Me Traga à Vida
2 Um Novo Jeito de Sangrar
Notas iniciais
"Salve seu inimigo retorcido
Então você pode ganhar o perdão
Você sabe seu mundo inteiro está esperando
Então, por que você não pode falar?
Eu sinto isso está vindo para cima de mim
Eu ainda sou um escravo destes sonhos
Isso é o fim de tudo
Ou apenas um novo jeito de sangrar?"

− Então, é isso? Eu sou um obstáculo pra você? – Bonnie o confrontou cheia de coragem. − Você quer Elena de volta? Então, por que você não me mata de uma vez?!
− Não me provoca! Ele rosna nervoso. − Eu só quero que você vá embora e... e esqueça de mim. − Um silêncio pesado e triste pairava no ar, enquanto os olhos azuis do vampiro encaravam, friamente, os olhos verdes tristes da bruxa.
— Stefan me disse que você já havia cogitado dessecar a espera de Elena... Tudo porque você é um covarde egoísta que não quer encarar a realidade. — A voz da bruxa tremia enraivecida.
— Não existe uma realidade sem Elena e essa é a minha decisão. — O vampiro enfatizou carrancudo com um olhar carregado de obstinação.
— Eu não concordo com essa decisão. Não concordo que você escolha a si mesmo. Não concordo que nunca mais vou ver você, o meu melhor amigo, nunca mais... — Bonnie estava chorando. — Isso me machuca! Isso me machuca tanto! — Eles se olharam intensamente e, por um instante, a máscara fria do vampiro quase se desfez. Todavia, Damon se lembrou que precisava continuar fingindo que não se importava com aquela bruxinha.
A Bruxa tinha olhos tristes, magoados, se sentia tão desamparada naquele momento. O gosto amargo da rejeição e do abandono iriam lhe atormentar por muito tempo. Um trauma que seria impossível de esquecer.
— Quando você estiver dessecando e sentindo as dores da fome, enquanto o sangue é drenado do seu corpo, é disso que quero que se lembre... Que você me machucou.
Três Anos Depois...
Mystic Falls agora vivia sob uma nova ordem estabelecida pelas mãos do Arsenal, uma organização misteriosa que surgiu há três anos na cidade com o objetivo de reabrir o Conselho e reunir as famílias fundadoras de Mystic Falls. No meio disso, os vampiros foram expostos diante dos humanos e ao se verem expostos, estes seres sobrenaturais, nomeados como seres das trevas, foram banidos da cidade e, portanto, uma nova guerra explodia lá fora. Vampiros, bruxas e humanos agora estavam em pé de guerra.
Tudo começou três anos trás, quando a última bruxa Bennett teve em suas mãos a pedra da Fênix (que guardava as almas de vampiros que foram condenados a punição eterna). A jovem bruxa decidiu destruir a tal pedra mística, porém o rubi acabou se conectando a ela própria, algo aconteceu e, inesperadamente, mudou o futuro de todos.
A pedra da Fênix era como a Caixa de Pandora que, ao se conectar a Bonnie Bennett, fez renascer um ser mais impiedoso, forte e poderoso conhecido como a Sentinela. E, junto com ela trouxe o caos, o medo e uma nova ordem sobre a cidade.
Damon
— Damon... — Eu ouvi uma voz familiar me chamando. — Irmão, você precisa acordar! — Mas, não conseguia, me sentia fraco, mortificado. — Nós precisamos da sua ajuda, ou todos nós vamos morrer aqui. — Eu queria, desesperadamente, chegar até aquela voz, porém meu corpo não obedecia, parecia mais um cadáver frio.
— Droga, eles estão vindo, Caroline! Estão chegando mais perto!
Então, eu ouvi várias vozes desesperadas e tensas ecoarem através do meu ouvido sensível:
— Eu sei, Alaric! Estou dirigindo o mais rápido que posso.
— Quero deixar bem claro que não estou a fim de morrer aqui!
— Ric, para de reclamar. Isso não ajuda em nada.
— Que merda! Por que estamos aqui mesmo? Ah, para resgatar um caixão com um vampiro idiota.
— Eu também odeio Damon, mas precisamos dele. Lembra?
— Eu sei, mas você acha que ele se importa com a gente? Ele abandonou o próprio irmão!
Havia três vozes distintas que se alternavam entre gritos raivosos, ou apenas murmúrios frustrados. Eu também podia ouvir barulhos como tiros incessantes, seguidos por sons de motores de carros como se tivessem riscando o asfalto em alta velocidade. De repente começo a sentir o gosto quente, metálico e fresco de sangue escorrer por entre meus lábios, penetrando por cada célula do meu corpo e trazendo-me de volta a vida. Minuciosamente, aquela solidão e dor sem fim que estava encravados em minha alma foi desaparecendo.
— Eu preciso de você. Acorda logo, Damon! — Imediatamente, acordei num solavanco, me sentindo tão desorientado e confrontando os olhos verdes apreensivos de Stefan. — Até que enfim, irmão. Nós temos que ir! — Meu irmão soava autoritário. Logo, percebi que estávamos escondidos dentro do compartimento de carga de um caminhão que estava a toda velocidade e eu ainda estava dentro de um caixão.
— Por que a pressa, irmãozinho? — Me espreguicei ainda sentado no caixão.
De repente houve uma explosão destruindo as portas do compartimento de carga. Numa ação rápida, Stefan puxou o caixão improvisando um escudo para nos proteger dos tiros. Nessa hora minha mente trabalhava tentando se orientar no meio daquela confusão da qual fui jogado, abruptamente sem escolha.
— Mal acordei e você já me arrasta para a sua confusão, Stef. O que você fez, idiota? — Enquanto provocava meu irmão, vi uma bala com verbena passar raspando meu rosto.
— Ele veio buscar a sua bunda ingrata, seu babaca! —De dentro da cabine do caminhão, ouvi a Barbie vampira me xingar. — Se dependesse de mim, eu deixaria você apodrecendo naquele caixão.
— Ah, Barbie... também senti a sua falta... só que não. — A provocaquei ganhando um olhar de repreensão do meu irmão.
Por um momento, pareceu que houve uma trégua na perseguição, ainda assim fiquei curioso querendo saber o que estava acontecendo. E por que Stefan me acordou do meu sono antes do tempo. Nós tínhamos um trato. A menos que...
— Então, irmãozinho, porque você interrompeu o meu sono? — Encarei com expectativa o rosto tenso de Stefan. — Não tínhamos um trato? — Seus olhos estavam sombrios.
— E estou cumprindo a minha promessa, Damon. — Aquilo ficou martelando a minha cabeça. E isso significava uma coisa muito dolorosa e aquilo me assustou. Eu não estava preparado para encarar aquela nova realidade sem aquela. Aquela...
— Mais que merda é essa?! — Todo o meu raciocínio foi para o espaço, depois que eu fui atingido por uma bala direto no joelho e desejei arrancar a cabeça de alguém.
— Eles estão de volta. Se segurem! — Caroline interrompeu, avisando que os perseguidores voltaram.
— Afinal, quem está de volta?! — Questiono entredentes, sentindo a adrenalina tomar conta de meu corpo.
— Temos uma nova caçadora na área. — Stefan respondeu dando de ombros.
— Caçadora, hein? — Eu tentei brinca com a situação enquanto nós dois tentávamos se equilibrar dentro de um caminhão desgovernado. — Ela pelo menos é bonita?
— Ninguém sabe quem é ela. — Stefan retrucou. — Só sei que eles a chamam de Sentinela, criada estrategicamente para caçar vampiros. E não vai parar até nos matar.
A Sentinela
A Sentinela pressentiu a presença dos invasores se aproximando cada vez mais. Aqueles invasores eram muito estúpidos, pois sabiam que sua raça era proibida de entrar em Mystic Falls. Ela estava aqui para livrar toda cidade daqueles sanguessugas e, como guardiã, cumprir sua missão até que não restasse mais nenhum imortal, especialmente, àqueles que escaparam da Pedra da Fênix.
Quanto mais eles se aproximavam, mais podia-se ouvir as vibrações no asfalto, enquanto os carros do Arsenal continuavam a perseguir os invasores dentro do caminhão, numa perseguição a mil por hora. Os intrusos estavam tão desesperados em fugir, que não imaginavam que estavam indo direto para uma armadilha. Pacientemente, ela desceu de sua moto no meio da estrada escura, arrumou o capuz sobre a sua cabeça e esperou. Logo, um caminhão surgiu vindo desenfreado em sua direção, sendo forçado a desviar bruscamente para longe dela e, como consequência acabou perdendo o controle, saindo da estrada e caindo dentro da floresta.
A figura encapuzada se embrenhou pela floresta em busca de três vampiros que corriam frenéticos sob a noite escura, iluminada apenas pela lua cheia. E, como uma estratégia para distrai-la, eles se separaram em dois grupos. Logo, suas narinas pegaram no ar o cheiro de gasolina e também sangue, percebendo que alguém estava ferido. Havia rastros de sangue no chão que a levaram direto onde o caminhão estava todo destruído e coberto por chamas e, não muito longe dali, ela viu um corpo encostado num tronco de árvore caído.
Haviam alguns barulhos de animais noturnos se misturando com o próprio sopro do vento frio. Numa das árvores havia até um corvo parecendo observa-la, cautelosamente, enquanto ela se aproximava do homem debilitado.
— Oh, me ajude! — O humano traidor murmurou parecendo com dor. — Sinto muito atrapalhar a... a sua missão. — Ela deu de ombros e se aproximou dele, sempre com a espada em suas mãos.
— Professor Alaric Saltzman, como pôde trair a sua própria raça? — Ela questionou em alerta, sabendo que o humano não estava sozinho.
— Eu não enganei ninguém. Só decidi escolher um lado. — Ele franziu a testa mantendo uma expressão tensa e cautelosa.
— E escolheu o lado errado. — Ela disse mantendo sua postura fria e imponente, mirando a lâmina da espada a centímetros do rosto dele, fazendo Alaric recuar com o coração acelerado, mesmo sabendo que a Sentinela nunca mataria um humano. — Onde estão seus aliados, amigos, ou seja lá como você chama aqueles vampiros? Eles não iriam te abandonar aqui, não é? — A caçadora misteriosa disse estreitando os olhos numa atitude cínica. Em seguida, viu um vulto passar perto dela a colocando de novo em alerta.
Aquele vulto continuou se movendo freneticamente, estava brincando com ela, incitando-a, tentando encurrala-la, como um predador encurrala sua presa. A Sentinela ergueu a sua espada e furiosamente a jogou na direção do inimigo, porém curiosamente ela errou o alvo e a lâmina passou raspando o rosto dele.
— Opa, sinto muito, mas você errou! — Ouviu a primeira voz ressoar sarcástica pela noite.
— Deixa a gente ir embora. Nós já passamos da fronteira. — A segunda voz era feminina e estava, praticamente, suplicando.
— Essa é a nossa chance. Vamos apenas pegar o Ric e fugir daqui, agora! — Ouviu uma segunda voz gritar desesperada e essa lhe parecia levemente conhecida. Entretanto, era óbvio que a Sentinela nunca deixaria eles fugirem facilmente.
Então, ela escutou um estalo e, como um borrão, eles sugiram da escuridão por entre as árvores, com suas faces demoníacas e suas posturas predatórias.
O problema era que a caçadora misteriosa é uma exímia lutadora que não iria facilitar as coisas para os três vampiros. Sua inimiga era invencível e estava sedenta por destrui-los e até parecia que seu corpo todo era como sabão, deslizando por entre mãos que tentavam prendê-la e cada golpe dela era certeiro, potente e traiçoeiro lhes deixando em completa confusão, esgotados e sem uma rota de fuga.
— Vocês dois ajudem Ric. Eu vou ficar e... cuidar dessa vadia.
— Damon, isso é uma péssima ideia! — Stefan tentou dizer, mas já era tarde demais.
A Sentinela e Damon acabaram num confronto apenas entre os dois como se isso fosse algo pessoal, tendo como testemunha toda a floresta.
— Olha só pra você, vestindo a capa da Morte! — Damon rosnou sarcástico mostrando suas presas. — Então, Morte... você veio para nos levar para o inferno? — Toda essa provocação só deixou ela mais furiosa.
A Sentinela sabia que todo aquele papo furado, era porque o vampiro estava tentando ganhar tempo para que os outros fugissem. A cena a seguir, se transformou num confronto violento entre ambos os seres opostos: Entre chutes, murros, terra, grama revirada e corpos se chocando novamente entre si.
— Quem é você?! — Ele indagou já se sentindo cansado e machucado enquanto ela retornava, dessa vez, empunhando nas mãos a sua espada. — Se vou morrer aqui... ao menos eu gostaria de ver os olhos da minha assassina... — Agora o vampiro já não era tão arrogante, pois havia uma pitada de medo ali quando reconheceu a espada com a Pedra da Fênix.
— Tudo o que você precisa saber é que sua alma pertence a mim. — Ela disse se aproximando dele pronta para dar o golpe final. E foi naquele momento que Damon ficou em choque ao reconhecer a voz dela.
— Ei, qual é o seu problema, Bonnie Bennett? — Por um momento a Sentinela paralisou se sentindo confusa e tensa. — Essa não era bem a festa de boas-vindas que eu estava esperando. — O Vampiro continuou tagarelando com toda a sua petulância e a encarando com aqueles azuis insanos. — Especialmente da minha melhor amiga... — Então, ele lhe deu um sorriso torto que fez seu coração falhar uma batida. — Parece que você sentiu muito a minha falta, Bon-Bon. — Subitamente, suas palavras a deixaram desnorteada.
Aqueles olhos azuis começaram a perturba-la de uma forma inexplicável. A simples presença daquele vampiro e das coisas que ele dizia lhe causavam dúvidas, estranheza e, ao mesmo tempo, havia essa sensação de familiaridade. E, por um momento ela hesitou, até que uma vozinha interna a lembrou que os Imortais são bons na arte da manipulação. E era isso que aquele morto-vivo estava fazendo, tentando manipular a sua mente.
Eventualmente, Damon se levantou e ousou caminhar em sua direção e isso foi uma péssima escolha.
— Cala a sua boca, seu sanguessuga maldito! — Ela esbravejou, assim que sentiu o fogo do ódio arder em suas veias e a espada com a pedra da Fênix pesar em suas mãos, lembrando-a de sua missão. Ainda olhando naqueles azuis elétricos, a Sentinela ergueu a espada pronta para apunhalar o coração de Damon. Até que alguém resolveu aparecer e atrapalhar a sua missão:
— Fique longe dele! — Surpreendentemente, Elena Gilbert apareceu empunhando uma arma e atirando nela, fazendo-a cambalear para longe do vampiro. As balas continham algum tipo de veneno que, rapidamente, correram pela sua corrente sanguínea, fazendo-a fraquejar.
— Nós temos que ir antes do sol nascer. — Consequentemente, a Sentinela viu o vampiro de olhos azuis sendo arrastado por seus amigos para longe dela com a ajuda de Elena Gilbert que havia os traído.
Pela primeira vez, a Sentinela havia falhado em sua missão e, ao falhar, a Pedra da Fênix decidiu puni-la no lugar daqueles vampiros fugitivos, fazendo-a ser torturada com as visões daquelas almas condenadas que foram assassinadas por ela. Lembrando-a que ela foi criada para ser implacável e vingativa.
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