem pela madrugada avisando que Stefan e Klaus já haviam entrado na cidade. Agora era a minha vez e a minha missão não era nada fácil, precisava ganhar tempo enquanto Freya e Valerie iniciavam o ritual perto do túmulo de Bonnie. Para isso tive que fazer a minha Malvada favorita me perseguir floresta adentro. Ela ainda estava usando a minha jaqueta e segurava uma espingarda.

— Parece que você está ficando enferrujada. — Eu a provoca depois dela tentar atirar em mim.

— Você sabe, o tempo está se esgotando, faltam menos de duas horas para o nascer do sol. — Ela está na defensiva e parece nervosa. Eu fico em silêncio, apenas a observando enquanto estou empoleirado em cima de uma árvore. — Por que você me trouxe aqui?!

Tive a ideia de trazê-la até a Cripta Salvatore, um lugar que não era só importante por causa da minha família, mas também tinha ganhado um significado especial na minha relação com a Bonnie.

— Porque foi aqui que a relação de Bonnie e Damon começou a mudar. — Eu resolvi me arriscar e pulei da árvore, caindo quase ao lado dela. — Foi exatamente aqui que o Outro Lado estava desmoronando e só havia eu e Bonnie prestes a ser sugado para o completo desconhecido. — Eu olhei no fundo dos olhos dela e, por um instante, senti como se tivesse olhando para a minha própria bruxinha.

— Naquele dia, nenhum de nós imaginava que ali seria o início de uma amizade especial.

— Se era uma amizade tão especial, por que você abandonou ela?

— Porque fui um covarde e… — Confesso que cheguei bem perto de admitir os meus sentimentos, porém a minha arqui-inimiga me interrompeu.

— Mas, há um jeito de consertar tudo isso. Você quer a Bruxa de volta? Então, por que dessa vez, Damon Salvatore não se sacrifica por ela? — Então, ela voltou a ser a criatura impiedosa e, friamente, atira em mim. Em contrapartida, consegui desviar usando a minha velocidade sobre-humana.

— Tudo bem. Eu farei isso, mas… — Eu não tinha saída, senão continuar confrontando-a. — Deixa a Bon-Bon falar comigo uma última vez.

— O quê?! — Acho que por um momento, isso pareceu fazê-la fraquejar.

— É. Me deixa me despedir dela, dessa vez. — Eu estava sendo sincero.

— É tarde demais! — Entretanto, a Sentinela me ataca novamente e, dessa vez, sinto a bala de verbena penetrar a minha pele. — Vamos acabar logo com isso! — Consequentemente, sou forçado a lutar contra ela.

— Tudo bem, talvez, eu não posso te vencer… Mas, eu ainda preciso falar com a minha Bruxa! — De repente, consigo desarma-la e agarra-la por trás.

— Ela não é sua e ela nunca mais será! — A Bonnie Malvada grita e tenta escapar.

— Talvez, você tenha razão… Talvez, a Bonnie que eu conhecia nunca mais volte. Talvez, eu tenha perdido ela para sempre. — Continuo segurando Bonnie Má, firmemente, contra o meu peito, com os meus lábios à centímetros de sua orelha e, assim, a mantenho encurrelada em meus braços. — Então, eu vou falar com essa nova Bonnie maluca e vingativa. Eu ainda me importo com você! — Eu grito me sentindo farto daquela discussão.

De repente sinto ela parar de se debater em meus braços. E, por um instante, sou ingênuo e baixo a minha guarda, é o suficiente para que a Sentinela consiga me dar uma rasteira e me derrubar. Agora a mulher raivosa está sobre mim, usando toda a sua fúria. Me sinto tonto, não consiga respirar direito e nem raciocinar direito.

— É hora de você voltar para o inferno! — Ela me encara com um olhar de triunfo enquanto segura a Espada tão perto do meu peito.

— Que ironia do destino! — Minha voz treme um pouco pelo cansaço, mesmo assim, dou um sorriso sem humor. — Quer dizer, você já foi tantas coisas: Bruxa, uma humana, um fantasma... Uma Âncora para o outro lado... E agora vai ser a mulher que vai me matar. — Encaro os seus profundos olhos verdes e, por um momento, sinto que estou olhando para a verdadeira Bonnie... A minha Bonnie corajosa, teimosa e altruísta que também estava sendo mantida presa, enquanto o seu corpo era controlado pelo Espírito vingativo da Sentinela.

Naquele momento, eu só desejava que o ritual de Freya terminasse logo, para que a minha bruxinha retornasse e, assim, eu não morresse em vão. Então, quando a lâmina da espada penetra a minha carne, pensei que seria o meu fim. Todavia, inexplicavelmente, quando a Sentinela me apunhalou, quem soltou um grito agonizante e horrível de dor foi ela. Paralisei enquanto observava a criatura diante de mim cambalear para trás e, subitamente, ser arrastada pela floresta, como se mãos invisíveis tivessem a puxando, violentamente, para bem longe de mim. Em seguida, ouvi vozes femininas evocando uma magia pesada e poderosa.

Pisquei para me recompor e arranquei a espada do meu peito, grunhindo de dor, sangue escorria pela lâmina que, abruptamente, pegou fogo. Continuei ouvindo gritos terríveis de dor, misturados as vozes de Freya e Valerie entoando uma magia. Eu resolvi seguir o som do grito que me levou próximo ao túmulo de Bonnie. E lá encontrei seu corpo se contorcendo, assustadoramente, no chão. A Pedra da Fênix flutuava sobre si, enquanto um circulo de fogo estava ao redor dela. O clima na floresta era sombrio e frio, como se uma escuridão estivesse dominando o lugar.

— Ela está resistindo... para não... não... Não sair desse corpo... — Valerie tentou dizer com dificuldade, parecendo exausta. Olho para Freya que está com os olhos fechados, ainda entoando palavras mágicas, seu rosto tem veias escurecidas, o nariz está sangrando, sinal que está usando toda a sua magia e isso pode ser fatal.

Eu quero ajudar de alguma forma. Estou desesperado para salvar todo mundo. Sobretudo, salvar a minha bruxinha. E, na exata hora em que penso nisso, de repente escuto a voz dela tão real e desesperada chamando o meu nome. Portanto, tomo uma decisão arriscada e corro para dentro do circulo de fogo, ignorando a sensação de que o calor vai nos consumir.

— Bon-Bon, eu tô aqui! Você pode me ouvir? — Eu me ajoelho ao seu lado e coloco minhas mãos frias sobre a sua cabeça. Seus olhos se arregalam, parecem vazios, desprovidos de qualquer emoção humana. Repentinamente, sinto que estou sendo sugado para dentro daquele vazio.



Notas finais
E agora o que será que aconteceu com o Damon e a Bonnie? Será que eles conseguiram se livrar da Sentinela? Será que o ritual deu certo? 😬 Descobriremos tudo isso e muito mais, no próximo capítulo. Bjus 😘